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vinicius é biazinha e o amador

Fandom: HOT PESADO

Criado: 16/06/2026

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RomanceDramaAngústiaFatias de VidaEstudo de PersonagemLinguagem Explícita
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Entre Jalecos e o Proibido

O corredor do bloco de saúde estava mergulhado em um silêncio atípico para uma tarde de terça-feira. O eco dos passos de Biazinha era a única coisa que rompia a quietude, acompanhado pelo som metálico dos chaveiros pendurados em sua mochila bagunçada. Ela era o caos em forma de gente: o cabelo preto levemente desalinhado, os óculos redondos escorregando pelo nariz e aquele sorriso travesso que parecia sempre esconder uma piada interna.

Biazinha sabia que não deveria estar ali. Ela era daquelas que vivia rindo alto pelos cantos, tropeçando nos próprios pés e encantando a todos com sua energia contagiante. Mas, por dentro, seu coração batia em um ritmo diferente toda vez que cruzava o caminho de Vinicius.

Ele era o oposto dela. Vinicius, o garoto prodígio do Agro 3, exalava uma seriedade rústica. Alto, de ombros largos e cabelos escuros sempre bem cortados, ele carregava o cheiro de terra molhada e a responsabilidade de um namoro de anos que todos na cidade comentavam. Ele era o "certinho", o herdeiro, o rapaz com o futuro traçado. E Bia... Bia era a liberdade que ele nunca se permitiu ter.

Ao dobrar a esquina do corredor, ela o viu. Vinicius estava parado em frente à porta do laboratório de enfermagem, olhando para os lados com uma hesitação que não combinava com sua postura imponente. Quando seus olhos se encontraram, o mundo ao redor pareceu perder o foco.

— Você também está fugindo da aula de solos? — perguntou Biazinha, soltando uma risadinha nervosa enquanto ajeitava os óculos.

Vinicius deu um meio sorriso, aquele que raramente mostrava a alguém, mas que para Bia era quase frequente.

— Digamos que a biblioteca estava barulhenta demais — respondeu ele, a voz grave vibrando no peito. — E você? Aprontando o quê, Bia?

— Eu? Nada! Sou um anjo — ela brincou, aproximando-se e notando que a maçaneta do laboratório estava entreaberta. — Olha só... esqueceram de trancar.

Eles sabiam que era errado. Sabiam que ele tinha compromisso e que ela era a garota que "não levava nada a sério" aos olhos da sociedade técnica da escola. Mas a tensão entre os dois, acumulada em meses de trocas de olhares na cantina e esbarrões propositais no pátio, era uma corda esticada prestes a arrebentar.

Vinicius empurrou a porta suavemente. O laboratório estava imerso em uma penumbra azulada, as cortinas de plástico hospitalar balançando levemente com o ar-condicionado esquecido ligado. O cheiro de álcool e látex era forte, mas para eles, naquele momento, era o cenário perfeito.

— A gente não devia entrar — sussurrou Vinicius, embora já estivesse dando o primeiro passo para dentro, puxando Biazinha pela mão.

— Desde quando você segue todas as regras, Vini? — ela provocou, fechando a porta atrás de si e encostando-se nela.

O som da tranca girando selou o destino dos dois naquela tarde. Vinicius caminhou até ela, sua altura fazendo com que Biazinha tivesse que inclinar a cabeça para trás para encará-lo. O contraste era nítido: a delicadeza dela, com sua armação de óculos e jeito bagunçado, contra a força bruta e contida dele.

— Eu sigo as regras porque é o que esperam de mim — disse ele, a voz agora a poucos centímetros do rosto dela. — Mas perto de você, eu esqueço até meu nome.

Biazinha sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela esticou a mão e tocou o rosto dele, sentindo a pele quente.

— Então esquece o resto do mundo também. Só por hoje.

Vinicius não resistiu mais. Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos. O beijo começou urgente, faminto, como se estivessem tentando compensar todo o tempo perdido em silêncio. Biazinha entrelaçou os dedos nos cabelos pretos dele, puxando-o para mais perto, enquanto as costas dela batiam contra a porta fria.

— Bia... — ele murmurou entre os beijos, a respiração pesada. — Isso é loucura. Eu tenho... você sabe que eu tenho alguém.

— Eu sei — respondeu ela, os olhos brilhando com uma mistura de tristeza e desejo. — Mas ela não está aqui agora. E eu não quero o seu futuro, Vinicius. Eu só quero o seu agora.

Ele a pegou no colo com uma facilidade impressionante, levando-a até uma das macas de metal cobertas por um lençol descartável branco. O barulho do papel amassando sob o corpo de Biazinha parecia alto demais no silêncio do laboratório, mas nenhum dos dois se importava.

Vinicius começou a tirar a camisa, revelando o porte físico de quem trabalhava no campo, enquanto Biazinha o observava com uma admiração que beirava a adoração. Ela tirou os próprios óculos, deixando-os sobre uma mesa de instrumentos cirúrgicos, e desamarrou o cabelo, deixando que os fios pretos caíssem sobre os ombros.

— Você é linda demais para ser verdade — disse ele, as mãos grandes agora explorando a pele macia da cintura dela.

— E você é muito mais do que aquele garoto sério do Agro — ela retribuiu, puxando-o para cima de si.

O calor entre eles era sufocante e viciante. Cada toque era uma descoberta, cada gemido abafado era uma confissão de um amor que não podia florescer sob a luz do sol, mas que queimava intensamente nas sombras. Vinicius beijava o pescoço dela com uma possessividade que o assustava, enquanto Biazinha se perdia na sensação de ser finalmente dele, mesmo que por instantes roubados.

— Promete que não vai rir se eu disser que estou nervoso? — perguntou ele, parando por um segundo para olhar nos olhos dela.

Biazinha soltou aquela risada gostosa que ele tanto amava, mas dessa vez era uma risada doce, acolhedora.

— Vinicius, eu sou a pessoa mais bagunçada que você conhece. Nervosismo é o meu estado natural. Só fica aqui comigo.

E eles se entregaram. Ali, entre manequins anatômicos e frascos de soro, o proibido se tornou sagrado. O movimento era lento no início, uma dança de corpos que se reconheciam, para depois se tornar frenético, guiado pela urgência de quem sabe que o tempo é um inimigo.

O suor brilhava na pele de ambos sob a luz fraca que vinha da fresta da janela. Vinicius segurava as mãos de Biazinha contra o lençol, os dedos entrelaçados, simbolizando uma união que as leis daquela cidade pequena jamais permitiriam. Ela arqueava as costas, chamando pelo nome dele, sentindo que, naquele laboratório frio, ela finalmente tinha encontrado o calor que procurava.

Quando o ápice chegou, veio acompanhado de um silêncio reverente, apenas o som das respirações descompassadas preenchendo o ar. Vinicius deitou a cabeça no ombro de Biazinha, sentindo o coração dela bater contra o seu peito.

— O que a gente vai fazer depois que sair daqui? — perguntou ela, a voz frágil, enquanto acariciava o cabelo dele.

Vinicius suspirou, o peso da realidade voltando a esmagar seus ombros. Ele pensou na namorada, nos pais, nas expectativas da fazenda. Depois olhou para a garota bagunçada em seus braços, a única que realmente o via.

— Eu não sei, Bia — ele confessou, sendo sincero pela primeira vez na vida. — Eu só sei que não consigo mais fingir que você não existe.

Biazinha sorriu, embora uma lágrima solitária tenha escapado por trás do rosto agora sem óculos.

— Então não finge. Só me olha daquele jeito amanhã, na hora do almoço. Isso já me ajuda a aguentar o resto.

Eles se vestiram em silêncio, o clima de cumplicidade substituindo a eletricidade de antes. Vinicius ajudou Biazinha a descer da maca e entregou seus óculos, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.

— Você está toda bagunçada — ele notou, com um carinho evidente.

— Eu sou a bagunça em pessoa, Vini. Você que é organizado demais — ela brincou, recuperando um pouco de sua energia habitual.

Ele abriu a porta com cautela, verificando o corredor vazio. Antes que ela saísse, Vinicius a segurou pelo braço e lhe deu um último beijo, rápido e carregado de promessas silenciosas.

— Toma cuidado, Biazinha.

— Você também, garoto do Agro.

Ela saiu primeiro, caminhando com seu jeito saltitante, embora seu coração estivesse pesado. Vinicius esperou alguns minutos, encostado na parede do laboratório, sentindo o cheiro dela ainda impregnado em sua pele. Ele sabia que aquele era o início de um caminho perigoso, um romance que desafiava a lógica e as convenções sociais daquele lugar.

Mas, enquanto atravessava o pátio minutos depois e via Biazinha de longe, rindo com um grupo de amigos e ajeitando os óculos que insistiam em cair, Vinicius soube que nenhuma regra no mundo valia mais do que aquele caos que ela trazia para a sua vida. O amor deles era proibido, sim, mas era a única coisa que o fazia se sentir verdadeiramente vivo.
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