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Enemies to Lovers
Fandom: Marvel
Criado: 17/06/2026
Tags
AçãoAventuraDramaDor/ConfortoRomanceCenário CanônicoNoirViolência GráficaFilme de Amigos
Fogo Cruzado em Madripoor
O som do metal colidindo contra o concreto ecoou pelo beco úmido de Madripoor, um ruído que Bucky Barnes já estava cansado de ouvir. Ele limpou o sangue do lábio inferior com as costas da mão enluvada, sentindo a vibração familiar do seu braço de vibrânio enquanto o motor interno se ajustava. Ao seu lado, S/N recarregava sua arma com uma eficiência mecânica que, em qualquer outro dia, ele poderia ter admirado. Mas hoje, tudo o que ela fazia parecia projetado especificamente para irritá-lo.
— Você demorou três segundos a mais para cobrir o flanco esquerdo — disse S/N, a voz cortante como o aço de uma faca. — Se eu dependesse de você para manter minha cabeça no lugar, eu já estaria decorando o asfalto.
Bucky soltou um suspiro pesado, seus ombros largos subindo e descendo sob a jaqueta de couro escura. Ele tentou relaxar a postura, mas o instinto de soldado o mantinha tenso, quase encurvado, como se tentasse se camuflar entre as sombras das luzes de neon da Cidade Baixa.
— Eu estava ocupado impedindo que aquele brutamontes com o braço mecânico arrancasse a sua espinha — rebateu Bucky, a voz rouca e carregada de sarcasmo. — De nada, a propósito.
S/N guardou a pistola no coldre da coxa e virou-se para ele, os olhos brilhando com uma animosidade que vinha sendo alimentada desde que Sam Wilson os forçara a trabalhar juntos nessa missão de reconhecimento.
— Eu tinha a situação sob controle, Barnes. Não preciso de um super-soldado centenário com crise de identidade bancando a babá.
— Ótimo — disse ele, aproximando-se um passo, o brilho dourado das juntas de seu braço esquerdo refletindo a luz vermelha de um letreiro próximo. — Da próxima vez, eu deixo você resolver as coisas com o seu "controle" e vou tomar um café.
— Você não gosta de café. Você gosta de reclamar e de olhar para o nada com cara de quem esqueceu onde deixou as chaves de casa em 1944.
Bucky trincou os dentes. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela, mas S/N não recuou. Ela era uma das poucas pessoas que não se sentia intimidada pelo olhar gélido do ex-Soldado Invernal.
— Vamos logo com isso — rosnou ele. — O contato está nos esperando no Princess Bar. Tente não atirar em ninguém até chegarmos lá.
— Só se ninguém me der um motivo — respondeu ela, passando por ele e esbarrando propositalmente em seu ombro direito.
O trajeto pelas ruas de Madripoor era um teste de paciência. A cidade era um caos de cores, cheiros e perigos, e a tensão entre os dois era quase palpável, uma carga estática que parecia atrair problemas. Bucky mantinha a guarda alta, os olhos azuis escaneando cada telhado e cada beco escuro. Ele odiava Madripoor. Odiava o fato de que, naquele lugar, ele ainda era visto por muitos como um monstro, uma arma a ser leiloada. E odiava ainda mais que S/N parecia saber exatamente quais botões apertar para fazê-lo se sentir assim.
Quando finalmente entraram no bar, o ar pesado de fumaça e álcool barato os atingiu. Eles se acomodaram em um canto isolado, onde as sombras eram mais densas.
— Ali — sussurrou S/N, indicando com um leve movimento de cabeça um homem sentado perto do balcão. — Aquele é o nosso informante. Ele tem os códigos de acesso para o laboratório da Power Broker.
— Eu vou falar com ele — disse Bucky, já começando a se levantar.
S/N segurou o braço de carne dele, os dedos firmes.
— Nem pensar. Você tem a sutileza de um tanque de guerra. Eu vou. Ele gosta de mulheres bonitas e de papo furado, duas coisas que você não tem.
Bucky sentiu um nó na garganta, uma mistura de raiva e algo que ele se recusava a admitir que era diversão ácida.
— Você se acha muito esperta, não é? — perguntou ele, voltando a se sentar.
— Eu não me acho, Barnes. Eu sou. Fique aqui e tente não parecer um assassino internacional por cinco minutos.
Ele a observou se afastar, a postura confiante, deslizando entre as mesas com uma graça predatória. Bucky odiava o quanto ela era boa naquilo. Ele pediu uma bebida apenas para ter o que fazer com as mãos, observando-a do canto do olho. S/N se inclinou sobre o balcão, rindo de algo que o informante disse, jogando o cabelo para o lado.
Por um momento, Bucky esqueceu o ódio. Ele viu a habilidade dela, a inteligência rápida. Mas então, viu algo mais. Um movimento brusco na mesa de trás. Três homens se levantaram simultaneamente, as mãos indo para baixo das jaquetas.
— Droga — murmurou Bucky.
Antes que ele pudesse gritar um aviso, o caos se instalou. O informante empurrou S/N, sacando uma arma, mas ela foi mais rápida, agarrando o pulso do homem e batendo a cabeça dele contra o balcão de madeira.
— Atrás de você! — gritou Bucky, saltando sobre a mesa e lançando uma cadeira contra um dos agressores que se aproximava dela por trás.
S/N se abaixou, desviando de um tiro que estilhaçou uma garrafa de uísque atrás dela. Ela sacou sua própria arma e disparou dois tiros precisos, derrubando um dos homens. Bucky já estava no meio da briga, seu braço de vibrânio emitindo um som surdo enquanto ele desferia um soco que lançou o terceiro atacante através de uma janela.
No meio do tiroteio e dos gritos, os dois acabaram encurralados atrás do balcão de carvalho maciço. O cheiro de pólvora era sufocante.
— Eu disse para não atirar em ninguém! — exclamou Bucky, recarregando a arma que havia tomado de um dos caídos.
— Ele tentou me apalpar e me matar ao mesmo tempo! — gritou S/N de volta, limpando um respingo de bebida do rosto. — Prioridades, Barnes!
— Onde estão os códigos?
— No bolso dele! Mas ele está morto ou desmaiado do outro lado do balcão!
Bucky olhou para cima, vendo as balas perfurarem a madeira acima de suas cabeças. Ele olhou para S/N, e por um breve segundo, a hostilidade foi substituída por uma sincronia tática puramente instintiva.
— Eu vou dar cobertura — disse ele, a voz subitamente calma, o tom de comando que ele usava nos campos de batalha. — Você pega os códigos e corre para a saída dos fundos.
— O quê? Não, nós saímos juntos.
— Não discuta comigo agora! — Bucky se inclinou para frente, os olhos fixos nos dela. — Eu aguento o tranco, você sabe disso. Pegue a droga dos códigos.
S/N hesitou por uma fração de segundo, algo raro para ela. Ela viu a determinação nos olhos dele, o peso de décadas de luta, mas também uma proteção feroz que ele tentava esconder sob camadas de amargura.
— Se você morrer, Barnes, eu juro que vou até o inferno só para te matar de novo — disse ela, séria.
— Eu contaria com isso.
Bucky se levantou, expondo-se ao fogo cruzado. Ele usou o braço de vibrânio como um escudo, avançando com uma força bruta que fez os atacantes recuarem por puro terror. S/N deslizou pelo chão, alcançou o corpo do informante, tateou os bolsos e encontrou um pendrive.
— Consegui! — gritou ela.
— Vai! — ordenou Bucky, derrubando dois homens com uma rasteira e um golpe de punho fechado.
Eles correram pela porta dos fundos, saindo em um beco estreito que cheirava a lixo e chuva. O som da perseguição ainda ecoava atrás deles, mas a escuridão de Madripoor era vasta. Eles correram por várias quadras, virando em esquinas aleatórias até que o som dos tiros fosse apenas um eco distante.
Finalmente, pararam em um telhado abandonado, ofegantes. A adrenalina estava baixando, deixando para trás o cansaço e a irritação habitual.
S/N encostou-se em uma mureta, segurando o pendrive como se fosse um troféu. Bucky estava a poucos metros, examinando um rasgo em sua jaqueta de couro com uma expressão de puro desgosto.
— Minha jaqueta favorita — resmungou ele.
— Você tem dez iguais no armário, Barnes. Pare de ser dramático.
S/N caminhou até ele, a respiração ainda um pouco acelerada. Ela parou na frente dele, olhando para o braço metálico e depois para o rosto dele, onde um novo corte sangrava levemente na bochecha.
— Você me deu cobertura — disse ela, o tom de voz menos agressivo do que o normal.
— Era o plano.
— Não era o plano. O plano era você ficar sentado e eu fazer o trabalho. Você se arriscou desnecessariamente.
Bucky deu de ombros, desviando o olhar para o horizonte iluminado da cidade.
— Eu não ia deixar você ser baleada por causa de um informante de quinta categoria. Sam me mataria.
— Só o Sam? — perguntou ela, dando um passo para mais perto. — Você realmente é um idiota, sabia?
Bucky finalmente olhou para ela. A proximidade era perigosa. Ele podia sentir o calor emanando do corpo dela, o cheiro de pólvora e do perfume barato que ela usara para o disfarce.
— Você também não é a pessoa mais fácil do mundo de se conviver — rebateu ele, mas a agressividade tinha sumido. Havia apenas uma tensão diferente, algo que fervilhava abaixo da superfície do ódio que eles alegavam sentir.
— Eu sei — admitiu S/N, com um sorriso mínimo e perigoso. — Mas pelo menos eu não uso o mesmo par de botas desde 1945.
Bucky soltou um riso curto, seco, que raramente aparecia.
— São botas boas.
— Elas são horríveis.
Eles ficaram em silêncio por um momento, a cidade de Madripoor pulsando abaixo deles. O ódio ainda estava lá, uma barreira construída com meses de discussões e egos feridos, mas, pela primeira vez, parecia haver uma rachadura na parede.
— Da próxima vez — começou S/N, guardando o pendrive no bolso —, eu escolho o bar.
— Se houver uma próxima vez, eu vou pedir demissão — respondeu Bucky, embora ambos soubessem que era mentira.
— Você adora isso, Barnes. Admita. Você adora ter alguém que não tem medo de te dizer o quanto você é irritante.
Bucky olhou para ela, a postura encurvada relaxando apenas um pouco. Ele estendeu a mão de metal e, com uma delicadeza que contrastava com a violência de minutos atrás, limpou uma mancha de fuligem da testa dela. O toque do vibrânio frio contra a pele quente de S/N fez ambos pararem de respirar por um segundo.
— Talvez — murmurou ele, a voz baixa.
S/N segurou o pulso metálico dele, não para afastá-lo, mas para manter o contato por um momento a mais.
— Vamos sair daqui antes que os reforços cheguem. E Barnes?
— O quê?
— Você ainda me deve um café. Um de verdade.
Bucky balançou a cabeça, um rastro de sorriso ainda em seus lábios.
— Só se você parar de tentar me ensinar a lutar.
— Sem promessas — disse ela, virando-se e começando a descer pela escada de incêndio.
Bucky a seguiu, a jaqueta rasgada e o corpo dolorido, pensando que, apesar de tudo, talvez a missão não tivesse sido um desastre completo. Ele ainda a odiava, é claro. Mas era um tipo de ódio que o fazia se sentir mais vivo do que qualquer outra coisa nos últimos setenta anos.
— Você demorou três segundos a mais para cobrir o flanco esquerdo — disse S/N, a voz cortante como o aço de uma faca. — Se eu dependesse de você para manter minha cabeça no lugar, eu já estaria decorando o asfalto.
Bucky soltou um suspiro pesado, seus ombros largos subindo e descendo sob a jaqueta de couro escura. Ele tentou relaxar a postura, mas o instinto de soldado o mantinha tenso, quase encurvado, como se tentasse se camuflar entre as sombras das luzes de neon da Cidade Baixa.
— Eu estava ocupado impedindo que aquele brutamontes com o braço mecânico arrancasse a sua espinha — rebateu Bucky, a voz rouca e carregada de sarcasmo. — De nada, a propósito.
S/N guardou a pistola no coldre da coxa e virou-se para ele, os olhos brilhando com uma animosidade que vinha sendo alimentada desde que Sam Wilson os forçara a trabalhar juntos nessa missão de reconhecimento.
— Eu tinha a situação sob controle, Barnes. Não preciso de um super-soldado centenário com crise de identidade bancando a babá.
— Ótimo — disse ele, aproximando-se um passo, o brilho dourado das juntas de seu braço esquerdo refletindo a luz vermelha de um letreiro próximo. — Da próxima vez, eu deixo você resolver as coisas com o seu "controle" e vou tomar um café.
— Você não gosta de café. Você gosta de reclamar e de olhar para o nada com cara de quem esqueceu onde deixou as chaves de casa em 1944.
Bucky trincou os dentes. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela, mas S/N não recuou. Ela era uma das poucas pessoas que não se sentia intimidada pelo olhar gélido do ex-Soldado Invernal.
— Vamos logo com isso — rosnou ele. — O contato está nos esperando no Princess Bar. Tente não atirar em ninguém até chegarmos lá.
— Só se ninguém me der um motivo — respondeu ela, passando por ele e esbarrando propositalmente em seu ombro direito.
O trajeto pelas ruas de Madripoor era um teste de paciência. A cidade era um caos de cores, cheiros e perigos, e a tensão entre os dois era quase palpável, uma carga estática que parecia atrair problemas. Bucky mantinha a guarda alta, os olhos azuis escaneando cada telhado e cada beco escuro. Ele odiava Madripoor. Odiava o fato de que, naquele lugar, ele ainda era visto por muitos como um monstro, uma arma a ser leiloada. E odiava ainda mais que S/N parecia saber exatamente quais botões apertar para fazê-lo se sentir assim.
Quando finalmente entraram no bar, o ar pesado de fumaça e álcool barato os atingiu. Eles se acomodaram em um canto isolado, onde as sombras eram mais densas.
— Ali — sussurrou S/N, indicando com um leve movimento de cabeça um homem sentado perto do balcão. — Aquele é o nosso informante. Ele tem os códigos de acesso para o laboratório da Power Broker.
— Eu vou falar com ele — disse Bucky, já começando a se levantar.
S/N segurou o braço de carne dele, os dedos firmes.
— Nem pensar. Você tem a sutileza de um tanque de guerra. Eu vou. Ele gosta de mulheres bonitas e de papo furado, duas coisas que você não tem.
Bucky sentiu um nó na garganta, uma mistura de raiva e algo que ele se recusava a admitir que era diversão ácida.
— Você se acha muito esperta, não é? — perguntou ele, voltando a se sentar.
— Eu não me acho, Barnes. Eu sou. Fique aqui e tente não parecer um assassino internacional por cinco minutos.
Ele a observou se afastar, a postura confiante, deslizando entre as mesas com uma graça predatória. Bucky odiava o quanto ela era boa naquilo. Ele pediu uma bebida apenas para ter o que fazer com as mãos, observando-a do canto do olho. S/N se inclinou sobre o balcão, rindo de algo que o informante disse, jogando o cabelo para o lado.
Por um momento, Bucky esqueceu o ódio. Ele viu a habilidade dela, a inteligência rápida. Mas então, viu algo mais. Um movimento brusco na mesa de trás. Três homens se levantaram simultaneamente, as mãos indo para baixo das jaquetas.
— Droga — murmurou Bucky.
Antes que ele pudesse gritar um aviso, o caos se instalou. O informante empurrou S/N, sacando uma arma, mas ela foi mais rápida, agarrando o pulso do homem e batendo a cabeça dele contra o balcão de madeira.
— Atrás de você! — gritou Bucky, saltando sobre a mesa e lançando uma cadeira contra um dos agressores que se aproximava dela por trás.
S/N se abaixou, desviando de um tiro que estilhaçou uma garrafa de uísque atrás dela. Ela sacou sua própria arma e disparou dois tiros precisos, derrubando um dos homens. Bucky já estava no meio da briga, seu braço de vibrânio emitindo um som surdo enquanto ele desferia um soco que lançou o terceiro atacante através de uma janela.
No meio do tiroteio e dos gritos, os dois acabaram encurralados atrás do balcão de carvalho maciço. O cheiro de pólvora era sufocante.
— Eu disse para não atirar em ninguém! — exclamou Bucky, recarregando a arma que havia tomado de um dos caídos.
— Ele tentou me apalpar e me matar ao mesmo tempo! — gritou S/N de volta, limpando um respingo de bebida do rosto. — Prioridades, Barnes!
— Onde estão os códigos?
— No bolso dele! Mas ele está morto ou desmaiado do outro lado do balcão!
Bucky olhou para cima, vendo as balas perfurarem a madeira acima de suas cabeças. Ele olhou para S/N, e por um breve segundo, a hostilidade foi substituída por uma sincronia tática puramente instintiva.
— Eu vou dar cobertura — disse ele, a voz subitamente calma, o tom de comando que ele usava nos campos de batalha. — Você pega os códigos e corre para a saída dos fundos.
— O quê? Não, nós saímos juntos.
— Não discuta comigo agora! — Bucky se inclinou para frente, os olhos fixos nos dela. — Eu aguento o tranco, você sabe disso. Pegue a droga dos códigos.
S/N hesitou por uma fração de segundo, algo raro para ela. Ela viu a determinação nos olhos dele, o peso de décadas de luta, mas também uma proteção feroz que ele tentava esconder sob camadas de amargura.
— Se você morrer, Barnes, eu juro que vou até o inferno só para te matar de novo — disse ela, séria.
— Eu contaria com isso.
Bucky se levantou, expondo-se ao fogo cruzado. Ele usou o braço de vibrânio como um escudo, avançando com uma força bruta que fez os atacantes recuarem por puro terror. S/N deslizou pelo chão, alcançou o corpo do informante, tateou os bolsos e encontrou um pendrive.
— Consegui! — gritou ela.
— Vai! — ordenou Bucky, derrubando dois homens com uma rasteira e um golpe de punho fechado.
Eles correram pela porta dos fundos, saindo em um beco estreito que cheirava a lixo e chuva. O som da perseguição ainda ecoava atrás deles, mas a escuridão de Madripoor era vasta. Eles correram por várias quadras, virando em esquinas aleatórias até que o som dos tiros fosse apenas um eco distante.
Finalmente, pararam em um telhado abandonado, ofegantes. A adrenalina estava baixando, deixando para trás o cansaço e a irritação habitual.
S/N encostou-se em uma mureta, segurando o pendrive como se fosse um troféu. Bucky estava a poucos metros, examinando um rasgo em sua jaqueta de couro com uma expressão de puro desgosto.
— Minha jaqueta favorita — resmungou ele.
— Você tem dez iguais no armário, Barnes. Pare de ser dramático.
S/N caminhou até ele, a respiração ainda um pouco acelerada. Ela parou na frente dele, olhando para o braço metálico e depois para o rosto dele, onde um novo corte sangrava levemente na bochecha.
— Você me deu cobertura — disse ela, o tom de voz menos agressivo do que o normal.
— Era o plano.
— Não era o plano. O plano era você ficar sentado e eu fazer o trabalho. Você se arriscou desnecessariamente.
Bucky deu de ombros, desviando o olhar para o horizonte iluminado da cidade.
— Eu não ia deixar você ser baleada por causa de um informante de quinta categoria. Sam me mataria.
— Só o Sam? — perguntou ela, dando um passo para mais perto. — Você realmente é um idiota, sabia?
Bucky finalmente olhou para ela. A proximidade era perigosa. Ele podia sentir o calor emanando do corpo dela, o cheiro de pólvora e do perfume barato que ela usara para o disfarce.
— Você também não é a pessoa mais fácil do mundo de se conviver — rebateu ele, mas a agressividade tinha sumido. Havia apenas uma tensão diferente, algo que fervilhava abaixo da superfície do ódio que eles alegavam sentir.
— Eu sei — admitiu S/N, com um sorriso mínimo e perigoso. — Mas pelo menos eu não uso o mesmo par de botas desde 1945.
Bucky soltou um riso curto, seco, que raramente aparecia.
— São botas boas.
— Elas são horríveis.
Eles ficaram em silêncio por um momento, a cidade de Madripoor pulsando abaixo deles. O ódio ainda estava lá, uma barreira construída com meses de discussões e egos feridos, mas, pela primeira vez, parecia haver uma rachadura na parede.
— Da próxima vez — começou S/N, guardando o pendrive no bolso —, eu escolho o bar.
— Se houver uma próxima vez, eu vou pedir demissão — respondeu Bucky, embora ambos soubessem que era mentira.
— Você adora isso, Barnes. Admita. Você adora ter alguém que não tem medo de te dizer o quanto você é irritante.
Bucky olhou para ela, a postura encurvada relaxando apenas um pouco. Ele estendeu a mão de metal e, com uma delicadeza que contrastava com a violência de minutos atrás, limpou uma mancha de fuligem da testa dela. O toque do vibrânio frio contra a pele quente de S/N fez ambos pararem de respirar por um segundo.
— Talvez — murmurou ele, a voz baixa.
S/N segurou o pulso metálico dele, não para afastá-lo, mas para manter o contato por um momento a mais.
— Vamos sair daqui antes que os reforços cheguem. E Barnes?
— O quê?
— Você ainda me deve um café. Um de verdade.
Bucky balançou a cabeça, um rastro de sorriso ainda em seus lábios.
— Só se você parar de tentar me ensinar a lutar.
— Sem promessas — disse ela, virando-se e começando a descer pela escada de incêndio.
Bucky a seguiu, a jaqueta rasgada e o corpo dolorido, pensando que, apesar de tudo, talvez a missão não tivesse sido um desastre completo. Ele ainda a odiava, é claro. Mas era um tipo de ódio que o fazia se sentir mais vivo do que qualquer outra coisa nos últimos setenta anos.
