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E quando ninguém esperava

Fandom: Escola

Criado: 15/06/2026

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Entre o Silêncio e o Arrepio

A porta da frente bateu com um som surdo, ecoando pelo hall de entrada da casa de campo da família de Sofia. O som do motor do carro dos pais dela desaparecendo na estrada de terra foi o sinal definitivo: eles estavam sozinhos. Sete dias. Uma semana inteira sem horários, sem professores, sem a vigilância constante dos inspetores da escola e, principalmente, sem adultos por perto.

Sofia Ribeiro respirou fundo, sentindo o ar fresco que entrava pelas janelas abertas. Ela era alta, e seus cabelos castanhos caíam em ondas suaves pelos ombros. Embora fosse conhecida na escola por sua alegria contagiante e pelo jeito sonhador, havia uma timidez que sempre aflorava quando o assunto era Bernardo Ferreira.

Ele estava parado ao lado da mesa de jantar, segurando sua mochila. Bernardo era um pouco mais baixo que ela, mas compensava a estatura com uma presença vibrante. Ele tinha aquele sorriso de canto de boca que misturava inocência e uma ousadia que Sofia ainda estava tentando decifrar.

— Então... — começou Bernardo, quebrando o silêncio que ameaçava se tornar desconfortável. — Parece que somos só nós dois e o barulho dos grilos.

Sofia riu, sentindo as bochechas esquentarem.

— É o que parece. O que você quer fazer primeiro? Temos comida na geladeira, uma televisão gigante e... bom, o mundo é nosso até domingo que vem.

Bernardo largou a mochila no chão e deu alguns passos em direção a ela. O jeito brincalhão dele deu lugar a um olhar mais intenso, daqueles que faziam Sofia sentir um frio na barriga.

— Eu tenho algumas ideias — disse ele, a voz um pouco mais grave. — Mas acho que a primeira coisa é decidir quem vai ficar com o quarto principal.

— Ah, nem pense nisso, Ferreira! — Sofia recuperou sua postura extrovertida e correu em direção às escadas. — Eu cheguei primeiro!

— Isso é golpe baixo, Ribeiro! — gritou ele, correndo logo atrás.

A perseguição terminou no corredor do segundo andar. Sofia parou subitamente na porta do quarto, e Bernardo, que vinha logo atrás, não conseguiu frear a tempo. Ele colidiu contra as costas dela, as mãos instintivamente segurando a cintura fina de Sofia para não caírem.

O riso parou no ar. O contato físico, embora acidental, enviou uma descarga elétrica pelos corpos de ambos. Sofia sentiu a respiração de Bernardo na sua nuca, e ele sentiu o perfume de baunilha que sempre emanava da pele dela.

— Ganhei — sussurrou ela, embora sua voz tenha saído um pouco trêmula.

Bernardo não soltou a cintura dela de imediato. Ele inclinou o rosto, aproximando-se do ouvido de Sofia.

— Ganhou o quarto — murmurou ele —, mas eu ainda não desisti do prêmio de consolação.

Ele se afastou com um piscar de olhos travesso e entrou no quarto ao lado, deixando Sofia parada no corredor, com o coração batendo tão forte que ela achou que ele poderia pular do peito.

A primeira noite caiu lentamente. Eles cozinharam juntos — ou tentaram, entre guerras de farinha e risadas sobre o macarrão que quase passou do ponto. Depois do jantar, o clima mudou. A casa, antes cheia de sons de brincadeiras, tornou-se um refúgio de sombras e luz de velas, já que Bernardo decidiu que "luzes artificiais estragavam a estética".

Eles estavam sentados no sofá da sala, um filme qualquer passando na TV, mas nenhum dos dois prestava atenção. Sofia estava encolhida em um canto, observando Bernardo pelo canto do olho. Ele parecia mais calmo, menos brincalhão.

— Sofia — chamou ele, virando-se para ela.

— Hum?

— Você já se sentiu como se estivesse esperando por algo há muito tempo, mas tivesse medo de que, quando acontecesse, não fosse real?

Sofia sentou-se mais ereta, a timidez lutando contra o desejo de ser honesta.

— Todos os dias, Bernardo. Especialmente na escola, quando a gente se olha no corredor e você faz aquela piada boba só para me ver rir.

Bernardo se aproximou, diminuindo o espaço no sofá.

— Eu não faço as piadas só para te ver rir — disse ele, a voz carregada de uma seriedade rara. — Eu faço porque é o único jeito que eu encontrei de chegar perto de você sem perder o fôlego.

Ele estendeu a mão e tocou o rosto dela, o polegar acariciando a maçã da face. Sofia fechou os olhos, entregando-se ao toque.

— Você é tão linda, Sofia. E eu sou só o Bernardo, o cara baixinho que faz palhaçada.

— Você é o Bernardo que me faz sentir que eu posso tocar as nuvens — respondeu ela, abrindo os olhos e encontrando os dele. — E eu não quero mais esperar.

Bernardo não precisou de mais nenhum convite. Ele se inclinou e selou seus lábios nos dela. O beijo começou lento, uma exploração cuidadosa de territórios há muito desejados. A doçura inicial logo se transformou em algo mais urgente. As mãos de Sofia se perderam nos cabelos dele, enquanto as de Bernardo desceram para as costas dela, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda restasse.

