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ana clar

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Criado: 16/06/2026

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O Golpe Perfeito

O ginásio da escola fervilhava com a energia típica do dia da Copa Intercolegial. O cheiro de suor misturado com pipoca e o som constante de apitos criavam uma atmosfera elétrica. Ana Clara, com seus longos cabelos loiros e lisos brilhando sob os refletores, estava na arquibancada, mas seus olhos não estavam na bola de vôlei ou no placar de basquete. Ela buscava apenas um par de óculos de armação grossa e um quimono branco.

Hariel era o que todos chamavam de "nerd clássico". Sempre com a cara enfiada nos livros de física, calado e com um ar de mistério que deixava Ana Clara intrigada. Mas havia um detalhe que poucos exploravam: por baixo daquela postura intelectual e da timidez aparente, Hariel era um judoca de elite. Quando ele amarrava a faixa preta na cintura, o garoto retraído dava lugar a um homem de olhar afiado e movimentos precisos.

Ana Clara, conhecida por ser a alma da turma, sempre engraçada e cheia de vida, nunca escondeu seu interesse. Ela jogava indiretas, sentava ao lado dele na biblioteca e fazia piadas que o faziam corar. Hariel sabia perfeitamente o que ela sentia, mas se fazia de difícil. Ele gostava do jogo. Gostava de ver como ela se esforçava para chamar sua atenção, enquanto ele mantinha sua fachada de "impenetrável".

Naquela tarde, após vencer a final de sua categoria com um golpe impecável que deixou o adversário no chão em segundos, Hariel estava saindo do vestiário. Ele carregava sua bolsa esportiva no ombro, os cabelos ainda úmidos do banho, quando foi encurralado no corredor vazio por uma Ana Clara sorridente e ofegante.

— Você foi incrível lá dentro, Hariel — disse ela, aproximando-se o suficiente para sentir o perfume de sabonete dele. — Aquele golpe... eu quase esqueci como se respira.

— Foi apenas técnica, Ana — respondeu ele, ajustando os óculos com aquele jeito sério que ela tanto amava. — Se você estudasse a física da alavanca, entenderia que não houve mágica.

— Ah, para de ser chato! — Ela riu, dando um tapinha no braço dele, notando como o bíceps dele estava rígido. — Você sabe que eu não estou falando de física. Eu estou falando de você.

Hariel deu um meio sorriso, aquele que raramente mostrava.

— Você não desiste, não é?

— Nunca — afirmou ela, dando um passo a mais, invadindo o espaço pessoal dele. — E hoje é noite de comemoração. A Copa acabou, você ganhou o ouro... o que vai fazer com todo esse vigor?

Hariel olhou para os lados, certificando-se de que estavam sozinhos. Ele se inclinou, o rosto a milímetros do dela, e sussurrou:

— Talvez eu tenha guardado o melhor golpe para o final do dia. Me encontra na minha casa às nove. Meus pais viajaram para o torneio regional.

Ana Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O nerd difícil finalmente estava baixando a guarda.

Às nove em ponto, Ana Clara parou diante da porta de Hariel. Ela usava um vestido curto que realçava seu cabelo loiro e sua pele clara. Quando a porta se abriu, ela não encontrou o garoto de óculos e livros. Hariel estava sem camisa, usando apenas uma calça de moletom larga, revelando um corpo definido pelos anos de tatame.

— Entra — disse ele, a voz mais grave do que o normal.

Assim que ela passou pela porta, Hariel a fechou e a prensou contra a madeira. O clima de "difícil" tinha desaparecido completamente, substituído por uma urgência voraz.

— Você fala demais na escola, Ana Clara — sussurrou ele, aproximando os lábios do pescoço dela. — Vamos ver se você sustenta toda essa graça aqui.

— Eu estava esperando por isso o ano inteiro — confessou ela, arfando quando sentiu as mãos grandes dele apertarem sua cintura.

Hariel a beijou com uma intensidade que a pegou de surpresa. Não era o beijo de um nerd tímido; era o beijo de um lutador que sabia exatamente onde atacar. Suas línguas se encontraram em uma dança frenética, enquanto as mãos de Ana se perdiam nos cabelos dele, puxando-o para mais perto.

— Eu cansei de fingir que não queria você — disse Hariel entre beijos, descendo o rastro de carícias para o decote do vestido dela. — Você me desconcentra, Ana. Cada piada, cada risada sua na aula... eu só conseguia pensar em como seria calar a sua boca desse jeito.

— Então não para — pediu ela, a voz falhando. — Me mostra o que mais você aprendeu naquele tatame.

Ele a pegou no colo com uma facilidade impressionante, as pernas dela envolveram a cintura dele instintivamente. Hariel a levou para o quarto, onde a luz fraca de um abajur criava sombras sensuais nas paredes. Ele a deitou na cama com cuidado, mas sem perder o domínio da situação.

— No judô, a gente usa a força do adversário contra ele mesmo — explicou ele, a voz rouca, enquanto removia o vestido dela com movimentos ágeis. — Mas aqui, eu quero que você use toda a sua força contra mim.

Ana Clara estava maravilhada. O contraste entre o intelectual de óculos e o homem dominante à sua frente era a coisa mais excitante que já experimentara. Ela o puxou para cima de si, sentindo o calor da pele dele contra a sua.

— Você é muito mais perigoso do que eu imaginava, Hariel — disse ela, deslizando as mãos pelas costas musculosas dele.

— Você ainda não viu nada — respondeu ele, selando o destino daquela noite com um toque que prometia que a comemoração da Copa seria inesquecível.

O silêncio do quarto foi substituído por suspiros e pelo som da respiração acelerada. Hariel explorava cada centímetro do corpo de Ana com uma curiosidade científica e uma paixão avassaladora. Ele sabia exatamente onde tocar, como se estivesse mapeando cada ponto de prazer dela.

— Hariel... — ela gemeu, arqueando as costas quando ele encontrou um ponto sensível.

— Shh... — ele sussurrou, olhando-a nos olhos. — Eu disse que seria difícil, mas agora que eu te peguei, eu não vou soltar.

A noite se estendeu entre carícias ousadas e uma entrega total. Ana Clara descobriu que o humor e a diversão eram o par perfeito para a intensidade controlada de Hariel. Naquele espaço, não havia nerd ou popular, apenas dois jovens que se desejavam há tempo demais e que finalmente tinham encontrado o ritmo perfeito.

Quando o sol começou a ameaçar surgir no horizonte, eles estavam abraçados, cobertos apenas por um lençol fino. O suor secava em seus corpos, e a exaustão era acompanhada por um sorriso de satisfação plena.

— Então... — começou Ana Clara, recuperando seu tom brincalhão, embora a voz estivesse rouca. — Isso conta como uma vitória por ippon?

Hariel riu, um som genuíno e relaxado, e a beijou na testa.

— Não, Ana. Isso foi muito além de qualquer competição. Mas eu admito... você tem uma defesa muito difícil de quebrar.

— E você — disse ela, aninhando-se no peito dele — é o melhor prêmio que eu poderia ganhar nessa Copa.

Hariel a apertou mais forte, sabendo que, a partir daquela segunda-feira na escola, as coisas seriam muito diferentes. Ele ainda seria o nerd, ela ainda seria a loira divertida, mas entre eles, haveria o segredo de que, entre quatro paredes, o golpe perfeito era aquele que unia seus corações e corpos em um só.
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