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Colette × Spike

Fandom: Brawl Stars

Criado: 16/06/2026

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Espinhos, Autógrafos e um Encontro Quase Impossível

O sol mal havia começado a iluminar as estruturas retorcidas e vibrantes do Starr Park quando Colette saltou da cama com um grito de empolgação. Para qualquer outra pessoa, aquele seria apenas mais um dia de trabalho cansativo na Loja de Lembrancinhas, mas para Colette, cada amanhecer era uma nova oportunidade de completar sua coleção de preciosidades dos Brawlers. Ela vestiu sua camisa de força azul com a agilidade de quem já estava acostumada com as mangas compridas, ajustou o colete vermelho da loja e abraçou seu precioso diário contra o peito.

— Hoje é o dia! Eu sinto isso nos meus ossos! — exclamou ela para o quarto vazio, os olhos brilhando com uma intensidade quase maníaca.

Ao caminhar pelo parque em direção à loja, Colette não conseguia manter os pés quietos. Ela saltitava, parando ocasionalmente para checar se algum Brawler havia deixado cair um fio de cabelo, um botão ou, quem sabe, uma bala usada. Ela passou pela confeitaria da Piper e soltou um suspiro de admiração ao ver a brawler elegante organizando seus guarda-chuvas. Colette pensou em parar para pedir um autógrafo — o trigésimo quarto, para ser exata —, mas o dever a chamava. Ou melhor, o relógio de ponto do Griff a chamava.

Ao entrar na Loja de Lembrancinhas, o cenário era o de sempre. Griff, o homem com uma caixa registradora no lugar da cabeça, estava polindo as moedas no balcão, resmungando sobre impostos e a falta de gorjetas. No canto, encostado em uma prateleira de pelúcias desbotadas, estava Edgar. O adolescente de cabelos escuros e cachecol listrado parecia estar tentando se fundir com a parede, com uma expressão de tédio profundo e os fones de ouvido no volume máximo.

— Bom dia, família! — gritou Colette, correndo para trás do caixa.

— Você está atrasada três minutos, Colette — disse Griff, sem tirar os olhos de seu dinheiro. — Isso vai ser descontado do seu bônus de Natal. Que bônus? Exato, nenhum!

— Relaxa, chefe! O dia está lindo, os clientes estão chegando e eu sinto que algo incrível vai acontecer! — Ela se virou para o colega de trabalho. — Bom dia, Edgar! Animado para vender muitas camisetas do Poco hoje?

Edgar apenas bufou, ajeitando a franja que cobria seus olhos.

— Eu só quero que o turno acabe para eu poder ir para casa e não ver ninguém — resmungou ele, a voz abafada pelo cachecol que parecia ter vida própria. — Por que você é tão... você?

Colette nem teve tempo de responder. O sino da porta tocou, anunciando a entrada de um cliente. Ela se preparou para dar o seu melhor sorriso de vendedora, mas quando viu quem atravessava a porta, seu coração parou por um segundo antes de começar a bater como um tambor frenético.

Era ele. Pequeno, verde, arredondado e com aquele sorriso eterno e enigmático esculpido no rosto de planta. Spike.

— Oh... meu... Deus... — sussurrou Colette, as mãos tremendo enquanto ela apertava o balcão. — Edgar, olhe! É ele! O cacto dos meus sonhos! O mestre do silêncio! A criatura mais fofa e perigosa de todo o deserto!

Edgar revirou os olhos e se encolheu ainda mais no canto.

— É só um cacto, Colette. Ele nem fala.

— "Só um cacto"? — Ela quase gritou, indignada. — Ele é uma lenda!

Spike caminhou pela loja com passinhos curtos e silenciosos. Ele parecia interessado em uma prateleira de globos de neve, mas Colette já estava saltando sobre o balcão, aterrissando de forma desajeitada na frente do brawler humanoide. Spike parou e olhou para ela com seus grandes olhos negros e circulares.

