Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Alem das paginas

Fandom: dark romance

Criado: 15/06/2026

Tags

RomanceSombrioDramaPsicológicoCrimeIsekai / Fantasia PortalCiúmesSuspenseCrossoverAçãoMistérioLinguagem ExplícitaViolência GráficaFantasiaNoir GóticoAngústiaDor/ConfortoHorrorEstuproSobrevivênciaEstudo de Personagem
Índice

Páginas de Sangue e Obsessão

O silêncio na mansão Cassandro era uma ilusão perigosa, como a calmaria antes de um furacão atingir a costa. Davi estava parado diante da imensa vidraça de seu escritório, as mãos cruzadas nas costas, a postura rígida de um general que acabara de descobrir uma traição em suas próprias fileiras. Atrás dele, o ar estava carregado com o cheiro de pólvora, uísque caro e a tensão insuportável que Dante, Asher e Cole exalavam.

— Ela fez de novo — a voz de Davi era um sussurro letal, voltando-se para os três homens. — Sofia saiu por aquela porta sob a vigilância de vocês e desapareceu por quatro horas.

— Ela não desapareceu, Davi — Asher rebateu, limpando uma mancha de sangue imaginária de sua camisa social branca. — Nós sabíamos exatamente onde ela estava. O problema é que sua esposa tem o talento irritante de se misturar à multidão quando quer nos punir.

— Punir? — Cole soltou uma risada sombria, sentado em uma poltrona de couro, girando uma faca tática entre os dedos. — Ela não está nos punindo. Ela está nos caçando. Ela quer ver qual de nós vai quebrar primeiro e implorar para que ela volte para casa.

Dante, que permanecia encostado na estante de livros, os olhos escuros fixos na porta, não disse nada. Sua obsessão era silenciosa, mas a mais profunda. Ele ainda sentia o calor da pele de Sofia de quando a carregara à força no dia anterior. Para ele, ela não era apenas uma mulher; era a razão de sua existência física naquele mundo que não era o seu.

A discussão foi interrompida pelo toque estridente do telefone criptografado de Davi. Ele atendeu, e a expressão em seu rosto passou da irritação para uma frieza absoluta em segundos.

— Fale — ordenou ele. Após alguns segundos de silêncio, seus olhos se cravaram em Dante. — Como? Tem certeza? Certo. Prepare os homens.

Davi desligou e encarou os três "intrusos" literários.

— Temos um problema maior do que as fugas de Sofia. O submundo está em polvorosa. Há rumores de três homens "inexistentes" que apareceram do nada com habilidades de combate que desafiam a lógica. Alguém está investigando vocês. E não é a polícia.

— Quem? — Dante deu um passo à frente, sua aura intimidadora expandindo-se.

— Uma facção dissidente que quer derrubar minha hegemonia — Davi respondeu. — Eles acham que vocês são armas secretas que eu importei. E acabaram de atacar o galpão de distribuição ao sul. Eles estão procurando por "os fantasmas".

Antes que pudessem traçar um plano, o som de pneus cantando no cascalho da entrada ecoou. Sofia entrou no escritório segundos depois, ofegante, o cabelo castanho ondulado levemente bagunçado pelo vento. Ela segurava um envelope pardo com força.

— Sofia, eu avisei para você ficar no quarto — Davi rosnou, caminhando em sua direção.

— Esqueça o quarto, Davi! — ela exclamou, jogando o envelope sobre a mesa. — Eu estava voltando quando vi um carro preto me seguindo. Eu os despistei no beco da Sétima, mas um deles deixou isso cair quando eu bati no carro deles com o seu SUV.

Asher foi o primeiro a abrir o envelope. Ele empalideceu, algo raro para o homem que deveria ser o epítome da frieza. Dentro, havia fotos de Dante, Asher e Cole em seus respectivos "livros" — ilustrações detalhadas que capturavam exatamente as cenas de suas obras originais — ao lado de fotos polaroide recentes deles na mansão.

— Eles sabem — murmurou Cole, aproximando-se. — Eles sabem que não pertencemos a este lugar.

