
Dolores?
Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound
Criado: 18/06/2026
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O Sangue e a Luz: Uma Revelação de Ferro
O campo de treinamento da Academia Colosseo estava mergulhado no som rítmico de espadas de madeira cortando o ar e o impacto de botas pesadas contra o solo batido. Era uma manhã cinzenta, o tipo de clima que Vikir van Baskerville apreciava por sua neutralidade. No entanto, seus olhos vermelhos, sempre alertas e analíticos, não estavam focados em seu próprio desempenho, mas sim em uma figura específica a poucos metros de distância.
Dolores L. Quovadis, a Santa da denominação Quovadis, parecia... fora de eixo. Seus movimentos, geralmente graciosos e imbuídos de uma aura divina serena, estavam pesados. A palidez de seu rosto não era o brilho sagrado habitual, mas sim uma névoa doentia que parecia drenar suas energias.
Vikir franziu o cenho. Ele conhecia o corpo humano melhor do que qualquer um ali; anos de caça e sobrevivência nas profundezas de Baskerville e além o ensinaram a ler os sinais de exaustão. Quando ele deu o primeiro passo em direção a ela, pretendendo sugerir que descansasse, o mundo pareceu parar.
Os joelhos de Dolores cederam. Antes que a cabeça dela pudesse atingir o chão duro, Vikir já estava lá. Seus reflexos sobre-humanos permitiram que ele a amparasse nos braços com uma precisão cirúrgica.
— Santa Dolores! — O grito de um aluno rompeu o silêncio do treinamento.
— Alguém chame os curandeiros! — outro berrou, entrando em pânico.
O caos se instalou instantaneamente. Professores correram, alunos se aglomeraram e o nome de Dolores era clamado em tons de desespero. Vikir, mantendo sua expressão fria e imperturbável, apenas a ergueu com facilidade e caminhou em direção à enfermaria, ignorando as perguntas frenéticas que choviam sobre ele.
Minutos depois, na ala médica, o ar estava denso. O corpo docente e os representantes dos conselhos estudantis aguardavam do lado de fora da cortina. Quando o médico-chefe saiu, sua expressão era uma mistura de assombro, medo e absoluta descrença.
— O que ela tem? — perguntou um professor de alto escalão. — Foi um ataque de mana? Exaustão mágica?
O médico limpou o suor da testa com um lenço trêmulo.
— A Santa... ela está bem. Mas a razão do desmaio... — Ele hesitou, olhando para a multidão como se esperasse ser executado. — Ela está grávida.
O silêncio que se seguiu foi tão absoluto que se podia ouvir o bater das asas de uma mosca. Então, o vulcão explodiu.
— O QUÊ?! — Os gritos ecoaram pelos corredores.
— Impossível! A Santa? Grávida? Quem é o canalha?! — Um aluno veterano desembainhou a espada, procurando um inimigo invisível.
— Isso é um sacrilégio! Quem ousou tocar na luz da nossa academia? — as vozes se sobrepunham em um coro de indignação e choque.
Vikir permanecia encostado na parede ao fundo, os braços cruzados sobre o peito, a sombra da franja cobrindo seus olhos vermelhos. Ele soltou um suspiro longo e quase imperceptível. Ele sabia que esse dia chegaria, mas o timing sempre era um problema.
Dentro da sala, Dolores finalmente acordou. Seus olhos se abriram lentamente, encontrando o teto branco da enfermaria. Assim que ela se sentou, foi bombardeada por perguntas de professores e representantes da igreja que já haviam chegado.
— Santa Dolores, por favor, diga-nos que é um erro! — implorou uma freira. — Quem é o pai dessa criança? Quem a forçou?
Dolores, com o rosto subitamente corado de uma cor carmesim que rivalizava com os olhos de Vikir, baixou a cabeça e apertou os lençóis.
— Ninguém me forçou — disse ela, sua voz firme apesar da timidez. — Eu... eu estou noiva há algum tempo. É um compromisso privado.
— Noiva?! — O choque dobrou. — Com quem? De que família?
— Eu acho... — Dolores respirou fundo, tentando manter a compostura — que seria melhor chamar a família dele. Eles já deveriam estar a caminho, considerando os acordos que fizemos.
Vikir, do lado de fora, ouviu tudo. Ele sabia que o segredo entre ele, Dolores e Camus — que haviam entrado em um acordo mútuo de noivado triplo devido aos sentimentos que compartilhavam — não poderia mais ser contido sob as sombras.
Não demorou muito para que o som de galopes pesados e uma pressão esmagadora fossem sentidos nos portões da academia. A notícia de que a "família do noivo" estava chegando espalhou-se como fogo. Professores e alunos se alinharam, esperando ver algum príncipe estrangeiro ou um herdeiro de uma linhagem mágica esquecida.
O que eles receberam foi algo muito mais aterrorizante.
O estandarte do Cão de Caça. A família Baskerville.
À frente do destacamento, não estava Hugo, o patriarca, mas sim a figura imponente de Osíris van Baskerville. Sua aura era como uma lâmina gelada que cortava a garganta de qualquer um que ousasse respirar muito alto. Ele entrou na enfermaria com o passo pesado de um carrasco.
— Onde ele está? — a voz de Osíris era um trovão contido. — Onde está o responsável por isso? Onde está o meu irmão?
A pressão assassina que ele emanava fez com que vários alunos caíssem de joelhos. Os professores recuaram, suando frio.
— Onde está Vikir?! — Osíris rugiu, sua aura de mestre de espada começando a rachar o chão de mármore. — Se alguém tocou nele ou se ele está metido em algo que o machucou, eu vou reduzir este lugar a cinzas!
Vikir, vendo que a situação estava fugindo do controle e que seu irmão estava prestes a iniciar um massacre por pura superproteção e mal-entendido, desencostou-se da parede. Ele caminhou calmamente através da multidão que se abria como o Mar Vermelho diante dele.
— Osíris — disse Vikir, sua voz fria e monótona cortando a tensão como um bisturi.
Osíris virou-se bruscamente, a mão no punho da espada, os olhos injetados.
— Vikir! O que aconteceu? Por que recebi uma mensagem codificada dizendo que a Santa estava grávida e que os Baskerville deveriam comparecer? Alguém tentou culpar você? Eu vou matar cada um deles!
— Cala a boca por pelo menos um minuto — ordenou Vikir, encarando o irmão mais velho sem um pingo de hesitação.
O silêncio que se seguiu foi ainda mais chocado. Ninguém falava assim com o herdeiro dos Baskerville. Ninguém.
— Eu sou o pai — disse Vikir, simples e direto.
O que aconteceu a seguir foi uma transformação que ninguém na Academia Colosseo jamais esqueceria. A aura assassina de Osíris, que antes ameaçava desabar o prédio, desapareceu em um microssegundo. Seus olhos se arregalaram, sua mandíbula caiu e ele cambaleou para trás como se tivesse sido atingido por um martelo de guerra.
— Você... o quê? — Osíris gaguejou, a imagem do guerreiro implacável derretendo.
— Eu e Dolores estamos noivos. Camus também faz parte do acordo — explicou Vikir, mantendo a expressão neutra. — Ela está grávida. Eu sou o pai.
Osíris ficou paralisado por três segundos. Então, de repente, uma nova aura explodiu dele — não de ódio, mas de uma alegria maníaca e avassaladora.
— EU VOU SER TIO! — Osíris gritou, sua voz alcançando os céus.
Ele avançou e envolveu Vikir em um abraço de urso que provavelmente teria quebrado as costelas de um homem comum.
— Seu pequeno canalha prodígio! — Osíris exclamava entre gargalhadas e xingamentos de pura emoção. — Porra, Vikir! Um herdeiro! Um herdeiro de sangue Baskerville e Quovadis! O velho vai ter um ataque cardíaco de alegria! Que se dane a etiqueta! Meu irmão é o homem mais eficiente do império!
— Osíris... solte... — Vikir tentava se desvencilhar, embora soubesse que era inútil quando o irmão ficava assim.
— Silêncio! — Osíris largou o irmão e começou a andar de um lado para o outro, gesticulando freneticamente para seus guardas. — Vocês ouviram? Preparem a carruagem de ouro! Chamem os melhores cozinheiros! Eu quero uma escolta de mil homens para a minha cunhada! Se um único grão de poeira tocar a Santa, eu decapito o responsável!
Os alunos e professores assistiam à cena em um estado de transe. O frio e temido Osíris van Baskerville estava chorando de emoção enquanto xingava todos os palavrões possíveis para expressar seu orgulho.
Dolores, dentro da enfermaria, ouviu a gritaria e cobriu o rosto com as mãos, metade envergonhada, metade aliviada. Camus, que acabara de chegar após ouvir a notícia, parou ao lado de Vikir e cruzou os braços, um sorriso de canto nos lábios.
— Parece que o segredo acabou, "marido" — provocou Camus, embora seus olhos brilhassem com uma ponta de ciúme saudável e muita satisfação.
Vikir apenas suspirou novamente, olhando para o teto.
— Sim. E parece que minha vida tranquila na academia acaba de virar um campo de batalha político e familiar.
— Ah, não se preocupe — disse Camus, encostando a cabeça no ombro dele enquanto Osíris continuava a berrar ordens para o exército Baskerville do lado de fora. — Com o seu irmão agindo como um doido e eu aqui, ninguém vai ousar incomodar você ou a Dolores.
Vikir olhou para a porta da enfermaria, onde Dolores o observava com um olhar doce e cansado. Ele acenou levemente para ela. No fim das contas, ele era um caçador. E, embora essa fosse uma "caçada" de um tipo muito diferente, ele protegeria aquela nova vida com a mesma ferocidade com que enfrentara os demônios do abismo.
— Eu vou ser tio! — a voz de Osíris ecoou novamente, fazendo os pássaros voarem das árvores da academia. — Alguém traga vinho! Não, tragam leite para a Santa! O melhor leite do império! Agora!
Vikir fechou os olhos por um momento. Sim, a paz definitivamente havia acabado. Mas, pela primeira vez em duas vidas, ele sentiu que o caos valia a pena.
