
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Amantes do caos
Fandom: Blue Lock
Criado: 18/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraCiúmesCenário CanônicoDor/ConfortoEstudo de Personagem
Reflexos de Neon e Ciúme Silencioso
A música eletrônica pulsava nas paredes do camarote privativo, uma batida grave que parecia sincronizar com as luzes de neon azul e roxo que banhavam o ambiente. O ar estava saturado com o cheiro de coquetéis caros e a energia caótica de jovens atletas que, finalmente, estavam livres das amarras protocolares da Federação Japonesa de Futebol. O evento oficial havia sido um tédio excruciante de discursos ensaiados e apertos de mão falsos, mas ali, naquele pub fechado apenas para os escolhidos do Blue Lock, a realidade era outra.
No canto mais afastado da pista improvisada, sentados em um sofá de couro escuro que parecia engoli-los, estavam os observadores. Nagi Seishiro tinha a cabeça encostada no encosto, os olhos semicerrados acompanhando cada movimento na pista. Ao seu lado, Isagi Yoichi segurava um copo de refrigerante, observando a cena com um misto de diversão e cansaço, enquanto Karasu Tabito mantinha um sorriso sarcástico no rosto, girando o gelo em seu copo de uísque.
— Eles não cansam nunca, não é? — comentou Isagi, dando um gole em sua bebida.
Karasu soltou uma risada nasalada, ajustando a postura.
— O meu "corvo" ali parece que esqueceu que tem ossos — disse Karasu, apontando com o queixo para Otoya Eita.
No centro da pista, a cena era, no mínimo, peculiar. Bachira Meguru estava em seu estado mais puro de hiperatividade alcoólica. Ele parecia uma "barata tonta", como Karasu gostava de descrever, girando e saltando sem um ritmo definido, os cabelos escuros e amarelados balançando conforme ele ria de algo que só ele conseguia ouvir. Otoya, por sua vez, tentava manter o equilíbrio do amigo. Desde o tempo que passaram na Espanha com Lavinho durante a Liga Neo Egoísta, os dois haviam desenvolvido uma sintonia estranha, baseada em movimentos fluidos e uma total falta de vergonha alheia. Otoya dançava com Bachira, segurando-o pelos ombros toda vez que o atacante parecia prestes a colidir com uma mesa.
— O Bachira vai acabar quebrando um dente se o Otoya soltar ele — Isagi murmurou, preocupado, mas com um brilho de adoração nos olhos.
— Deixe que se matem — Nagi murmurou, sua voz arrastada e profunda. — Olhar para eles já me cansa.
No entanto, apesar do comentário desinteressado, os olhos de Nagi não estavam em Bachira ou Otoya. Eles estavam fixos em uma figura específica que dominava o outro lado da pista.
Reo Mikage era a antítese do caos de Bachira. Ele se movia com uma elegância natural, fruto de anos de educação de elite e uma autoconfiança que beirava o magnético. Reo não estava apenas "dançando"; ele parecia estar no comando da música. O suor brilhava levemente em sua testa, e a camisa social, agora com os primeiros botões abertos, revelava a linha do pescoço enquanto ele acompanhava o ritmo.
Ao lado dele, Chigiri Hyoma era o par perfeito. O "Velocista" se movia com a mesma fluidez que demonstrava no campo, os cabelos ruivos longos presos em um rabo de cavalo alto que chicoteava o ar a cada giro. Eles formavam uma dupla visualmente impecável — a herança e o refinamento de Reo contrastando com a beleza afiada e técnica de Chigiri.
Nagi sentiu um aperto familiar no peito. Não era uma dor, mas uma inquietação que ele raramente se dava ao trabalho de nomear. Ciúme. Era uma palavra pesada para alguém que preferia não sentir nada que exigisse esforço, mas ali, vendo Reo rir de algo que Chigiri disse ao pé de seu ouvido, Nagi sentiu o esforço de manter a compostura.
— Você está encarando de novo, Nagi — provocou Karasu, notando a fixação do prodígio. — Se olhar mais forte, vai acabar furando o Chigiri com os olhos.
— Não estou encarando — mentiu Nagi, sem desviar o olhar.
— Está sim — Isagi concordou, sorrindo gentilmente. — Mas você sabe que o Chigiri é só um bom amigo, Nagi. Ele foi quem segurou as pontas para o Reo quando... bem, quando as coisas estavam complicadas entre vocês.
Nagi ficou em silêncio. Ele sabia. Ele se lembrava perfeitamente do vazio que sentiu quando decidiu seguir Isagi, deixando Reo para trás para que ambos pudessem evoluir. Ele se lembrava da expressão de traição no rosto de Reo, uma imagem que ainda o assombrava em noites silenciosas. E ele também sabia, por meio de conversas atravessadas e observações silenciosas, que foi Chigiri quem não deixou Reo desmoronar completamente naqueles dias de isolamento e mágoa.
Chigiri tinha sido o suporte que Nagi se recusou a ser naquele momento. E, por mais que Nagi fosse grato por isso, ver a proximidade física dos dois agora, sob as luzes pulsantes do pub, fazia sua pele formigar de uma forma desagradável.
— Eu sei — respondeu Nagi, finalmente desviando o olhar para o teto. — Só é... irritante.
— O que é irritante? — Uma voz ofegante e alegre surgiu de repente.
Bachira havia tropeçado para fora da pista, sendo arrastado por um Otoya que parecia visivelmente exausto. O atacante de cabelos escuros se jogou no colo de Isagi, rindo alto enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Isagi! Você viu? Eu sou um mestre da dança! — exclamou Bachira, as bochechas coradas pelo álcool e pelo esforço.
— Eu vi, Bachira. Você quase derrubou o garçom três vezes — Isagi respondeu, passando a mão pelo cabelo bagunçado do namorado.
— Ele é um perigo público — Otoya bufou, sentando-se ao lado de Karasu e roubando um gole de seu uísque. — Lavinho criou um monstro.
— Você não é muito melhor, "Ninja" — Karasu retrucou, embora tenha deixado Otoya beber à vontade. — Pareciam dois bonecos de posto de gasolina lá embaixo.
Enquanto o grupo conversava e ria da performance desastrosa de Bachira, Nagi sentiu uma presença se aproximar. Ele não precisou olhar para saber quem era; o perfume caro e o calor que emanava do corpo de Reo eram inconfundíveis.
— Cansou de observar das sombras, Nagi? — Reo perguntou, parando em frente ao sofá.
Ele estava levemente ofegante, o rosto iluminado por um brilho de satisfação. Chigiri estava logo atrás, secando o pescoço com um lenço, lançando um olhar cúmplice para o grupo.
— É muita energia — Nagi disse, sua voz voltando ao tom monótono habitual. — Prefiro aqui.
Reo sorriu, aquele sorriso que sempre parecia desarmar Nagi completamente. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos de Nagi, forçando o mais alto a olhar diretamente para ele.
— Você está com aquela cara de novo — Reo murmurou, baixo o suficiente para que apenas Nagi ouvisse. — A cara de quem quer reclamar de algo, mas tem preguiça de falar.
Nagi hesitou, seus olhos vagando por um segundo para Chigiri, que agora conversava com Isagi e Bachira.
— Você e o Chigiri... dançam bem juntos — Nagi finalmente soltou, as palavras saindo mais secas do que ele pretendia.
Reo soltou uma risada curta e cristalina, sentando-se no pequeno espaço que Nagi abriu no sofá, colando seus ombros.
— Está com ciúmes do Chigiri? Sério, Nagi? — Reo balançou a cabeça, divertido. — Você sabe que ele é como um irmão de armas. Ele me ajudou a não enlouquecer quando você me deu aquele "gelo" monumental.
— Eu não dei um gelo — Nagi protestou fracamente. — Eu estava evoluindo.
— Sim, e ele garantiu que eu também evoluísse em vez de ficar sentado chorando pelos cantos — Reo rebateu, mas não havia amargura em sua voz, apenas uma honestidade confortável. — Você deveria agradecer a ele, sabia?
Nagi olhou para Chigiri. O ruivo percebeu o olhar e ergueu o copo em um brinde silencioso, um sorriso de canto de boca que dizia claramente: "Eu sei o que você está pensando, e você é um idiota".
— Obrigado, Chigiri — Nagi murmurou, tão baixo que quase se perdeu na música.
— O quê? Não ouvi — Chigiri provocou, aproximando-se.
— Ele disse que você é um chato — Reo mentiu, rindo quando Nagi o cutucou com o cotovelo.
— Ah, é? Então acho que vou ter que roubar o Reo para mais uma rodada na pista — Chigiri desafiou, estendendo a mão para o amigo.
Antes que Reo pudesse aceitar ou recusar, Nagi agiu. Em um movimento raramente visto por sua falta de iniciativa, ele segurou o pulso de Reo e o puxou para mais perto, fazendo com que o herdeiro dos Mikage caísse praticamente em seu colo.
— Não — declarou Nagi, fechando os olhos e apoiando o queixo no ombro de Reo. — Agora ele é meu travesseiro. Estou com sono.
O grupo caiu na gargalhada. Até mesmo Karasu, que raramente se impressionava, soltou um riso de aprovação.
— O tesouro foi reclamado — Otoya comentou, abraçando Karasu de lado. — Acho que perdemos o nosso parceiro de dança, Chigiri.
Chigiri deu de ombros, sentando-se no braço do sofá.
— Tudo bem. Eu estava precisando de uma pausa mesmo. Manter o ritmo do Reo é cansativo.
Reo, embora estivesse sendo usado como apoio por um Nagi preguiçoso, parecia radiante. Ele passou os braços ao redor do pescoço de Nagi, relaxando contra o peito dele.
— Você é tão possessivo quando quer, Nagi — Reo sussurrou, sentindo o coração do outro bater contra suas costas.
— Dá muito trabalho ser possessivo — Nagi respondeu, sua voz já sumindo enquanto ele se aconchegava. — Mas para você... eu abro uma exceção.
A festa continuou ao redor deles. Bachira finalmente parou de pular e começou a contar histórias exageradas sobre seus treinos na Espanha, gesticulando tanto que quase acertou o nariz de Isagi várias vezes. Karasu e Otoya discutiam sobre quem tinha a melhor técnica de drible, enquanto Chigiri apenas observava a interação dos casais com um olhar satisfeito.
Naquele pequeno camarote, longe dos flashes da imprensa e das expectativas da Federação, eles não eram apenas os "gênios" ou os "revolucionários" do futebol japonês. Eram apenas jovens lidando com seus sentimentos, amizades e as complexidades de crescer sob pressão.
Para Nagi, o barulho do pub começou a desaparecer, tornando-se apenas um ruído branco ao fundo. O calor de Reo em seus braços era a única coisa que importava. Ele sabia que o passado tinha sido turbulento, que suas escolhas haviam causado feridas, mas ver Reo ali, feliz e cercado por amigos que cuidaram dele quando Nagi não pôde, trazia uma paz estranha.
— Reo? — Nagi chamou, quase num suspiro.
— Hum? — Reo respondeu, fechando os olhos, aproveitando o carinho distraído que Nagi fazia em seu cabelo.
— Na próxima... eu tento dançar com você. Só um pouco.
Reo se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos cinzentos de Nagi, surpreso.
— Você odeia dançar. Diz que é um desperdício de energia.
— É — Nagi concordou, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. — Mas você fica sexy dançando. E eu não quero que o Chigiri seja o único a ver isso de perto.
Reo soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção de todos novamente.
— Eu ouvi isso! — gritou Chigiri do outro lado. — Nagi, você é muito inseguro para um gênio!
— Calado, ruivo! — Nagi resmungou, escondendo o rosto no pescoço de Reo para esconder o leve rubor que subia por suas bochechas.
Isagi, observando a cena com um sorriso caloroso, sentiu uma mão apertar a sua. Bachira estava olhando para ele, os olhos brilhando com uma intensidade suave, apesar da embriaguez.
— Isagi, você também me acha sexy dançando? — Bachira perguntou com total sinceridade.
Isagi riu, puxando Bachira para um abraço rápido.
— Eu acho que você é um desastre, Bachira. Mas é o meu desastre favorito.
— Isso serve! — Bachira exclamou, voltando a rir.
A noite avançou, as garrafas esvaziaram e o cansaço começou a vencer até os mais enérgicos. Mas ali, naquele refúgio de luzes neon, as conexões feitas no Blue Lock se mostravam mais fortes do que qualquer rivalidade de campo. Entre ciúmes bobos, danças desengonçadas e promessas silenciosas, eles encontraram o que o futebol sozinho nunca poderia dar: um lugar onde podiam simplesmente ser eles mesmos.
Nagi, quase pegando no sono, sentiu Reo depositar um beijo leve em sua testa.
— Obrigado por vir hoje, Nagi — Reo disse baixinho.
— Eu sempre venho por você, Reo — Nagi respondeu, e dessa vez, ele não sentiu preguiça nenhuma de dizer a verdade.
No canto mais afastado da pista improvisada, sentados em um sofá de couro escuro que parecia engoli-los, estavam os observadores. Nagi Seishiro tinha a cabeça encostada no encosto, os olhos semicerrados acompanhando cada movimento na pista. Ao seu lado, Isagi Yoichi segurava um copo de refrigerante, observando a cena com um misto de diversão e cansaço, enquanto Karasu Tabito mantinha um sorriso sarcástico no rosto, girando o gelo em seu copo de uísque.
— Eles não cansam nunca, não é? — comentou Isagi, dando um gole em sua bebida.
Karasu soltou uma risada nasalada, ajustando a postura.
— O meu "corvo" ali parece que esqueceu que tem ossos — disse Karasu, apontando com o queixo para Otoya Eita.
No centro da pista, a cena era, no mínimo, peculiar. Bachira Meguru estava em seu estado mais puro de hiperatividade alcoólica. Ele parecia uma "barata tonta", como Karasu gostava de descrever, girando e saltando sem um ritmo definido, os cabelos escuros e amarelados balançando conforme ele ria de algo que só ele conseguia ouvir. Otoya, por sua vez, tentava manter o equilíbrio do amigo. Desde o tempo que passaram na Espanha com Lavinho durante a Liga Neo Egoísta, os dois haviam desenvolvido uma sintonia estranha, baseada em movimentos fluidos e uma total falta de vergonha alheia. Otoya dançava com Bachira, segurando-o pelos ombros toda vez que o atacante parecia prestes a colidir com uma mesa.
— O Bachira vai acabar quebrando um dente se o Otoya soltar ele — Isagi murmurou, preocupado, mas com um brilho de adoração nos olhos.
— Deixe que se matem — Nagi murmurou, sua voz arrastada e profunda. — Olhar para eles já me cansa.
No entanto, apesar do comentário desinteressado, os olhos de Nagi não estavam em Bachira ou Otoya. Eles estavam fixos em uma figura específica que dominava o outro lado da pista.
Reo Mikage era a antítese do caos de Bachira. Ele se movia com uma elegância natural, fruto de anos de educação de elite e uma autoconfiança que beirava o magnético. Reo não estava apenas "dançando"; ele parecia estar no comando da música. O suor brilhava levemente em sua testa, e a camisa social, agora com os primeiros botões abertos, revelava a linha do pescoço enquanto ele acompanhava o ritmo.
Ao lado dele, Chigiri Hyoma era o par perfeito. O "Velocista" se movia com a mesma fluidez que demonstrava no campo, os cabelos ruivos longos presos em um rabo de cavalo alto que chicoteava o ar a cada giro. Eles formavam uma dupla visualmente impecável — a herança e o refinamento de Reo contrastando com a beleza afiada e técnica de Chigiri.
Nagi sentiu um aperto familiar no peito. Não era uma dor, mas uma inquietação que ele raramente se dava ao trabalho de nomear. Ciúme. Era uma palavra pesada para alguém que preferia não sentir nada que exigisse esforço, mas ali, vendo Reo rir de algo que Chigiri disse ao pé de seu ouvido, Nagi sentiu o esforço de manter a compostura.
— Você está encarando de novo, Nagi — provocou Karasu, notando a fixação do prodígio. — Se olhar mais forte, vai acabar furando o Chigiri com os olhos.
— Não estou encarando — mentiu Nagi, sem desviar o olhar.
— Está sim — Isagi concordou, sorrindo gentilmente. — Mas você sabe que o Chigiri é só um bom amigo, Nagi. Ele foi quem segurou as pontas para o Reo quando... bem, quando as coisas estavam complicadas entre vocês.
Nagi ficou em silêncio. Ele sabia. Ele se lembrava perfeitamente do vazio que sentiu quando decidiu seguir Isagi, deixando Reo para trás para que ambos pudessem evoluir. Ele se lembrava da expressão de traição no rosto de Reo, uma imagem que ainda o assombrava em noites silenciosas. E ele também sabia, por meio de conversas atravessadas e observações silenciosas, que foi Chigiri quem não deixou Reo desmoronar completamente naqueles dias de isolamento e mágoa.
