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Romance Proibido
Fandom: Harry Potter
Criado: 16/06/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)DramaFofuraHumorFantasiaCenário CanônicoEstudo de PersonagemDivergência
Sombras e Substâncias
A masmorra estava, como de costume, mergulhada em uma penumbra gélida que parecia absorver qualquer tentativa de alegria vinda do mundo exterior. O cheiro de ervas secas, ingredientes em decomposição e o aroma metálico de caldeirões ferventes pairava no ar, criando uma atmosfera que intimidava a maioria dos alunos. Mas Eliane Epans não era a maioria dos alunos.
Sentada na bancada da frente, ela batucava levemente com a ponta da pena no pergaminho, ignorando o olhar reprovador de Hermione ao seu lado. Seus olhos castanhos escuros, sempre brilhando com uma centelha de travessura, estavam fixos na figura alta e sombria que se movia com a graça de um morcego entre as mesas. Severus Snape era a personificação do rigor, mas para Eliane, havia algo naquela rigidez que a desafiava de uma maneira irresistível.
— Se você continuar encarando ele desse jeito, ele vai tirar cinquenta pontos da Grifinória só por "existência insolente" — sussurrou Harry, inclinado por trás dela, enquanto tentava picar suas raízes de margarida sem perder um dedo.
— Ele não ousaria — respondeu Eliane, com um sorriso de canto. — Ele gosta da minha companhia. Só ainda não admitiu para si mesmo.
— Você é louca, Eliane — murmurou Rony, do outro lado do corredor, visivelmente pálido enquanto sua poção exalava uma fumaça roxa suspeita. — O homem é um morcego gigante das masmorras. Ele não tem sentimentos, só rancor e xampu vencido.
Eliane soltou uma risadinha baixa, que foi imediatamente interrompida pelo som seco de passos parando logo atrás dela. O ar pareceu esfriar alguns graus.
— Algum problema com a sua Poção do Morto-Vivo, Srta. Epans? — A voz de Snape era um barítono baixo, carregado de um sarcasmo cortante que costumava fazer os alunos tremerem. — Ou será que a sua necessidade patológica de entretenimento superou sua capacidade de seguir instruções simples no quadro?
Eliane virou-se lentamente, sustentando o olhar frio e profundo de Snape. Ela não baixou a cabeça. Pelo contrário, inclinou-a levemente para o lado, deixando que uma mecha de seus cabelos ondulados escuros caísse sobre o ombro.
— De forma alguma, Professor. Eu estava apenas comentando com o Harry como a consistência da minha poção está... impecável. Quase tão perfeita quanto a sua disciplina.
Houve um silêncio mortal na sala. Hermione prendeu a respiração, e Draco Malfoy, sentado na mesa lateral, soltou um risinho abafado, trocando um olhar cúmplice com Eliane. Draco era, surpreendentemente, um de seus melhores amigos — uma aliança improvável forjada em uma detenção onde ambos decidiram que era mais divertido irritar Filch do que brigar entre si.
Snape estreitou os olhos. Ele se inclinou sobre a mesa de Eliane, as mãos apoiadas na madeira escura, o rosto a poucos centímetros do dela.
— A ousadia é uma característica irritante da sua casa, Srta. Epans — disse ele, a voz agora reduzida a um sussurro perigoso. — Mas a insolência... a insolência é um convite para o desastre. Menos dez pontos para a Grifinória. E limpe essa bancada antes que eu decida que sua detenção será extrair muco de flobberworm com as mãos nuas.
— Estarei lá às oito, então? — perguntou ela, audaciosa, com um brilho desafiador nos olhos.
Snape não respondeu de imediato. Ele a encarou por um segundo a mais do que o necessário, um breve lapso onde a máscara de frieza pareceu vacilar diante daquela garota de 1,60m que não tinha medo dele.
— Oito horas. E não se atrase.
Ele se afastou, a capa farfalhando dramaticamente atrás de si. Assim que ele se distanciou, o grupo de amigos de Eliane soltou o ar coletivamente.
