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Fandom: record of ragnarok

Criado: 18/06/2026

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O Trono Quebrado e a Alvorada de Helheim

A arena do Valhalla, geralmente um local de tensão absoluta e duelos mortais, havia sido transformada em uma sala de projeção improvisada por forças que nem mesmo Zeus conseguia explicar. Deuses e humanos, outrora prontos para se estraçalharem, estavam sentados em poltronas desconfortáveis, encarando uma tela monumental que flutuava no centro do anfiteatro.

A tensão era palpável. Brunhilde roía as unhas, enquanto Zeus acariciava a barba com um sorriso malicioso. No entanto, ninguém estava mais desconfortável do que o Imperador da China, Qin Shi Huang, e o Rei do Submundo, Hades. Ambos estavam sentados em lados opostos, mas seus olhares se cruzavam com uma mistura de pavor e antecipação.

— Se isso for o que eu estou pensando... — murmurou Hades, sua voz profunda carregando uma nota rara de nervosismo.

— Hah! Onde o Rei se senta, é o seu trono! — exclamou Qin, embora a venda em seus olhos não conseguisse esconder o rubor que subia por seu pescoço. — Mas talvez... algumas audiências reais devessem permanecer privadas.

A tela brilhou, ganhando vida.

A imagem revelou os aposentos reais de Hades em Helheim. O quarto era a definição de luxo aristocrático, com colunas de obsidiana e lençóis de seda negra. No entanto, o cenário era de devastação. O sol pálido do submundo entrava pelas janelas, iluminando o que restava de uma cama de carvalho milenar. A estrutura de madeira maciça estava partida ao meio, o colchão afundado no chão, cercado por lençóis rasgados e travesseiros que pareciam ter explodido.

Na plateia, o silêncio foi absoluto. Poseidon estreitou os olhos, processando a imagem da destruição.

— Irmão... — começou Poseidon, sua voz fria como o oceano. — Você destruiu a mobília da família.

Hades cobriu o rosto com a mão, os dedos longos escondendo os olhos.

Na tela, Hades surgiu saindo do que restava dos lençóis. Ele estava apenas com uma calça de seda frouxa, o peito nu exibindo marcas de unhas que fariam um leão ter inveja. O Rei do Submundo, sempre tão elegante e composto, caminhava com uma dificuldade evidente. Ele levou a mão à pelve, soltando um gemido baixo de dor enquanto tentava se endireitar.

— Pelos deuses... — sussurrou Shiva, boquiaberto. — O soberano de Helheim está... mancando?

— Respeito, por favor — resmungou Hades na plateia, embora suas orelhas estivessem vermelhas.

No vídeo, Hades olhou para trás, para a figura imóvel entre os destroços da cama. Qin Shi Huang estava completamente apagado. O Imperador da China parecia um boneco de pano jogado sobre o colchão arruinado, o cabelo bagunçado espalhado como um leque negro, a respiração pesada e ruidosa.

Hades, na gravação, soltou um suspiro cansado, mas carregado de um afeto profundo. Ele se aproximou da cama — ou do que sobrou dela — e cutucou levemente o ombro de Qin.

— Qin... — chamou o Deus. — Acorde, meu Rei. Já passou do meio-dia.

Qin nem se mexeu. Ele apenas soltou um resmungo incompreensível e tentou morder o travesseiro.

— Ele parece um cadáver — comentou Jack, o Estripador, ajustando o monóculo com interesse acadêmico. — Um cadáver muito satisfeito, devo acrescentar.

— Isso é o que acontece quando se tenta governar o submundo em uma noite só — riu Zeus, batendo no joelho.

Na tela, Hades persistiu, sacudindo Qin com um pouco mais de força. O Imperador finalmente abriu um dos olhos, a pupila dilatada e confusa. Ele olhou para Hades, depois para o teto, e então para o nada.

— Onde... onde está o pássaro de jade? — perguntou Qin, a voz rouca e arrastada. — Ele me disse que o chá de mercúrio estava em promoção no mercado de Valhalla...

Hades piscou, confuso.

— Qin, do que você está falando?

O Imperador sentou-se bruscamente, ou tentou, antes de cair de volta com um gemido.

— Não podemos deixar que os guerreiros de terracota descubram que eu comi a última fatia de torta de maçã do Hermes — continuou Qin, falando coisas com coisas, os olhos vidrados. — Hades, você viu minha coroa? Acho que a usei para calçar a mesa... ou talvez ela tenha virado um pato.

A plateia explodiu em gargalhadas. Nikola Tesla começou a anotar freneticamente, murmurando sobre "efeitos colaterais neurológicos de exaustão extrema", enquanto Buda quase caiu da poltrona de tanto rir, engasgando-se com um pirulito.

— Eu não disse isso... — Qin Shi Huang escondeu o rosto nas mãos, desejando que o chão da arena o engolisse. — Eu sou um Imperador! Eu não falo sobre patos!

— Você falou — disse Hades ao lado dele, com um sorriso de canto que misturava diversão e adoração. — E pior, você tentou lutar contra um abajur logo depois, alegando que ele era um espião de Chi You.

Na tela, o Hades do vídeo soltou uma risada baixa, uma raridade absoluta. Ele se inclinou e pegou Qin no colo, no estilo noiva. O Imperador estava tão "fora de órbita" que apenas descansou a cabeça no peito do marido, murmurando algo sobre "nuvens de marshmallow sabor sangue".

— Vamos para o banho — disse Hades na gravação, ignorando a própria dor na pelve enquanto carregava o peso do humano. — Você está delirando.

A cena mudou para o banheiro real, onde o vapor subia de uma banheira de mármore. Hades, com uma paciência de santo, ajudava Qin a se lavar. O Imperador parecia estar voltando a si aos poucos, mas o cansaço ainda o vencia.

— Por que a cama quebrou? — perguntou Qin na tela, piscando enquanto a água morna escorria por seu rosto.

Hades parou de ensaboar os ombros do marido por um segundo, lançando-lhe um olhar carregado de significado.

— Porque você insistiu que "um Rei nunca recua", Qin. E eu, como um anfitrião digno, tive que corresponder à sua altura.

— Ah... — Qin corou furiosamente na tela, a memória dos eventos da noite anterior finalmente retornando em flashes. — Eu... eu fui um pouco excessivo?

Hades soltou um gemido involuntário ao tentar se levantar para pegar uma toalha.

— Você quase me mandou de volta para o Caos primordial, Qin. Meus irmãos vão notar que estou andando como se tivesse levado um golpe do martelo de Thor diretamente nos quadris.

— Que exagero — murmurou o Qin da tela, embora estivesse escondendo o sorriso atrás das mãos.

A cena final mostrou os dois de volta ao quarto. Como a cama estava inutilizável, Hades havia estendido alguns cobertores macios no chão de mármore. Ele entregou a Qin uma de suas próprias túnicas — uma peça de seda negra e dourada que ficava gigantesca no Imperador. As mangas cobriam suas mãos e a barra chegava quase aos seus joelhos, fazendo-o parecer menor e estranhamente vulnerável.

Qin, na tela, olhou para o próprio reflexo em um espelho de bronze e depois para Hades. O Imperador, que sempre exalava uma confiança inabalável, estava agora vermelho como uma cereja, tentando puxar a gola da blusa para esconder o rosto.

— Isso é... muito grande — disse Qin, a voz sumindo.

Hades aproximou-se, abraçando-o por trás e descansando o queixo em seu ombro.

— Fica bem em você. É a marca de que você pertence ao Rei do Submundo.

— Eu sou o Imperador — corrigiu Qin, mas sem nenhuma convicção, encostando-se no peito de Hades. — Mas... acho que posso abrir uma exceção para o seu guarda-roupa.

A tela escureceu, deixando a arena em um silêncio momentâneo antes que o caos recomeçasse.

— HADES! — gritou Zeus, rindo tanto que lágrimas escorriam de seus olhos. — Você quebrou a cama! Eu te ensinei bem, meu irmão!

— Cale-se, Zeus — rosnou Hades, embora não conseguisse apagar o sorriso nostálgico.

Sasaki Kojiro deu um tapinha nas costas de Qin, que ainda estava em posição fetal de tanta vergonha.

— Belo desempenho, Imperador. Acho que você venceu esse round.

— Eu... eu vou mandar executar quem gravou isso — murmurou Qin, embora soubesse que não faria nada.

Hades estendeu a mão e a colocou sobre a de Qin. O Imperador olhou para cima, encontrando o olhar calmo e digno do Deus.

— Foi uma noite memorável — disse Hades em voz baixa, apenas para que Qin ouvisse. — E para o registro, eu compraria mil camas novas apenas para ouvir você falar sobre patos de novo.

Qin Shi Huang sorriu, recuperando um pouco de sua arrogância habitual. Ele ajeitou a venda e ergueu o queixo.

— Bem, se o Rei do Submundo insiste tanto... — Ele se inclinou para perto de Hades. — Mas da próxima vez, tente não mancar tanto na frente do seu irmão. É ruim para a nossa imagem real.

Hades riu, uma risada rica e sincera que ecoou pela arena, provando que, mesmo entre deuses e humanos em guerra, havia algo que nem o Ragnarok poderia destruir.

— Tentarei, meu Imperador. Tentarei.
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