Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Quem é ele?

Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound

Criado: 17/06/2026

Tags

RomanceFantasiaHumorFatias de VidaFofuraCenário CanônicoEstudo de Personagem
Índice

O Segredo dos Olhos Carmesins e a Herdeira dos Morg

A Academia Colosso era, em teoria, um lugar de prestígio e ordem. Para Vikir van Baskerville, entretanto, era apenas um disfarce necessário. Sob a identidade de um plebeu comum, de notas medianas e presença quase invisível, ele movia suas peças no tabuleiro do destino. Seus cabelos pretos caíam sobre os olhos vermelhos e afiados, que ele mantinha semicerrados para não atrair atenção. Sua expressão era gélida, uma máscara de indiferença que afastava qualquer tentativa de aproximação profunda.

Pelo menos, era assim até Camus Morg ser transferida.

— Olá, Vikirzinho! Sentiu minha falta? — A voz melodiosa e carregada de malícia ecoou pelo pátio da academia, fazendo com que o grupo de amigos de Vikir parasse instantaneamente.

Camus, a prodígio do clã Morg e noiva de Vikir desde que ambos tinham onze anos, caminhava em direção a eles com a elegância de uma predadora. Ela não se importava com as etiquetas da academia ou com o fato de que Vikir estava tentando manter um perfil baixo.

Antes que Vikir pudesse reagir, Camus se atirou sobre ele, envolvendo os braços em seu pescoço e acomodando-se em seu colo enquanto ele estava sentado em um banco de pedra.

— Saia, Camus. Você está pesada — disse Vikir, a voz desprovida de qualquer emoção, embora seus dedos tivessem apertado levemente o livro que segurava.

— Que mentira deslavada! Eu sou leve como uma pluma — Camus riu, esfregando a bochecha na dele, ignorando os olhares chocados de Piggy e dos outros colegas de classe de Vikir.

— Vikir... — Piggy gaguejou, apontando para a garota que era claramente uma nobre de alto escalão. — Por que a senhorita Morg sabe o seu nome? E por que ela está... por que ela está sentada em você?

Camus olhou para os amigos de Vikir com um brilho travesso nos olhos. Ela adorava o caos.

— Oh, nós nos conhecemos há muito tempo, não é, "Vikir"? — Ela enfatizou o nome dele como se fosse uma piada interna. — Ele finge que é esse bloco de gelo, mas eu conheço todos os segredos dele.

— Você não conhece nada além da sua própria arrogância — rebateu Vikir, sendo sarcástico como de costume. — E se não sair do meu colo nos próximos três segundos, eu vou te derrubar no chão.

— Você não teria coragem — desafiou ela, apertando o abraço.

Vikir suspirou, mas, para a surpresa de todos, ele não a empurrou. Ele apenas continuou ali, permitindo que a nobre mais cobiçada da transferência ficasse pendurada nele como se ele fosse sua propriedade pessoal.

Nos dias que se seguiram, Camus tornou-se uma presença constante. Ela se infiltrou no círculo social de Vikir com uma facilidade irritante, tratando os plebeus com uma cordialidade que beirava a condescendência divertida. Mas o que mais irritava Vikir era a forma como ela contava histórias sobre a infância "dele".

— Sabiam que o Vikir uma vez tentou treinar com uma espada de madeira e acabou derrubando uma estátua caríssima do jardim? — Camus contou, enquanto comiam no refeitório. — Ele ficou parado lá, com essa mesma cara de tacho, enquanto os guardas surtavam.

— Camus, chega — rosnou Vikir, sentindo as orelhas esquentarem levemente, embora seu rosto permanecesse pálido e frio.

— E por que uma Morg estaria no jardim de um plebeu para ver isso? — perguntou um dos colegas, desconfiado.

— Ah, as famílias se conhecem por causa de negócios antigos — mentiu ela prontamente, piscando para Vikir. — Mas o Vikir sempre foi o mais... "peculiar" da casa dele.

Vikir estreitou os olhos. Ela estava se divertindo demais às custas dele. Era hora de retribuir.

— Engraçado você falar de passar vergonha, Camus — começou Vikir, sua voz saindo cortante, atraindo a atenção de todos na mesa. — Por que você não conta para eles sobre a tarde no seu quarto, alguns anos atrás?

Camus congelou por um milésimo de segundo, o sorriso vacilando.

— Que tarde? — perguntou ela, tentando manter a pose.

— Aquela em que você estava com um certo "garoto" — Vikir continuou, o sarcasmo pingando de cada palavra. — Você estava sentada no colo dele, e ele estava sem camisa porque você tinha derramado chá nele de propósito. Vocês estavam... bem próximos, se bem me lembro.

Os amigos de Vikir arregalaram os olhos. Camus estava ficando vermelha.

— E então — Vikir prosseguiu, ignorando o olhar de advertência dela —, o seu tio entrou no quarto sem bater. Eu nunca vi um nobre correr tão rápido quanto aquele garoto quando o seu tio sacou o cajado e começou a conjurar chamas de nível sete para persegui-lo pelo corredor.

— Vikir! — Camus exclamou, batendo na mesa. — Isso foi um mal-entendido!

— Foi? — Vikir arqueou uma sobrancelha. — E a outra vez, quando vocês estavam se beijando atrás da biblioteca e o seu tio apareceu de novo? Ele quase transformou o pobre coitado em um cubo de gelo eterno.

— Ele é muito protetor! — Camus bufou, cruzando os braços e fazendo beicinho.

— Mas a melhor de todas — disse Vikir, agora com um brilho de vingança nos olhos carmesins — foi quando a sobrinha pequena desse garoto entrou no quarto.

— Não ouse — sussurrou Camus.

— Ela entrou bem na hora em que o garoto estava... como você dizia? "Mordendo" o seu pescoço? — Vikir soltou um riso seco. — A menina ficou horrorizada. Ela olhou para vocês e perguntou: "Tia Camus, por que você está gritando? O tio está te machucando? Por que ele está te comendo?".

O silêncio na mesa foi absoluto por três segundos, antes que Piggy e os outros explodissem em gargalhadas nervosas e sussurros de choque.

Camus estava escondendo o rosto nas mãos, o pescoço tão vermelho quanto os olhos de Vikir.

— Você é um monstro, Vikir! — ela resmungou por entre os dedos.

— Sou apenas um plebeu observador — respondeu ele, voltando a comer calmamente.

— Mas quem era esse garoto? — perguntou Piggy, limpando as lágrimas do rosto de tanto rir. — Ele deve ser um herói ou um suicida para mexer com a sobrinha do Patriarca Morg.

Vikir bebeu um gole de água, o olhar fixo no horizonte.

— Um idiota, provavelmente — respondeu ele de forma simples.

Camus olhou para ele por entre os dedos, um sorriso pequeno e cúmplice surgindo em seus lábios. Ela sabia que ele nunca admitiria em voz alta, não ali, não agora. Mas o fato de ele se lembrar de cada detalhe, de cada toque e de cada interrupção desastrosa de seu tio, provava que, por trás daquela armadura de gelo dos Baskerville, o coração de Vikir ainda pertencia às memórias que eles criaram juntos.

— É — disse Camus, recuperando a compostura e se inclinando novamente para perto de Vikir, sussurrando em seu ouvido para que apenas ele ouvisse. — Um idiota que eu pretendo manter no meu colo pelo resto da vida.

Vikir não respondeu, mas também não se afastou. Ele apenas continuou seu papel de plebeu, enquanto a garota que conhecia sua verdadeira linhagem e sua alma se aninhava contra ele, desafiando o mundo a tentar tirá-la de lá.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic