Fanfy
.studio
Imagem de fundo

draco Malfoy

Fandom: Harry Potter

Criado: 16/06/2026

Tags

UA (Universo Alternativo)DramaAngústiaFantasiaSombrioMistérioAlmas GêmeasDivergênciaNoir Gótico
Índice

O Sangue que Clama nas Sombras

A mansão Malfoy nunca fora um lugar de calor, mas naquela noite, o ar parecia ter congelado em algo sólido e cortante. Draco Malfoy caminhava pelos corredores de pedra fria, seus passos ecoando como batidas de um coração ansioso. A túnica de seda negra roçava em seus calcanhares, e a palidez de seu rosto, sob a luz bruxuleante das tochas, conferia-lhe a aparência de um espectro condenado a vagar por sua própria herança.

Ele parou diante da porta da biblioteca ancestral. Suas mãos, finas e pálidas, tremiam levemente antes de empurrarem o carvalho pesado. O cheiro de pergaminho velho e magia estagnada o atingiu, mas não foi isso que o fez travar. No centro da sala, cercada por círculos rúnicos que brilhavam em um vermelho visceral, estava a criatura.

Não era um cão comum. Era um Cão do Inferno, uma besta das profundezas, com pelos que pareciam feitos de fumaça negra e olhos que queimavam como brasas de um incêndio esquecido. A criatura rosnou, um som que vibrou nos ossos de Draco, mas não atacou. Ela apenas o observava com uma inteligência terrível e faminta.

— Você demorou, Draco — disse uma voz vinda das sombras.

Lucius Malfoy emergiu da escuridão, a bengala com cabeça de serpente batendo ritmicamente no chão. Seu rosto estava mais encovado do que o normal, a arrogância habitual temperada por um desespero que ele tentava mascarar com rigidez aristocrática.

— Eu estava garantindo que o salão estivesse vazio, pai — respondeu Draco, forçando a voz a manter a estabilidade. — O que é essa coisa? Por que ela está aqui?

Lucius aproximou-se do círculo, e a besta inclinou a cabeça, soltando uma lufada de fumaça pelas narinas.

— Ela é a guardiã do que restou do nosso legado. Mas há algo mais... algo que descobri nas crônicas de sangue da família.

Draco sentiu um aperto no peito. Ele odiava quando o pai falava sobre "sangue" e "legado". Geralmente, isso significava dor ou uma tarefa que ele não queria realizar.

— O que quer dizer com "algo mais"? — perguntou Draco, aproximando-se cautelosamente.

— Esta criatura não é apenas um invocação — Lucius virou-se para o filho, seus olhos brilhando com uma intensidade maníaca. — Ela tem uma ligação. Uma conexão direta com uma alma viva. Ela não obedece apenas a quem a chamou, mas a quem compartilha a essência que a ancora neste plano.

Draco olhou para o Cão do Inferno. A fera, por um momento, pareceu suavizar sua expressão. Ela deu um passo à frente, as patas pesadas não emitindo som algum, e parou exatamente no limite do círculo rúnico.

— E quem é a âncora? — Draco perguntou, embora uma parte dele já soubesse a resposta.

— Você, Draco — sussurrou Lucius. — Ela está ligada a você.

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Draco sentiu o mundo girar. Ele olhou para as próprias mãos, esperando ver algum sinal físico dessa abominação, mas não havia nada além de pele pálida e veias azuladas.

— Como isso é possível? — A voz de Draco falhou. — Eu nunca fiz tal pacto. Eu nunca...

— Não foi você quem fez — interrompeu Lucius, sua voz agora carregada de uma amargura antiga. — Foi o seu bisavô. Um contrato de sangue para proteger a linhagem em tempos de ruína. A besta desperta quando o herdeiro está em perigo... ou quando o herdeiro esconde algo que pode destruir a todos nós.

Draco recuou um passo, a arrogância que costumava usar como armadura desmoronando. Ele pensou na Marca Negra em seu braço, no peso das expectativas de Voldemort e no medo constante que o consumia desde que o Lorde das Trevas se instalara em sua casa.

— Eu não pedi por isso — sibilou Draco, a raiva começando a suplantar o medo. — Eu não quero ser ligado a um monstro.

— O monstro é o que nos mantém vivos, Draco! — Lucius rugiu, batendo a bengala no chão. — Olhe para ela! Ela sente o seu medo. Ela sente a sua fraqueza. E ela vai agir por conta própria se você não aprender a controlá-la.

Nesse momento, o Cão do Inferno soltou um uivo baixo, um som que parecia um lamento humano distorcido. A criatura fixou os olhos em Draco, e ele sentiu uma pontada aguda em sua têmpora. Imagens começaram a inundar sua mente: fogo, gritos, o corredor de Hogwarts, e uma silhueta feminina que ele reconheceria em qualquer lugar.

— Hermione... — sussurrou Draco, sem perceber que havia falado em voz alta.

Lucius estreitou os olhos, a suspeita nublando suas feições.

— O que você disse?

Draco recuperou a postura imediatamente, erguendo o queixo e recompondo sua máscara de indiferença.

— Nada, pai. Eu apenas... o esforço mental de encarar a besta é exaustivo.

