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A protegida

Fandom: Crepúsculo

Criado: 16/06/2026

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Sussurros, Muffins e o Som do Coração

A floresta de La Push sempre teve um cheiro específico que eu amava: terra molhada, pinheiros e aquele salitre vindo do oceano que parecia abraçar a gente. Eu caminhava tranquilamente, sentindo a brisa balançar minha saia preta longa — aquela com a estrela branca bem no centro que eu adorava — e o contraste da minha blusa branca rodada. Meus All Stars pretos esmagavam as folhas secas no chão, produzindo um som ritmado que era a única coisa que eu ouvia, além do meu próprio batimento cardíaco calmo.

Como loba, meus sentidos eram sempre aguçados, mas às vezes eu gostava de simplesmente "desligar" e fingir que era uma garota comum de quinze anos, perdida em seus próprios pensamentos e sonhos bobos.

— Bu!

O grito veio logo atrás do meu ouvido. Eu dei um pulo, soltando um grito agudo que provavelmente assustou os pássaros num raio de um quilômetro, e me virei rapidamente, com o coração saindo pela boca. Quando vi o sorriso largo e presunçoso de Jacob Black, minha expressão de terror se transformou em um riso incontrolável.

— Jacob! Você quase me matou de susto! — exclamei, dando um tapinha de leve no braço dele enquanto tentava recuperar o fôlego. — O que aconteceu? Por que está me perseguindo na floresta como um vilão de filme de terror?

Jacob soltou uma gargalhada profunda, passando a mão pelos cabelos curtos.

— Desculpe, Hanna, mas a oportunidade era boa demais para passar. Mas, falando sério, a Emily está te chamando lá na casa dela. Ela disse que precisava de ajuda com algumas coisas e que você tinha prometido aparecer.

— Ah, é verdade! — Lembrei-me, ajeitando uma mecha do meu cabelo preto longo que insistia em cair sobre meus olhos cor de mel. — Eu perdi a noção do tempo. Vamos?

— Pode ir indo na frente — disse Jacob, apontando para a direção da trilha que levava à casa de Sam e Emily. — Eu vou dar um pulo no penhasco antes. Os caras estão por lá e eu preciso gastar um pouco de energia.

— Típico de vocês — brinquei, mostrando a língua. — Vejo você depois, Jake.

Caminhei em direção à casa de Emily, sentindo as sardas no meu nariz formigarem sob o pouco de sol que conseguia atravessar a copa das árvores. Quando cheguei, o cheiro de doces recém-saídos do forno me atingiu como um abraço caloroso. Entrei na cozinha e encontrei Emily, sempre com aquele sorriso gentil que iluminava o rosto, apesar das cicatrizes que ela carregava com tanta dignidade.

— Hanna! Que bom que chegou — disse ela, gesticulando para que eu me sentasse. — Senta aí no balcão, eu acabei de tirar uma fornada de muffins de chocolate.

Eu me acomodei no banco alto, sentindo o conforto da cozinha que era, para todos nós, o coração do bando. Emily começou a organizar as coisas, mas logo percebi aquele olhar de "quero conversar" que ela costumava dar.

— Então, como estão as coisas? — ela perguntou, apoiando os cotovelos no balcão. — E os meninos? Algum deles tem te dado trabalho?

— Ah, você sabe como eles são — respondi, rindo e balançando as pernas. — São todos legais, mas às vezes parecem crianças grandes. A gente se diverte muito.

Emily me observou por um momento, um brilho divertido nos olhos.

— E de qual deles você gosta mais, Hanna? Digo, de um jeito diferente.

Senti minhas bochechas esquentarem instantaneamente. Tentei desviar o olhar, focando em uma manchinha no balcão de madeira.

— Eu não sei, Emily... Todos são meus amigos. Acho que nenhum deles gosta de mim desse jeito. Sabe, não como eu estou pensando. Acho que é só amizade mesmo. Eu sou só a Hanna, a "caçula" inteligente e brincalhona.

Emily soltou um risinho suave e balançou a cabeça.

— Ah, querida, você é tão inteligente para tantas coisas, mas tão cega para outras. Você realmente acha que é só amizade?

— Tenho certeza — afirmei, embora meu coração desse um pequeno salto. — Eu não sou tão sortuda quanto você, Emily. Encontrar alguém como o Sam, um amor assim... isso é raro. Eu não acho que vou ter essa sorte.

Emily esticou a mão e tocou a minha, com carinho.

— Hanna, olhe para mim. Você gosta do Seth, não gosta?

O nome dele flutuou no ar e eu senti um frio na barriga que nenhuma transformação em loba jamais me deu. Seth Clearwater era a luz do bando. Ele era doce, engraçado e tinha o sorriso mais contagiante do mundo.

— Eu... eu gosto — admiti em um sussurro, sentindo meu rosto queimar de vez. — Mas ele nunca me veria assim.

Emily sorriu de um jeito misterioso. Ela pegou o celular que estava sobre a mesa e mexeu em alguns arquivos.

— O Seth gosta de você há muito tempo, Hanna. Desde o início. Na verdade, você foi a primeira pessoa de quem ele realmente gostou desse jeito. E ele não faz muita questão de esconder, pelo menos não de mim.

— Duvido — murmurei, incrédula.

— Ah, é? Então ouça isso.

Ela apertou o "play" em uma gravação. A voz de Seth preencheu a cozinha, parecendo um pouco nervosa e ofegante, como se ele tivesse acabado de correr.

— "Emily, eu não sei o que fazer. Toda vez que a Hanna sorri para mim, eu sinto que vou ter um treco. Ela é tão inteligente, sabe? E aquelas sardas no nariz dela... eu fico contando cada uma mentalmente. Eu gosto muito dela, de verdade. Mas tenho medo de estragar a amizade se eu disser alguma coisa."

A gravação parou e o silêncio que se seguiu foi absoluto, exceto pelo som do meu coração martelando contra as costelas. Eu olhei para Emily, completamente incrédula, sentindo uma mistura de choque e uma felicidade pura que eu nem sabia que existia.

— Ele... ele disse isso mesmo? — perguntei, com a voz falhando.

— Palavra por palavra — confirmou Emily, piscando para mim.

Antes que eu pudesse processar a informação ou fazer mais perguntas, o som de risadas altas e passos pesados ecoou do lado de fora. Os meninos estavam chegando. O bando estava de volta da patrulha ou do penhasco, e o barulho característico deles preencheu a varanda.

— Estão chegando — disse Emily, rindo da minha expressão de pânico.

— Eu preciso ir! — exclamei, levantando-me rapidamente. — Não consigo olhar para ele agora, não sem explodir de vergonha!

— Hanna, espera! — Emily tentou me chamar, mas eu já estava em movimento.

Passei pela mesa e, num reflexo puramente instintivo (e faminto), peguei um dos bolinhos de chocolate que ainda estavam mornos.

— Vou levar isso! — gritei, já correndo em direção ao corredor que levava aos quartos de hóspedes onde eu costumava ficar.

Ouvi a risada de Emily ecoar atrás de mim enquanto eu subia as escadas tropeçando na minha própria saia. Entrei no meu quarto e fechei a porta, encostando as costas nela e tentando normalizar minha respiração.

— Meu Deus... ele gosta de mim — sussurrei para as paredes vazias.

Dei uma mordida no muffin e fechei os olhos. Estava uma delícia, o chocolate derretendo na boca e trazendo um pouco de conforto para o caos emocional que eu sentia. Eu ainda podia ouvir o som das vozes dos meninos lá embaixo, a voz de Seth se destacando entre as outras, clara e vibrante.

Caminhei até minha escrivaninha e liguei o PC. Eu precisava de uma distração, algo que me fizesse esquecer, pelo menos por uma hora, que o garoto dos meus sonhos tinha gravado um depoimento de amor secreto.

O brilho da tela iluminou meu rosto enquanto o Roblox carregava. Eu me ajeitei na cadeira, ainda mastigando o bolinho e sentindo as sardas no meu nariz aquecidas, não pelo sol, mas pelo sorriso que eu não conseguia tirar do rosto.

— Tudo bem, Seth Clearwater — murmurei para o monitor, enquanto entrava em um servidor com meus amigos online. — Vamos ver quem ganha essa partida. Mas depois... a gente vai ter que conversar muito sério.

Enquanto meus dedos voavam pelo teclado e os sons do jogo preenchiam o quarto, eu sabia que a vida em La Push nunca mais seria a mesma. E, pela primeira vez, eu me sentia a garota mais sortuda do mundo.
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