— Você tem um desejo de morte — declarou Neville, que estava tentando desesperadamente não deixar seu caldeirão explodir.
— Não é desejo de morte, Neville — disse Luna Lovegood, com sua voz sonhadora, vinda da mesa de trás. — Eliane só está tentando ver os Narguilés que vivem na capa do Professor Snape. Eles são atraídos por pessoas que guardam muitos segredos.
— Eu só acho que ele precisa de alguém que não saia correndo toda vez que ele respira — comentou Eliane, voltando a mexer sua poção com uma precisão que desmentia sua postura brincalhona.
No jantar, o Grande Salão estava barulhento como sempre. O grupo inseparável estava reunido na mesa da Grifinória, embora Draco estivesse sentado na ponta, tecnicamente na fronteira com a Sonserina para manter as aparências, e Luna estivesse encaixada entre Gina e Hermione.
— Então, qual é o plano para hoje à noite? — perguntou Gina, servindo-se de suco de abóbora. — Ouvi dizer que os gêmeos deixaram um estoque de Bombas de Bosta perto da sala do Filch.
— Eliane tem um encontro romântico com os caldeirões sujos do Snape — zombou Rony, ganhando um chute por baixo da mesa.
— Não é um "encontro" — corrigiu Eliane, embora sentisse um frio estranho no estômago que preferia ignorar. — É uma oportunidade de estudo intensivo.
— Estudo intensivo sobre como ser expulsa — Draco comentou, limpando uma mancha invisível em suas vestes. — Sinceramente, Epans, de todas as pessoas para você provocar, escolher o padrinho do meu batismo é... corajoso. Ou estúpido. Ainda não decidi.
— Ele gosta de mim, Draco. Ele só é... gótico demais para admitir — Eliane riu, mas seus olhos buscaram a mesa dos professores.
Snape estava lá, picando sua comida com uma eficiência mecânica, sem conversar com ninguém. Por um breve momento, ele levantou o olhar e cruzou com o dela. Eliane não desviou. Ela levantou seu copo em um brinde silencioso. Snape fechou a expressão e voltou sua atenção para o prato, mas Eliane jurou ter visto o canto de sua boca se contrair.
Às oito horas em ponto, Eliane bateu na porta da sala de Poções.
— Entre — veio a voz arrastada de dentro.
Ela entrou, encontrando Snape sentado atrás de sua mesa, revisando rolos de pergaminho sob a luz de um candeeiro solitário. A sala estava mais silenciosa do que durante o dia, e o isolamento trazia uma intimidade desconfortável, mas eletrizante.
— Os caldeirões estão no fundo, Srta. Epans. Sem magia. Use o esfregão e o sabão de bile de dragão — disse ele, sem levantar os olhos.
Eliane caminhou até o fundo da sala, mas em vez de começar a trabalhar, ela se sentou em uma das banquetas altas, observando-o.
— Sabe, Professor, o senhor parece cansado. Esses pergaminhos são tão urgentes assim ou o senhor só está evitando ter uma vida social?
Snape parou a pena no ar. Ele levantou a cabeça lentamente, a luz das velas esculpindo as linhas duras de seu rosto.
— Minha "vida social", ou a falta dela, não é da sua conta. Limpe os caldeirões.
— Eu vou limpar. Mas o senhor não respondeu à pergunta.
— Epans — ele disse, e o som do nome dela em sua voz parecia mais pesado do que o normal. — O que você ganha com isso? Esse constante... cutucar de urso?
Eliane levantou-se e caminhou lentamente em direção à mesa dele. Ela parou do outro lado, apoiando as mãos na borda, exatamente como ele fizera mais cedo.
— Eu não estou cutucando um urso, Professor. Estou tentando entender por que um homem tão brilhante se esconde atrás de tantas camadas de vinagre e escuridão.
Snape soltou a pena e levantou-se. Ele era muito mais alto que ela, obrigando-a a olhar para cima, mas Eliane não recuou. O espaço entre eles estava carregado de uma tensão que não tinha nada a ver com pontos perdidos ou regras da escola.
— Você é uma criança — ele sibilou, embora o brilho em seus olhos negros traísse uma curiosidade profunda. — Uma menina travessa que acha que o mundo é um tabuleiro de jogos. Você não tem ideia do que é a escuridão.
— Eu não sou tão criança quanto o senhor pensa — rebateu ela, a voz baixa e firme. — E talvez eu goste do escuro. Ele é muito mais interessante do que a luz ofuscante que todo mundo tenta seguir.
Snape deu um passo para o lado, contornando a mesa, cercando-a. Ele parou tão perto que ela podia sentir o calor que emanava de seu corpo, um contraste gritante com a frieza da masmorra.
— Você é perigosa, Srta. Epans. Não porque seja má, mas porque é imprudente. Você brinca com fogo e espera não se queimar.
— E se eu quiser me queimar? — perguntou ela, a ousadia atingindo o ápice.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Snape olhou para os lábios dela por um milésimo de segundo antes de recuperar o controle total de sua expressão. Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas para apontar para os caldeirões ao fundo.
— Limpe. Os. Caldeirões. Agora.
Eliane deu um sorriso vitorioso. Ela sabia que tinha atingido um nervo. Ela caminhou até o fundo da sala, pegando o esfregão, mas antes de começar, olhou por cima do ombro.
— O senhor tem uma mancha de tinta no polegar esquerdo, Professor. É quase humano da sua parte.
Snape olhou para a própria mão, escondendo-a rapidamente sob a manga da capa. Ele voltou a sentar-se, tentando se concentrar nos pergaminhos, mas pela primeira vez em anos, as palavras pareciam não fazer sentido. Ele podia ouvir o som ritmado de Eliane limpando o metal, e o perfume dela — algo que lembrava baunilha e pólvora, uma combinação puramente "Epans" — começou a preencher o ar da masmorra.
Cerca de uma hora depois, o silêncio foi quebrado por um estrondo vindo do corredor, seguido por gritos abafados e o som de algo correndo.
— Pelas barbas de Merlin... — Snape levantou-se, já sabendo que nada de bom viria dali.
A porta da sala de Poções foi escancarada e Harry, Rony e Hermione tropeçaram para dentro, cobertos por uma substância verde e pegajosa que brilhava no escuro. Logo atrás deles, Draco e Gina tentavam fechar a porta enquanto Neville segurava o que parecia ser um filhote de dragão... feito inteiramente de gelatina.
— Eliane! — exclamou Harry, ofegante. — A gente tentou... a gente tentou aprimorar aquele feitiço de animação que você sugeriu nos lanches, mas o Neville derrubou o suco de Gillyweed e...
— E agora temos um exército de sapos de gelatina gigantes perseguindo o Filch pelo corredor do terceiro andar! — completou Gina, limpando um pouco de gosma verde da testa.
Snape cruzou os braços, sua expressão transformando-se em algo que beirava o apocalíptico.
— Potter. Weasley. Granger. Longbottom. Malfoy... — ele fez uma pausa, olhando para o afilhado com uma decepção profunda. — Até você, Draco?
— Foi uma experiência científica, Padrinho — Draco disse, tentando manter a dignidade enquanto um pedaço de gelatina escorregava de seu ombro.
— Uma experiência científica que resultou em vandalismo e... — Snape olhou para o "dragão" no colo de Neville — ... abominações culinárias.
Eliane largou o esfregão e caminhou até os amigos, rindo abertamente.
— Vocês são brilhantes! Eu disse que o Gillyweed daria a liga necessária.
— Srta. Epans! — trovejou Snape. — Você está sob detenção e ainda tem a audácia de incentivar esse comportamento deplorável?
— Ora, Professor, admita — disse ela, aproximando-se dele com os olhos brilhando de diversão. — É uma aplicação criativa de transfiguração e poções. O senhor deveria estar orgulhoso. Especialmente do Draco. Ele raramente se suja por uma causa.
Snape olhou para o grupo de adolescentes à sua frente. Eles eram o caos encarnado. E no centro de tudo, estava Eliane, a força gravitacional que parecia puxar até os alunos mais improváveis para o meio da confusão.
— Fora — disse Snape, apontando para a porta. — Todos vocês. Cinquenta pontos de cada um. E amanhã, todos estarão aqui para ajudar a Srta. Epans a limpar não apenas os caldeirões, mas o corredor inteiro.
— Mas Professor... — começou Rony.
— FORA!
Os amigos saíram apressados, empurrando-se uns aos outros, mas Eliane ficou para trás por um momento. Ela parou na porta, olhando para Snape, que massageava as têmporas.
— Boa noite, Severus — disse ela, usando o primeiro nome dele pela primeira vez, a voz suave e carregada de uma promessa silenciosa.
Snape congelou. Ele não olhou para cima até ouvir o som da porta se fechando. Quando finalmente levantou a cabeça, a sala parecia subitamente vazia demais, silenciosa demais. Ele olhou para o caldeirão que ela estava limpando. Estava brilhando, impecável.
Ele suspirou, um som que carregava o peso de anos de solidão, e sentou-se novamente. No fundo de sua mente, ele sabia que aquela garota de cabelos ondulados e olhos desafiadores não era apenas um problema para a sua disciplina. Ela era um problema para o seu coração, um que ele não tinha certeza se queria resolver.
Enquanto isso, no corredor, Eliane se juntava aos amigos, que já planejavam como neutralizar os sapos de gelatina antes que Dumbledore os encontrasse.
— Você é louca por falar com ele daquele jeito — disse Hermione, embora estivesse sorrindo.
— Talvez — respondeu Eliane, olhando para trás, para a porta fechada da masmorra. — Mas vocês viram o rosto dele? Por um momento, ele quase sorriu.
— Eu acho que foi um espasmo muscular causado pelo ódio — comentou Rony.
— Não — disse Luna, caminhando levemente ao lado deles. — Foi o som dos Narguilés fugindo. Eles não gostam quando as pessoas começam a ser felizes.
Eliane riu, abraçando os amigos enquanto caminhavam em direção à Torre da Grifinória. A noite estava apenas começando, e ela sabia que, entre travessuras e poções, estava tecendo algo que nem mesmo a magia mais sombria de Snape poderia desfazer.
Sentada na bancada da frente, ela batucava levemente com a ponta da pena no pergaminho, ignorando o olhar reprovador de Hermione ao seu lado. Seus olhos castanhos escuros, sempre brilhando com uma centelha de travessura, estavam fixos na figura alta e sombria que se movia com a graça de um morcego entre as mesas. Severus Snape era a personificação do rigor, mas para Eliane, havia algo naquela rigidez que a desafiava de uma maneira irresistível.
— Se você continuar encarando ele desse jeito, ele vai tirar cinquenta pontos da Grifinória só por "existência insolente" — sussurrou Harry, inclinado por trás dela, enquanto tentava picar suas raízes de margarida sem perder um dedo.
— Ele não ousaria — respondeu Eliane, com um sorriso de canto. — Ele gosta da minha companhia. Só ainda não admitiu para si mesmo.
— Você é louca, Eliane — murmurou Rony, do outro lado do corredor, visivelmente pálido enquanto sua poção exalava uma fumaça roxa suspeita. — O homem é um morcego gigante das masmorras. Ele não tem sentimentos, só rancor e xampu vencido.
Eliane soltou uma risadinha baixa, que foi imediatamente interrompida pelo som seco de passos parando logo atrás dela. O ar pareceu esfriar alguns graus.
— Algum problema com a sua Poção do Morto-Vivo, Srta. Epans? — A voz de Snape era um barítono baixo, carregado de um sarcasmo cortante que costumava fazer os alunos tremerem. — Ou será que a sua necessidade patológica de entretenimento superou sua capacidade de seguir instruções simples no quadro?
