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Fandom: record of ragnarok

Criado: 18/06/2026

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RomanceFatias de VidaDor/ConfortoFofuraHumorCrack / Humor ParódicoHistória DomésticaCenário Canônico
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O Rei, o Imperador e o Incidente de Oito Patas

A sala de projeção no Valhalla estava incomumente lotada. Deuses e humanos, que outrora tentaram se aniquilar na arena do Ragnarok, agora compartilhavam um espaço de trégua forçada pela curiosidade. No centro de tudo, uma tela mágica gigante, cortesia da tecnologia de Tesla e da magia de Odin, prometia exibir "memórias aleatórias do pós-guerra".

Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, estava sentado em um trono improvisado que ele mesmo reivindicara, com as pernas cruzadas e um sorriso confiante, apesar da venda sobre os olhos. Ao seu lado, Hades, o Rei do Submundo, mantinha sua postura nobre, uma mão repousando suavemente sobre o ombro de seu marido.

— Hao! — exclamou Qin, ajustando suas garras de dedo. — Certamente veremos algum dos meus feitos gloriosos como o maior rei que já existiu.

— Espero que seja algo digno, Imperador — comentou Hades com um tom de voz calmo e melódico, embora houvesse um brilho divertido em seus olhos.

A tela brilhou, e a imagem começou a se formar.

A gravação datava de alguns anos após o fim do Ragnarok, quando os deuses decidiram que a humanidade merecia continuar existindo. O cenário era o suntuoso palácio de Qin no Reino Celestial. O Imperador estava diante de um espelho de bronze, vestindo suas túnicas mais finas. Ele se preparava para um encontro especial com Hades.

— Olhem só, a elegância do Rei! — vangloriou-se Qin para a plateia, enquanto na tela o seu "eu" do passado ajeitava o cabelo com extrema precisão.

Na tela, Qin sorria para o próprio reflexo.

— Hoje o Rei do Submundo ficará ainda mais deslumbrado — disse o Qin da tela, praticando uma pose majestosa.

Foi então que aconteceu. Do teto entalhado em jade, algo se desprendeu. Não era um enfeite, nem um grão de poeira. Era uma aranha. Mas não uma aranha comum; era um espécime de Helheim que, de alguma forma, encontrara o caminho até os aposentos reais. Tinha o tamanho de uma mão aberta, peluda e com pernas que pareciam garras.

Ela caiu exatamente no topo da cabeça de Qin Shi Huang.

O silêncio na sala de projeção foi absoluto por dois segundos, antes de ser quebrado pelo grito que ecoou na tela.

— MAS O QUE É ISSO?! — O Qin da tela deu um pulo que o fez perder toda a postura imperial.

— Pelos deuses... — murmurou Zeus, inclinando-se para frente, enquanto Ares cobria os olhos, já prevendo o desastre.

Na tela, Qin começou a sacudir a cabeça freneticamente. Seus dedos, protegidos pelas garras de metal, tentavam tatear o topo da cabeça, mas o medo de tocar na criatura o fazia recuar antes mesmo de encostar.

— Sai! Sai da coroa do Rei! — gritava ele, a voz subindo três oitavas. — Eu ordeno que você se retire! Este é o meu território!

A aranha, porém, parecia ter gostado da textura do cabelo real e se agarrou com mais força. Qin começou a girar em círculos, as túnicas esvoaçando de forma desengonçada. Suas mãos tremiam violentamente. Devido à sua sinestesia, ele podia sentir a pressão das oito patas minúsculas em sua cabeça como se fossem o peso de um exército, e o nojo se transformava em uma dor fantasmagórica que percorria sua espinha.

— Buuuwaaaaa! — O Imperador da China, o homem que derrotou o deus Chi You, começou a soluçar. Lágrimas reais escorriam por baixo de sua venda enquanto ele tropeçava nos próprios pés. — Alguém! Hades! HADES!

Na sala de projeção, o Qin atual estava estático, o sorriso congelado em uma careta de puro horror.

— Desliguem isso... — sussurrou Qin. — Isso é uma falsificação dos deuses! Eu nunca faria tal som!

— Ah, eu me lembro desse dia — comentou Hades, tentando, sem sucesso, esconder o sorriso atrás da mão.

Na tela, Qin saiu correndo do quarto, tropeçando nos tapetes, soluçando alto. Ele atravessou os corredores do palácio como um furacão de desespero até chegar aos jardins onde Hades o esperava para o encontro.

O Hades da tela estava sentado em um banco de mármore, lendo um livro, quando um vulto colorido e choroso se atirou em seus pés.

— TIRE! TIRE ISSO DE MIM! — berrou Qin, agarrando-se às pernas de Hades e escondendo o rosto nos joelhos do deus. — ELA ESTÁ ME COMENDO VIVO! ELA VAI ROUBAR MEU TRONO!

Hades, na tela, piscou confuso, olhando para o topo da cabeça do marido. Quando viu a aranha, ele soltou um suspiro curto, metade alívio, metade diversão.

— Qin, é apenas uma aranha de jardim de Helheim... — disse o Hades da tela, estendendo a mão com calma.

— NÃO É APENAS UMA ARANHA! É UM DEMÔNIO DE OITO OLHOS! — Qin soluçava, o corpo tremendo tanto que suas garras de dedo tilintavam umas contra as outras. — TIRA, POR FAVOR! EU TE DOU A CHINA INTEIRA!

Com um movimento rápido e gracioso, Hades pegou o aracnídeo pelo abdômen e o removeu. A aranha tentou lutar, mas o Rei do Submundo apenas a colocou no chão, onde ela saiu correndo para os arbustos.

— Pronto, meu querido. Ela se foi — disse Hades, tentando levantar Qin.

O Qin da tela se levantou, pálido como um fantasma. Ele olhou para o lugar onde a aranha estivera, depois para suas próprias mãos, e então...

— *Blargh!*

O Imperador da China vomitou em um vaso de flores próximo.

A sala de projeção explodiu em gargalhadas.

— O GRANDE IMPERADOR! — gritou Loki, rolando no chão de tanto rir. — DERROTADO POR UMA ARANHA!

— Isso foi... inesperado — comentou Brunhilde, massageando as têmporas, enquanto Geir parecia dividida entre a pena e o riso.

— Ei, o nojo é uma reação humana legítima! — protestou Jack, o Estripador, embora estivesse limpando uma lágrima de riso do olho.

Na tela, a cena mudou. Qin agora estava em seu banho privativo. Ele estava esfregando o cabelo com tanta força que parecia que ia arrancar o couro cabeludo. Hades estava sentado em um banco próximo, observando com paciência infinita.

— Qin, você já lavou o cabelo seis vezes — disse Hades.

— Não é o suficiente! — respondeu Qin, jogando mais um balde de água perfumada sobre a cabeça. — Eu ainda sinto as patinhas dela... elas estão gravadas na minha alma! O encontro está cancelado! O Rei não pode sair em público sentindo-se... contaminado!

Ele saiu da banheira, enrolado em dez toalhas diferentes, e se jogou na cama, cobrindo-se até o nariz.

— E se tiver outra no teto? — perguntou ele, os olhos arregalados de pavor, olhando para cima como se esperasse uma invasão. — Hades, você não pode sair. Se você sair, elas vão voltar para se vingar.

O Hades da tela sorriu, um sorriso cheio de uma ternura que raramente mostrava a outros. Ele se deitou ao lado de Qin, por cima das cobertas, e começou a acariciar o cabelo úmido do Imperador.

— Eu ficarei aqui. Nenhum inseto, seja de Helheim ou da Terra, ousará tocar no meu Imperador enquanto eu estiver por perto.

Qin se aconchegou no peito de Hades, ainda soluçando baixo.

— Você promete?

— Eu juro pelo meu nome, Qin.

A imagem na tela começou a desaparecer, voltando ao brilho estático.

Na sala, o silêncio retornou por um momento, antes de ser substituído por assobios e comentários provocativos.

— Quem diria que o Rei do Submundo era uma babá de luxo? — zombou Poseidon, embora o canto de sua boca estivesse levemente arqueado, o que era o equivalente a uma gargalhada para ele.

— Cala a boca, Poseidon! — gritou Qin, levantando-se de seu trono, o rosto agora vermelho de vergonha. — Aquela aranha era claramente um enviado de algum deus invejoso! Ela tinha intenções assassinas!

Hades soltou uma risada baixa e profunda, puxando Qin de volta para o assento.

— Não precisa se explicar, meu querido. Todos nós temos nossas... fraquezas.

— Eu não tenho fraquezas! — insistiu Qin, cruzando os braços e fazendo um bico emburrado que desmentia toda a sua aura de superioridade. — Eu apenas... prezo pela higiene extrema da minha coroa.

— Claro — disse Hades, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Qin, alto o suficiente para que os mais próximos ouvissem. — Mas lembre-se que, na semana passada, você quase derrubou o palácio porque viu uma joaninha no seu manto.

— HADES! — Qin gritou, cobrindo o rosto com as mãos.

— Hao... — murmurou Buda, mastigando uma bala e rindo. — O Imperador é realmente uma figura fascinante.

— Pelo menos ele é um homem de família — comentou Adamas, dando de ombros. — Meu irmão sempre teve queda por casos difíceis.

Qin Shi Huang tentou recuperar sua compostura. Ele se levantou, ajeitou sua túnica e apontou para a tela com uma de suas garras.

— Que isso fique registrado! O Rei do Submundo serve apenas a um homem, e esse homem sou eu! Mesmo que ele tenha que lutar contra monstros de oito patas para garantir o meu sono!

Hades apenas balançou a cabeça, levantando-se e oferecendo o braço para o marido.

— Vamos, Qin. Antes que mostrem o vídeo de quando você ficou preso no armário porque achou que tinha visto um fantasma.

— Aquilo foi um erro estratégico de localização! — protestou Qin, mas aceitou o braço de Hades, caminhando para fora da sala com a cabeça erguida, tentando ignorar os risos que ainda ecoavam pelo salão.

No fim das contas, ele ainda era o Imperador. E se o preço da sua dignidade era ter o Rei do Submundo como seu guardião pessoal contra insetos, era um preço que ele estava mais do que disposto a pagar. Onde Qin Shi Huang sentava, ali era o seu trono — mesmo que, às vezes, ele precisasse verificar embaixo da almofada antes de se sentar.
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