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Fandom: Camren

Criado: 17/06/2026

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Três Corações e um Único Destino

O apartamento de Ester sempre exalava um perfume caro, uma mistura de baunilha e sândalo que parecia impregnar as paredes e os móveis de design impecável. Aos vinte e dois anos, Ester não possuía apenas uma conta bancária invejável, mas uma presença que comandava qualquer ambiente. No entanto, naquela tarde de sábado, toda a sua sofisticação parecia derreter diante da figura pequena e manhosa sentada em seu sofá de couro.

Camila, aos dezenove anos, era a personificação da doçura e da teimosia. Ela estava encolhida, os olhos castanhos brilhando com uma intensidade que Ester conhecia bem. Ao lado delas, Karla observava tudo com sua habitual calma. Karla, a namorada de Ester há seis meses, era o equilíbrio daquela dinâmica; aos vinte anos, ela possuía uma serenidade que raramente era abalada.

— Eu não aguento mais guardar isso, Ester — começou Camila, a voz embargada, enquanto apertava uma almofada contra o peito. — Ver você com a Karla... eu fico feliz, juro que fico. Mas dói aqui dentro.

Ester franziu o cenho, aproximando-se da amiga. Para ela, Camila sempre fora seu mundo, a pessoa que ela protegia acima de tudo.

— O que está querendo dizer, Mila? — perguntou Ester suavemente, passando a mão pelos cabelos castanhos da mais nova.

— Eu estou apaixonada por você — disparou Camila, as bochechas corando instantaneamente. — E eu sei que você namora a Karla, e eu amo a Karla também, ela é incrível, mas eu não consigo mais fingir que não quero ser sua do mesmo jeito que ela é.

O silêncio caiu sobre a sala. Ester olhou para Karla, esperando ver choque ou mágoa. Em vez disso, encontrou um sorriso complacente e compreensivo. Karla se levantou, caminhando até as duas e sentando-se do outro lado de Camila.

— Por que você acha que eu ficaria brava, Mila? — Karla perguntou, sua voz sendo um bálsamo de tranquilidade. — Eu vejo como você olha para ela. E vejo como a Ester olha para você.

— Você vê? — Ester perguntou, surpresa.

— Ester, você trata a Camila como se ela fosse o sol e nós todos fôssemos planetas orbitando ao redor dela — Karla riu baixo, pegando a mão da namorada. — E eu não me importo. Na verdade, eu adoro o quanto vocês se amam.

Camila olhou de uma para a outra, confusa.

— Então... você não está brava?

— Nem um pouco — Karla afirmou, olhando nos olhos de Ester antes de voltar para Camila. — Na verdade, eu tenho uma proposta. Ester é grande o suficiente para nós duas, não acha? Por que não tentamos as três juntas?

Aquele momento mudara tudo. O que começou como uma confissão desesperada transformou-se em um acordo de amor compartilhado. E agora, semanas depois, a rotina do trio era uma dança complexa de carinho, luxo e, principalmente, a possessividade adorável de Camila.

Naquela manhã de domingo, o sol entrava pelas grandes janelas da suíte de Ester. Camila estava literalmente grudada em Ester, com as pernas entrelaçadas às dela e o rosto escondido no pescoço da mais velha.

— Você está muito cheirosa, Ester — murmurou Camila, distribuindo beijos lentos pela mandíbula da empresária.

— É o mesmo perfume de sempre, pequena — Ester respondeu, abraçando a cintura de Camila com possessividade. — Mas você sempre diz isso.

— Porque é verdade. Eu quero que todo mundo saiba que esse cheiro é só meu — Camila resmungou, apertando o abraço.

Karla entrou no quarto carregando uma bandeja com café e frutas. Ela usava apenas uma camisa de Ester, os cabelos loiros levemente bagunçados. Ao ver a cena, ela sorriu.

— Já começou o grude matinal? — Karla brincou, colocando a bandeja sobre a cama.

— Ela não quer me soltar, Karla — Ester disse, embora seu tom de voz deixasse claro que ela não tinha a menor intenção de se afastar. — Venha aqui.

Karla se sentou na beirada da cama e Camila estendeu a mão para puxá-la para perto. Embora Camila fosse louca por Ester, ela desenvolvera um carinho profundo e protetor por Karla também.

— Você também é minha, Karlinha — disse Camila, fazendo um biquinho manhoso. — Mas a Ester... a Ester é o meu mundo inteirinho.

— Eu sei, meu amor — Karla acariciou o rosto de Camila. — E eu adoro que você cuide tanto dela.

Mais tarde naquele dia, Ester precisou atender a uma ligação de trabalho. Ela era uma mulher de negócios influente, e mesmo nos fins de semana, o mundo não parava. Enquanto ela falava ao telefone, caminhando pela sala de estar, Camila a seguia como uma sombra. Se Ester parava, Camila encostava as costas nela. Se Ester se sentava, Camila se acomodava em seu colo.