Eliane virou-se lentamente, sustentando o olhar frio e profundo de Snape. Ela não baixou a cabeça. Pelo contrário, inclinou-a levemente para o lado, deixando que uma mecha de seus cabelos ondulados escuros caísse sobre o ombro.
— De forma alguma, Professor. Eu estava apenas comentando com o Harry como a consistência da minha poção está... impecável. Quase tão perfeita quanto a sua disciplina.
Houve um silêncio mortal na sala. Hermione prendeu a respiração, e Draco Malfoy, sentado na mesa lateral, soltou um risinho abafado, trocando um olhar cúmplice com Eliane. Draco era, surpreendentemente, um de seus melhores amigos — uma aliança improvável forjada em uma detenção onde ambos decidiram que era mais divertido irritar Filch do que brigar entre si.
Snape estreitou os olhos. Ele se inclinou sobre a mesa de Eliane, as mãos apoiadas na madeira escura, o rosto a poucos centímetros do dela.
— A ousadia é uma característica irritante da sua casa, Srta. Epans — disse ele, a voz agora reduzida a um sussurro perigoso. — Mas a insolência... a insolência é um convite para o desastre. Menos dez pontos para a Grifinória. E limpe essa bancada antes que eu decida que sua detenção será extrair muco de flobberworm com as mãos nuas.
— Estarei lá às oito, então? — perguntou ela, audaciosa, com um brilho desafiador nos olhos.
Snape não respondeu de imediato. Ele a encarou por um segundo a mais do que o necessário, um breve lapso onde a máscara de frieza pareceu vacilar diante daquela garota de 1,60m que não tinha medo dele.
— Oito horas. E não se atrase.
Ele se afastou, a capa farfalhando dramaticamente atrás de si. Assim que ele se distanciou, o grupo de amigos de Eliane soltou o ar coletivamente.
— Você tem um desejo de morte — declarou Neville, que estava tentando desesperadamente não deixar seu caldeirão explodir.
— Não é desejo de morte, Neville — disse Luna Lovegood, com sua voz sonhadora, vinda da mesa de trás. — Eliane só está tentando ver os Narguilés que vivem na capa do Professor Snape. Eles são atraídos por pessoas que guardam muitos segredos.
— Eu só acho que ele precisa de alguém que não saia correndo toda vez que ele respira — comentou Eliane, voltando a mexer sua poção com uma precisão que desmentia sua postura brincalhona.
No jantar, o Grande Salão estava barulhento como sempre. O grupo inseparável estava reunido na mesa da Grifinória, embora Draco estivesse sentado na ponta, tecnicamente na fronteira com a Sonserina para manter as aparências, e Luna estivesse encaixada entre Gina e Hermione.
— Então, qual é o plano para hoje à noite? — perguntou Gina, servindo-se de suco de abóbora. — Ouvi dizer que os gêmeos deixaram um estoque de Bombas de Bosta perto da sala do Filch.
— Eliane tem um encontro romântico com os caldeirões sujos do Snape — zombou Rony, ganhando um chute por baixo da mesa.
— Não é um "encontro" — corrigiu Eliane, embora sentisse um frio estranho no estômago que preferia ignorar. — É uma oportunidade de estudo intensivo.
— Estudo intensivo sobre como ser expulsa — Draco comentou, limpando uma mancha invisível em suas vestes. — Sinceramente, Epans, de todas as pessoas para você provocar, escolher o padrinho do meu batismo é... corajoso. Ou estúpido. Ainda não decidi.
— Ele gosta de mim, Draco. Ele só é... gótico demais para admitir — Eliane riu, mas seus olhos buscaram a mesa dos professores.
Snape estava lá, picando sua comida com uma eficiência mecânica, sem conversar com ninguém. Por um breve momento, ele levantou o olhar e cruzou com o dela. Eliane não desviou. Ela levantou seu copo em um brinde silencioso. Snape fechou a expressão e voltou sua atenção para o prato, mas Eliane jurou ter visto o canto de sua boca se contrair.
Às oito horas em ponto, Eliane bateu na porta da sala de Poções.
— Entre — veio a voz arrastada de dentro.
Ela entrou, encontrando Snape sentado atrás de sua mesa, revisando rolos de pergaminho sob a luz de um candeeiro solitário. A sala estava mais silenciosa do que durante o dia, e o isolamento trazia uma intimidade desconfortável, mas eletrizante.
— Os caldeirões estão no fundo, Srta. Epans. Sem magia. Use o esfregão e o sabão de bile de dragão — disse ele, sem levantar os olhos.
Eliane caminhou até o fundo da sala, mas em vez de começar a trabalhar, ela se sentou em uma das banquetas altas, observando-o.
— Sabe, Professor, o senhor parece cansado. Esses pergaminhos são tão urgentes assim ou o senhor só está evitando ter uma vida social?
Snape parou a pena no ar. Ele levantou a cabeça lentamente, a luz das velas esculpindo as linhas duras de seu rosto.
— Minha "vida social", ou a falta dela, não é da sua conta. Limpe os caldeirões.
— Eu vou limpar. Mas o senhor não respondeu à pergunta.
— Epans — ele disse, e o som do nome dela em sua voz parecia mais pesado do que o normal. — O que você ganha com isso? Esse constante... cutucar de urso?
Eliane levantou-se e caminhou lentamente em direção à mesa dele. Ela parou do outro lado, apoiando as mãos na borda, exatamente como ele fizera mais cedo.
— Eu não estou cutucando um urso, Professor. Estou tentando entender por que um homem tão brilhante se esconde atrás de tantas camadas de vinagre e escuridão.
Snape soltou a pena e levantou-se. Ele era muito mais alto que ela, obrigando-a a olhar para cima, mas Eliane não recuou. O espaço entre eles estava carregado de uma tensão que não tinha nada a ver com pontos perdidos ou regras da escola.
— Você é uma criança — ele sibilou, embora o brilho em seus olhos negros traísse uma curiosidade profunda. — Uma menina travessa que acha que o mundo é um tabuleiro de jogos. Você não tem ideia do que é a escuridão.
— Eu não sou tão criança quanto o senhor pensa — rebateu ela, a voz baixa e firme. — E talvez eu goste do escuro. Ele é muito mais interessante do que a luz ofuscante que todo mundo tenta seguir.
Snape deu um passo para o lado, contornando a mesa, cercando-a. Ele parou tão perto que ela podia sentir o calor que emanava de seu corpo, um contraste gritante com a frieza da masmorra.
— Você é perigosa, Srta. Epans. Não porque seja má, mas porque é imprudente. Você brinca com fogo e espera não se queimar.
— E se eu quiser me queimar? — perguntou ela, a ousadia atingindo o ápice.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Snape olhou para os lábios dela por um milésimo de segundo antes de recuperar o controle total de sua expressão. Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas para apontar para os caldeirões ao fundo.
— Limpe. Os. Caldeirões. Agora.
Eliane deu um sorriso vitorioso. Ela sabia que tinha atingido um nervo. Ela caminhou até o fundo da sala, pegando o esfregão, mas antes de começar, olhou por cima do ombro.
— O senhor tem uma mancha de tinta no polegar esquerdo, Professor. É quase humano da sua parte.
Snape olhou para a própria mão, escondendo-a rapidamente sob a manga da capa. Ele voltou a sentar-se, tentando se concentrar nos pergaminhos, mas pela primeira vez em anos, as palavras pareciam não fazer sentido. Ele podia ouvir o som ritmado de Eliane limpando o metal, e o perfume dela — algo que lembrava baunilha e pólvora, uma combinação puramente "Epans" — começou a preencher o ar da masmorra.
Cerca de uma hora depois, o silêncio foi quebrado por um estrondo vindo do corredor, seguido por gritos abafados e o som de algo correndo.
— Pelas barbas de Merlin... — Snape levantou-se, já sabendo que nada de bom viria dali.
A porta da sala de Poções foi escancarada e Harry, Rony e Hermione tropeçaram para dentro, cobertos por uma substância verde e pegajosa que brilhava no escuro. Logo atrás deles, Draco e Gina tentavam fechar a porta enquanto Neville segurava o que parecia ser um filhote de dragão... feito inteiramente de gelatina.
