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Vikir?!

Fandom: Revenge of the Iron-Blooded Sword Hound

Criado: 18/06/2026

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FantasiaRomanceDramaHumorEstudo de PersonagemSobrevivênciaMistérioCenário Canônico
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Segredos Entre o Gelo e o Fogo

A luz do entardecer atravessava os vitrais da biblioteca central da Academia Colosso, lançando sombras longas sobre as mesas de carvalho. Vikir van Baskerville, sob seu disfarce de plebeu, mantinha os olhos fixos em um tomo de história antiga, ignorando deliberadamente o peso dos olhares ao seu redor. Mesmo com roupas simples e uma postura contida, havia algo nele que não se encaixava na narrativa de um "aluno comum". Seus cabelos pretos, como as profundezas do abismo, e seus olhos vermelhos, que brilhavam com uma intensidade predatória sob as sobrancelhas franzidas, exalavam uma pressão sufocante.

— Ele é tão... intenso — sussurrou uma estudante de nobreza menor em uma mesa próxima. — Você viu como ele segurou aquela espada no treino de ontem? Nenhum plebeu teria aquele físico.

— Disseram que ele recusou o convite de baile da filha do Visconde — outra murmurou, suspirando. — Ele nem olhou para ela. É como se fôssemos todos invisíveis para ele.

Vikir ouvia tudo, mas seu rosto permanecia uma máscara de indiferença calculista. Para ele, aquelas interações eram ruídos irrelevantes. Seu foco estava na sobrevivência, na vingança e na reconstrução do futuro. No entanto, o silêncio que ele tanto prezava foi abruptamente interrompido pelo som de passos rítmicos e o aroma inconfundível de lírios e pólvora mágica.

— Ora, ora, se não é o meu noivo favorito, escondido entre livros empoeirados.

Camus Morgue deslizou para a cadeira em frente a Vikir com uma elegância que apenas os membros da Casa Morgue possuíam. Seus olhos brilhavam com uma malícia travessa. A parceria recente entre a Academia de Magia Morgue e a Academia Colosso permitia que ela circulasse livremente, e ela parecia ter feito disso sua missão pessoal: desestabilizar a fachada inabalável de Vikir.

Ao redor deles, o ar pareceu esfriar. Os amigos de Vikir na academia, um grupo de estudantes que ainda tentava decifrar o enigma que ele era, aproximaram-se, atraídos pela presença magnética de Camus.

— Noivo? — Tudor, um dos colegas de classe de Vikir, engasgou, arregalando os olhos. — Vikir, você nunca disse que conhecia a herdeira dos Morgue, muito menos que...

— É uma história antiga — Vikir interrompeu, sua voz era um barítono baixo e frio. — Camus, por que você está aqui?

— Ah, eu estava apenas contando aos seus amigos algumas curiosidades sobre a sua infância — Camus sorriu, apoiando o queixo nas mãos. — Como, por exemplo, o fato de que meu tio, o grande Matriarca, desenvolveu um tremor nas mãos toda vez que ouve o seu nome. Sabiam que o Vikir frequenta reuniões de alta cúpula desde os oito anos?

Os estudantes ao redor prenderam a respiração. Um plebeu em reuniões de cúpula? A suspeita de que Vikir era muito mais do que aparentava começou a se solidificar.

— Camus, pare — advertiu Vikir, mas ele sabia que quando ela começava, era difícil detê-la.

— E por que eu pararia? — Camus continuou, ignorando o aviso. — É fascinante como ele sempre teve esse encanto. Mesmo sendo meu noivo desde os oito anos, ele parece não conseguir evitar que as garotas caiam aos seus pés. Lembram-se da Princesa dos Bárbaros? Aquela que ele beijou durante a expedição? Ou melhor ainda...

Ela fez uma pausa dramática, observando a expressão de choque absoluto no rosto de Tudor e dos outros.

— A Santa Dolores. Ele não só ficou noivo dela também, como eles tiveram uma noite... digamos... muito produtiva nos aposentos do templo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Vikir sentiu uma veia pulsar em sua têmpora. A revelação de sua poligamia política e de seus feitos heróicos — e íntimos — estava destruindo meses de disfarce cuidadoso. Os olhares de admiração das garotas na biblioteca transformaram-se em algo próximo à adoração divina, enquanto os rapazes olhavam para ele como se estivessem diante de um monstro lendário.

— Você está exagerando os fatos para me irritar — disse Vikir, fechando o livro com um estrondo seco.

— Exagerando? — Camus riu, um som cristalino que atraiu ainda mais atenção. — Eu nem mencionei como você me olha quando acha que ninguém está vendo.

