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A transmissão

Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound

Criado: 17/06/2026

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O Predador em Repouso e o Caos de Osiris

A Academia Colosso fervilhava. Era a temporada de travessuras, um período onde as hierarquias se tornavam turvas e a tensão acadêmica era substituída por pegadinhas elaboradas e competições entre os familiares. No entanto, ninguém esperava que a maior revelação do ano viria não de um aluno, mas do herdeiro mais temido do império.

Osiris van Baskerville caminhava pelos corredores da ala residencial com a confiança de um lobo em seu território. Em sua mão, um artefato de transmissão mágica flutuava, projetando imagens em tempo real para os grandes telões espalhados pelo pátio central e pelo refeitório da academia.

— Atenção, gado da Colosso — a voz de Osiris ecoou, fria e tingida de um divertimento cruel. — Vocês passaram meses admirando um suposto "plebeu" talentoso. Hoje, vou lhes mostrar a realidade por trás da máscara de Vikir.

A transmissão mostrava Osiris parando diante de uma porta comum. Com um movimento fluido, ele a abriu sem bater. A câmera mágica focou no interior do quarto, que estava mergulhado em uma penumbra matinal.

— Meu irmãozinho sempre foi cuidadoso — comentou Osiris para a audiência invisível, que a essa altura já incluía metade da academia em choque absoluto. — Mas até o cão de caça mais forte precisa dormir.

Vikir van Baskerville estava jogado na cama. O lençol cobria apenas metade de seu corpo, revelando o tronco definido, marcado por cicatrizes de batalhas que nenhum estudante comum deveria ter. Ele estava apenas de calça, os cabelos pretos bagunçados contra o travesseiro.

O silêncio na academia foi ensurdecedor quando a câmera focou nos detalhes. As costas de Vikir estavam cobertas por arranhões frescos, longos e vermelhos. No chão, ao lado da cama, um sutiã de renda preta repousava casualmente sobre um par de botas. Um pouco mais adiante, uma calcinha de seda branca estava jogada perto da escrivaninha.

Vikir se mexeu, os olhos vermelhos abrindo-se lentamente. A frieza habitual estava lá, mas nublada pelo sono. Ele se sentou, ignorando a câmera que flutuava à sua frente, e encarou o irmão mais velho.

— Que caralhos você está fazendo no meu quarto, Osiris? — A voz de Vikir saiu rouca, carregada de uma periculosidade que fez muitos alunos assistindo engolirem em seco.

Osiris soltou uma risadinha, cruzando os braços.

— Ora, é época de travessuras. Achei que a academia gostaria de ver como o "plebeu" vive. — Ele apontou com o queixo para a peça de renda preta no chão. — Camus esteve aqui, pelo que vejo. Ela sempre teve um gosto... agressivo.

Vikir soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto. Ele não parecia nem um pouco intimidado pela transmissão ou pela invasão de privacidade.

— Se você der mais um passo para dentro deste quarto, eu mato você — disse Vikir, com uma calma que era muito mais assustadora do que qualquer grito.

Osiris, ignorando completamente a ameaça, deu dois passos largos e olhou para o outro lado da cama, perto do guarda-roupa. Seus olhos brilharam e ele soltou uma gargalhada genuína e estrondosa que ecoou pelo corredor.

— Oh, isso é melhor do que eu imaginei! — Osiris apontou para um segundo conjunto de roupas íntimas, estas de um tom azul pastel, delicadamente bordadas, que estavam penduradas no encosto de uma cadeira. — Dolores também esteve aqui? O Cão de Caça realmente não perde tempo.

Vikir resmungou, levantando-se da cama com uma agilidade predatória. Ele não se deu ao trabalho de se cobrir, exibindo as marcas de unhas em suas costas para toda a transmissão.

— Elas estiveram — respondeu ele, de forma direta, enquanto começava a recolher as peças de roupa do chão com uma naturalidade desconcertante. — Mas já saíram para se arrumar. Eu tenho que cuidar da Peri agora.

Osiris, que mantinha o ângulo da transmissão escondido da visão direta de Vikir para prolongar o espetáculo, inclinou a cabeça.

— E por que as duas estariam aqui ao mesmo tempo, maninho? Você não acha que está sendo um pouco ganancioso?

Vikir parou, segurando o sutiã de Camus em uma mão e a calcinha de Dolores na outra, e olhou para Osiris como se ele fosse um idiota completo.

— Por que minhas noivas não estariam no meu quarto? — perguntou Vikir, a voz gélida. — Elas decidiram que um relacionamento a três era a forma mais eficiente de lidar com a situação. Se você tem algum problema com isso, resolva com elas. Especialmente com Camus, ela anda querendo testar uma nova magia de fogo em alguém.

A revelação atingiu a academia como uma explosão. Dolores, a Santa, a imagem da pureza e da retidão, e Camus, a herdeira prodígio dos Morg, ambas noivas do mesmo homem? E esse homem era o "plebeu" que, na verdade, era um Baskerville de sangue puro?

Osiris estava se divertindo mais do que nunca. Ele sabia que Dolores já tinha descoberto a identidade de Vikir há algum tempo e que o acordo entre as duas mulheres fora selado sob termos que fariam qualquer homem comum tremer de medo ou de inveja.

— E a Santa? Ela ainda está escondida por aqui ou já fugiu de vergonha? — provocou Osiris.

— Dolores já foi para a academia — explicou Vikir, vestindo uma camisa preta simples que mal escondia a musculatura ríspida. — Ela provavelmente está em aula agora. Diferente de você, ela leva as obrigações a sério.

Vikir caminhou até o canto do quarto onde uma pequena criatura peluda começava a bocejar. Peri, seu fiel familiar, esticou as patas. Com uma delicadeza que contrastava totalmente com sua aura assassina, Vikir pegou o pequeno ser no colo.

— Venha, Peri. Hora do banho.

Osiris seguiu o irmão até o banheiro anexo, mantendo a transmissão focada em cada movimento. Os alunos da Colosso assistiam, hipnotizados, enquanto o homem mais perigoso que já pisou naquela instituição testava a temperatura da água para um pequeno animal, vestindo-o com uma pequena capa após o banho e preparando sua comida com precisão cirúrgica.

— Você é uma contradição ambulante — comentou Osiris, encostado no batente da porta. — O executor de ferro dos Baskerville agindo como uma babá.

Vikir não olhou para trás enquanto colocava a tigela de comida diante de Peri.

— Ser um Baskerville significa ser o melhor em tudo o que faço. Se eu cuido de Peri, ela será a criatura mais bem cuidada deste império.

Osiris virou a câmera mágica para o próprio rosto, exibindo um sorriso malicioso.

— Viram só? O sangue dos Baskerville corre forte, mesmo quando ele está sendo doméstico. E para os pretendentes de Dolores e Camus que estão assistindo... eu sugeriria que mudassem de país. Meu irmão não gosta de compartilhar o que é dele, e ele é muito bom em limpar o lixo.

Vikir finalmente percebeu o brilho rúnico da transmissão mágica flutuando perto do teto. Seus olhos vermelhos brilharam com uma intensidade perigosa.

— Osiris.

— Sim, maninho?

— Se essa transmissão não for desligada nos próximos três segundos, eu vou contar para o nosso pai que foi você quem quebrou o selo do tesouro ancestral no último solstício e culpou os servos.

O sorriso de Osiris vacilou por uma fração de segundo. Ele sabia que Vikir não blefava. Nunca.

— Bem, acho que a nossa espiada matinal termina aqui! — Osiris disse para a câmera, antes de encerrar o feitiço abruptamente.

O quarto mergulhou em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som de Peri comendo alegremente.

— Você é um incômodo — disse Vikir, terminando de abotoar os punhos de sua camisa.

— E você é o assunto de todos os corredores agora — rebateu Osiris, guardando o artefato. — Como se sente sendo o homem mais odiado e invejado da Colosso?

Vikir caminhou em direção à porta, parando por um momento para olhar o reflexo de suas cicatrizes no espelho, marcas de um passado que ele pretendia usar para forjar um futuro sangrento.

— Ódio e inveja são sentimentos de quem está abaixo — disse Vikir, a voz voltando à sua neutralidade gélida. — Deixe que eles olhem. Deixe que eles falem. No final, todos eles se curvarão ao ferro.

Ele saiu do quarto, deixando Osiris para trás. Enquanto caminhava pelos corredores, Vikir percebeu os olhares. Alunos se afastavam, sussurros morriam na garganta e o medo era palpável. Ele viu Dolores à distância, caminhando com seus livros; ela parou, olhou para ele e deu um sorriso discreto, um segredo compartilhado entre a luz e a sombra.

Vikir não sorriu de volta, mas seus olhos suavizaram por um milésimo de segundo. Ele tinha suas noivas, tinha sua missão e tinha o poder. O resto do mundo era apenas ruído.

— Vamos, Peri — murmurou ele, enquanto o pequeno familiar saltava para seu ombro. — Temos uma academia para lembrar quem realmente manda aqui.
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