— Eliane! — exclamou Harry, ofegante. — A gente tentou... a gente tentou aprimorar aquele feitiço de animação que você sugeriu nos lanches, mas o Neville derrubou o suco de Gillyweed e...
— E agora temos um exército de sapos de gelatina gigantes perseguindo o Filch pelo corredor do terceiro andar! — completou Gina, limpando um pouco de gosma verde da testa.
Snape cruzou os braços, sua expressão transformando-se em algo que beirava o apocalíptico.
— Potter. Weasley. Granger. Longbottom. Malfoy... — ele fez uma pausa, olhando para o afilhado com uma decepção profunda. — Até você, Draco?
— Foi uma experiência científica, Padrinho — Draco disse, tentando manter a dignidade enquanto um pedaço de gelatina escorregava de seu ombro.
— Uma experiência científica que resultou em vandalismo e... — Snape olhou para o "dragão" no colo de Neville — ... abominações culinárias.
Eliane largou o esfregão e caminhou até os amigos, rindo abertamente.
— Vocês são brilhantes! Eu disse que o Gillyweed daria a liga necessária.
— Srta. Epans! — trovejou Snape. — Você está sob detenção e ainda tem a audácia de incentivar esse comportamento deplorável?
— Ora, Professor, admita — disse ela, aproximando-se dele com os olhos brilhando de diversão. — É uma aplicação criativa de transfiguração e poções. O senhor deveria estar orgulhoso. Especialmente do Draco. Ele raramente se suja por uma causa.
Snape olhou para o grupo de adolescentes à sua frente. Eles eram o caos encarnado. E no centro de tudo, estava Eliane, a força gravitacional que parecia puxar até os alunos mais improváveis para o meio da confusão.
— Fora — disse Snape, apontando para a porta. — Todos vocês. Cinquenta pontos de cada um. E amanhã, todos estarão aqui para ajudar a Srta. Epans a limpar não apenas os caldeirões, mas o corredor inteiro.
— Mas Professor... — começou Rony.
— FORA!
Os amigos saíram apressados, empurrando-se uns aos outros, mas Eliane ficou para trás por um momento. Ela parou na porta, olhando para Snape, que massageava as têmporas.
— Boa noite, Severus — disse ela, usando o primeiro nome dele pela primeira vez, a voz suave e carregada de uma promessa silenciosa.
Snape congelou. Ele não olhou para cima até ouvir o som da porta se fechando. Quando finalmente levantou a cabeça, a sala parecia subitamente vazia demais, silenciosa demais. Ele olhou para o caldeirão que ela estava limpando. Estava brilhando, impecável.
Ele suspirou, um som que carregava o peso de anos de solidão, e sentou-se novamente. No fundo de sua mente, ele sabia que aquela garota de cabelos ondulados e olhos desafiadores não era apenas um problema para a sua disciplina. Ela era um problema para o seu coração, um que ele não tinha certeza se queria resolver.
Enquanto isso, no corredor, Eliane se juntava aos amigos, que já planejavam como neutralizar os sapos de gelatina antes que Dumbledore os encontrasse.
— Você é louca por falar com ele daquele jeito — disse Hermione, embora estivesse sorrindo.
— Talvez — respondeu Eliane, olhando para trás, para a porta fechada da masmorra. — Mas vocês viram o rosto dele? Por um momento, ele quase sorriu.
— Eu acho que foi um espasmo muscular causado pelo ódio — comentou Rony.
— Não — disse Luna, caminhando levemente ao lado deles. — Foi o som dos Narguilés fugindo. Eles não gostam quando as pessoas começam a ser felizes.
Eliane riu, abraçando os amigos enquanto caminhavam em direção à Torre da Grifinória. A noite estava apenas começando, e ela sabia que, entre travessuras e poções, estava tecendo algo que nem mesmo a magia mais sombria de Snape poderia desfazer.