Karla observava a cena da cozinha, bebendo um suco e achando graça da situação. Camila era a definição de ciúme e apego, mas de uma forma que nunca sufocava; era apenas a maneira dela de demonstrar que Ester era sua âncora.

Quando Ester finalmente desligou o celular, ela suspirou e olhou para baixo, encontrando os olhos brilhantes de Camila.

— Pronto, acabou o trabalho — anunciou Ester.

— Finalmente — Camila bufou. — Você deu muita atenção para esse telefone. Eu não gosto quando você foca em outra coisa por tanto tempo.

— Camila, era apenas um contrato — Ester riu, pegando o rosto da mais nova entre as mãos. — Ninguém tira meu foco de você por muito tempo.

— Promete? — Camila perguntou, os olhos semicerrados, demonstrando aquele ciúme infantil que Ester tanto amava.

— Eu prometo — Ester selou os lábios nos de Camila em um beijo profundo e apaixonado.

Karla se aproximou, abraçando as duas por trás.

— Eu estava pensando... — começou Karla — ...que tal sairmos para jantar hoje? Aquele restaurante novo que abriu no centro.

Camila imediatamente se empertigou.

— Só se a Ester prometer que não vai ficar olhando para as garçonetes.

Ester soltou uma gargalhada alta, um som raro que apenas Camila e Karla conseguiam extrair dela com tanta facilidade.

— Camila, meu amor, eu tenho as duas mulheres mais lindas da cidade ao meu lado — disse Ester, beijando o topo da cabeça de Camila. — Por que eu olharia para qualquer outra pessoa?

— Porque você é linda e as pessoas olham para você — rebateu Camila, cruzando os braços. — E eu não gosto. Eu tenho vontade de dizer para todo mundo que você já tem dona. Ou melhor, donas.

Karla riu, beijando a bochecha de Camila.

— Eu adoro quando você fica possessiva assim, Mila. Faz a Ester se sentir uma rainha.

— Ela é a minha rainha — Camila declarou, voltando a se aninhar no peito de Ester.

O jantar foi exatamente como planejado. Ester, impecável em um terno feminino sob medida, atraía olhares por onde passava. Karla, com um vestido leve e elegante, exalava uma aura de paz. E Camila, em um vestido vermelho justo que realçava suas curvas, não soltava o braço de Ester por nada.

Sempre que alguém demorava o olhar um segundo a mais em Ester, Camila apertava o braço da namorada e lançava um olhar mortal na direção da pessoa.

— Calma, pequena — sussurrou Ester no ouvido de Camila enquanto esperavam a sobremesa. — Eu sou toda sua.

— Eu sei — respondeu Camila em um sussurro atrevido. — Mas é bom lembrar aos outros.

Karla, do outro lado da mesa, apenas observava com um sorriso satisfeito. Ela amava a dinâmica que haviam construído. Não havia espaço para inseguranças entre elas, pois o amor de Ester era vasto o suficiente para cobri-las inteiramente, e a devoção de Camila era o combustível que mantinha a chama acesa.

Ao voltarem para casa, o clima era de total entrega. Ester abriu a porta do apartamento e foi imediatamente cercada pelas duas.

— Eu amo a nossa vida — disse Karla, tirando os sapatos e jogando-se no sofá.

Camila, no entanto, levou Ester direto para o quarto.

— Agora — disse Camila, empurrando Ester levemente contra a porta fechada —, eu quero toda a atenção que você não pôde me dar enquanto estava no telefone ou no restaurante.

Ester sorriu, aquela expressão de quem estava exatamente onde queria estar. Ela puxou Camila para perto, sentindo o calor do corpo da mais nova, o perfume doce que ela sempre usava e a intensidade daquele amor que a consumia.

— Você é tão manhosa, Camila — Ester murmurou contra seus lábios.

— Sou a sua manhosa — Camila corrigiu. — E você é meu mundo.

Karla entrou no quarto logo em seguida, fechando a porta atrás de si. Ela se juntou a elas, completando o círculo. Naquele espaço sagrado, entre lençóis de seda e confissões ao pé do ouvido, não importava o que o mundo pensava.

Ester era o porto seguro. Karla era a calmaria. E Camila era a paixão ardente que unia tudo. Juntas, elas não eram apenas um casal fora dos padrões; elas eram uma unidade perfeita, onde o ciúme de Camila era visto como prova de afeto, a calma de Karla como sabedoria e a proteção de Ester como o alicerce de tudo o que haviam construído.

Naquela noite, sob o brilho da lua que entrava pela janela, as três entenderam que o amor não precisava ser dividido, mas sim multiplicado. E para Camila, ter Ester como seu mundo e Karla como sua cúmplice era tudo o que ela sempre sonhou, e muito mais do que ela jamais ousou pedir.
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