De repente, o som de uma explosão abalou as fundações da mansão. Vidros estilhaçaram no andar de baixo e o alarme de segurança começou a berrar.

— No chão! — Dante gritou, lançando-se sobre Sofia e cobrindo o corpo dela com o seu enquanto estilhaços de vidro voavam sobre eles.

— Eles estão aqui — Davi sacou sua pistola personalizada, os olhos brilhando com o instinto de proteção. — Asher, Cole, peguem o flanco esquerdo. Dante, tire ela daqui!

— Eu não vou a lugar nenhum sem entender o que está acontecendo! — Sofia protestou, tentando se desvencilhar de Dante, mas ele a segurou pela cintura com uma força inabalável.

— Agora não é hora de brincar de rebelde, Sofia! — Dante rosnou perto de seu ouvido. — Fique perto de mim ou eu juro que te algemo no porão assim que isso acabar.

O caos se instalou. Homens armados com táticas militares invadiram o hall. Pela primeira vez, a máfia de Davi e os personagens literários lutaram lado a lado. Davi era preciso, estratégico, cada tiro um alvo morto. Cole e Asher eram sombras letais, movendo-se com uma velocidade que parecia desumana, como se as leis da física não se aplicassem totalmente a eles.

Sofia, aproveitando um momento de distração de Dante enquanto ele abatia dois invasores, correu em direção ao hall. Ela precisava ver. Ela precisava saber quem eram aquelas pessoas. No meio do tiroteio, ela viu um homem parado perto da entrada destruída. Ele não usava capuz ou uniforme tático. Usava um sobretudo cinza e segurava algo pequeno em mãos.

— Sofia, volte aqui! — o grito de Davi ecoou, carregado de puro desespero e fúria.

Ela ignorou. O homem de cinza olhou diretamente para ela e sorriu. Ele levantou a mão, revelando uma página de papel amarelada, com as bordas queimadas. Antes que Sofia pudesse alcançá-lo, Asher a agarrou pelo braço, puxando-a para trás de uma coluna de mármore enquanto uma rajada de tiros atingia o local.

— Você quer morrer? — Asher gritou, o sarcasmo habitual substituído por uma raiva genuína. — Fique parada!

Em poucos minutos, o ataque cessou. Os invasores sobreviventes recuaram, deixando para trás um rastro de destruição e corpos. O homem de cinza havia desaparecido.

A tensão no escritório, horas depois, era tóxica. Davi andava de um lado para o outro, a camisa manchada de sangue que não era seu.

— Você quase se matou — Davi parou diante de Sofia, que estava sentada no sofá, os braços cruzados. — Se um daqueles tiros tivesse te acertado...

— Mas não acertou — ela rebateu, embora suas mãos estivessem tremendo levemente. — Vocês viram aquele homem? Ele tinha uma página. Era uma página de um livro.

— Não era apenas uma página — Cole disse, entrando no escritório com uma expressão sombria. — Eu encontrei isto no chão, onde ele estava parado.

Ele colocou sobre a mesa um pedaço de papel. Sofia o pegou. Seu coração parou. O texto descrevia exatamente o que acabara de acontecer: o ataque à mansão, a explosão, e a reação de cada um deles. Mas o livro de onde aquela página viera ainda não havia sido escrito. Ou, pelo menos, não na linha temporal que ela conhecia.

— Tem mais gente vindo — Asher disse, olhando para a janela quebrada. — Se personagens como nós estão aparecendo, e se alguém tem o "roteiro" do que vai acontecer hoje... o jogo mudou. Não somos mais apenas curiosidades. Somos alvos.

Davi olhou para os três homens e depois para Sofia. A rivalidade entre eles não havia desaparecido, mas o instinto de proteção sobre Sofia agora era uma força coletiva e esmagadora.

— Ninguém sai desta casa — Davi decretou. — Dante, Asher, Cole... vocês ficam. Mas se algum de vocês tocar nela sem minha permissão, eu mesmo os mando de volta para o inferno de papel de onde vieram.

— Você não tem poder para nos mandar de volta, Davi — Dante disse, aproximando-se de Sofia e tocando o rosto dela com uma possessividade que fez o marido de Sofia cerrar os punhos. — E quanto a tocá-la... acho que você já perdeu esse controle há muito tempo.

Davi avançou, agarrando o colarinho de Dante. A briga iminente foi interrompida pelo som da voz de Sofia, baixa e carregada de uma intenção perigosa.

— Chega. Eu estou cansada de ser o troféu de vocês. Se querem me proteger, provem que conseguem conviver sem destruir minha casa.

Ela se levantou e caminhou em direção ao quarto principal, o andar superior da mansão. Mas ela não foi sozinha. A adrenalina da luta, o medo da perda e a tensão sexual acumulada durante semanas de provocações haviam chegado ao ponto de ruptura.

Davi a seguiu primeiro, mas Dante, Asher e Cole não ficaram para trás. A necessidade de reafirmar a posse sobre ela, de sentir que ela estava viva e segura sob seus domínios, era um incêndio que nenhum deles conseguia apagar.

Ao entrar no quarto, Sofia se virou. Davi fechou a porta e a trancou. O silêncio ali era denso, elétrico.

— Vocês acham que podem me trancar aqui? — Sofia perguntou, a voz desafiadora, embora seu corpo reagisse à presença dos quatro homens que a cercavam.

— Não vamos te trancar, Sofia — Cole murmurou, aproximando-se por trás dela, suas mãos descendo pelos ombros dela até a cintura. — Vamos apenas garantir que você se lembre a quem pertence.

Davi parou à frente dela, desabotoando os primeiros botões de sua camisa.

— Você gosta de testar nossos limites, não gosta? — a voz de Davi era um rosnado baixo. — Gosta de ver como ficamos loucos quando você desaparece. Gosta de saber que quatro homens matariam e morreriam por um olhar seu.

— Eu gosto de poder — Sofia admitiu, sua respiração acelerando quando Dante se aproximou pelo lado, sua mão subindo pela coxa dela, por baixo do vestido rasgado.

— Então sinta o peso desse poder — Dante sussurrou contra o pescoço dela.

O que se seguiu foi uma sinfonia de possessividade e desejo. Não havia delicadeza, apenas a necessidade bruta de marcar território. Davi a beijou com a autoridade de um marido e o fogo de um amante traído, suas mãos grandes explorando cada curva de seu corpo como se estivesse reivindicando o que era seu por direito.

Asher, sempre o observador calculista, mantinha os olhos fixos nos dela enquanto suas mãos percorriam a pele de Sofia, provocando arrepios que ela não conseguia esconder. Cole era mais intenso, seus toques beirando a obsessão, sussurrando palavras sombrias sobre como ele nunca a deixaria ir, sobre como ela era a única coisa real em sua existência fictícia.

Sofia estava no centro do furacão. Ela sentia as mãos de Davi em seus cabelos, os lábios de Dante em seus ombros, o calor de Cole contra suas costas e o olhar gélido e faminto de Asher devorando sua alma. Era o caos que ela havia provocado, a tempestade que ela tanto desejara.

— Digam meu nome — ela arquejou, as costas arqueando-se quando as mãos de Davi e Dante se encontraram sobre sua pele, uma disputa silenciosa por espaço.

— Sofia — os quatro vozes ecoaram, cada uma com uma entonação diferente: comando, adoração, fome e perigo.

Naquela noite, a mansão Cassandro não foi um campo de batalha de máfia, mas um altar de obsessão. Sofia Silva, a mulher que brincava com monstros, descobriu que, quando se provoca o abismo por tempo demais, o abismo não apenas olha de volta, mas a puxa para dentro com uma força da qual ela nunca mais quereria escapar.

Horas mais tarde, enquanto Sofia dormia exausta entre eles, Davi permanecia acordado, observando a página de livro sobre a mesa de cabeceira. Lá fora, nas sombras além dos portões da mansão, o homem de cinza observava a janela iluminada. Ele segurava uma caneta tinteiro e uma nova página em branco.

Ele começou a escrever.

"E assim, a Rainha dos Monstros acreditou que estava segura em seu ninho de lobos, sem saber que o verdadeiro autor da sua história acabara de chegar à cidade."
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic