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Eddsworld outher space
Fandom: Eddsworld
Criado: 17/06/2026
Tags
Fatias de VidaHumorMistérioCrack / Humor ParódicoDramaAngústiaAbuso de ÁlcoolUso de DrogasDivergênciaAventuraAçãoCiúmesUA (Universo Alternativo)Estudo de Personagem
Olhos de Vidro e Gambás Gigantes
O bairro de Durdam Lane nunca foi exatamente o ápice da tranquilidade, especialmente com a vizinhança composta por um viciado em cola, um narcisista obsessivo, um alcoólatra cínico e um norueguês com tendências ditatoriais. No entanto, naquela manhã de terça-feira, o tédio pesava sobre a casa de Edd como uma névoa espessa.
Edd estava sentado no sofá, desenhando distraidamente em seu caderno, enquanto Matt polia seu décimo quinto espelho favorito. Tom, como de costume, estava encostado na parede, segurando uma lata de Smirnoff e encarando o vazio com seus olhos negros e profundos. Tord, sentado na poltrona, folheava uma revista de armas, mas seu olhar parecia distante, quase irritado.
O silêncio foi quebrado pelo som estridente de um motor pesado. Um caminhão de mudança, pintado de um tom de cinza desgastado, estacionou bruscamente na casa diretamente em frente à deles.
— Vizinho novo? — Edd pulou do sofá, correndo para a janela com os olhos brilhando de curiosidade. — Finalmente algo interessante!
Matt se juntou a ele, empurrando Edd levemente para o lado para garantir que seu reflexo no vidro da janela ainda estivesse perfeito.
— Espero que ele seja bonito. Ou que tenha móveis caros para eu admirar.
Tom soltou um suspiro pesado, sem se mover.
— É só mais uma pessoa para reclamar do barulho que vocês fazem.
Tord, porém, congelou por um segundo. Ele fechou a revista lentamente, seus olhos acinzentados fixos na figura que descia do lado do motorista. O novo vizinho usava um casaco preto oversized com o capuz levantado, escondendo quase todo o rosto. No entanto, quando ele se virou para pegar uma caixa, a luz do sol atingiu seu perfil por um breve instante.
Um brilho heterocromático. Um olho azul gélido e outro castanho profundo.
Tord sentiu um nó estranho no estômago. Aquela combinação de cores era... familiar. Familiar demais. Mas ele balançou a cabeça, afastando o pensamento. Não poderia ser. O mundo era grande demais para coincidências daquelas.
— Ele parece... misterioso — comentou Edd, apertando o rosto contra o vidro. — Por que ele não tira o capuz? Está fazendo vinte graus lá fora.
— Talvez ele seja um espião — sugeriu Tord, com um sorriso de lado, tentando esconder seu desconforto. — Ou um criminoso fugitivo.
— Ou talvez ele seja horrivelmente feio e esteja nos poupando do trauma! — exclamou Matt, horrorizado com a própria suposição.
O dia passou com os quatro amigos alternando entre suas atividades habituais e sessões intensas de espionagem. Eles tentaram usar binóculos, mas o novo vizinho parecia ter uma habilidade sobrenatural para sempre estar de costas ou atrás de uma cortina no momento exato.
Por volta das três da tarde, Edd decidiu que a abordagem direta era a melhor.
— Certo, pessoal. Missão: Boas-vindas. Vamos ver quem é o cara.
Eles atravessaram a rua, mas, ao chegarem perto do portão, algo estranho aconteceu. Edd tentou tocar a campainha, mas sua mão parou a centímetros do botão, como se tivesse atingido uma parede de gelatina invisível.
— O que foi? — perguntou Tom.
— Eu não consigo... alcançar — Edd forçou o braço, mas parecia que o espaço entre ele e a porta estava se dilatando.
— Deixe-me tentar — Tord deu um passo à frente, mas tropeçou em uma pedra perfeitamente posicionada e caiu de cara no gramado.
— Patético — resmungou Tom. Ele tentou contornar o jardim para olhar pela janela lateral, mas, ao pisar no canteiro de flores, um enxame de abelhas surgiu do nada, forçando-os a correr de volta para a rua.
— Isso é ridículo — disse Matt, ajeitando o cabelo. — A casa dele nos odeia.
Eles não desistiram. Ao cair da noite, a curiosidade havia se transformado em uma obsessão coletiva. Tord sugeriu que entrassem pelo quintal dos fundos.
— É um ponto cego — explicou ele, ajustando o que parecia ser um dispositivo de visão noturna. — Se entrarmos pelos arbustos, podemos ver a sala de estar.
Eles pularam a cerca de madeira com dificuldade (Matt quase rasgou a calça e reclamou por dez minutos). O quintal estava mergulhado em sombras. Eles caminhavam em fila indiana, quase sem respirar, até que um rosnado baixo e gutural ecoou perto de uma pilha de caixas de papelão.
— O que foi isso? — sussurrou Edd, parando subitamente.
— Provavelmente um cachorro — disse Tom, embora sua voz tivesse perdido um pouco da confiança.
De trás das caixas, surgiu uma criatura que definitivamente não era um cachorro. Era enorme, peluda, com uma cauda listrada e olhos que brilhavam intensamente no escuro.
— É um monstro! — gritou Matt.
— É um gambá gigante! — corrigiu Edd, os olhos arregalados.
A criatura avançou com uma agilidade assustadora, forçando os quatro a baterem em retirada desesperada. Eles escalaram a cerca de volta para a rua, caindo uns sobre os outros em um emaranhado de braços e pernas.
— Tudo bem, plano C — disse Tord, ofegante, enquanto limpava a poeira do casaco vermelho. — A chaminé.
— Você está brincando, certo? — Tom o encarou. — Não somos o Papai Noel.
— É o único lugar sem "campos de força" ou gambás mutantes — insistiu Tord.
Meia hora depois, Edd estava sendo içado por Tord e Matt em direção ao telhado da casa do vizinho. Tom apenas observava de baixo, balançando a cabeça e tomando outro gole de sua bebida.
Edd conseguiu chegar ao topo, mas, assim que se aproximou da chaminé, uma rajada de vento súbita o desequilibrou. Ele escorregou pelas telhas, soltando um grito abafado, e só não caiu no chão porque sua blusa ficou presa em uma calha.
— Edd! Você está bem? — gritou Matt.
— Eu estou pendurado! — Edd sussurrou de volta, desesperado. — Me tirem daqui!
Depois de muita confusão e quase derrubarem uma escada na cabeça de Tom, eles conseguiram resgatar Edd. Exaustos, derrotados e cobertos de fuligem e arranhões, os quatro voltaram para casa.
— Desisto — declarou Edd, jogando-se no sofá. — Esse vizinho é protegido por alguma força mística. Amanhã a gente tenta o método normal: bater na porta e oferecer um bolo.
— Eu não vou fazer bolo nenhum — resmungou Tom, subindo para o quarto.
A casa ficou em silêncio por algumas horas. No entanto, por volta das duas da manhã, Edd acordou com um som estranho vindo do quintal dos fundos de sua própria casa. Era um barulho de latas de lixo sendo reviradas e algo pesado se arrastando.
— Ah, não. O monstro do vizinho atravessou a rua — murmurou Edd para si mesmo.
Ele se levantou, calçou os chinelos e pegou um taco de beisebol que guardava debaixo da cama para emergências (ou para quando Tord ficava irritante demais). Ele saiu silenciosamente pela porta dos fundos, o ar frio da noite fazendo-o estremecer.
Lá estava a criatura. O gambá gigante do quintal vizinho estava com a cabeça enfiada dentro da lata de lixo de Edd, mastigando o que parecia ser restos de pizza.
— Ei! Xô! Sai daí! — Edd brandiu o taco, tentando parecer ameaçador.
O gambá se virou, soltando um guincho baixo, mas não parecia nem um pouco assustado. Antes que Edd pudesse dar um passo à frente, uma voz jovem e enérgica cortou o silêncio.
— Ofélia! Não! Isso é lixo de má qualidade, você sabe que sua digestão é sensível!
Edd congelou. Da escuridão entre as duas casas, surgiu um rapaz. Ele não estava mais usando o casaco pesado, mas sim um pijama colorido com estampas de estrelas e raios. Seu cabelo era uma bagunça de fios pretos espetados, com algumas mechas coloridas que lembravam o estilo scene que teve auge anos atrás.
Mas o que realmente chamou a atenção de Edd foram os olhos. De perto, sob a luz do poste da rua, a heterocromia era hipnotizante. Um olho era de um azul cristalino, quase elétrico, e o outro era de um castanho quente e profundo.
O rapaz correu até o gambá gigante e, para a surpresa de Edd, começou a acariciar a cabeça do animal como se fosse um gatinho de estimação.
— Mil desculpas, cara! — O vizinho olhou para Edd com um sorriso largo e um pouco caótico. — A Ofélia é meio impulsiva quando está com fome. Eu ainda não tive tempo de comprar a ração especial dela. A mudança foi uma loucura, sabe como é?
Edd baixou o taco de beisebol, piscando confuso.
— Ela... ela é sua?
— Sim! Ofélia, a gambá-das-montanhas. Bom, ela é maior que a média, mas é um amor — o rapaz estendeu a mão livre para Edd. — Eu sou o Liam. Mas todo mundo me chama de PK. Acabei de me mudar do Canadá.
Edd apertou a mão dele, sentindo uma energia vibrante vinda do rapaz.
— Eu sou o Edd. Moramos ali na frente. Meus amigos e eu... bom, nós tentamos te dar as boas-vindas hoje, mas tivemos alguns problemas técnicos.
PK soltou uma risada alta e genuína.
— Ah, eu vi vocês! Quer dizer, eu ouvi os gritos quando a Ofélia assustou vocês no quintal. E acho que vi alguém pendurado na minha calha?
Edd sentiu o rosto esquentar de vergonha.
— É... foi uma tarde longa.
— Sem problemas! Eu gosto de vizinhos animados — PK piscou, o olho azul brilhando de forma travessa. — Desculpe pela invasão de lixo. Amanhã eu compenso vocês. Eu tenho uns equipamentos de DJ incríveis, posso fazer um som pra gente se conhecer melhor. O que acha?
— Parece ótimo, PK — Edd sorriu, relaxando. — Seja bem-vindo ao bairro. Só tente manter a Ofélia longe das minhas latas de cola.
— Pode deixar! — PK começou a guiar o gambá gigante de volta para sua propriedade. — Boa noite, Edd!
Edd ficou ali por um momento, observando o novo vizinho desaparecer nas sombras. PK parecia ser exatamente o tipo de caos que faltava naquela rua. Ele voltou para dentro, sentindo que, apesar das tentativas fracassadas de invasão, o dia tinha terminado de uma forma interessante.
No andar de cima, em seu quarto escuro, Tord observava a cena pela fresta da cortina. Ele viu PK rindo, viu o brilho daqueles olhos que ele conhecia tão bem de um passado que tentava enterrar. Suas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo.
— PK... — sussurrou Tord, o nome saindo como um gosto amargo em sua língua.
A paz em Durdam Lane estava com os dias contados, e Tord sabia que, desta vez, o perigo não vinha de robôs gigantes ou exércitos, mas de um par de olhos coloridos e de um passado que ele não estava pronto para enfrentar.
Edd estava sentado no sofá, desenhando distraidamente em seu caderno, enquanto Matt polia seu décimo quinto espelho favorito. Tom, como de costume, estava encostado na parede, segurando uma lata de Smirnoff e encarando o vazio com seus olhos negros e profundos. Tord, sentado na poltrona, folheava uma revista de armas, mas seu olhar parecia distante, quase irritado.
O silêncio foi quebrado pelo som estridente de um motor pesado. Um caminhão de mudança, pintado de um tom de cinza desgastado, estacionou bruscamente na casa diretamente em frente à deles.
— Vizinho novo? — Edd pulou do sofá, correndo para a janela com os olhos brilhando de curiosidade. — Finalmente algo interessante!
Matt se juntou a ele, empurrando Edd levemente para o lado para garantir que seu reflexo no vidro da janela ainda estivesse perfeito.
— Espero que ele seja bonito. Ou que tenha móveis caros para eu admirar.
Tom soltou um suspiro pesado, sem se mover.
— É só mais uma pessoa para reclamar do barulho que vocês fazem.
Tord, porém, congelou por um segundo. Ele fechou a revista lentamente, seus olhos acinzentados fixos na figura que descia do lado do motorista. O novo vizinho usava um casaco preto oversized com o capuz levantado, escondendo quase todo o rosto. No entanto, quando ele se virou para pegar uma caixa, a luz do sol atingiu seu perfil por um breve instante.
Um brilho heterocromático. Um olho azul gélido e outro castanho profundo.
Tord sentiu um nó estranho no estômago. Aquela combinação de cores era... familiar. Familiar demais. Mas ele balançou a cabeça, afastando o pensamento. Não poderia ser. O mundo era grande demais para coincidências daquelas.
— Ele parece... misterioso — comentou Edd, apertando o rosto contra o vidro. — Por que ele não tira o capuz? Está fazendo vinte graus lá fora.
— Talvez ele seja um espião — sugeriu Tord, com um sorriso de lado, tentando esconder seu desconforto. — Ou um criminoso fugitivo.
— Ou talvez ele seja horrivelmente feio e esteja nos poupando do trauma! — exclamou Matt, horrorizado com a própria suposição.
O dia passou com os quatro amigos alternando entre suas atividades habituais e sessões intensas de espionagem. Eles tentaram usar binóculos, mas o novo vizinho parecia ter uma habilidade sobrenatural para sempre estar de costas ou atrás de uma cortina no momento exato.
Por volta das três da tarde, Edd decidiu que a abordagem direta era a melhor.
— Certo, pessoal. Missão: Boas-vindas. Vamos ver quem é o cara.
Eles atravessaram a rua, mas, ao chegarem perto do portão, algo estranho aconteceu. Edd tentou tocar a campainha, mas sua mão parou a centímetros do botão, como se tivesse atingido uma parede de gelatina invisível.
— O que foi? — perguntou Tom.
— Eu não consigo... alcançar — Edd forçou o braço, mas parecia que o espaço entre ele e a porta estava se dilatando.
— Deixe-me tentar — Tord deu um passo à frente, mas tropeçou em uma pedra perfeitamente posicionada e caiu de cara no gramado.
— Patético — resmungou Tom. Ele tentou contornar o jardim para olhar pela janela lateral, mas, ao pisar no canteiro de flores, um enxame de abelhas surgiu do nada, forçando-os a correr de volta para a rua.
— Isso é ridículo — disse Matt, ajeitando o cabelo. — A casa dele nos odeia.
Eles não desistiram. Ao cair da noite, a curiosidade havia se transformado em uma obsessão coletiva. Tord sugeriu que entrassem pelo quintal dos fundos.
— É um ponto cego — explicou ele, ajustando o que parecia ser um dispositivo de visão noturna. — Se entrarmos pelos arbustos, podemos ver a sala de estar.
Eles pularam a cerca de madeira com dificuldade (Matt quase rasgou a calça e reclamou por dez minutos). O quintal estava mergulhado em sombras. Eles caminhavam em fila indiana, quase sem respirar, até que um rosnado baixo e gutural ecoou perto de uma pilha de caixas de papelão.
— O que foi isso? — sussurrou Edd, parando subitamente.
— Provavelmente um cachorro — disse Tom, embora sua voz tivesse perdido um pouco da confiança.
De trás das caixas, surgiu uma criatura que definitivamente não era um cachorro. Era enorme, peluda, com uma cauda listrada e olhos que brilhavam intensamente no escuro.
— É um monstro! — gritou Matt.
— É um gambá gigante! — corrigiu Edd, os olhos arregalados.
A criatura avançou com uma agilidade assustadora, forçando os quatro a baterem em retirada desesperada. Eles escalaram a cerca de volta para a rua, caindo uns sobre os outros em um emaranhado de braços e pernas.
— Tudo bem, plano C — disse Tord, ofegante, enquanto limpava a poeira do casaco vermelho. — A chaminé.
— Você está brincando, certo? — Tom o encarou. — Não somos o Papai Noel.
— É o único lugar sem "campos de força" ou gambás mutantes — insistiu Tord.
Meia hora depois, Edd estava sendo içado por Tord e Matt em direção ao telhado da casa do vizinho. Tom apenas observava de baixo, balançando a cabeça e tomando outro gole de sua bebida.
Edd conseguiu chegar ao topo, mas, assim que se aproximou da chaminé, uma rajada de vento súbita o desequilibrou. Ele escorregou pelas telhas, soltando um grito abafado, e só não caiu no chão porque sua blusa ficou presa em uma calha.
— Edd! Você está bem? — gritou Matt.
— Eu estou pendurado! — Edd sussurrou de volta, desesperado. — Me tirem daqui!
Depois de muita confusão e quase derrubarem uma escada na cabeça de Tom, eles conseguiram resgatar Edd. Exaustos, derrotados e cobertos de fuligem e arranhões, os quatro voltaram para casa.
— Desisto — declarou Edd, jogando-se no sofá. — Esse vizinho é protegido por alguma força mística. Amanhã a gente tenta o método normal: bater na porta e oferecer um bolo.
— Eu não vou fazer bolo nenhum — resmungou Tom, subindo para o quarto.
