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A dama e o vagabundo
Fandom: Chiquititas
Criado: 17/06/2026
Tags
DramaPsicológicoSombrioSuspenseCrimeEstudo de PersonagemCiúmesUA (Universo Alternativo)Humor
O Jogo de Máscaras dos Almeida Campos
A luz da manhã refletia no espelho do meu quarto, iluminando cada detalhe do meu rosto. Eu analisava meu reflexo com uma satisfação silenciosa. Meus cabelos pretos, longos e brilhantes, emolduravam meu rosto com a franja perfeitamente alinhada. Meus olhos, aquela mistura peculiar de castanho com mel, pareciam calmos, quase inocentes, sob as sardas leves que eu tinha no nariz. Para qualquer um que me olhasse, eu era Hanna Almeida Campos: a herdeira doce, gentil e inteligente. A menina que, um dia, seria a dona do Orfanato Raio de Luz.
Tia Carmem odiava esse fato. Eu sentia o veneno dela toda vez que ela tentava me agradar com sorrisos falsos e presentes caros, sempre terminando a conversa com alguma sugestão de que "uma menina tão jovem não deveria se preocupar com a administração de um orfanato". Ela queria o controle. Mal sabia ela que eu já tinha o controle de algo muito mais divertido: a confiança de todos naquela casa.
Eu não suportava aquelas crianças do orfanato. Para mim, eram apenas órfãos barulhentos que meu pai insistia em proteger. Mas eu era uma excelente atriz. Eles me amavam. Achavam que eu era a "amiga rica e legal" que os defendia de tudo.
— Vamos, Hanna? O Júnior já está esperando no carro — a voz da empregada ecoou no corredor.
— Já vou! — respondi com uma voz doce, pegando minha mochila.
No carro, Júnior tentava puxar assunto sobre o orfanato, sobre como a Pata estava se adaptando e como o Mosca era um menino responsável. Eu apenas sorria e concordava, fingindo interesse. Quando chegamos à escola, a cena de sempre se repetiu. Assim que desci do carro e me despedi de Júnior com um beijo no rosto, os meninos do orfanato correram até ele.
Eu revirei os olhos assim que virei as costas, mas mudei minha expressão instantaneamente quando Mosca se aproximou de mim, com aquele olhar protetor de sempre.
— Ei, Hanna! — disse Mosca, parando ao meu lado. — Toma cuidado hoje, tá? Vi os vizinhos andando por aqui cedo. Se eles mexerem com você, avisa a gente.
— Pode deixar, Mosca — respondi, forçando um sorriso tímido e abaixando os olhos, como se estivesse grata pela proteção. — Vocês são muito bons para mim.
— A gente cuida dos nossos — ele afirmou, antes de sair com o Rafa e o Duda.
Assim que me afastei, a máscara caiu. "Cuidam dos seus", pensei, sentindo uma vontade imensa de rir. Eles não faziam ideia de que eu era a peça principal do grupo que eles tanto temiam.
A manhã passou devagar. As aulas eram um tédio, mas eu precisava manter minhas notas impecáveis para manter a imagem de menina inteligente. Na hora do almoço, o sinal tocou e a escola estava um caos. Estavam montando o palco para a apresentação da Tati e da Ana. Aproveitei a confusão para sair sem ser notada.
Meu destino não era o orfanato, nem a mansão. Fui direto para a praça.
Lá, sentada em um banco afastado, Janu me esperava. Ao lado dela estavam Janjão, Bel, André e Tatu. O grupo de elite dos vizinhos.
— Demorou, hein, bonequinha de luxo? — Janjão brincou, vindo em minha direção.
Eu não respondi com palavras. Apenas sorri e deixei que ele segurasse minha mão. Ninguém sabia que namorávamos, exceto aquele círculo restrito e nossos pais, que secretamente aprovavam a união entre famílias de "nível".
— Eu estava ocupada sendo a "Hanna boazinha" — debochei, fazendo o grupo rir. — E então, qual é o plano para hoje?
— A gente quer dar um susto neles, mas algo que doa de verdade — Janu disse, cruzando os braços. — Aquela casinha na árvore é o xodó deles.
— Perfeito — eu disse, sentindo a adrenalina subir. — Podemos invadir e pixar tudo. Destruir os cartazes, deixar o lugar um lixo.
— Mas como vamos entrar? — perguntou Tatu. — Eles colocaram um cadeado novo ontem. Eu vi o Mosca trancando.
Eu dei um sorriso de lado e tirei algo do bolso da saia, balançando no ar. O metal brilhou sob o sol.
— Vocês acham mesmo que eu sou burra? — perguntei, retórica. — Eu sou uma Almeida Campos. Eu tenho a chave mestra de tudo que envolve aquele orfanato.
— Mandou bem, Hanna! — André exclamou, impressionado.
Combinamos de nos encontrar no pátio dos fundos do orfanato em uma hora. Fui para casa, troquei o uniforme escolar por algo que combinasse mais com a minha verdadeira personalidade. Escolhi um cropped preto com uma estrela branca no centro, uma saia preta curta e meus coturnos pesados. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando apenas a franja solta.
Quando cheguei ao ponto de encontro, Janjão já estava lá me esperando. Ele me deu um selinho rápido e olhou para a casinha na árvore, que ficava em um ponto mais isolado do jardim.
— Pronta para o show? — ele sussurrou.
— Sempre.
Subimos as escadas de madeira com cuidado. Os outros vieram logo atrás, carregando latas de spray e cartazes que tínhamos preparado. Encaixei a chave no cadeado e ele abriu com um clique seco.
— Entrem — ordenei.
O interior da casinha era decorado com desenhos das crianças, almofadas coloridas e fotos. Era um lugar cheio de "amor e esperança". Nojento.
— Podem começar — eu disse, pegando uma lata de spray preto.
Pichei a primeira parede com letras grandes e tortas. Janjão e os outros começaram a colar cartazes com insultos direcionados às meninas, principalmente à Milene e à Pata. Jogamos as almofadas no chão, riscamos as fotos e transformamos o refúgio deles em um cenário de guerra.
— Isso vai ser épico quando eles virem — Janu comentou, terminando de riscar um desenho da Tati.
Saímos de lá tão rápido quanto entramos, trancando tudo novamente para que não houvesse sinais de arrombamento. Fomos para a praça central, o lugar onde tudo acontecia. Ficamos lá conversando, agindo como se tivéssemos passado a tarde toda jogando conversa fora.
Cerca de meia hora depois, vi o grupo do orfanato aparecendo ao longe. Mosca, Pata, Duda, Rafa e as meninas estavam caminhando em direção à praça. Era o momento de entrar em cena.
— Agora — sussurrei para Janjão.
Imediatamente, o clima mudou. Janjão e Tatu se aproximaram de mim, me cercando. Eles começaram a falar alto, fingindo que estavam me intimidando.
— E aí, Almeida Campos? O que uma riquinha como você tá fazendo no nosso território? — Janjão gritou, fingindo uma agressividade que me fez querer rir, mas eu mantive a pose.
— Me deixem em paz, por favor... — eu disse, minha voz saindo falha e trêmula. Eu encolhi os ombros, deixando algumas lágrimas falsas começarem a brotar nos meus olhos.
Janu se aproximou e sussurrou bem baixinho no meu ouvido:
— Até mais tarde, chefa.
Ela se afastou e gritou para quem quisesse ouvir:
— Você é uma frouxa, Hanna! Devia voltar para a sua mansão!
Nesse momento, Mosca e os outros meninos viram a cena. O sangue de Mosca pareceu ferver. Ele correu em nossa direção, seguido por Rafa e Duda.
— Ei! Solta ela agora! — Mosca gritou, ficando entre mim e o Janjão.
Janjão deu um passo para trás, fingindo estar intimidado pela chegada do grupo.
— Olha só, os guarda-costas chegaram — Janjão debochou. — Vamos embora, galera. Já perdemos tempo demais com essa patricinha.
O grupo dos vizinhos se afastou, rindo e trocando olhares cúmplices comigo que ninguém mais percebeu. Assim que eles saíram do campo de visão, Pata e as outras meninas correram para me abraçar.
— Você está bem, Hanna? Eles te machucaram? — Pata perguntou, visivelmente preocupada.
Eu apenas balancei a cabeça negativamente, escondendo o rosto entre as mãos e fingindo um soluço.
— Eles são tão malvados... — eu murmurei, sentindo o braço de Mosca envolver meus ombros de forma protetora.
— Não se preocupa, Hanna — Mosca disse, com a voz firme. — Enquanto a gente estiver por perto, ninguém encosta a mão em você. Eles vão pagar por isso.
— É — Duda completou, cerrando os punhos. — A gente não vai deixar barato.
Eu olhei para eles por entre os dedos, com os olhos vermelhos e úmidos. Por dentro, eu estava gargalhando. Eles estavam tão ocupados me "protegendo" que não tinham ideia de que a pessoa que eles tanto queriam vingar era a mesma que tinha acabado de destruir o lugar favorito deles.
