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RAVE! ONE SHOTS

Fandom: Eddsworld

Criado: 18/06/2026

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Caos, Canecas e Chifres: Um Domingo Comum

A manhã na casa de Edd não costumava ser silenciosa, mas aquele domingo em particular parecia ter sido atingido por um furacão de cores neon e testosterona. No centro do sofá da sala, espremido entre dois extremos opostos, estava Liam Peekers — ou PK, como todos preferiam chamar. Com seu cabelo tingido, cinto de rebites e munhequeiras quadriculadas, ele parecia uma cápsula do tempo da era *scene* de 2008, vibrando em uma energia que nem o café mais forte do mundo poderia explicar.

À sua esquerda, Tom mantinha a expressão séria de sempre, embora houvesse uma suavidade quase imperceptível em seus ombros. Ele segurava uma caneca de café com uma mão, enquanto a outra repousava possessivamente sobre o joelho de PK. À direita, Tord, o Líder Vermelho em pessoa, ostentava seu sorriso de dentes afiados e um olhar que alternava entre o deboche e o desejo.

— Se você continuar encarando o PK desse jeito, Tord, eu vou ser obrigado a testar se esse seu braço robótico é à prova de Smirnoff. — Tom quebrou o silêncio, sua voz profunda vibrando com aquela ponta de sarcasmo que PK tanto adorava.

Tord soltou uma risada seca, ajeitando uma das mechas de seu cabelo que insistia em formar os icônicos "chifres".

— Ah, Thomas, você é tão possessivo. É adorável, sério. — Tord inclinou-se para frente, ignorando o rosnado baixo de Tom, e soprou a fumaça de seu charuto para longe do rosto de PK. — Eu só estava pensando em como é irônico que o nosso "pequeno alienígena" tenha escolhido logo nós dois para dividir a cama.

PK soltou uma risada alta e caótica, jogando a cabeça para trás.

— "Pequeno alienígena"? — PK repetiu, dando um empurrão leve no ombro de Tord. — Pelo menos eu tenho uma desculpa biológica para ser estranho, Tord. Você é só um ditador norueguês com gosto duvidoso para hentai e armas de destruição em massa.

— Ei! — Tord exclamou, fingindo ofensa. — Meu gosto para armas é impecável.

— E para namorados também, aparentemente. — Tom murmurou contra a borda de sua caneca, o que fez PK sorrir e depositar um beijo rápido na bochecha parda do homem de olhos negros.

A dinâmica entre os três ainda era algo novo e, para os padrões de qualquer pessoa normal, completamente disfuncional. Havia o peso do passado — a traição de Tord no ensino médio, o desaparecimento dele no show de PK, e os anos de rivalidade amarga entre Tom e o norueguês. Mas, de alguma forma, o retorno de PK para a vida deles, a descoberta de sua origem ARKOPS e o sacrifício quase fatal de Tord no espaço haviam costurado as feridas de um jeito torto, mas firme.

Edd apareceu na porta da cozinha, segurando uma lata de Coca-Cola e observando a cena com um sorriso de quem já tinha aceitado que sua casa nunca mais teria paz.

— Bom dia para os pombinhos... ou melhor, para o trio de aves de rapina — disse Edd, caminhando até a poltrona. — Matt ainda está no banheiro tentando decidir se a nova espinha dele é um sinal de que ele está envelhecendo ou se é apenas "charme extra".

— É charme extra! — a voz de Matt ecoou do andar de cima, seguida pelo som de algo caindo, provavelmente um espelho de mão.

PK se levantou do sofá num salto, sua energia subindo de zero a cem em segundos.

— Galera, eu tive uma ideia! — anunciou ele, gesticulando freneticamente. — Já que a minha casa explodiu e eu estou oficialmente morando aqui, e já que o Tord não morreu e o Tom não me expulsou por ser um invasor intergaláctico... a gente devia fazer algo épico hoje. Tipo, DJ set no quintal? Ou talvez a gente possa invadir um fliperama?

Tom suspirou, mas seus olhos brilharam com um divertimento raro.

— PK, são dez da manhã. Eu ainda nem terminei meu café e o Tord já está limpando uma pistola em cima do sofá. Podemos ter pelo menos uma hora de normalidade?

— Normalidade é para pessoas que não têm DNA de Saturno, Tommie! — PK se inclinou sobre ele, segurando o rosto de Tom com as mãos cobertas por anéis. — Vamos lá, vida, não seja um velho rabugento de 25 anos.

Tord se levantou, guardando a arma no coldre oculto sob o moletom vermelho. Ele caminhou até PK e passou o braço pela cintura do menor, puxando-o para perto.

— Eu concordo com o baixinho canadense. — Tord deu um sorriso de lado, olhando para Tom com desafio. — Podemos ir ao estande de tiro. Eu ensino o PK a atirar com algo maior que uma pistola de luz e você pode ficar no canto bebendo e reclamando da vida.

PK revirou os olhos, mas não se afastou do toque de Tord.

— Nada de tiros hoje, Tord. Eu ainda tenho pesadelos com aquele laser que quase atravessou seu peito. — O tom de PK suavizou por um momento, a lembrança da batalha espacial ainda fresca. Ele olhou de Tord para Tom. — Eu só quero que a gente faça algo... juntos. Sem ninguém tentando dominar o mundo ou ser sequestrado pelo governo por cinco minutos.

Houve um breve silêncio. Tom colocou a caneca vazia na mesa de centro e se levantou, ficando entre os dois. Com 1,80 de altura, ele ainda era o mais alto do trio, e sua presença impunha um equilíbrio necessário entre o caos de PK e a agressividade de Tord.

— Certo. — Tom passou o braço pelos ombros de PK. — Shopping. O Matt precisa de espelhos novos de qualquer jeito, e eu ouvi dizer que abriu uma loja de discos que tem aquelas bizarrices que você gosta, PK.

— E eu posso comprar munição? — Tord perguntou, esperançoso.

— Não. — Tom e PK responderam em uníssono.

— Vocês são péssimos namorados. — Tord bufou, mas não conseguiu esconder o brilho de satisfação por ser incluído.

A viagem até o shopping foi, como esperado, um desastre controlado. Edd e Matt foram em um carro, enquanto o "trisal do caos" foi no de Tom. PK insistiu em colocar sua playlist de *screamo* e *hyperpop* no volume máximo, batendo cabeça e cantando letras sobre angústia adolescente enquanto Tom tentava não bater o carro e Tord fazia comentários ácidos sobre a qualidade da produção musical.

— Isso nem é música, Liam — reclamou Tord, embora estivesse batendo o pé no ritmo da bateria. — Parece um liquidificador triturando talheres.

— É arte, Larsson! — PK gritou por cima da música, rindo. — Você só gosta de marchas militares e sons de explosão. Isso aqui tem alma!

— Se a alma for um grito de socorro, concordo — resmungou Tom, embora tenha aumentado um pouco o volume quando viu o sorriso radiante no rosto de PK.

Ao chegarem ao shopping, a presença deles não passava despercebida. PK, com seu visual *scene* vibrante; Tom, com seus olhos negros profundos e expressão de "não me toque"; e Tord, com seu ar de perigo iminente e o braço robótico ocasionalmente visível sob a manga. Eles eram um espetáculo à parte.

Enquanto Edd e Matt se perdiam na seção de decoração, os três vagavam pela loja de discos. PK estava em seu elemento, vasculhando prateleiras de vinis e CDs antigos.

— Olhem isso! — PK puxou um disco de uma banda punk obscura. — Eu toquei essa música no meu primeiro set como DJ. Tord, você lembra? Foi naquela festa no porão do Paul e do Patryk.

Tord se aproximou, olhando o disco com uma expressão que suavizou instantaneamente. A nostalgia era uma faca de dois gumes para ele.

— Eu lembro. — A voz de Tord baixou de tom, perdendo a ironia. — Você derrubou refrigerante na mesa de som e quase causou um incêndio.

— E você me beijou atrás das caixas de som para me distrair do pânico — PK rebateu com um sorriso travesso.

Tom, que estava observando de longe, sentiu aquela pontada familiar de ciúme, mas antes que pudesse se afastar, PK estendeu a mão e o puxou para o círculo.

— E foi nesse dia que eu percebi que o Tord era um idiota — PK continuou, olhando para Tom —, mas agora eu tenho um namorado responsável para equilibrar a balança.

— Responsável é uma palavra forte — disse Tom, embora tenha deixado PK entrelaçar seus dedos nos dele. — Eu só sou o único que sabe onde fica o extintor de incêndio.

— E é por isso que a gente te ama, Thomas — Tord disse, e pela primeira vez no dia, não parecia uma provocação. Era uma admissão rara de afeto, vinda de um homem que preferia morrer a admitir vulnerabilidade.

A tarde seguiu com pequenas discussões, risadas e momentos de silêncio confortável. Eles comeram na praça de alimentação, onde PK conseguiu convencer Tom a dividir um milk-shake gigante e Tord a experimentar algo que não fosse estritamente norueguês ou frito.

No entanto, o passado sempre encontrava uma maneira de aparecer. Enquanto caminhavam para a saída, um grupo de jovens passou por eles, cochichando e apontando. Um deles, reconhecendo PK das redes sociais ou dos tempos de DJ, comentou alto o suficiente para ser ouvido:

— Olha lá, não é aquele cara esquisito que sumiu depois que o namorado trocou ele por uma garota no meio do show?

O corpo de PK ficou rígido instantaneamente. O sorriso animado desapareceu, e seus olhos, que geralmente brilhavam com uma luz alienígena e caótica, murcharam.

Tord parou de andar na mesma hora. Sua mão foi instintivamente para a cintura, onde a arma costumava ficar, e seus dentes afiados ficaram à mostra em um rosnado silencioso. Mas antes que ele pudesse dar um passo, Tom agiu.

Tom deu um passo à frente, sua estatura de 1,80 e seus globos oculares negros criando uma imagem aterrorizante para os adolescentes. Ele não disse uma palavra, apenas fixou o olhar no garoto que havia falado. O ar ao redor deles pareceu esfriar dez graus.

— Algum problema aqui? — a voz de Tom saiu como um trovão baixo.

Os jovens empalideceram e saíram apressados, sem olhar para trás.

Tom se virou para PK, colocando as mãos em seus ombros.

— Não ouça eles, Liam.

Tord se aproximou pelo outro lado, sua expressão era uma mistura de culpa e fúria. Ele sabia que aquele comentário era um reflexo de seus próprios erros.

— PK... — Tord começou, sua voz falhando levemente. — Eu fui um covarde naquela época. Você sabe disso. Mas se alguém ousar abrir a boca para falar do seu passado de novo, eu juro que...

PK levantou a mão, interrompendo-o. Ele respirou fundo, recuperando a compostura. Um pequeno sorriso, ainda que um pouco triste, voltou ao seu rosto.

— Está tudo bem. — PK olhou para os dois. — O passado é uma droga, e ser um alienígena exilado com dois namorados problemáticos não facilita as coisas. Mas eu não sou mais aquele garoto sozinho no palco.

Ele puxou Tom e Tord para um abraço apertado, ignorando as pessoas que passavam.

— Eu tenho vocês agora. E, honestamente? Vocês dão muito mais trabalho do que qualquer fã de anime magoado.

Tom soltou um suspiro de alívio e retribuiu o abraço, enquanto Tord encostou a testa no ombro de PK, relaxando a postura defensiva.

— Vamos para casa — sugeriu Tom. — O Edd mandou mensagem dizendo que o Matt comprou um trono de espelhos e ele precisa de ajuda para carregar.

— Um trono? — PK riu, a energia voltando ao normal. — Eu preciso ver isso! Tord, a gente pode usar o seu braço robótico para levantar o Matt e fingir que ele é um deus?

— Só se eu puder cobrar tributos em forma de bacon — respondeu Tord, já recuperando seu humor ácido.

De volta à casa de Edd, a noite caiu com o som de videogames e a discussão eterna sobre quem lavaria a louça. No sofá, os três estavam amontoados novamente. PK tinha a cabeça no colo de Tom, enquanto suas pernas estavam jogadas por cima de Tord.

Era uma vida estranha. Entre naves espaciais escondidas, exames de sangue governamentais, passados traumáticos e a convivência diária com Edd e Matt, o equilíbrio era frágil. Mas, enquanto Tom acariciava o cabelo espetado de PK e Tord lia um de seus jornais comunistas enquanto segurava a mão do namorado, parecia que, pela primeira vez, Ymir — ou Liam, ou PK — tinha finalmente encontrado seu planeta natal.

— Ei, Tom? — chamou PK, quase pegando no sono.

— Sim?

— Obrigado por não me deixar ser abduzido de novo.

Tom deu um beijo no topo da cabeça dele.

— Eu não deixaria ninguém te levar. Nem o governo, nem os ARKOPS, e certamente não o Tord, se ele tentar fugir com você para a Noruega de novo.

— Ei! — Tord protestou, sem tirar os olhos do jornal. — Da próxima vez eu levo vocês dois. É mais prático.

PK riu baixinho, fechando os olhos. O caos estava longe de terminar, mas ali, naquele sofá apertado e cheio de canecas de café vazias, tudo estava exatamente onde deveria estar.
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