A casa ficou em silêncio por algumas horas. No entanto, por volta das duas da manhã, Edd acordou com um som estranho vindo do quintal dos fundos de sua própria casa. Era um barulho de latas de lixo sendo reviradas e algo pesado se arrastando.
— Ah, não. O monstro do vizinho atravessou a rua — murmurou Edd para si mesmo.
Ele se levantou, calçou os chinelos e pegou um taco de beisebol que guardava debaixo da cama para emergências (ou para quando Tord ficava irritante demais). Ele saiu silenciosamente pela porta dos fundos, o ar frio da noite fazendo-o estremecer.
Lá estava a criatura. O gambá gigante do quintal vizinho estava com a cabeça enfiada dentro da lata de lixo de Edd, mastigando o que parecia ser restos de pizza.
— Ei! Xô! Sai daí! — Edd brandiu o taco, tentando parecer ameaçador.
O gambá se virou, soltando um guincho baixo, mas não parecia nem um pouco assustado. Antes que Edd pudesse dar um passo à frente, uma voz jovem e enérgica cortou o silêncio.
— Ofélia! Não! Isso é lixo de má qualidade, você sabe que sua digestão é sensível!
Edd congelou. Da escuridão entre as duas casas, surgiu um rapaz. Ele não estava mais usando o casaco pesado, mas sim um pijama colorido com estampas de estrelas e raios. Seu cabelo era uma bagunça de fios pretos espetados, com algumas mechas coloridas que lembravam o estilo scene que teve auge anos atrás.
Mas o que realmente chamou a atenção de Edd foram os olhos. De perto, sob a luz do poste da rua, a heterocromia era hipnotizante. Um olho era de um azul cristalino, quase elétrico, e o outro era de um castanho quente e profundo.
O rapaz correu até o gambá gigante e, para a surpresa de Edd, começou a acariciar a cabeça do animal como se fosse um gatinho de estimação.
— Mil desculpas, cara! — O vizinho olhou para Edd com um sorriso largo e um pouco caótico. — A Ofélia é meio impulsiva quando está com fome. Eu ainda não tive tempo de comprar a ração especial dela. A mudança foi uma loucura, sabe como é?
Edd baixou o taco de beisebol, piscando confuso.
— Ela... ela é sua?
— Sim! Ofélia, a gambá-das-montanhas. Bom, ela é maior que a média, mas é um amor — o rapaz estendeu a mão livre para Edd. — Eu sou o Liam. Mas todo mundo me chama de PK. Acabei de me mudar do Canadá.
Edd apertou a mão dele, sentindo uma energia vibrante vinda do rapaz.
— Eu sou o Edd. Moramos ali na frente. Meus amigos e eu... bom, nós tentamos te dar as boas-vindas hoje, mas tivemos alguns problemas técnicos.
PK soltou uma risada alta e genuína.
— Ah, eu vi vocês! Quer dizer, eu ouvi os gritos quando a Ofélia assustou vocês no quintal. E acho que vi alguém pendurado na minha calha?
Edd sentiu o rosto esquentar de vergonha.
— É... foi uma tarde longa.
— Sem problemas! Eu gosto de vizinhos animados — PK piscou, o olho azul brilhando de forma travessa. — Desculpe pela invasão de lixo. Amanhã eu compenso vocês. Eu tenho uns equipamentos de DJ incríveis, posso fazer um som pra gente se conhecer melhor. O que acha?
— Parece ótimo, PK — Edd sorriu, relaxando. — Seja bem-vindo ao bairro. Só tente manter a Ofélia longe das minhas latas de cola.
— Pode deixar! — PK começou a guiar o gambá gigante de volta para sua propriedade. — Boa noite, Edd!
Edd ficou ali por um momento, observando o novo vizinho desaparecer nas sombras. PK parecia ser exatamente o tipo de caos que faltava naquela rua. Ele voltou para dentro, sentindo que, apesar das tentativas fracassadas de invasão, o dia tinha terminado de uma forma interessante.
No andar de cima, em seu quarto escuro, Tord observava a cena pela fresta da cortina. Ele viu PK rindo, viu o brilho daqueles olhos que ele conhecia tão bem de um passado que tentava enterrar. Suas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo.
— PK... — sussurrou Tord, o nome saindo como um gosto amargo em sua língua.
A paz em Durdam Lane estava com os dias contados, e Tord sabia que, desta vez, o perigo não vinha de robôs gigantes ou exércitos, mas de um par de olhos coloridos e de um passado que ele não estava pronto para enfrentar.
