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Neve do amor

Fandom: Magi

Criado: 16/06/2026

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O Ar Gelado de Santiago e o Silêncio de Matias

O despertador tocou pontualmente às 05:00 da manhã. O quarto de Giovanna, no coração de um dos bairros mais luxuosos e modernos de Santiago, estava mergulhado em uma penumbra azulada, quebrada apenas pelos reflexos das luzes da cidade que entravam pelas amplas janelas de vidro. Gi espreguiçou-se, sentindo o conforto dos lençóis de fios egípcios, mas não se permitiu hesitar. A disciplina era algo que carregava no DNA, herdada de seu pai, Kaká. Morar sozinha no Chile era a realização de um sonho que unia sua paixão pelo frio e pela neve com a necessidade de trilhar seu próprio caminho no Direito, longe das sombras constantes da fama do pai no Brasil, em Barcelona ou Dubai.

Ela levantou e sentiu o piso aquecido sob os pés. O apartamento era um presente de seu pai, um gesto de amor que ela valorizava profundamente. Gi não precisava se preocupar com aluguel, o que permitia que ela focasse cem por cento em sua evolução pessoal. Após um banho rápido para despertar, ela vestiu seu conjunto favorito da Alo Yoga: uma legging de cintura alta e um top de sustentação em tom de azul-petróleo, sobrepondo com um casaco térmico leve. Seu corpo, esculpido por anos de hipismo e musculação, era o resultado de uma rotina que ela amava.

Na cozinha minimalista, o som do liquidificador quebrou o silêncio. Gi preparou seu sagrado whey de doce de leite batido com morangos frescos. Enquanto bebia, ela pegou o celular para checar as redes sociais. Ela tinha milhões de seguidores, mas postava de forma seletiva. Decidiu gravar um pequeno clipe da vista da cordilheira ao amanhecer para o seu "Daily Vlog".

— Bom dia, Santiago. Hoje o treino é de pernas — sussurrou para a câmera, sorrindo com sua beleza natural, os longos cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo impecável.

Pouco depois, ela desceu para a garagem e entrou em seu Volvo XC60 preto. O trajeto até a academia foi rápido. O frio de 2°C lá fora era o clima perfeito para ela. No treino, Gi era focada. Entre uma série de agachamentos e outra, ela checou as mensagens do grupo "A Família", composto por seus amigos da faculdade.

*Bruna: "Gente, a casa em Valle Nevado está confirmada para sexta à noite! Preparem os esquis!"*
*Arthur: "Partiu! Gi, você faz aquele brownie de chocolate belga que só você sabe?"*
*Jade: "Se a Gi fizer o brownie, eu levo os vinhos!"*

Gi sorriu e digitou rapidamente: * "Com certeza, Arthur! Vou testar uma receita nova com flor de sal." *

Ela notou que Matias visualizou a mensagem, mas, como de costume, não comentou nada. Matias era o único ponto de interrogação em sua vida chilena. Ele era alto, de olhos verdes intensos e uma presença que preenchia qualquer ambiente. Ele era o melhor amigo de Arthur e Pedro, e embora todos no grupo fossem extremamente unidos, entre Gi e Matias existia um muro de silêncio. Não era ódio, era uma tensão inexplicável. Ele era reservado, observador e, assim como ela, amava o esporte e a disciplina. Mas, por algum motivo, eles mal trocavam três palavras seguidas.

Após o treino e um segundo banho, Gi trocou a roupa de academia por um conjunto elegante, mas ainda casual, seguindo seu estilo inspirado em Alexandra Leclerc: uma calça de alfaiataria bege, um suéter de gola alta creme e um sobretudo de lã batida. Ela seguiu para a faculdade, onde tomou seu café da manhã — um sanduíche natural de frango com ricota — enquanto revisava Processo Civil.

As aulas passaram voando. Gi era brilhante, falava quatro idiomas fluentemente e estava se dedicando ao italiano. Na saída, encontrou o grupo no pátio.

— Gi! — gritou Maria Luiza, abraçando-a. — Você viu que o Lando postou uma foto com a sua camiseta da sorte?

— Eu vi! — Gi riu, lembrando-se do amigo piloto de Fórmula 1. — O Lando é uma figura. Ele me mandou mensagem ontem reclamando do simulador.

— É bizarro como você é casual sobre ser amiga dos caras que a gente vê no pódio todo domingo — comentou João, rindo.

— Eles são só garotos que gostam de correr, João — respondeu ela, simples.

Matias estava encostado em sua BMW X6 branca, a poucos metros dali, conversando com Henrique. Ele usava uma jaqueta de couro preta que realçava seus ombros largos. Por um segundo, seus olhos verdes encontraram os castanhos de Gi. Ele apenas assentiu levemente com a cabeça, um cumprimento silencioso que ela retribuiu com a mesma economia de gestos.

A tarde de Gi foi dedicada ao estágio em um renomado escritório de advocacia no centro de Santiago. Ela vestiu um blazer estruturado e saltos, assumindo sua postura profissional. Ela amava a prática, a forma como as leis se aplicavam ao mundo real. Às 16:00, conforme sua rotina, ela foi liberada. Como era terça-feira, não era dia de corrida na rua, mas sim de hipismo.

No haras, o cheiro de feno e cavalos trazia uma paz imediata. Gi montava desde pequena. Enquanto preparava seu cavalo, um imponente puro-sangue, ela sentiu o celular vibrar. Era uma notificação do Instagram. Ela havia postado uma foto mais cedo: um "dump" de fotos que incluía ela na academia, uma foto do seu café e uma selfie no espelho do elevador com seu look de inverno.

*Comentários:*
*@LandoNorris: "Still waiting for those Brazilian brigadeiros you promised..." (Ainda esperando por aqueles brigadeiros brasileiros que você prometeu...)*
*@Kaka: "Orgulho da minha princesa! Aproveite o frio!"*
*@User99: "Como pode ser tão perfeita? O corpo dos sonhos!"*
*@Jade_Real: "Minha advogata favorita!"*

Gi sorriu e guardou o telefone. A montaria exigia foco total. Ela saltou obstáculos com a precisão de quem conhecia cada músculo do animal. Ao terminar, estava revigorada. Voltou para casa, teve sua aula de italiano via Zoom e mergulhou nos livros da faculdade até as 20:00.

O grupo decidiu se reunir para jantar em um restaurante de massas artesanais. Gi chegou e sentou-se entre Charlotte e Bruna. Matias estava sentado exatamente à sua frente.

— Então, Gi — começou Pedro —, o plano para o fim de semana é sair de Santiago às 19:00 na sexta. Vamos todos na X6 do Matias e no seu Volvo?

— Por mim, perfeito — disse Gi. — O porta-malas do Volvo é enorme, cabe todo o equipamento de esqui.

— Eu posso levar as pranchas no rack da BMW — disse Matias, sua voz grave sendo ouvida pela primeira vez de forma clara naquela noite. — Mas alguém vai ter que ir comigo para ajudar a descarregar quando chegarmos na montanha.

— Eu vou com o Matias! — disse Arthur rapidamente, já prevendo a bagunça.

O jantar foi cheio de risadas. Eles eram uma família por escolha. Todos ali vinham de famílias ricas, mas a ostentação não tinha espaço entre eles. O que importava era a lealdade e as aventuras que viviam juntos. Gi, como sempre, era a ouvinte atenta, a amiga que oferecia conselhos práticos e que não hesitava em ajudar ninguém.

No final da noite, enquanto caminhavam para o estacionamento sob uma leve neve que começava a cair, Gi tropeçou levemente em uma placa de gelo. Antes que pudesse cair, uma mão firme segurou seu braço.

— Cuidado — disse Matias, a voz baixa, quase um sussurro contra o vento frio.

Ele a segurou por um segundo a mais do que o necessário. Gi sentiu o calor da mão dele através do seu sobretudo.

— Obrigada, Matias — ela respondeu, olhando-o nos olhos.

Houve um momento de silêncio entre os dois, enquanto os outros amigos já entravam nos carros, gritando e brincando.

— Você vai mesmo fazer aquele brownie? — ele perguntou, sem soltar o braço dela.

— Vou. Por quê? Você não gosta de doce?

— Eu gosto — ele deu um meio sorriso, algo raro. — Especialmente se for feito por alguém que entende de culinária tanto quanto de cavalos.

Gi sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com a temperatura de Santiago.

— Então você andou me observando no haras? — ela provocou, recuperando sua postura funcional.

— Eu observo tudo, Giovanna. Especialmente o que vale a pena.

Ele soltou o braço dela, piscou e caminhou em direção à sua BMW branca. Gi ficou ali por alguns segundos, vendo os flocos de neve derreterem em suas mãos, antes de entrar em seu Volvo. O fim de semana nas montanhas prometia ser muito mais do que apenas esqui e neve.

Ao chegar em casa, Gi tirou a maquiagem, fez sua rotina de skincare e deitou-se. Antes de dormir, postou uma última foto nos stories: uma imagem da neve caindo sobre o para-brisa do carro com a legenda: "Winter magic in Santiago ❄️🇨🇱".

Ela fechou os olhos, pensando na rotina do dia seguinte, no estágio, na corrida de 5km que faria ao amanhecer e, inevitavelmente, no toque de Matias. A vida no Chile era intensa, produtiva e exatamente o que ela precisava para se tornar a mulher que desejava ser. Com a disciplina de um atleta e o coração de uma aventureira, Giovanna estava pronta para qualquer desafio que a Cordilheira dos Andes — ou um certo par de olhos verdes — colocasse em seu caminho.
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