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Fame is a gun

Fandom: Famous

Criado: 15/06/2026

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RomanceDramaAngústiaFatias de VidaEstudo de PersonagemRealismo
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Café, Canela e Confidências

O tilintar do sino acima da porta de vidro era um som que Julian Vane conhecia bem, talvez bem demais para alguém cuja face estava estampada em outdoors da Times Square e cujo último álbum ocupava o topo das paradas globais há seis semanas consecutivas. Ele abaixou a aba do boné de beisebol e ajustou os óculos escuros, mesmo que o sol de Londres estivesse escondido atrás de uma camada espessa de nuvens cinzentas.

O café "The Grumpy Bean" era um refúgio de madeira rústica e cheiro de grãos torrados, escondido em um beco estreito que os paparazzi ainda não haviam mapeado. E, no centro desse refúgio, estava a razão pela qual Julian arriscava sua carreira e sua privacidade todas as manhãs.

Leo estava de costas, vaporizando leite com uma precisão que beirava o artístico. O avental de lona escura estava manchado de café, e as mangas da camisa branca estavam dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes que trabalhavam com agilidade.

Julian aproximou-se do balcão, o coração batendo em um ritmo que nenhuma multidão de estádio jamais conseguira provocar.

— O de sempre, Julian? — perguntou Leo, virando-se com um sorriso que fez os joelhos do cantor fraquejarem.

— Você tem uma memória perigosa, Leo — respondeu Julian, tentando manter a voz baixa e rouca, o tom que usava para passar despercebido.

— É difícil esquecer o único cliente que pede um latte de aveia com um toque extra de canela e olha para a porta como se estivesse fugindo de um assalto a banco — Leo riu, os olhos castanhos brilhando de diversão.

Julian olhou ao redor rapidamente. Havia apenas uma senhora lendo um jornal em um canto e um estudante de fones de ouvido. Ele se inclinou sobre o balcão, sentindo o calor da máquina de espresso.

— Eu só valorizo minha paz. E o seu café. Principalmente o seu café.

Leo começou a preparar a bebida. O som do moedor preencheu o silêncio entre eles por alguns segundos.

— Soube que você esteve em Paris no fim de semana — comentou Leo, sem olhar para cima. — Vi algo sobre um show esgotado perto da Torre Eiffel.

Julian sentiu uma pontada de ansiedade. Ele tentava manter sua "vida de estrela" o mais longe possível daquele balcão.

— Foi apenas trabalho. Barulhento, cansativo e sem um café decente à vista.

— Deve ser difícil — disse Leo, entregando a xícara de cerâmica. — Viver em dois mundos que nunca se tocam.

Julian envolveu a xícara com as mãos, sentindo o calor reconfortante.

— Às vezes eu sinto que estou prendendo a respiração o tempo todo — confessou ele, baixando a guarda por um instante. — Só consigo soltar o ar quando entro aqui.

Leo apoiou os cotovelos no balcão, diminuindo a distância entre eles. O cheiro de café que emanava dele era inebriante.

— Se alguém te visse agora, Julian, não acreditaria. O "Rei do Pop" confessando vulnerabilidade para um barista que mal consegue pagar o aluguel do estúdio de pintura.

— O "Rei do Pop" é um personagem criado por uma gravadora e alimentado por tabloides — Julian disse com amargura. — O cara que gosta de canela e de como você inclina a cabeça quando está concentrado... esse é o real.

Leo desviou o olhar, um leve rubor subindo por suas bochechas.

— Você não deveria dizer essas coisas. Sabe o que aconteceria se alguém tirasse uma foto nossa? Se descobrirem que você passa as manhãs flertando com um desconhecido em um café de segunda categoria?

— Eu não me importo com a imprensa — mentiu Julian, embora soubesse que seu contrato de imagem tinha cláusulas rigorosas sobre "escândalos" e "vida privada". — Eu só me importo com o que você pensa.

— Eu penso que você é louco — Leo sorriu, mas havia uma doçura em seu tom. — E penso que seu café está esfriando.

Julian deu um gole, sentindo o sabor perfeito. Ele queria ficar ali para sempre, mas o vibrar constante em seu bolso o lembrava de que o mundo lá fora não parava. Era seu empresário, Marcus, provavelmente enviando o itinerário para a sessão de fotos da tarde.

— Eu tenho que ir — disse Julian, a relutância clara em sua voz.

— Eu sei. O dever chama.

— Leo? — Julian hesitou, a mão já na maçaneta da porta. — O que você vai fazer na sexta à noite?

Leo soltou uma risada curta, guardando um pano de prato.

— Provavelmente limpando as máquinas e tentando terminar uma tela. Por quê?

— Eu queria te levar a um lugar. Um lugar onde ninguém nos conheça. Sem bonés, sem óculos, sem segredos.

Leo parou o que estava fazendo. A expressão em seu rosto era uma mistura de desejo e medo.

— Julian, você sabe que isso é quase impossível. O mundo é pequeno para alguém como você.

— Eu dou um jeito — insistiu o cantor. — Por favor. Só uma noite.

Leo suspirou, rendendo-se ao brilho esperançoso nos olhos azuis de Julian.

— Tudo bem. Me mande uma mensagem. Mas use aquele número secreto, não o que os assistentes atendem.

Julian sorriu, um sorriso verdadeiro que raramente aparecia em suas fotos oficiais.

— Combinado. Até sexta, Leo.

Ao sair para a rua úmida de Londres, Julian sentiu a máscara de celebridade cair sobre ele novamente. Ele levantou a gola do casaco e mergulhou na multidão, mas o calor do café e a promessa de sexta-feira permaneciam em seu peito como um segredo precioso.

No entanto, do outro lado da rua, escondido atrás de uma banca de jornais, um homem com uma câmera de lente longa ajustava o foco. O clique quase inaudível capturou Julian saindo do café, o rosto ainda iluminado pelo último olhar trocado com o barista.

A bolha de Julian estava prestes a estourar, e ele nem sequer sabia.

Dentro do café, Leo observava a silhueta de Julian desaparecer entre os transeuntes. Ele tocou o balcão onde a mão de Julian estivera segundos atrás.

— No que eu estou me metendo? — sussurrou para si mesmo, enquanto o cheiro de canela ainda pairava no ar, como uma doce e perigosa promessa.

A sexta-feira chegou com uma tempestade que parecia refletir o tumulto interno de Julian. Ele passou o dia em um estúdio de ensaio, repetindo coreografias até que seus músculos queimassem, mas sua mente estava a quilômetros dali.

— Você está distraído, Julian — observou Marcus, cruzando os braços enquanto a música parava. — Errou o tempo da ponte três vezes. Algum problema?

— Só cansaço, Marcus — mentiu Julian, pegando uma garrafa de água. — O álbum novo está exigindo muito de mim.

— O álbum ou as suas escapadas matinais? — O empresário aproximou-se, a voz baixa e carregada de advertência. — Eu vi os relatórios de segurança. Você tem frequentado aquele café no Soho todos os dias. Sozinho. Sem escolta.

Julian sentiu o sangue gelar.

— É apenas um café, Marcus. Gosto do ambiente.

— Espero que seja apenas o café. Lembre-se do que conversamos sobre a sua imagem. O público quer o ídolo solteiro e inalcançável, ou em um romance de capa de revista com alguém do seu nível. Não precisamos de complicações.

— Minha vida não é um plano de marketing 24 horas por dia — rebateu Julian, sentindo a raiva borbulhar.

— Enquanto eu for seu empresário, ela é exatamente isso. Agora, descanse. Temos o tapete vermelho amanhã.

Julian não respondeu. Ele esperou Marcus sair e, assim que teve certeza de que estava sozinho no camarim, pegou o telefone.

"Estarei aí às 20h. Pelos fundos. Use um casaco pesado."

A resposta de Leo veio minutos depois, simples e direta:

"Estarei esperando."

Às oito da noite, Julian dirigia seu próprio carro — um modelo comum e discreto que mantinha para essas ocasiões — pelas ruas laterais de Londres. Ele estacionou no beco atrás do "The Grumpy Bean". A porta dos fundos se abriu e Leo saiu, vestindo um sobretudo escuro e parecendo nervoso.

— Você veio mesmo — disse Leo, entrando no carro e fechando a porta rapidamente.

— Eu disse que viria.

Eles dirigiram para longe do centro, em direção a um pequeno observatório privado no topo de uma colina que pertencia a um amigo de confiança de Julian. Durante o trajeto, a conversa fluiu com uma facilidade que assustava Julian. Eles não falaram de música ou de fama; falaram de cores, de infância, de como o cheiro da chuva em Londres era diferente do cheiro da chuva em qualquer outro lugar.

Quando chegaram ao topo da colina, a vista da cidade iluminada era de tirar o fôlego. O observatório era um espaço pequeno, circular, com um telescópio antigo e janelas que iam do chão ao teto.

— É lindo — sussurrou Leo, aproximando-se do vidro. — É como se o mundo estivesse aos nossos pés, mas em silêncio.

Julian parou ao lado dele, observando o perfil de Leo sob a luz fraca das estrelas.

— É o único lugar onde sinto que o mundo não pode me tocar — disse Julian. — E eu queria compartilhar isso com você.

Leo virou-se para ele, a expressão séria.

— Julian, por que eu? Existem milhares de pessoas que dariam tudo para estar aqui com você. Pessoas que entendem a sua vida, que não teriam medo de um flash de câmera.

Julian estendeu a mão, tocando levemente o rosto de Leo com as costas dos dedos.

— Porque você me olha e não vê o "Julian Vane". Você vê o cara que coloca canela demais no café. Você me faz sentir... real. E eu estou cansado de ser uma ideia, Leo. Eu quero ser um homem. O seu homem, se você permitir.

O silêncio que se seguiu foi carregado de expectativa. Leo fechou os olhos, inclinando-se para o toque de Julian.

— Isso vai acabar em desastre — murmurou Leo, mas não se afastou.

— Então vamos fazer desse desastre a coisa mais bonita que já aconteceu — respondeu Julian.

Ele se aproximou, eliminando o espaço entre eles. O beijo foi lento, com gosto de café e uma urgência contida. Era a confirmação de tudo o que vinham sentindo nos últimos meses entre balcões e xícaras de porcelana.

Por um momento, não havia empresários, não havia fãs, não havia paparazzi. Havia apenas dois homens em um observatório, tentando esconder o sol com a peneira, sem saber que o amanhã traria o brilho ofuscante da realidade.

Enquanto se abraçavam sob a cúpula de vidro, o telefone de Julian, esquecido no console do carro, iluminava-se repetidamente com notificações de um site de fofocas. A manchete, acompanhada por uma foto granulada de dois homens conversando intimamente em um café, dizia: "O Segredo de Julian Vane: Quem é o misterioso barista que roubou o coração do ídolo?".

A tempestade lá fora estava apenas começando. Mas, naquele momento, dentro do observatório, Julian finalmente conseguia respirar.
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