— Spike! Oi! Olá! Que surpresa maravilhosa ver você aqui! — Colette começou a falar tão rápido que as palavras quase se atropelavam. — Você veio comprar uma lembrancinha? Ou veio me ver? Eu tenho uma página inteira no meu diário dedicada à textura dos seus espinhos! Você sabia que eu tentei cultivar um cacto em casa para ver se ele crescia e ficava igual a você? Mas ele morreu porque eu o abracei demais!

Spike inclinou a cabeça para o lado, mantendo o mesmo sorriso fixo. Ele não disse nada. Ele nunca dizia nada.

— Sabe o que seria incrível? — continuou Colette, aproximando-se mais, ignorando completamente o fato de que os espinhos de Spike estavam cutucando seu colete. — Se nós dois saíssemos para um encontro! Imagine só: nós dois, sentados no gramado do Starr Park, eu lendo as estatísticas de todos os brawlers para você e você... bem, você sendo perfeito! O que você acha?

Spike estendeu a mão e pegou um par de meias temáticas do Colt que estava pendurado em um cabide próximo. Ele olhou para as meias e depois para Colette.

— Ah, você quer as meias? Claro! — Ela pegou as meias da mão dele, seus dedos roçando rapidamente na pele áspera do cacto. — Eu te dou as meias de graça! Bem, o Griff vai me matar, mas quem se importa? É pelo amor! Mas antes, você tem que me dizer... você aceita sair comigo?

Spike deu um passo para trás, ainda sorrindo. Ele parecia estar procurando uma rota de fuga. Ele apontou para a porta e depois para uma bola de espinhos que carregava em seu colete.

— Não, não, não! Não fuja! — pediu Colette, pegando seu diário e uma caneta. — Assina aqui primeiro? E depois podemos ir tomar um sorvete de areia! Ou o que quer que cactos tomem! Fotosíntese? Podemos fazer fotosíntese juntos no parque!

Nesse momento, Griff interveio, sua cabeça de caixa registradora emitindo um som de "limite excedido".

— Colette! Pare de assustar os clientes! Ele quer pagar pelas meias ou não? Se ele não pagar, ele sai! E pare de oferecer mercadoria de graça!

— Mas chefe, é o Spike! — protestou ela, os olhos lacrimejando de emoção. — Ele é um convidado VIP da minha vida!

Edgar, que assistia à cena com um misto de vergonha alheia e tédio, finalmente se manifestou.

— Colette, ele está tentando chegar à porta desde que você pulou o balcão. Deixa o bicho em paz.

— Você não entende o amor, Edgar! — rebateu Colette, voltando sua atenção total para o cacto. — Spike, por favor! Apenas um encontro. Pode ser curto. Dez minutos? Cinco minutos? O tempo de uma partida de Combate?

Spike, percebendo uma brecha quando Colette se virou para falar com Edgar, começou a caminhar rapidamente em direção à saída. Seus pés pequenos faziam um som suave de batidas no chão de madeira.

— Espera! — gritou Colette, correndo atrás dele. — Eu ainda não terminei de mostrar minha coleção de fotos suas de longe! Eu tenho uma de quando você estava escondido em uma moita no deserto! Ficou um pouco borrada, mas a essência de cacto está lá!

Spike acelerou o passo. Ele agora estava quase correndo, o que era impressionante para uma criatura de seu formato. Ele passou pela porta giratória da loja com Colette logo atrás, o diário em punho e o cabelo branco voando.

— Spike! — ela chamou, enquanto corriam pela praça central do Starr Park. — Pense bem! Eu posso te dar todos os fertilizantes que você quiser! Eu tenho contatos! Eu conheço a Rosa e a Bea, elas podem nos dar as melhores vitaminas para plantas!

O cacto olhou para trás por um breve segundo. Ele parecia não ter expressão, mas se alguém olhasse bem de perto, talvez visse um pingo de desespero em seus olhos negros. Ele jogou uma de suas bolas de espinhos no chão, não para atacar, mas para criar uma distração. A bola explodiu em pequenos fragmentos de cacto, e Colette parou por um segundo para tentar recolher os pedaços.

— Oh! Uma amostra grátis de você! — exclamou ela, agachando-se para pegar os espinhos. — Que generoso!

Mas o momento de distração foi o suficiente para Spike dobrar a esquina da montanha-russa e desaparecer entre os arbustos decorativos do parque. Colette correu até o local, mas o cacto havia sumido, fundindo-se perfeitamente com a vegetação local.

Ela suspirou, abraçando os fragmentos de espinhos contra o peito, ignorando as pequenas picadas em suas mãos.

— Ele é tão tímido... — murmurou ela, com um sorriso sonhador. — Ele correu porque ficou nervoso com a intensidade do meu carinho. É clássico. O amor proibido entre uma fã e seu ídolo vegetal.

Ela voltou para a loja caminhando lentamente, escrevendo freneticamente em seu diário sobre o "encontro" que acabara de ter. Quando entrou, Griff estava contando o dinheiro da gaveta e Edgar estava exatamente na mesma posição de antes.

— E então? — perguntou Edgar, sem olhar para cima. — O seu namorado te pediu em casamento ou ele só fugiu para salvar a própria vida?

— Ele me deu presentes, Edgar! — Colette mostrou os espinhos e as meias do Colt que ela ainda segurava. — E ele me convidou para um jogo de esconde-esconde! Ele ganhou essa rodada, mas eu vou encontrá-lo amanhã. E depois de amanhã. E no dia seguinte também!

Griff suspirou, o som de moedas batendo dentro de sua cabeça.

— Colette, apenas volte para o caixa. Temos um grupo de turistas chegando e eu preciso que você venda o máximo de chaveiros superfaturados possível.

— Pode deixar, chefe! — disse ela, guardando os espinhos em um saquinho plástico com cuidado. — Vou vender com a energia de quem está quase namorando uma lenda!

Colette assumiu sua posição, os olhos fixos na porta, esperando pelo próximo brawler que cruzasse o caminho. Talvez fosse a Piper, talvez fosse o Bull... mas em seu coração, ela sabia que Spike voltaria. Afinal, quem poderia resistir a uma fã tão dedicada?

Enquanto isso, do lado de fora, escondido nas sombras de um grande vaso de flores, Spike observava a loja. Ele soltou um suspiro silencioso, se é que cactos podem suspirar, e começou a planejar uma rota diferente para suas caminhadas matinais. Ele gostava do Starr Park, mas a intensidade de Colette era mais perigosa do que qualquer chuva de meteoros ou robô gigante.

Mas, de alguma forma, no fundo de sua consciência vegetal, ele sabia que aquela garota de cabelos brancos e sorriso largo era parte do que tornava aquele lugar tão estranhamente vivo. Ele apenas preferia admirá-la... de uma distância bem segura.

Dentro da loja, Colette começou a cantarolar uma música sobre cactos e abraços, enquanto carimbava recibos com uma alegria contagiante. Edgar colocou os fones de ouvido novamente, tentando bloquear o som, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso de canto de boca. O Starr Park era um caos, mas era o caos deles.

— Próximo! — gritou Colette quando o sino tocou novamente. — Bem-vindo à Loja de Lembrancinhas! Você quer um autógrafo meu? Eu ainda não sou famosa, mas vou ser a maior colecionadora do mundo!

O dia estava apenas começando, e para Colette, cada segundo era uma página em branco pronta para ser preenchida com as aventuras mais loucas e obcecadas que o Starr Park já vira. E nada, nem mesmo um cacto fugitivo, poderia tirar o brilho de seus olhos. Ela estava pronta para o que viesse a seguir, com seu diário na mão e o coração transbordando de uma loucura que só ela entendia.
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