— Pois trate de se acostumar — disse Lucius, dando as costas para o filho. — Se o Lorde das Trevas descobrir que você tem uma arma dessas e não a controla, ele a usará contra você. Ou pior, a usará para destruir o que resta do nosso nome.

Lucius saiu da biblioteca, deixando Draco sozinho com a criatura. O Cão do Inferno sentou-se sobre as patas traseiras, as chamas em seus olhos diminuindo para um brilho âmbar mais calmo.

— Por que ela? — Draco perguntou à besta, sua voz mal passando de um suspiro. — Por que você me mostrou a Granger?

A criatura inclinou a cabeça, e Draco sentiu, pela primeira vez, que não estava diante de um simples monstro, mas de uma extensão de sua própria alma fragmentada. A ligação não era apenas de sangue; era de destino. A besta sabia o que Draco tentava esconder de todos, inclusive de si mesmo: que sua obsessão pela "Sangue-Ruim" havia se transformado em algo muito mais perigoso do que o ódio.

Draco aproximou-se do círculo rúnico, estendendo a mão trêmula.

— Se você está ligada a mim... — ele começou, as palavras presas na garganta — ...então você sabe que eu não posso deixá-la sofrer.

O Cão do Inferno soltou um som que lembrava um ronronar metálico e encostou o focinho fumegante na barreira invisível do círculo, exatamente onde a mão de Draco estava. O calor era intenso, mas Draco não recuou.

— Você a viu porque ela corre perigo, não é? — Draco perguntou, seus olhos cinzentos encontrando os da fera. — Não por minha causa... mas por causa do que está por vir.

A besta fechou os olhos, e uma nova visão atingiu Draco. Ele viu as masmorras da mansão, viu Bellatrix rindo com sua loucura habitual e viu Hermione caída no chão, o braço sangrando.

— Não... — Draco arfou, caindo de joelhos. — Isso ainda não aconteceu. É um aviso.

Ele percebeu então o fardo terrível que carregava. O Cão do Inferno não era apenas um protetor da linhagem Malfoy; era um presságio. A ligação que ele descobriu naquela noite não era uma bênção de poder, mas uma maldição de responsabilidade.

— Eu tenho que protegê-la — disse Draco para a escuridão da biblioteca. — Se meu pai ou o Lorde descobrirem que você está ligada a mim através dela... eles vão usá-la para me destruir.

A criatura levantou-se, suas sombras se alongando pelas paredes até que parecessem garras prontas para rasgar o mundo. Draco levantou-se também, a determinação agora queimando em seu peito com a mesma intensidade que o fogo da besta.

— Se você é minha — Draco disse, sua voz recuperando o tom aristocrático e autoritário —, então você fará o que eu ordenar. Você não vai caçá-la. Você vai guardá-la. Nas sombras, onde ninguém possa ver.

O Cão do Inferno soltou um rosnado de submissão e começou a desaparecer, sua forma de fumaça dissolvendo-se no ar frio da biblioteca. Draco ficou parado por um longo tempo, o silêncio retornando à sala, mas o peso em seu peito permanecia.

Ele caminhou até a janela e olhou para os jardins sombrios da mansão. Hogwarts estava longe, mas ele sentia a presença de Hermione como se ela estivesse na sala ao lado. A ligação era real. O perigo era iminente.

— Eu sou um Malfoy — sussurrou ele para o próprio reflexo no vidro. — Eu deveria odiar você, Granger. Eu deveria desejar sua queda.

Ele fechou os olhos, lembrando-se do calor da fera e da visão do sangue dela.

— Mas parece que o destino tem um senso de humor muito cruel — concluiu, afastando-se da janela.

Draco saiu da biblioteca com passos rápidos. Ele tinha planos a fazer, poções a preparar e mentiras a tecer. Se ele era o dono daquela besta do inferno, ele usaria cada grama de sua escuridão para garantir que a luz de Hermione Granger não fosse apagada pelas mãos de sua própria família.

Ao descer as escadas, ele cruzou com Narcissa. Ela o observou com olhos atentos, notando a mudança em sua postura.

— Draco? — chamou ela suavemente. — O que seu pai lhe mostrou?

Draco parou, mas não olhou para trás. Ele ajustou os punhos de sua túnica, a arrogância retornando como uma máscara perfeita.

— Nada que eu não possa lidar, mãe — respondeu ele, sua voz fria e cortante. — Apenas mais uma relíquia de família que precisa ser colocada em seu devido lugar.

— Tenha cuidado — advertiu Narcissa. — Algumas relíquias têm dentes.

— Eu sei — disse Draco, um meio sorriso amargo surgindo em seus lábios. — E eu pretendo ensiná-la a morder apenas quando eu mandar.

Ele seguiu em direção aos seus aposentos, a mente trabalhando a mil por hora. O Cão do Inferno estava solto, e a ligação estava feita. O jogo havia mudado, e Draco Malfoy, pela primeira vez em sua vida, não estava jogando para ganhar poder, mas para salvar a única coisa que ele nunca deveria ter desejado.

Naquela noite, Draco não dormiu. Ele permaneceu sentado em sua poltrona, observando as sombras nos cantos do quarto, sabendo que, em algum lugar na escuridão, uma besta de olhos de fogo vigiava uma garota de cabelos castanhos, esperando pelo momento em que o sangue de ambos clamaria por justiça ou por destruição.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic