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Fandom: record of ragnarok

Criado: 18/06/2026

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O Trono Dividido e a Coroa Recomposta

A atmosfera no Valhala era, no mínimo, peculiar. Durante seis anos, o que antes era o casal mais improvável e magnético de todos os reinos — o Imperador do Início, Qin Shi Huang, e o Rei do Submundo, Hades — transformou-se em um enigma que nem mesmo a sabedoria de Odin ou a curiosidade de Zeus conseguia decifrar completamente.

Eles ainda estavam lá. Ainda eram os pais dedicados para seus filhos, mantendo a fachada de uma unidade familiar inabalável quando as crianças estavam por perto. Mas, assim que as portas dos aposentos reais se fechavam e os pequenos adormeciam, o silêncio se tornava um abismo. Hades dormia em um quarto de hóspedes, enquanto Qin permanecia no vasto quarto de casal, cercado por sedas e pela solidão que ele insistia em mascarar com sua arrogância habitual.

Nos corredores do palácio, os outros combatentes do Ragnarok observavam a distância.

— Eles estão agindo como se fossem estranhos que compartilham uma hipoteca — comentou Jack, o Estripador, ajustando seu monóculo enquanto observava Hades passar por Qin no jardim sem dizer uma única palavra.

— É estranho — concordou Raiden Tameemon, cruzando os braços musculosos. — Eles costumavam ser grudados. Onde um estava, o outro era a sombra. Ou a luz, no caso do Qin.

— O tempo desgasta até as montanhas — murmurou Buda, mastigando um doce. — Mas o que eles têm não é desgaste. É teimosia real. Dois reis que se recusam a dar o primeiro passo após uma discussão que ninguém mais lembra como começou.

A verdade era que eles haviam decidido "dar um tempo". A intensidade de suas personalidades — a necessidade de Hades de proteger e a de Qin de dominar — havia colidido de forma silenciosa, mas profunda. Eles perceberam que não faziam mais nada separados e, temendo perderem suas próprias identidades, criaram um muro de gelo.

Naquela tarde de outono no Valhala, a arena de treinamento estava cheia. Quase todos os deuses e humanos estavam presentes, seja treinando ou apenas observando. Qin, com sua venda característica e trajes imperiais extravagantes, caminhava com a elegância de quem é dono do solo que pisa. Hades estava a alguns metros de distância, discutindo estratégias com Beelzebub e Poseidon, mantendo sua postura nobre e calma, embora seus olhos, ocasionalmente, traíssem sua vigilância constante sobre o imperador chinês.

Tudo mudou em um milésimo de segundo.

Qin, em um gesto de pura exibicionismo para irritar um comentário sarcástico de Leônidas, tentou saltar sobre uma das muretas de pedra da arena. No entanto, o destino — ou talvez o cansaço acumulado de seis anos de tensão emocional — pregou-lhe uma peça. Ele aterrissou mal. Um estalo seco ecoou, seguido por um gemido abafado que Qin rapidamente transformou em um sorriso forçado.

— Hao... — murmurou ele, mas sua voz fraquejou. A dor em seu tornozelo era aguda, e sua sinestesia toque-espelho, embora controlada, trouxe à tona a sensação de desequilíbrio que ele tanto odiava.

Ele tentou dar um passo, mas sua perna cedeu. Antes que Brunhilde ou qualquer um dos generais humanos pudesse se aproximar, uma sombra alta e imponente cobriu o imperador.

Hades não perguntou se ele estava bem. Ele não pediu permissão. Ele não hesitou.

— O que pensa que está fazendo, Rei do Submundo? — Qin tentou manter a arrogância, mas seus dedos cravaram-se no tecido da própria túnica.

Hades, com o rosto impassível e os olhos brilhando com uma determinação fria, inclinou-se. Em um movimento fluido e poderoso, ele passou o braço por baixo dos joelhos de Qin e o outro pelas costas, levantando-o com uma facilidade insultante. Antes que Qin pudesse protestar, Hades o ajeitou, colocando-o firmemente sobre o ombro, como se carregasse um espólio de guerra ou um tesouro precioso.

— Silêncio, Ying Zheng — disse Hades, sua voz vibrando contra as costas de Qin. — Você já causou cena o suficiente por hoje.

— Me coloque no chão! — Qin protestou, embora suas bochechas estivessem ficando vermelhas. — Um rei não é carregado como um saco de arroz! Eu sou o Imperador do Início!

Hades começou a caminhar em direção aos aposentos privados, ignorando os olhares boquiabertos de Zeus, Thor, Sasaki Kojiro e até do sempre estóico Odin.

— Onde eu me sento é o meu trono, não é o que você sempre diz? — Hades rebateu, sem diminuir o passo. — Pois bem, considere meu ombro o seu trono temporário.

Os espectadores ficaram em silêncio absoluto enquanto o Rei do Submundo atravessava os portões, levando consigo o homem que, tecnicamente, ainda era seu marido, mas que agia como um estranho há meia década.

— Acho que o "tempo" acabou — comentou Nikola Tesla, anotando algo em seu caderno com um sorriso satisfeito.

Dentro dos aposentos reais, o clima mudou instantaneamente. Hades chutou a porta do quarto principal — o quarto de Qin — e o trancou com o pé. Ele caminhou até a cama de dossel e depositou Qin sobre os lençóis de seda com uma delicadeza que contrastava com sua força bruta de momentos antes.

— Eu podia ter caminhado — mentiu Qin, tentando se sentar, mas Hades colocou a mão em seu peito, mantendo-o deitado.

— Chega de mentiras — disse Hades, sua voz agora baixa, carregada de uma gravidade que fez o coração de Qin acelerar. — Seis anos, Zheng. Seis anos fingindo que este quarto não é meu, que este homem não é meu.

— Você concordou com o tempo! — Qin rebateu, retirando a venda e revelando os olhos que viam o fluxo de energia, mas que agora só viam a intensidade de Hades. — Você disse que precisávamos de espaço.

— Eu fui um tolo em aceitar — Hades admitiu, aproximando-se tanto que suas respirações se misturavam. — Eu achei que o espaço nos daria clareza, mas só me deu fome. E hoje, quando vi você cair... percebi que não suporto mais a distância de um corredor.

Qin sentiu a dor no pé diminuir diante da adrenalina que subia por seu corpo. Ele estendeu a mão, tocando o rosto de Hades, traçando a cicatriz e a pele nobre do deus. A armadura emocional que ele construiu desde a infância, o sorriso que escondia traumas, tudo começou a desmoronar sob o olhar possessivo e benevolente de Hades.

— Eu senti sua falta — confessou Qin, o sussurro sendo quase um pecado para sua natureza orgulhosa. — Todas as noites em que as crianças não vinham dormir conosco... este quarto parecia um mausoléu.

— Então vamos trazê-lo de volta à vida — murmurou Hades.

O beijo que se seguiu não foi gentil. Foi uma colisão de seis anos de desejo reprimido, de frustração, de amor e de uma necessidade avassaladora de pertencimento. Hades dominava com a sofisticação de um rei, mas com a impetuosidade de um homem que recuperava o que era seu por direito. Qin, fiel à sua natureza, respondia com a mesma intensidade, suas mãos puxando o cabelo de Hades, trazendo-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro da divindade que ele chamava de sua.

As roupas foram descartadas com urgência, espalhadas pelo chão de mármore como relíquias de uma guerra vencida. Naquela cama, não havia mais o Imperador da China ou o Rei de Helheim; havia apenas dois seres que se conheciam em um nível que transcendia a carne.

— Você é meu — rosnou Hades contra o pescoço de Qin, marcando a pele clara com a possessividade de um deus que não aceitaria mais a separação.

— E você... é o único homem que tem permissão para se sentar ao meu lado — ofegou Qin, arqueando as costas enquanto sentia o peso e o calor de Hades sobre ele.

A noite avançou e o tempo, que antes parecia um inimigo cruel, parou para eles. Eles se amaram com uma ferocidade que abalaria as fundações do Valhala. Cada toque de Hades era uma promessa de que ele nunca mais voltaria para o quarto de hóspedes. Cada resposta de Qin era a confirmação de que o trono dele estava completo apenas quando Hades estava presente.

Horas depois, enquanto a lua de Helheim brilhava através das janelas altas, eles estavam entrelaçados. O suor esfriava em seus corpos, e a respiração de ambos finalmente estava sincronizada.

— O seu pé — lembrou-se Hades, sua voz rouca de satisfação, enquanto acariciava o tornozelo de Qin com uma energia curativa suave.

— Que pé? — brincou Qin, recostando a cabeça no peito largo de Hades. — Eu nem lembro que tenho pernas agora.

Hades soltou uma risada baixa, um som raro que apenas Qin tinha o privilégio de ouvir com frequência.

— Amanhã, todos vão perguntar — disse o deus, beijando o topo da cabeça do imperador.

— Deixe que perguntem — respondeu Qin, fechando os olhos, sentindo-se finalmente em casa. — Deixe que vejam que o Imperador e o Rei não estão mais "dando um tempo". O Ragnarok pode esperar. Minha família está inteira de novo.

Hades o apertou mais forte, o pilar de equilíbrio finalmente encontrando seu centro. Ele sabia que, na manhã seguinte, Zeus faria piadas infames e Poseidon olharia com desdém, mas nada disso importava. O Rei do Submundo tinha seu imperador de volta, e desta vez, nem mesmo o destino ousaria separá-los.

— Durma, meu rei — sussurrou Hades.

— Só se você prometer que estará aqui quando eu acordar — pediu Qin, a vulnerabilidade aparecendo apenas nos momentos de maior segurança.

— Eu nunca mais vou embora.

E sob o teto de seda e o olhar das estrelas, os dois reis finalmente encontraram a paz que seis anos de silêncio não puderam proporcionar. A coroa estava, enfim, recomposta.
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