Vikir respirou fundo. Se ela queria jogar aquele jogo de exposição, ele não ficaria na defensiva. Ele inclinou-se para frente, a pressão de sua aura aumentando apenas o suficiente para fazer os amigos recuarem um passo, mas mantendo o foco total em Camus.

— Já que estamos compartilhando memórias de infância, Camus — começou Vikir, sua voz ganhando um tom perigosamente calmo —, por que não contamos a eles sobre a sua persistência?

Camus arqueou uma sobrancelha, o sorriso vacilando ligeiramente.

— O quê? — perguntou ela.

— Como na vez em que seu tio quase teve um ataque cardíaco porque te pegou tentando me beijar pela décima vez no mesmo dia — disse Vikir, fixando seus olhos vermelhos nos dela. — Ou sobre como você costumava implorar para treinar comigo, dizendo que queria "apanhar" para aprender a resistir à dor, mas no dia seguinte passava horas reclamando que não conseguia levantar da cama?

Os rostos dos estudantes agora alternavam entre Vikir e Camus como se estivessem assistindo a um duelo de titãs.

— Isso é... isso é treinamento de combate! — Camus retrucou, um leve rubor subindo por suas bochechas.

— E sobre o incêndio? — Vikir continuou, implacável. — Quando você quase reduziu a ala leste da mansão Morgue a cinzas porque seu tio interrompeu o momento exato em que você tinha "convencido" os servos a me levarem para tomar banho com você? Você jogou fogo nele sem hesitar.

Camus abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. O feitiço havia virado contra a feiticeira.

— E não vamos esquecer o ápice — Vikir disse, agora com um leve brilho de satisfação nos olhos ao vê-la desestabilizada. — Você subornou a minha sobrinha, uma criança de dez anos, com doces mágicos e artefatos raros, apenas para que ela deixasse a porta do meu quarto destrancada para você poder dormir comigo. Você é uma estrategista brilhante, Camus, mas suas táticas de infiltração deixam a desejar.

— Eu só queria garantir que você estivesse aquecido! — Camus exclamou, batendo na mesa, o rosto agora completamente vermelho. — E aquela garota é uma negociante nata, ela pediu os doces primeiro!

Os amigos de Vikir estavam paralisados. A imagem de Vikir como um plebeu misterioso fora substituída pela de um homem que lidava com princesas, santas e herdeiras obcecadas como se fosse apenas mais uma terça-feira.

— Vikir... — Tudor balbuciou. — Você... você é noivo de duas das mulheres mais poderosas do continente e ainda sobreviveu a uma tentativa de banho forçado pela herdeira Morgue?

Vikir levantou-se, sua figura alta e imponente silenciando qualquer comentário adicional.

— Eu sou apenas um estudante tentando ler em paz — disse ele, embora a afirmação agora soasse ridícula para todos os presentes.

Camus levantou-se logo em seguida, recuperando a compostura, embora seus olhos ainda brilhassem com uma mistura de vergonha e desejo.

— Isso não acabou, Vikir. Se você vai expor meus segredos, eu terei que criar memórias novas e ainda mais escandalosas para contar na próxima vez.

Ela se aproximou dele, sussurrando perto de seu ouvido, o suficiente para que apenas ele — e talvez alguns curiosos com audição aguçada — ouvissem.

— E da próxima vez, eu não vou precisar subornar ninguém para entrar no seu quarto.

Vikir não desviou o olhar. Ele era o cão de caça de sangue frio dos Baskerville, mas mesmo ele sentia o calor que aquela mulher trazia para sua vida monótona.

— Tente a sorte, Camus. Mas lembre-se que eu ainda sei onde você escondeu aquele diário sobre nossos "planos futuros".

Camus estancou, seus olhos arregalados.

— Você não ousaria...

— Tente-me — Vikir respondeu, um meio sorriso quase imperceptível surgindo em seus lábios antes de ele se virar e caminhar em direção à saída da biblioteca.

Ele deixou para trás um rastro de sussurros, corações acelerados e uma Camus Morgue que, pela primeira vez, estava sem palavras, alternando entre o ódio e a adoração pelo homem que, mesmo disfarçado, nunca deixaria de ser o centro do seu mundo.

— Esse homem... — murmurou Tudor, observando Vikir sair. — Ele não é um plebeu. Ele é um desastre natural em forma humana.

E na penumbra do corredor, Vikir van Baskerville seguiu seu caminho, sabendo que, embora o segredo de sua identidade estivesse por um fio, a batalha de vontades com Camus era a única coisa que realmente o fazia sentir-se vivo naquele lugar.
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