Chigiri tinha sido o suporte que Nagi se recusou a ser naquele momento. E, por mais que Nagi fosse grato por isso, ver a proximidade física dos dois agora, sob as luzes pulsantes do pub, fazia sua pele formigar de uma forma desagradável.
— Eu sei — respondeu Nagi, finalmente desviando o olhar para o teto. — Só é... irritante.
— O que é irritante? — Uma voz ofegante e alegre surgiu de repente.
Bachira havia tropeçado para fora da pista, sendo arrastado por um Otoya que parecia visivelmente exausto. O atacante de cabelos escuros se jogou no colo de Isagi, rindo alto enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Isagi! Você viu? Eu sou um mestre da dança! — exclamou Bachira, as bochechas coradas pelo álcool e pelo esforço.
— Eu vi, Bachira. Você quase derrubou o garçom três vezes — Isagi respondeu, passando a mão pelo cabelo bagunçado do namorado.
— Ele é um perigo público — Otoya bufou, sentando-se ao lado de Karasu e roubando um gole de seu uísque. — Lavinho criou um monstro.
— Você não é muito melhor, "Ninja" — Karasu retrucou, embora tenha deixado Otoya beber à vontade. — Pareciam dois bonecos de posto de gasolina lá embaixo.
Enquanto o grupo conversava e ria da performance desastrosa de Bachira, Nagi sentiu uma presença se aproximar. Ele não precisou olhar para saber quem era; o perfume caro e o calor que emanava do corpo de Reo eram inconfundíveis.
— Cansou de observar das sombras, Nagi? — Reo perguntou, parando em frente ao sofá.
Ele estava levemente ofegante, o rosto iluminado por um brilho de satisfação. Chigiri estava logo atrás, secando o pescoço com um lenço, lançando um olhar cúmplice para o grupo.
— É muita energia — Nagi disse, sua voz voltando ao tom monótono habitual. — Prefiro aqui.
Reo sorriu, aquele sorriso que sempre parecia desarmar Nagi completamente. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos de Nagi, forçando o mais alto a olhar diretamente para ele.
— Você está com aquela cara de novo — Reo murmurou, baixo o suficiente para que apenas Nagi ouvisse. — A cara de quem quer reclamar de algo, mas tem preguiça de falar.
Nagi hesitou, seus olhos vagando por um segundo para Chigiri, que agora conversava com Isagi e Bachira.
— Você e o Chigiri... dançam bem juntos — Nagi finalmente soltou, as palavras saindo mais secas do que ele pretendia.
Reo soltou uma risada curta e cristalina, sentando-se no pequeno espaço que Nagi abriu no sofá, colando seus ombros.
— Está com ciúmes do Chigiri? Sério, Nagi? — Reo balançou a cabeça, divertido. — Você sabe que ele é como um irmão de armas. Ele me ajudou a não enlouquecer quando você me deu aquele "gelo" monumental.
— Eu não dei um gelo — Nagi protestou fracamente. — Eu estava evoluindo.
— Sim, e ele garantiu que eu também evoluísse em vez de ficar sentado chorando pelos cantos — Reo rebateu, mas não havia amargura em sua voz, apenas uma honestidade confortável. — Você deveria agradecer a ele, sabia?
Nagi olhou para Chigiri. O ruivo percebeu o olhar e ergueu o copo em um brinde silencioso, um sorriso de canto de boca que dizia claramente: "Eu sei o que você está pensando, e você é um idiota".
— Obrigado, Chigiri — Nagi murmurou, tão baixo que quase se perdeu na música.
— O quê? Não ouvi — Chigiri provocou, aproximando-se.
— Ele disse que você é um chato — Reo mentiu, rindo quando Nagi o cutucou com o cotovelo.
— Ah, é? Então acho que vou ter que roubar o Reo para mais uma rodada na pista — Chigiri desafiou, estendendo a mão para o amigo.
Antes que Reo pudesse aceitar ou recusar, Nagi agiu. Em um movimento raramente visto por sua falta de iniciativa, ele segurou o pulso de Reo e o puxou para mais perto, fazendo com que o herdeiro dos Mikage caísse praticamente em seu colo.
— Não — declarou Nagi, fechando os olhos e apoiando o queixo no ombro de Reo. — Agora ele é meu travesseiro. Estou com sono.
O grupo caiu na gargalhada. Até mesmo Karasu, que raramente se impressionava, soltou um riso de aprovação.
— O tesouro foi reclamado — Otoya comentou, abraçando Karasu de lado. — Acho que perdemos o nosso parceiro de dança, Chigiri.
Chigiri deu de ombros, sentando-se no braço do sofá.
— Tudo bem. Eu estava precisando de uma pausa mesmo. Manter o ritmo do Reo é cansativo.
Reo, embora estivesse sendo usado como apoio por um Nagi preguiçoso, parecia radiante. Ele passou os braços ao redor do pescoço de Nagi, relaxando contra o peito dele.
— Você é tão possessivo quando quer, Nagi — Reo sussurrou, sentindo o coração do outro bater contra suas costas.
— Dá muito trabalho ser possessivo — Nagi respondeu, sua voz já sumindo enquanto ele se aconchegava. — Mas para você... eu abro uma exceção.
A festa continuou ao redor deles. Bachira finalmente parou de pular e começou a contar histórias exageradas sobre seus treinos na Espanha, gesticulando tanto que quase acertou o nariz de Isagi várias vezes. Karasu e Otoya discutiam sobre quem tinha a melhor técnica de drible, enquanto Chigiri apenas observava a interação dos casais com um olhar satisfeito.
Naquele pequeno camarote, longe dos flashes da imprensa e das expectativas da Federação, eles não eram apenas os "gênios" ou os "revolucionários" do futebol japonês. Eram apenas jovens lidando com seus sentimentos, amizades e as complexidades de crescer sob pressão.
Para Nagi, o barulho do pub começou a desaparecer, tornando-se apenas um ruído branco ao fundo. O calor de Reo em seus braços era a única coisa que importava. Ele sabia que o passado tinha sido turbulento, que suas escolhas haviam causado feridas, mas ver Reo ali, feliz e cercado por amigos que cuidaram dele quando Nagi não pôde, trazia uma paz estranha.
— Reo? — Nagi chamou, quase num suspiro.
— Hum? — Reo respondeu, fechando os olhos, aproveitando o carinho distraído que Nagi fazia em seu cabelo.
— Na próxima... eu tento dançar com você. Só um pouco.
Reo se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos cinzentos de Nagi, surpreso.
— Você odeia dançar. Diz que é um desperdício de energia.
— É — Nagi concordou, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. — Mas você fica sexy dançando. E eu não quero que o Chigiri seja o único a ver isso de perto.
Reo soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção de todos novamente.
— Eu ouvi isso! — gritou Chigiri do outro lado. — Nagi, você é muito inseguro para um gênio!
— Calado, ruivo! — Nagi resmungou, escondendo o rosto no pescoço de Reo para esconder o leve rubor que subia por suas bochechas.
Isagi, observando a cena com um sorriso caloroso, sentiu uma mão apertar a sua. Bachira estava olhando para ele, os olhos brilhando com uma intensidade suave, apesar da embriaguez.
— Isagi, você também me acha sexy dançando? — Bachira perguntou com total sinceridade.
Isagi riu, puxando Bachira para um abraço rápido.
— Eu acho que você é um desastre, Bachira. Mas é o meu desastre favorito.
— Isso serve! — Bachira exclamou, voltando a rir.
A noite avançou, as garrafas esvaziaram e o cansaço começou a vencer até os mais enérgicos. Mas ali, naquele refúgio de luzes neon, as conexões feitas no Blue Lock se mostravam mais fortes do que qualquer rivalidade de campo. Entre ciúmes bobos, danças desengonçadas e promessas silenciosas, eles encontraram o que o futebol sozinho nunca poderia dar: um lugar onde podiam simplesmente ser eles mesmos.
Nagi, quase pegando no sono, sentiu Reo depositar um beijo leve em sua testa.
— Obrigado por vir hoje, Nagi — Reo disse baixinho.
— Eu sempre venho por você, Reo — Nagi respondeu, e dessa vez, ele não sentiu preguiça nenhuma de dizer a verdade.
