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Pedra papel tesoura
Fandom: Nenhum
Criado: 18/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHistória DomésticaCiúmesHumor
Reflexos de Neon e Decisões de Vidro
A luz âmbar do abajur na sala de estar refletia nos fios pretos e ondulados de Eiden, que estava concentrado diante do espelho do corredor. Ele prendia as mechas superiores do cabelo com um prendedor prateado, deixando o restante cair suavemente sobre os ombros. Aos vinte e três anos, o francês radicado em Londres tinha uma beleza que misturava a delicadeza europeia com a intensidade de seus olhos verdes, que agora brilhavam com uma pitada de antecipação e um pouco de teimosia.
— Kai! Se você demorar mais cinco minutos, eu juro que vou começar a beber o vinho da cozinha e a gente nem sai de casa! — gritou Eiden, ajeitando a gola de sua camisa de linho.
Passos pesados e ritmados ecoaram pelo corredor. Kai surgiu na porta, terminando de abotoar o relógio no pulso. Ele era a personificação do equilíbrio: alto, com ombros largos que preenchiam bem a camiseta escura e um sorriso calmo que sempre desarmava Eiden. O veterinário de vinte e cinco anos tinha aquele ar de quem sabia exatamente o que estava fazendo, mesmo quando estava apenas escolhendo qual sapato usar.
— Calma, mon petit — disse Kai, aproximando-se e depositando um beijo rápido na têmpera de Eiden. — A Charlie decidiu que era o momento perfeito para esconder a minha chave reserva e o Dorian Gray estava tentando derrubar o vaso novo. Você sabe como eles ficam quando percebem que vamos sair.
Eiden bufou, mas não conseguiu esconder o sorriso. Charlie, a Border Collie do casal, apareceu logo atrás de Kai, abanando o rabo com vigor, enquanto Dorian Gray, o gato cinza de olhar aristocrático, observava tudo do alto da estante, com um desdém que justificava plenamente o nome literário que haviam escolhido.
— Eles sentem o cheiro da diversão e ficam com inveja — comentou Eiden, pegando sua carteira. — Mas agora, o assunto é sério. Você sabe o que vem agora.
Kai suspirou, já sabendo o que o namorado queria dizer. Eles estavam indo encontrar um grupo de amigos em um pub em Camden, e a regra de ouro do relacionamento deles precisava ser estabelecida.
— O ritual sagrado — brincou Kai, estendendo a mão direita fechada. — Pedra, papel ou tesoura. Quem perder, é o motorista da rodada e o guardião da sobriedade.
Eiden estreitou os olhos verdes, assumindo uma postura competitiva.
— Prepare-se para ser o meu segurança particular hoje, doutor. Eu pretendo tomar pelo menos três daqueles coquetéis de gin que custam um rim.
— Veremos — desafiou Kai.
— Um, dois, três e... já!
Eiden jogou papel. Kai jogou pedra.
Um grito de vitória ecoou pelo apartamento, seguido por um latido animado de Charlie. Eiden começou uma pequena dança da vitória, balançando os ombros enquanto Kai olhava para a própria mão com uma expressão de falsa derrota.
— Não é possível, você sempre usa alguma tática psicológica francesa comigo — resmungou Kai, embora houvesse um brilho de adoração em seus olhos castanhos.
— É o instinto, querido. Agora, pegue as chaves do carro. Eu sou oficialmente um passageiro de luxo esta noite — disse Eiden, puxando Kai pela gola da camisa para um beijo rápido e possessivo.
O pub estava lotado, uma mistura de música indie, fumaça de cigarro eletrônico e o burburinho constante de conversas em vários sotaques. Assim que entraram, Kai sentiu os olhares se voltarem para eles. Ele estava acostumado; sua altura e a calma natural que exalava tendiam a atrair atenção sem que ele fizesse o menor esforço. Eiden, por outro lado, sentiu o familiar aperto de ciúmes no peito ao ver uma garota no balcão medir Kai de cima a baixo.
Eiden se aproximou mais de Kai, passando o braço pela cintura do namorado com uma possessividade nada sutil. Kai apenas sorriu, achando a reação de Eiden adorável, e colocou a mão sobre o ombro dele, guiando-os até a mesa onde os amigos já os esperavam.
— Finalmente! — exclamou Liam, um dos colegas de faculdade de Kai. — Achamos que o Dorian tinha sequestrado vocês.
— Quase isso — respondeu Kai, sentando-se e puxando uma cadeira para Eiden. — Eiden ganhou no Jokenpô, então eu sou o motorista oficial. Podem pedir as bebidas dele, eu fico na água tônica.
— Oh, pobre Kai — zombou Sarah, outra amiga do grupo. — O grande veterinário domado por um programador francês.
— Ele não é domado — interveio Eiden, com um sorriso travesso enquanto pegava o cardápio de bebidas. — Ele é apenas um cavalheiro que sabe que eu fico muito mais divertido quando estou levemente embriagado.
A noite avançou entre risadas e histórias. Eiden, geralmente mais reservado com estranhos, estava em seu elemento com o grupo de amigos íntimos. Ele contava sobre os bugs absurdos que encontrava na empresa de tecnologia onde trabalhava, gesticulando com as mãos e deixando seu sotaque francês ficar mais evidente conforme o segundo drink de gin desaparecia.
Kai observava tudo com uma paciência infinita. Ele adorava ver Eiden assim: relaxado, vibrante e feliz. De vez em quando, Kai sentia a mão de Eiden apertar sua coxa por debaixo da mesa, um lembrete silencioso de que, apesar de toda a interação social, o foco do francês ainda era ele.
No entanto, a calma de Kai foi testada quando um homem desconhecido, visivelmente interessado, aproximou-se da mesa para falar com o grupo, mas direcionando toda a atenção para Kai.
— Com licença, eu não pude deixar de notar... você trabalha na clínica da zona norte, não é? Acho que você atendeu o meu Golden Retriever mês passado — disse o homem, inclinando-se um pouco demais na direção de Kai.
Kai, sempre gentil, assentiu com um sorriso educado.
— Ah, sim, eu me lembro. Como ele está?
— Ótimo, graças a você. Sabe, eu queria tirar uma dúvida sobre a dieta dele... você teria um cartão ou talvez pudéssemos trocar contatos?
Eiden, que até aquele momento estava rindo de uma piada de Liam, congelou. Seus olhos verdes dispararam em direção ao intruso. O ciúme, aquela chama rápida que sempre ardia nele quando se tratava de Kai, subiu à superfície.
— Ele está de folga agora — disse Eiden, sua voz subindo um tom, fria como o gelo em seu copo. — E o horário de consultas acabou às seis.
O homem pareceu surpreso com a interrupção brusca. Kai sentiu a tensão emanando de Eiden e, discretamente, deslizou a mão para as costas do namorado, acariciando a nuca dele para acalmá-lo.
— Meu namorado tem razão — disse Kai, mantendo o tom suave, mas firme. — Eu não costumo tratar de negócios em pubs. Mas você pode ligar para a recepção amanhã de manhã.
O homem, percebendo a barreira invisível, mas intransponível, murmurou um pedido de desculpas e se afastou.
Eiden tomou um gole longo de sua bebida, sem olhar para Kai.
— "Meu namorado tem razão" — repetiu Eiden, imitando o tom de Kai, mas com um biquinho nos lábios. — Você é educado demais, Kai. Ele estava claramente dando em cima de você usando o cachorro como desculpa.
— E você é ciumento demais, mon petit — sussurrou Kai no ouvido dele, fazendo Eiden arrepiar-se. — Mas eu gosto quando você marca território. Só não exagere, ou as pessoas vão achar que você vai me morder.
— Talvez eu vá — retrucou Eiden, virando o rosto para encarar Kai. — Mas só quando chegarmos em casa.
Kai riu baixo, um som rouco que sempre fazia o coração de Eiden acelerar.
— Acho que já está na hora de irmos, não acha? Você já bebeu o suficiente para começar a falar francês com o garçom e eu prometi à Charlie que não voltaríamos tarde.
Eiden olhou para o copo vazio e depois para o namorado. O desejo de estar sozinho com Kai, longe do barulho e das luzes do pub, superou sua vontade de beber mais.
— Tudo bem. Mas você vai ter que me carregar até o carro se minhas pernas decidirem parar de funcionar no caminho.
— Como se eu já não fizesse isso quase todo final de semana — brincou Kai, levantando-se e ajudando Eiden a se equilibrar.
A despedida dos amigos foi barulhenta, com promessas de novos encontros. O ar fresco da noite de Londres foi um choque bem-vindo quando saíram do pub. Eiden cambaleou levemente, e Kai prontamente passou o braço pela cintura dele, sustentando seu peso com facilidade.
— Você está bem? — perguntou Kai, enquanto caminhavam em direção ao estacionamento.
— Estou maravilhoso — respondeu Eiden, encostando a cabeça no ombro de Kai. — Só um pouco... flutuante. Londres é bonita à noite, sabia? Mas você é mais bonito.
Kai sorriu, sentindo aquela onda de calor no peito que só Eiden conseguia provocar.
— Você está bêbado e sendo fofo. É uma combinação perigosa.
— Eu não sou fofo, eu sou um programador sério e respeitado — protestou Eiden, embora estivesse se aninhando ainda mais no abraço de Kai.
Chegaram ao carro, um SUV confortável que acomodava bem os pets e as idas e vindas do casal. Kai acomodou Eiden no banco do passageiro, prendendo o cinto de segurança para ele. Eiden observava cada movimento de Kai com uma intensidade sonolenta.
— Kai? — chamou Eiden, quando o namorado se sentou no banco do motorista.
— Sim?
— Obrigado por ser o motorista hoje. E por ser... você.
Kai inclinou-se para o lado e deu um beijo terno nos lábios de Eiden, sentindo o gosto de gin e tônica.
— Eu sempre vou ser o seu motorista, Eiden. Em todos os sentidos.
A viagem de volta foi tranquila, com uma playlist de jazz suave tocando baixo. Eiden acabou cochilando metade do caminho, acordando apenas quando o carro parou na garagem do prédio.
Ao entrarem no apartamento, foram recebidos por uma Charlie eufórica e um Dorian Gray que desceu da estante apenas para roçar nas pernas de Kai, exigindo atenção.
— Shhh, Charlie, o papai Eiden precisa de silêncio — disse Kai, rindo enquanto a cachorra tentava lamber o rosto de Eiden.
Eiden se jogou no sofá, soltando um suspiro longo.
— Eu nunca mais vou beber. Pelo menos não até o próximo sábado.
Kai ajoelhou-se à frente dele e começou a desamarrar os sapatos de Eiden.
— Você diz isso todas as vezes. Agora, vamos para o banho. Você precisa tirar esse cheiro de pub e descansar.
— Só se você vier comigo — disse Eiden, estendendo as mãos como uma criança pedindo colo.
Kai o pegou nos braços, impressionado como, apesar de Eiden ser um homem adulto, ele parecia tão leve e vulnerável naquele momento. No quarto, o banho foi lento. A água morna ajudou a dissipar um pouco da névoa do álcool na mente de Eiden, mas a proximidade de Kai sob o chuveiro despertou outro tipo de embriaguez.
Eiden pressionou Kai contra os azulejos úmidos, suas mãos traçando os músculos das costas do veterinário.
— Você sabe que, embora eu tenha perdido no pedra, papel e tesoura... — sussurrou Eiden, subindo as mãos para o pescoço de Kai — ... aqui dentro, eu ainda mando em você.
Kai soltou uma risada baixa, segurando Eiden pela cintura e puxando-o para mais perto, sentindo a pele quente contra a sua.
— Eu nunca disse o contrário, mon petit. Eu sou todo seu.
A noite terminou entre lençóis bagunçados e sussurros em francês e inglês. Eiden, exausto mas satisfeito, adormeceu com a cabeça no peito de Kai, ouvindo o batimento cardíaco rítmico do homem que era seu porto seguro.
No pé da cama, Charlie estava enrolada em sua própria almofada, e Dorian Gray, tendo finalmente decidido que os humanos estavam seguros, acomodou-se discretamente sobre os pés de Eiden.
Lá fora, Londres continuava seu ritmo frenético, mas dentro daquele apartamento, o mundo estava em perfeita harmonia. O programador ciumento e o veterinário gentil tinham encontrado seu próprio equilíbrio, um jogo de pedra, papel e tesoura de cada vez.
— Kai! Se você demorar mais cinco minutos, eu juro que vou começar a beber o vinho da cozinha e a gente nem sai de casa! — gritou Eiden, ajeitando a gola de sua camisa de linho.
Passos pesados e ritmados ecoaram pelo corredor. Kai surgiu na porta, terminando de abotoar o relógio no pulso. Ele era a personificação do equilíbrio: alto, com ombros largos que preenchiam bem a camiseta escura e um sorriso calmo que sempre desarmava Eiden. O veterinário de vinte e cinco anos tinha aquele ar de quem sabia exatamente o que estava fazendo, mesmo quando estava apenas escolhendo qual sapato usar.
— Calma, mon petit — disse Kai, aproximando-se e depositando um beijo rápido na têmpera de Eiden. — A Charlie decidiu que era o momento perfeito para esconder a minha chave reserva e o Dorian Gray estava tentando derrubar o vaso novo. Você sabe como eles ficam quando percebem que vamos sair.
Eiden bufou, mas não conseguiu esconder o sorriso. Charlie, a Border Collie do casal, apareceu logo atrás de Kai, abanando o rabo com vigor, enquanto Dorian Gray, o gato cinza de olhar aristocrático, observava tudo do alto da estante, com um desdém que justificava plenamente o nome literário que haviam escolhido.
— Eles sentem o cheiro da diversão e ficam com inveja — comentou Eiden, pegando sua carteira. — Mas agora, o assunto é sério. Você sabe o que vem agora.
Kai suspirou, já sabendo o que o namorado queria dizer. Eles estavam indo encontrar um grupo de amigos em um pub em Camden, e a regra de ouro do relacionamento deles precisava ser estabelecida.
— O ritual sagrado — brincou Kai, estendendo a mão direita fechada. — Pedra, papel ou tesoura. Quem perder, é o motorista da rodada e o guardião da sobriedade.
Eiden estreitou os olhos verdes, assumindo uma postura competitiva.
— Prepare-se para ser o meu segurança particular hoje, doutor. Eu pretendo tomar pelo menos três daqueles coquetéis de gin que custam um rim.
— Veremos — desafiou Kai.
— Um, dois, três e... já!
Eiden jogou papel. Kai jogou pedra.
Um grito de vitória ecoou pelo apartamento, seguido por um latido animado de Charlie. Eiden começou uma pequena dança da vitória, balançando os ombros enquanto Kai olhava para a própria mão com uma expressão de falsa derrota.
— Não é possível, você sempre usa alguma tática psicológica francesa comigo — resmungou Kai, embora houvesse um brilho de adoração em seus olhos castanhos.
— É o instinto, querido. Agora, pegue as chaves do carro. Eu sou oficialmente um passageiro de luxo esta noite — disse Eiden, puxando Kai pela gola da camisa para um beijo rápido e possessivo.
O pub estava lotado, uma mistura de música indie, fumaça de cigarro eletrônico e o burburinho constante de conversas em vários sotaques. Assim que entraram, Kai sentiu os olhares se voltarem para eles. Ele estava acostumado; sua altura e a calma natural que exalava tendiam a atrair atenção sem que ele fizesse o menor esforço. Eiden, por outro lado, sentiu o familiar aperto de ciúmes no peito ao ver uma garota no balcão medir Kai de cima a baixo.
Eiden se aproximou mais de Kai, passando o braço pela cintura do namorado com uma possessividade nada sutil. Kai apenas sorriu, achando a reação de Eiden adorável, e colocou a mão sobre o ombro dele, guiando-os até a mesa onde os amigos já os esperavam.
— Finalmente! — exclamou Liam, um dos colegas de faculdade de Kai. — Achamos que o Dorian tinha sequestrado vocês.
— Quase isso — respondeu Kai, sentando-se e puxando uma cadeira para Eiden. — Eiden ganhou no Jokenpô, então eu sou o motorista oficial. Podem pedir as bebidas dele, eu fico na água tônica.
— Oh, pobre Kai — zombou Sarah, outra amiga do grupo. — O grande veterinário domado por um programador francês.
— Ele não é domado — interveio Eiden, com um sorriso travesso enquanto pegava o cardápio de bebidas. — Ele é apenas um cavalheiro que sabe que eu fico muito mais divertido quando estou levemente embriagado.
A noite avançou entre risadas e histórias. Eiden, geralmente mais reservado com estranhos, estava em seu elemento com o grupo de amigos íntimos. Ele contava sobre os bugs absurdos que encontrava na empresa de tecnologia onde trabalhava, gesticulando com as mãos e deixando seu sotaque francês ficar mais evidente conforme o segundo drink de gin desaparecia.
Kai observava tudo com uma paciência infinita. Ele adorava ver Eiden assim: relaxado, vibrante e feliz. De vez em quando, Kai sentia a mão de Eiden apertar sua coxa por debaixo da mesa, um lembrete silencioso de que, apesar de toda a interação social, o foco do francês ainda era ele.
No entanto, a calma de Kai foi testada quando um homem desconhecido, visivelmente interessado, aproximou-se da mesa para falar com o grupo, mas direcionando toda a atenção para Kai.
— Com licença, eu não pude deixar de notar... você trabalha na clínica da zona norte, não é? Acho que você atendeu o meu Golden Retriever mês passado — disse o homem, inclinando-se um pouco demais na direção de Kai.
Kai, sempre gentil, assentiu com um sorriso educado.
— Ah, sim, eu me lembro. Como ele está?
— Ótimo, graças a você. Sabe, eu queria tirar uma dúvida sobre a dieta dele... você teria um cartão ou talvez pudéssemos trocar contatos?
Eiden, que até aquele momento estava rindo de uma piada de Liam, congelou. Seus olhos verdes dispararam em direção ao intruso. O ciúme, aquela chama rápida que sempre ardia nele quando se tratava de Kai, subiu à superfície.
— Ele está de folga agora — disse Eiden, sua voz subindo um tom, fria como o gelo em seu copo. — E o horário de consultas acabou às seis.
O homem pareceu surpreso com a interrupção brusca. Kai sentiu a tensão emanando de Eiden e, discretamente, deslizou a mão para as costas do namorado, acariciando a nuca dele para acalmá-lo.
— Meu namorado tem razão — disse Kai, mantendo o tom suave, mas firme. — Eu não costumo tratar de negócios em pubs. Mas você pode ligar para a recepção amanhã de manhã.
O homem, percebendo a barreira invisível, mas intransponível, murmurou um pedido de desculpas e se afastou.
Eiden tomou um gole longo de sua bebida, sem olhar para Kai.
— "Meu namorado tem razão" — repetiu Eiden, imitando o tom de Kai, mas com um biquinho nos lábios. — Você é educado demais, Kai. Ele estava claramente dando em cima de você usando o cachorro como desculpa.
— E você é ciumento demais, mon petit — sussurrou Kai no ouvido dele, fazendo Eiden arrepiar-se. — Mas eu gosto quando você marca território. Só não exagere, ou as pessoas vão achar que você vai me morder.
— Talvez eu vá — retrucou Eiden, virando o rosto para encarar Kai. — Mas só quando chegarmos em casa.
Kai riu baixo, um som rouco que sempre fazia o coração de Eiden acelerar.
— Acho que já está na hora de irmos, não acha? Você já bebeu o suficiente para começar a falar francês com o garçom e eu prometi à Charlie que não voltaríamos tarde.
Eiden olhou para o copo vazio e depois para o namorado. O desejo de estar sozinho com Kai, longe do barulho e das luzes do pub, superou sua vontade de beber mais.
— Tudo bem. Mas você vai ter que me carregar até o carro se minhas pernas decidirem parar de funcionar no caminho.
— Como se eu já não fizesse isso quase todo final de semana — brincou Kai, levantando-se e ajudando Eiden a se equilibrar.
A despedida dos amigos foi barulhenta, com promessas de novos encontros. O ar fresco da noite de Londres foi um choque bem-vindo quando saíram do pub. Eiden cambaleou levemente, e Kai prontamente passou o braço pela cintura dele, sustentando seu peso com facilidade.
— Você está bem? — perguntou Kai, enquanto caminhavam em direção ao estacionamento.
— Estou maravilhoso — respondeu Eiden, encostando a cabeça no ombro de Kai. — Só um pouco... flutuante. Londres é bonita à noite, sabia? Mas você é mais bonito.
Kai sorriu, sentindo aquela onda de calor no peito que só Eiden conseguia provocar.
— Você está bêbado e sendo fofo. É uma combinação perigosa.
— Eu não sou fofo, eu sou um programador sério e respeitado — protestou Eiden, embora estivesse se aninhando ainda mais no abraço de Kai.
Chegaram ao carro, um SUV confortável que acomodava bem os pets e as idas e vindas do casal. Kai acomodou Eiden no banco do passageiro, prendendo o cinto de segurança para ele. Eiden observava cada movimento de Kai com uma intensidade sonolenta.
— Kai? — chamou Eiden, quando o namorado se sentou no banco do motorista.
— Sim?
— Obrigado por ser o motorista hoje. E por ser... você.
Kai inclinou-se para o lado e deu um beijo terno nos lábios de Eiden, sentindo o gosto de gin e tônica.
— Eu sempre vou ser o seu motorista, Eiden. Em todos os sentidos.
A viagem de volta foi tranquila, com uma playlist de jazz suave tocando baixo. Eiden acabou cochilando metade do caminho, acordando apenas quando o carro parou na garagem do prédio.
Ao entrarem no apartamento, foram recebidos por uma Charlie eufórica e um Dorian Gray que desceu da estante apenas para roçar nas pernas de Kai, exigindo atenção.
— Shhh, Charlie, o papai Eiden precisa de silêncio — disse Kai, rindo enquanto a cachorra tentava lamber o rosto de Eiden.
Eiden se jogou no sofá, soltando um suspiro longo.
— Eu nunca mais vou beber. Pelo menos não até o próximo sábado.
Kai ajoelhou-se à frente dele e começou a desamarrar os sapatos de Eiden.
— Você diz isso todas as vezes. Agora, vamos para o banho. Você precisa tirar esse cheiro de pub e descansar.
— Só se você vier comigo — disse Eiden, estendendo as mãos como uma criança pedindo colo.
Kai o pegou nos braços, impressionado como, apesar de Eiden ser um homem adulto, ele parecia tão leve e vulnerável naquele momento. No quarto, o banho foi lento. A água morna ajudou a dissipar um pouco da névoa do álcool na mente de Eiden, mas a proximidade de Kai sob o chuveiro despertou outro tipo de embriaguez.
Eiden pressionou Kai contra os azulejos úmidos, suas mãos traçando os músculos das costas do veterinário.
— Você sabe que, embora eu tenha perdido no pedra, papel e tesoura... — sussurrou Eiden, subindo as mãos para o pescoço de Kai — ... aqui dentro, eu ainda mando em você.
Kai soltou uma risada baixa, segurando Eiden pela cintura e puxando-o para mais perto, sentindo a pele quente contra a sua.
— Eu nunca disse o contrário, mon petit. Eu sou todo seu.
A noite terminou entre lençóis bagunçados e sussurros em francês e inglês. Eiden, exausto mas satisfeito, adormeceu com a cabeça no peito de Kai, ouvindo o batimento cardíaco rítmico do homem que era seu porto seguro.
No pé da cama, Charlie estava enrolada em sua própria almofada, e Dorian Gray, tendo finalmente decidido que os humanos estavam seguros, acomodou-se discretamente sobre os pés de Eiden.
Lá fora, Londres continuava seu ritmo frenético, mas dentro daquele apartamento, o mundo estava em perfeita harmonia. O programador ciumento e o veterinário gentil tinham encontrado seu próprio equilíbrio, um jogo de pedra, papel e tesoura de cada vez.
