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casais da escoal

Fandom: off campus

Criado: 17/06/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoMistérioHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaGravidez na Adolescência
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Segredos na Neve e o Eco dos Andes

O ar gelado de Santiago soprava contra o rosto de Elis, mas ela mal sentia o frio. Envolta em um casaco pesado, com Neve, seu fiel Samoieda, puxando a coleira com entusiasmo em direção a um monte de neve fresca no pátio do hotel, ela sentia que seu coração batia em um ritmo frenético, muito diferente da agitação habitual que a definia. Elis era o tipo de garota que não parava quieta; amava trilhas, mergulhos em águas geladas e qualquer bicho que cruzasse seu caminho. Mas, naquela manhã, havia um peso diferente em seus passos.

Rabello a observava da varanda do quarto, um caderno de desenhos apoiado no colo. Ele traçava as linhas do perfil de Elis, mas seus olhos castanhos, geralmente tão focados na arte, desviavam constantemente para a namorada. Ele a conhecia melhor do que ninguém. Sabia que aquela teimosia em ignorar o cansaço excessivo dos últimos dias não era apenas "efeito da altitude", como ela insistia em dizer.

— Elis, vem para dentro! — gritou Rabello, fechando o caderno. — Você está pálida e o Neve vai acabar te derrubando nessa neve fofa.

— Eu estou ótima, Rabello! — respondeu ela, embora tenha sentido uma leve tontura ao girar para olhá-lo. — O Neve só quer brincar, não é, garoto?

O cachorro latiu, pulando em volta dela, mas Elis precisou se apoiar em um banco de madeira. No quarto ao lado, a cena se repetia de forma diferente. Marina, a personificação da doçura e da energia caótica, estava jogada na cama, ignorando o prato de café da manhã que Pedro, seu namorado, havia trazido.

— Mari, você não comeu nada — disse Pedro, com seu tom sério e protetor. Ele não era de muitas palavras com estranhos, mas com Marina, ele era um porto seguro. — Ontem na festa você quase desmaiou depois da terceira música. O que está acontecendo?

— É só o fuso horário, Targa — murmurou Marina, usando o sobrenome dele como costumava fazer carinhosamente. — Eu só preciso de cinco minutos... ou cinco horas de sono.

Enquanto isso, Belle e Daniel discutiam no corredor. Belle, tão agitada e teimosa quanto Elis, tentava convencer Daniel de que estava bem o suficiente para a excursão à vinícola, mas Daniel, com seu jeito provocativo porém atento, bloqueava a porta.

— Você não vai a lugar nenhum com essa cara de quem viu um fantasma, Belle — provocou Daniel, embora seus olhos estivessem cheios de preocupação. — Você é irritante quando quer, mas eu prefiro você irritante e saudável do que desmaiada no meio das uvas.

— Eu não estou com cara de fantasma! — rebateu Belle, cruzando os braços. — Eu só... o cheiro do café me deixou enjoada. Só isso.

O que nenhum deles sabia, ou fingia não saber, era que o destino havia pregado uma peça coletiva. A viagem ao Chile, planejada para ser uma celebração da liberdade e do amor jovem, estava prestes a se tornar o marco inicial de uma mudança radical.

Mais tarde naquele dia, o clima de tensão atingiu o ápice. Após uma reunião secreta no banheiro de uma farmácia local, as três amigas se encararam com caixas de testes de gravidez nas mãos trêmulas. O silêncio no quarto de hotel era absoluto, quebrado apenas pelos latidos distantes de Neve brincando com Vicente no jardim.

Quando os resultados apareceram, o mundo pareceu parar. Três testes. Três resultados positivos.

— Não pode ser — sussurrou Marina, as lágrimas começando a brotar nos olhos fofos. — Como vamos contar para eles? Como vamos contar para os nossos pais?

— Nós vamos enfrentar isso juntas — disse Elis, embora sua voz estivesse embargada. — Mas, por enquanto, ninguém pode saber. Especialmente a Maria Clara. Se ela sonhar que o Rabello vai ser pai agora, ela me mata e depois mata ele.

A decisão de manter o segredo foi mútua, mas a pressão era quase insuportável. Nos dias seguintes, o grupo tentou manter a normalidade. Visitaram o Valle Nevado, tiraram fotos épicas e jantaram em restaurantes sofisticados em Santiago. No entanto, o mistério começou a se manifestar de forma sombria.

— Outro bilhete? — perguntou Daniel, pegando um papel dobrado que estava por baixo da porta do quarto de Belle.

Ele abriu e leu em voz alta: "Eu sei o que vocês estão escondendo. O segredo dos seis não vai durar para sempre."

— Quem está fazendo isso? — Belle sentiu um calafrio que não vinha do clima chileno. — Será que alguém nos viu na farmácia?

O pânico se instalou. Rabello, sempre cuidadoso, tentava acalmar Elis, mas ele mesmo estava em frangalhos. A ideia de que alguém pudesse expor a gravidez das meninas antes que eles estivessem prontos era aterrorizante.

— Se for a Maria Clara, eu juro que... — começou Rabello, mas Elis o interrompeu.

— Não, ela teria feito um escândalo na hora. Isso é diferente. É alguém querendo nos assustar.

A investigação interna durou quarenta e oito horas de pura paranoia. Cada olhar de Maria Clara parecia um julgamento; cada comentário de Helena parecia uma indireta. Até que, em uma noite de luar sobre as cordilheiras, eles confrontaram o culpado.

Vicente estava sentado perto da lareira externa, parecendo culpado ao segurar um pedaço de papel.

— Vicente? — Pedro deu um passo à frente, sua postura defensiva pronta para proteger o grupo. — Foi você?

— Eu... eu sinto muito! — Vicente levantou as mãos em sinal de rendição. — Eu ouvi a Elis e a Marina conversando perto do canil do Neve. Eu entrei em pânico! Eu não sabia como falar com vocês, achei que se mandasse os bilhetes, vocês viriam falar comigo e eu poderia ajudar... ou sei lá. Eu sou péssimo com essas coisas.

Helena, que estava ao lado dele, suspirou e revirou os olhos.

— Eu descobri ontem porque ele não consegue guardar um segredo nem para salvar a própria vida — disse ela, aproximando-se das meninas e pegando as mãos de Elis. — Nós não vamos contar para ninguém. Prometemos.

O alívio foi instantâneo, mas a calmaria durou pouco. A noite em Santiago estava apenas começando, e Rabello tinha outros planos. Ele levou Elis para um terraço com vista para as luzes da cidade. O frio era intenso, mas o calor entre eles era maior.

— Elis — começou ele, pegando as mãos dela. — Eu sei que as coisas ficaram complicadas. Eu sei que o que estamos vivendo não era o plano original para essa viagem. Mas eu estive desenhando o nosso futuro desde o dia em que te conheci. E nesse futuro, não importa se estamos no Chile, no Brasil ou na lua... eu só quero estar com você.

Ele se ajoelhou, tirando uma pequena caixinha do bolso.

— Elis, você aceita ser minha para sempre? Aceita que a gente construa essa família juntos?

— Sim! — Elis soluçou, puxando-o para um beijo apaixonado enquanto Neve latia em algum lugar lá embaixo, provavelmente perseguindo um gato chileno. — Mil vezes sim!

Ao mesmo tempo, em pontos diferentes da cidade, Pedro e Daniel faziam suas próprias promessas a Marina e Belle. Não eram pedidos de casamento formais ainda — esses viriam nos dias seguintes, conforme o planejado —, mas eram pactos de sangue. Eles estavam juntos naquela tempestade.

No entanto, o destino ainda tinha uma última carta na manga.

Maria Clara, a irmã protetora e sempre vigilante de Rabello, estava caminhando pelo corredor do hotel em busca de seu carregador de celular. Ela passou pela porta entreaberta do quarto de Helena e Vicente.

— ...ainda bem que o segredo da gravidez delas está seguro com a gente — ouviu a voz de Helena vindo de dentro. — Imagina se a Maria Clara descobre que vai ser tia desse jeito? Ela teria um colapso.

Maria Clara parou abruptamente. O mundo pareceu girar.

— Gravidez? — sussurrou ela para as paredes vazias, seus olhos se arregalando em choque absoluto. — Delas? No plural?

Lá fora, a neve continuava a cair silenciosamente sobre Santiago, cobrindo as pegadas de uma viagem que nunca mais seria esquecida. Neve, o cachorro, correu pelo saguão com um cachecol roubado na boca, alheio ao fato de que o grande segredo acabara de ser desmascarado pela pessoa que eles mais temiam. A viagem ao Chile estava longe de terminar, e o verdadeiro caos estava apenas começando.
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