A temperatura da sala pareceu subir vários graus. O beijo tornou-se profundo, faminto. Bernardo a puxou para o seu colo, e Sofia sentiu a força dele sob ela. A ousadia dele, antes escondida atrás de piadas, agora se manifestava em cada toque, em cada carícia que subia pela coxa dela.

— Sofia... — ofegou ele entre os beijos. — Tem certeza?

— Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida — respondeu ela, a voz rouca de desejo.

Ele a pegou no colo com uma facilidade que a surpreendeu e a levou para o quarto. A luz da lua entrava pela janela, banhando a cama com um brilho prateado. Ali, no silêncio da noite, as roupas foram deixadas de lado, revelando a vulnerabilidade e o desejo de dois jovens que se amavam em segredo há meses.

Cada toque era uma descoberta. Bernardo era cuidadoso, mas a paixão que sentia por ela transbordava em cada movimento. Seus lábios percorreram o pescoço de Sofia, descendo pelo colo, arrancando suspiros baixos e gemidos que ela não conseguia conter.

— Você é perfeita — sussurrou ele, admirando-a sob a luz lunar.

— E você é meu — respondeu ela, puxando-o para si.

A noite foi uma sinfonia de pele contra pele, de promessas sussurradas e de uma conexão que ia muito além do físico. No ápice daquela entrega, Sofia sentiu que seus sonhos mais profundos finalmente haviam encontrado a realidade.

Na manhã seguinte, o sol inundou o quarto. Sofia acordou sentindo o peso reconfortante do braço de Bernardo sobre sua cintura. Ela se virou devagar, observando-o dormir. Ele parecia tão tranquilo, tão diferente do garoto inquieto da escola.

Bernardo abriu os olhos e sorriu ao vê-la.

— Bom dia, sonhadora.

— Bom dia, ousado — brincou ela, escondendo o rosto no peito dele.

— Sabe que ainda temos seis dias, não sabe? — perguntou ele, beijando o topo da cabeça dela.

— O que você sugere que façamos?

Bernardo deu aquele sorriso de canto de boca que Sofia tanto amava.

— Eu sugiro que a gente comece tudo de novo. Mas, desta vez, eu quero ver se você é mesmo tão rápida na cozinha quanto foi para subir as escadas ontem.

Sofia riu, sentindo uma felicidade plena.

— Você está me desafiando, Ferreira?

— Talvez — disse ele, puxando o lençol e cobrindo os dois. — Mas o café da manhã pode esperar mais uma hora, não acha?

A semana que se seguiu foi um borrão de momentos intensos e românticos. Eles nadaram no lago próximo, caminharam pela floresta de mãos dadas e passaram horas conversando sobre o futuro, sobre a faculdade e sobre como as coisas seriam diferentes quando voltassem para a escola.

Em uma das tardes, enquanto estavam deitados em uma rede na varanda, Sofia olhou para o céu alaranjado do pôr do sol.

— Bernardo, você acha que isso vai mudar quando voltarmos?

Ele parou de balançar a rede e olhou profundamente nos olhos dela.

— Vai mudar sim — afirmou ele com convicção. — Antes, a gente se olhava e imaginava. Agora, a gente se olha e sabe. Eu não vou deixar você escapar, Sofia Ribeiro. Nem que eu tenha que subir em cima de uma mesa no refeitório e declarar para todo mundo que eu sou louco por você.

Sofia riu, imaginando a cena.

— Você não teria coragem.

— Quer apostar? — Ele se inclinou e a beijou com uma intensidade que a deixou sem fôlego. — Eu sou um pouco tímido, mas você sabe... às vezes eu sou bem ousado.

Eles aproveitaram cada segundo daquela liberdade. As noites continuaram sendo quentes e cheias de paixão, um refúgio onde podiam ser eles mesmos, longe das expectativas e dos rótulos. Sofia descobriu que Bernardo era muito mais do que o palhaço da turma; ele era sensível, protetor e profundamente apaixonado por ela. E Bernardo descobriu que a timidez de Sofia escondia uma mulher forte, decidida e dona de uma sensualidade que o deixava completamente rendido.

No último dia, enquanto arrumavam as malas, o silêncio era nostálgico, mas não triste.

— Triste por ir embora? — perguntou Bernardo, fechando o zíper da mochila.

— Um pouco — admitiu Sofia. — Mas estou feliz porque essa casa não é mais apenas a casa de campo dos meus pais. Agora é o lugar onde a gente começou de verdade.

Bernardo caminhou até ela e a abraçou por trás, cruzando os braços sobre o peito dela.

— Não é o fim da semana, Sofia. É o começo de tudo o resto.

— Promete? — perguntou ela, virando-se nos braços dele.

— Prometo — disse ele, antes de um último beijo longo e cheio de promessas. — E se eu esquecer, você pode me lembrar com aquele olhar que você me deu na primeira noite.

Sofia sorriu, sentindo-se a garota mais sortuda do mundo. Eles saíram da casa, trancando a porta e deixando para trás as paredes que guardariam seus segredos, mas levando consigo uma chama que, ambos sabiam, dificilmente se apagaria. O caminho de volta para a escola seria o mesmo, mas eles, definitivamente, não eram mais os mesmos.
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