— Obrigada, meninos — eu disse, limpando uma lágrima falsa. — Eu não sei o que faria sem vocês.
E enquanto caminhávamos de volta para o orfanato, eu já estava pensando no próximo plano. Afinal, ser a dona do jogo era muito mais divertido quando ninguém sabia que você estava jogando.
Tia Carmem odiava esse fato. Eu sentia o veneno dela toda vez que ela tentava me agradar com sorrisos falsos e presentes caros, sempre terminando a conversa com alguma sugestão de que "uma menina tão jovem não deveria se preocupar com a administração de um orfanato". Ela queria o controle. Mal sabia ela que eu já tinha o controle de algo muito mais divertido: a confiança de todos naquela casa.
Eu não suportava aquelas crianças do orfanato. Para mim, eram apenas órfãos barulhentos que meu pai insistia em proteger. Mas eu era uma excelente atriz. Eles me amavam. Achavam que eu era a "amiga rica e legal" que os defendia de tudo.
— Vamos, Hanna? O Júnior já está esperando no carro — a voz da empregada ecoou no corredor.
— Já vou! — respondi com uma voz doce, pegando minha mochila.
No carro, Júnior tentava puxar assunto sobre o orfanato, sobre como a Pata estava se adaptando e como o Mosca era um menino responsável. Eu apenas sorria e concordava, fingindo interesse. Quando chegamos à escola, a cena de sempre se repetiu. Assim que desci do carro e me despedi de Júnior com um beijo no rosto, os meninos do orfanato correram até ele.
Eu revirei os olhos assim que virei as costas, mas mudei minha expressão instantaneamente quando Mosca se aproximou de mim, com aquele olhar protetor de sempre.
— Ei, Hanna! — disse Mosca, parando ao meu lado. — Toma cuidado hoje, tá? Vi os vizinhos andando por aqui cedo. Se eles mexerem com você, avisa a gente.
— Pode deixar, Mosca — respondi, forçando um sorriso tímido e abaixando os olhos, como se estivesse grata pela proteção. — Vocês são muito bons para mim.
— A gente cuida dos nossos — ele afirmou, antes de sair com o Rafa e o Duda.
Assim que me afastei, a máscara caiu. "Cuidam dos seus", pensei, sentindo uma vontade imensa de rir. Eles não faziam ideia de que eu era a peça principal do grupo que eles tanto temiam.
A manhã passou devagar. As aulas eram um tédio, mas eu precisava manter minhas notas impecáveis para manter a imagem de menina inteligente. Na hora do almoço, o sinal tocou e a escola estava um caos. Estavam montando o palco para a apresentação da Tati e da Ana. Aproveitei a confusão para sair sem ser notada.
Meu destino não era o orfanato, nem a mansão. Fui direto para a praça.
Lá, sentada em um banco afastado, Janu me esperava. Ao lado dela estavam Janjão, Bel, André e Tatu. O grupo de elite dos vizinhos.
— Demorou, hein, bonequinha de luxo? — Janjão brincou, vindo em minha direção.
Eu não respondi com palavras. Apenas sorri e deixei que ele segurasse minha mão. Ninguém sabia que namorávamos, exceto aquele círculo restrito e nossos pais, que secretamente aprovavam a união entre famílias de "nível".
— Eu estava ocupada sendo a "Hanna boazinha" — debochei, fazendo o grupo rir. — E então, qual é o plano para hoje?
— A gente quer dar um susto neles, mas algo que doa de verdade — Janu disse, cruzando os braços. — Aquela casinha na árvore é o xodó deles.
— Perfeito — eu disse, sentindo a adrenalina subir. — Podemos invadir e pixar tudo. Destruir os cartazes, deixar o lugar um lixo.
— Mas como vamos entrar? — perguntou Tatu. — Eles colocaram um cadeado novo ontem. Eu vi o Mosca trancando.
Eu dei um sorriso de lado e tirei algo do bolso da saia, balançando no ar. O metal brilhou sob o sol.
— Vocês acham mesmo que eu sou burra? — perguntei, retórica. — Eu sou uma Almeida Campos. Eu tenho a chave mestra de tudo que envolve aquele orfanato.
— Mandou bem, Hanna! — André exclamou, impressionado.
Combinamos de nos encontrar no pátio dos fundos do orfanato em uma hora. Fui para casa, troquei o uniforme escolar por algo que combinasse mais com a minha verdadeira personalidade. Escolhi um cropped preto com uma estrela branca no centro, uma saia preta curta e meus coturnos pesados. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando apenas a franja solta.
Quando cheguei ao ponto de encontro, Janjão já estava lá me esperando. Ele me deu um selinho rápido e olhou para a casinha na árvore, que ficava em um ponto mais isolado do jardim.
— Pronta para o show? — ele sussurrou.
— Sempre.
Subimos as escadas de madeira com cuidado. Os outros vieram logo atrás, carregando latas de spray e cartazes que tínhamos preparado. Encaixei a chave no cadeado e ele abriu com um clique seco.
— Entrem — ordenei.
O interior da casinha era decorado com desenhos das crianças, almofadas coloridas e fotos. Era um lugar cheio de "amor e esperança". Nojento.
— Podem começar — eu disse, pegando uma lata de spray preto.
Pichei a primeira parede com letras grandes e tortas. Janjão e os outros começaram a colar cartazes com insultos direcionados às meninas, principalmente à Milene e à Pata. Jogamos as almofadas no chão, riscamos as fotos e transformamos o refúgio deles em um cenário de guerra.
— Isso vai ser épico quando eles virem — Janu comentou, terminando de riscar um desenho da Tati.
Saímos de lá tão rápido quanto entramos, trancando tudo novamente para que não houvesse sinais de arrombamento. Fomos para a praça central, o lugar onde tudo acontecia. Ficamos lá conversando, agindo como se tivéssemos passado a tarde toda jogando conversa fora.
Cerca de meia hora depois, vi o grupo do orfanato aparecendo ao longe. Mosca, Pata, Duda, Rafa e as meninas estavam caminhando em direção à praça. Era o momento de entrar em cena.
— Agora — sussurrei para Janjão.
Imediatamente, o clima mudou. Janjão e Tatu se aproximaram de mim, me cercando. Eles começaram a falar alto, fingindo que estavam me intimidando.
— E aí, Almeida Campos? O que uma riquinha como você tá fazendo no nosso território? — Janjão gritou, fingindo uma agressividade que me fez querer rir, mas eu mantive a pose.
— Me deixem em paz, por favor... — eu disse, minha voz saindo falha e trêmula. Eu encolhi os ombros, deixando algumas lágrimas falsas começarem a brotar nos meus olhos.
Janu se aproximou e sussurrou bem baixinho no meu ouvido:
— Até mais tarde, chefa.
Ela se afastou e gritou para quem quisesse ouvir:
— Você é uma frouxa, Hanna! Devia voltar para a sua mansão!
Nesse momento, Mosca e os outros meninos viram a cena. O sangue de Mosca pareceu ferver. Ele correu em nossa direção, seguido por Rafa e Duda.
— Ei! Solta ela agora! — Mosca gritou, ficando entre mim e o Janjão.
Janjão deu um passo para trás, fingindo estar intimidado pela chegada do grupo.
— Olha só, os guarda-costas chegaram — Janjão debochou. — Vamos embora, galera. Já perdemos tempo demais com essa patricinha.
O grupo dos vizinhos se afastou, rindo e trocando olhares cúmplices comigo que ninguém mais percebeu. Assim que eles saíram do campo de visão, Pata e as outras meninas correram para me abraçar.
— Você está bem, Hanna? Eles te machucaram? — Pata perguntou, visivelmente preocupada.
Eu apenas balancei a cabeça negativamente, escondendo o rosto entre as mãos e fingindo um soluço.
— Eles são tão malvados... — eu murmurei, sentindo o braço de Mosca envolver meus ombros de forma protetora.
— Não se preocupa, Hanna — Mosca disse, com a voz firme. — Enquanto a gente estiver por perto, ninguém encosta a mão em você. Eles vão pagar por isso.
— É — Duda completou, cerrando os punhos. — A gente não vai deixar barato.
Eu olhei para eles por entre os dedos, com os olhos vermelhos e úmidos. Por dentro, eu estava gargalhando. Eles estavam tão ocupados me "protegendo" que não tinham ideia de que a pessoa que eles tanto queriam vingar era a mesma que tinha acabado de destruir o lugar favorito deles.
— Obrigada, meninos — eu disse, limpando uma lágrima falsa. — Eu não sei o que faria sem vocês.
E enquanto caminhávamos de volta para o orfanato, eu já estava pensando no próximo plano. Afinal, ser a dona do jogo era muito mais divertido quando ninguém sabia que você estava jogando.
