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Fandom: Nenhum
Criado: 18/06/2026
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RomanceDramaAngústiaPsicológicoSombrioCiúmesMenção de Incesto
Sombras Sob a Ponte de Pedra
O motor do SUV de luxo de Emanuel roncava baixo, um som constante que preenchia o silêncio tenso dentro do veículo enquanto cruzavam as estradas sinuosas rumo ao interior. O asfalto dava lugar à terra batida, e as árvores altas pareciam fechar o cerco sobre eles à medida que a luz do entardecer morria. No banco do passageiro, Sara retocava o batom vermelho vibrante, ignorando completamente a paisagem. Ela usava um vestido de seda justo, curto demais para uma viagem de carro, que realçava cada curva de seu corpo esculpido e os seios volumosos que ela exibia com orgulho.
— Emanuel, querido, você precisa relaxar os ombros — comentou Sara, a voz carregada de um sarcasmo afetuoso. Ela estendeu a mão, as unhas longas e impecáveis acariciando a nuca dele. — É apenas o casamento de uma prima distante. Não é como se estivéssemos indo para um funeral.
Emanuel não desviou os olhos da estrada. Suas mãos apertavam o volante de couro com uma força desnecessária. Ele estava exausto. Gerenciar uma rede global de estúdios de tatuagem e outros empreendimentos exigia uma frieza que, no momento, ele não possuía. A tensão acumulada em seu pescoço tinha nome e sobrenome, e ela estava sentada no banco de trás, encolhida contra a porta, tentando se tornar invisível.
— Estou apenas cansado, Sara — respondeu ele, a voz rouca e firme. — A logística dessa viagem foi um caos.
— Ah, pare com isso. Eu cuidei de metade da papelada da equipe de administração antes de sairmos — Sara deu de ombros, guardando o batom na bolsa de grife. — Você sabe que eu sou eficiente. Agora, olhe para a sua cunhadinha ali atrás. Eduarda, você está viva?
No banco traseiro, Eduarda deu um sobressalto. Ela usava um vestido de linho bege, leve e fluido, que parecia grande demais para seu corpo esguio. Seus cabelos castanhos caíam sobre os ombros em ondas naturais, e ela segurava um caderno de esboços contra o peito, como se fosse um escudo.
— Estou... estou bem, Sara — murmurou Eduarda, a voz tão baixa que quase foi engolida pelo som do vento nas janelas.
Emanuel olhou pelo retrovisor. Seus olhos se encontraram com os de Eduarda por um breve segundo antes de ela desviar o olhar para a floresta lá fora. Aquele olhar sensível dela, sempre carregado de uma melancolia que ele sentia uma necessidade visceral de proteger, o irritava e o fascinava ao mesmo tempo. Ele amava Sara; amava a confiança dela, a competência, a forma como ela não pedia permissão para existir. Mas Eduarda... Eduarda era o silêncio que ele buscava em meio ao ruído de sua vida de sucesso.
— Você deveria comer algo quando chegarmos — disse Emanuel, o tom de voz suavizando-se inconscientemente ao dirigir-se a Eduarda. — Está pálida.
— Ela está sempre pálida, Emanuel. É o charme da estudante de História da Arte — Sara riu, uma risada anasalada e provocativa. Ela não tinha ciúmes de Eduarda. Para Sara, a meia-irmã era uma criatura frágil, quase um animal de estimação que Emanuel gostava de cuidar. Ela se sentia a rainha absoluta, a "namorada principal", e a ideia de que Emanuel pudesse desejar aquela menina tímida era quase cômica para sua autoestima inabalável.
Eduarda não respondeu. Ela odiava a forma como se sentia perto deles. Sentia-se pequena sob o brilho de Sara e vulnerável sob o olhar pesado de Emanuel. O fato de serem irmãs por parte de pai — um segredo de uma noite que resultou em Sara, anos antes de seus pais se conhecerem e formarem uma família moderna e funcional — nunca as aproximou. Para Eduarda, Emanuel era um perigo que ela tentava evitar a todo custo, mas para onde quer que fugisse, ele parecia estar lá, observando.
Ao chegarem à imensa propriedade rural da família, a agitação do casamento já tomava conta do lugar. Primas corriam de um lado para o outro, luzes de gambiarra eram penduradas nas árvores e o cheiro de comida caseira flutuava no ar. Assim que o carro parou, Eduarda foi a primeira a sair, buscando refúgio entre as primas da sua idade que já a esperavam.
— Duda! Você veio! — exclamou uma das primas, puxando-a para um abraço.
Emanuel observou de longe enquanto descarregava as malas. Ele viu Eduarda sorrir, um sorriso genuíno que ela raramente mostrava a ele. Viu-a sussurrar algo com as outras garotas, os olhos brilhando com uma excitação infantil.
— Elas estão planejando algo — comentou Sara, encostada no carro, acendendo um cigarro com um isqueiro dourado. — Ouvi as fofocas. Dizem que a ponte velha aqui perto é mal-assombrada. Uma noiva fantasma ou algo do tipo. Coisas de interior.
Emanuel franziu o cenho, o instinto protetor disparando como um alarme.
— Aquela ponte de pedra? Ela está caindo aos pedaços. É perigoso.
— Deixe-as, Emanuel. São jovens — Sara soprou a fumaça para o alto, olhando para as próprias unhas. — Além disso, Eduarda precisa de um pouco de adrenalina naquela vida sem graça de museus.
O jantar passou como um borrão de conversas cruzadas e risadas. Emanuel tentou manter a compostura, mas seus olhos sempre voltavam para Eduarda. Ela mal tocou na comida, parecendo ansiosa. Ele sentia a tensão crescendo em seu peito, uma mistura de irritação por não ter o controle da situação e uma preocupação irracional.
Perto da meia-noite, a casa começou a silenciar. Sara já estava no quarto, vestindo uma camisola de renda mínima, esperando por ele com aquele olhar de quem sabia exatamente o poder que exercia.
— Vem deitar, Manu — chamou ela, a voz manhosa. — Esqueça o trabalho por uma noite.
— Já vou, Sara. Só vou verificar se tranquei o carro direito — mentiu ele, a voz rígida.
Ele saiu para o corredor sombrio da casa colonial e esperou. Minutos depois, ouviu passos leves. Três vultos passaram pela varanda dos fundos. Eduarda e duas primas, vestindo casacos por cima dos pijamas, carregando lanternas apagadas. Elas riam em sussurros, caminhando em direção à trilha que levava ao rio.
O sangue de Emanuel ferveu. A irresponsabilidade daquela situação o atingiu como um soco. A ponte de pedra ficava a quase um quilômetro da casa, em uma área de mata fechada e terreno instável. Sem pensar duas vezes, ele pegou sua jaqueta e as seguiu, mantendo-se a uma distância segura, mas com o coração martelando contra as costelas.
A floresta à noite era um labirinto de sombras. O som dos grilos era ensurdecedor. Emanuel via os clarões ocasionais das lanternas das garotas mais à frente. Ele estava furioso. Eduarda, tão sensível e frágil, se metendo no meio do mato por causa de uma lenda idiota.
Quando chegaram à ponte, o cenário era lúgubre. A estrutura de pedra, coberta de musgo e hera, erguia-se sobre um desfiladeiro raso onde o rio corria com força devido às chuvas recentes. As garotas pararam no início da ponte, hesitando.
— Dizem que se você chamar o nome dela três vezes, ela aparece no meio da neblina — sussurrou uma das primas, a voz trêmula de excitação.
Eduarda deu um passo à frente, segurando-se no parapeito de pedra desgastado. Ela parecia uma aparição sob a luz da lua, o vestido claro brilhando na escuridão.
— Vocês acham que ela está triste? — perguntou Eduarda, a voz carregada daquela empatia que Emanuel tanto conhecia. — Morrer antes de casar... deve ser a pior solidão do mundo.
— Eduarda! — O grito de Emanuel cortou o silêncio da noite como um chicote.
As três garotas deram um pulo, soltando gritos de susto. Eduarda quase perdeu o equilíbrio, segurando-se com força na pedra fria. Emanuel saiu das sombras, a expressão endurecida, os olhos faiscando de uma raiva contida que beirava o descontrole.
— O que vocês pensam que estão fazendo aqui? — Ele caminhou em direção a elas, a postura firme e autoritária. — Vocês têm noção do perigo? Esse lugar é instável, está escuro e vocês estão sozinhas.
As primas, intimidadas pela presença imponente do homem de 25 anos, o tatuador rico e sério que elas mal conheciam, recuaram imediatamente.
— A gente... a gente só queria ver a noiva, Emanuel — gaguejou uma delas.
— Voltem para casa. Agora! — ordenou ele, o tom de voz não permitindo discussões.
As garotas não esperaram um segundo convite. Saíram correndo pela trilha, mas Eduarda ficou. Ela estava paralisada, as mãos ainda agarradas ao parapeito, olhando para Emanuel com os olhos arregalados e úmidos.
— Eu não sou criança, Emanuel — disse ela, a voz falhando, tentando buscar uma coragem que não possuía.
Emanuel deu dois passos largos, invadindo o espaço pessoal dela. Ele era muito mais alto, e sua presença parecia consumir todo o oxigênio ao redor de Eduarda. Ele a segurou pelos ombros, não com força para machucar, mas com uma firmeza que demonstrava o quanto ele estava afetado.
— Você é irresponsável! — rosnou ele, o rosto a centímetros do dela. — Se você caísse dessa ponte, se algo acontecesse com você... você tem ideia do que isso faria comigo?
Eduarda estremeceu sob o toque dele. O calor das mãos de Emanuel atravessava o tecido fino de seu casaco. Ela sentia o cheiro dele — uma mistura de tabaco caro, tinta de tatuagem e algo puramente masculino.
— Por que você se importa tanto? — perguntou ela, as lágrimas finalmente transbordando. — Você tem a Sara. Você tem tudo. Me deixa em paz.
— Eu não consigo te deixar em paz! — Emanuel explodiu, a racionalidade que ele tanto prezava se esvaindo. — Eu tento, Eduarda. Deus sabe o quanto eu tento focar na Sara, no trabalho, em qualquer coisa que não seja essa sua carinha de quem precisa de proteção. Mas você foge de mim como se eu fosse um monstro.
— E você não é? — ela rebateu, a voz embargada. — Você olha para mim como se eu fosse sua propriedade. Mas você pertence à minha irmã.
Emanuel soltou um suspiro pesado, encostando a testa na dela por um momento, fechando os olhos para tentar recuperar o controle. A tensão entre os dois era quase palpável, um fio esticado prestes a arrombar. Ele queria sacudi-la por ser tão teimosa e, ao mesmo tempo, queria escondê-la do mundo inteiro.
— Sara sabe o que eu sinto — confessou ele em um sussurro sombrio. — E ela não se importa, porque ela sabe que eu não vou deixá-la. Mas isso não muda o fato de que, cada vez que você se coloca em perigo, eu sinto que vou perder o chão.
Eduarda tentou se afastar, mas ele a puxou para mais perto, envolvendo-a em um abraço protetor e possessivo. Ela enterrou o rosto no peito dele, chorando silenciosamente, odiando-se por se sentir tão segura naqueles braços.
— Nunca mais faça isso — disse ele, a voz agora baixa e possessiva, o tom de comando voltando. — Se quiser ver a lua, veja da varanda. Se quiser ir a algum lugar, eu te levo. Mas não saia de perto de mim assim. Entendeu?
Eduarda assentiu fracamente contra o peito dele. Ela sabia que aquela proximidade era perigosa. Sabia que Sara estava lá em cima, na casa, esperando por ele. Mas, naquele momento, sob a sombra da ponte de pedra e o mito da noiva fantasma, ela era a única coisa que existia para Emanuel. E, para sua própria vergonha, ela desejava que o caminho de volta para casa fosse infinitamente longo.
Emanuel a soltou o suficiente apenas para guiar seu caminho, mantendo uma mão firme em sua cintura enquanto caminhavam de volta pela trilha escura. Ele estava tenso, o estresse acumulado agora misturado com um desejo proibido que ele mal conseguia conter. Ele queria as duas. Queria a força de Sara para governar seu império e a doçura de Eduarda para acalmar sua alma. E, enquanto caminhavam sob o luar, ele sabia que não descansaria até ter ambas sob seu controle total.
— Emanuel, querido, você precisa relaxar os ombros — comentou Sara, a voz carregada de um sarcasmo afetuoso. Ela estendeu a mão, as unhas longas e impecáveis acariciando a nuca dele. — É apenas o casamento de uma prima distante. Não é como se estivéssemos indo para um funeral.
Emanuel não desviou os olhos da estrada. Suas mãos apertavam o volante de couro com uma força desnecessária. Ele estava exausto. Gerenciar uma rede global de estúdios de tatuagem e outros empreendimentos exigia uma frieza que, no momento, ele não possuía. A tensão acumulada em seu pescoço tinha nome e sobrenome, e ela estava sentada no banco de trás, encolhida contra a porta, tentando se tornar invisível.
— Estou apenas cansado, Sara — respondeu ele, a voz rouca e firme. — A logística dessa viagem foi um caos.
— Ah, pare com isso. Eu cuidei de metade da papelada da equipe de administração antes de sairmos — Sara deu de ombros, guardando o batom na bolsa de grife. — Você sabe que eu sou eficiente. Agora, olhe para a sua cunhadinha ali atrás. Eduarda, você está viva?
No banco traseiro, Eduarda deu um sobressalto. Ela usava um vestido de linho bege, leve e fluido, que parecia grande demais para seu corpo esguio. Seus cabelos castanhos caíam sobre os ombros em ondas naturais, e ela segurava um caderno de esboços contra o peito, como se fosse um escudo.
— Estou... estou bem, Sara — murmurou Eduarda, a voz tão baixa que quase foi engolida pelo som do vento nas janelas.
Emanuel olhou pelo retrovisor. Seus olhos se encontraram com os de Eduarda por um breve segundo antes de ela desviar o olhar para a floresta lá fora. Aquele olhar sensível dela, sempre carregado de uma melancolia que ele sentia uma necessidade visceral de proteger, o irritava e o fascinava ao mesmo tempo. Ele amava Sara; amava a confiança dela, a competência, a forma como ela não pedia permissão para existir. Mas Eduarda... Eduarda era o silêncio que ele buscava em meio ao ruído de sua vida de sucesso.
— Você deveria comer algo quando chegarmos — disse Emanuel, o tom de voz suavizando-se inconscientemente ao dirigir-se a Eduarda. — Está pálida.
— Ela está sempre pálida, Emanuel. É o charme da estudante de História da Arte — Sara riu, uma risada anasalada e provocativa. Ela não tinha ciúmes de Eduarda. Para Sara, a meia-irmã era uma criatura frágil, quase um animal de estimação que Emanuel gostava de cuidar. Ela se sentia a rainha absoluta, a "namorada principal", e a ideia de que Emanuel pudesse desejar aquela menina tímida era quase cômica para sua autoestima inabalável.
Eduarda não respondeu. Ela odiava a forma como se sentia perto deles. Sentia-se pequena sob o brilho de Sara e vulnerável sob o olhar pesado de Emanuel. O fato de serem irmãs por parte de pai — um segredo de uma noite que resultou em Sara, anos antes de seus pais se conhecerem e formarem uma família moderna e funcional — nunca as aproximou. Para Eduarda, Emanuel era um perigo que ela tentava evitar a todo custo, mas para onde quer que fugisse, ele parecia estar lá, observando.
Ao chegarem à imensa propriedade rural da família, a agitação do casamento já tomava conta do lugar. Primas corriam de um lado para o outro, luzes de gambiarra eram penduradas nas árvores e o cheiro de comida caseira flutuava no ar. Assim que o carro parou, Eduarda foi a primeira a sair, buscando refúgio entre as primas da sua idade que já a esperavam.
— Duda! Você veio! — exclamou uma das primas, puxando-a para um abraço.
Emanuel observou de longe enquanto descarregava as malas. Ele viu Eduarda sorrir, um sorriso genuíno que ela raramente mostrava a ele. Viu-a sussurrar algo com as outras garotas, os olhos brilhando com uma excitação infantil.
— Elas estão planejando algo — comentou Sara, encostada no carro, acendendo um cigarro com um isqueiro dourado. — Ouvi as fofocas. Dizem que a ponte velha aqui perto é mal-assombrada. Uma noiva fantasma ou algo do tipo. Coisas de interior.
Emanuel franziu o cenho, o instinto protetor disparando como um alarme.
— Aquela ponte de pedra? Ela está caindo aos pedaços. É perigoso.
— Deixe-as, Emanuel. São jovens — Sara soprou a fumaça para o alto, olhando para as próprias unhas. — Além disso, Eduarda precisa de um pouco de adrenalina naquela vida sem graça de museus.
O jantar passou como um borrão de conversas cruzadas e risadas. Emanuel tentou manter a compostura, mas seus olhos sempre voltavam para Eduarda. Ela mal tocou na comida, parecendo ansiosa. Ele sentia a tensão crescendo em seu peito, uma mistura de irritação por não ter o controle da situação e uma preocupação irracional.
Perto da meia-noite, a casa começou a silenciar. Sara já estava no quarto, vestindo uma camisola de renda mínima, esperando por ele com aquele olhar de quem sabia exatamente o poder que exercia.
— Vem deitar, Manu — chamou ela, a voz manhosa. — Esqueça o trabalho por uma noite.
— Já vou, Sara. Só vou verificar se tranquei o carro direito — mentiu ele, a voz rígida.
Ele saiu para o corredor sombrio da casa colonial e esperou. Minutos depois, ouviu passos leves. Três vultos passaram pela varanda dos fundos. Eduarda e duas primas, vestindo casacos por cima dos pijamas, carregando lanternas apagadas. Elas riam em sussurros, caminhando em direção à trilha que levava ao rio.
O sangue de Emanuel ferveu. A irresponsabilidade daquela situação o atingiu como um soco. A ponte de pedra ficava a quase um quilômetro da casa, em uma área de mata fechada e terreno instável. Sem pensar duas vezes, ele pegou sua jaqueta e as seguiu, mantendo-se a uma distância segura, mas com o coração martelando contra as costelas.
A floresta à noite era um labirinto de sombras. O som dos grilos era ensurdecedor. Emanuel via os clarões ocasionais das lanternas das garotas mais à frente. Ele estava furioso. Eduarda, tão sensível e frágil, se metendo no meio do mato por causa de uma lenda idiota.
Quando chegaram à ponte, o cenário era lúgubre. A estrutura de pedra, coberta de musgo e hera, erguia-se sobre um desfiladeiro raso onde o rio corria com força devido às chuvas recentes. As garotas pararam no início da ponte, hesitando.
— Dizem que se você chamar o nome dela três vezes, ela aparece no meio da neblina — sussurrou uma das primas, a voz trêmula de excitação.
Eduarda deu um passo à frente, segurando-se no parapeito de pedra desgastado. Ela parecia uma aparição sob a luz da lua, o vestido claro brilhando na escuridão.
— Vocês acham que ela está triste? — perguntou Eduarda, a voz carregada daquela empatia que Emanuel tanto conhecia. — Morrer antes de casar... deve ser a pior solidão do mundo.
— Eduarda! — O grito de Emanuel cortou o silêncio da noite como um chicote.
As três garotas deram um pulo, soltando gritos de susto. Eduarda quase perdeu o equilíbrio, segurando-se com força na pedra fria. Emanuel saiu das sombras, a expressão endurecida, os olhos faiscando de uma raiva contida que beirava o descontrole.
— O que vocês pensam que estão fazendo aqui? — Ele caminhou em direção a elas, a postura firme e autoritária. — Vocês têm noção do perigo? Esse lugar é instável, está escuro e vocês estão sozinhas.
As primas, intimidadas pela presença imponente do homem de 25 anos, o tatuador rico e sério que elas mal conheciam, recuaram imediatamente.
— A gente... a gente só queria ver a noiva, Emanuel — gaguejou uma delas.
— Voltem para casa. Agora! — ordenou ele, o tom de voz não permitindo discussões.
As garotas não esperaram um segundo convite. Saíram correndo pela trilha, mas Eduarda ficou. Ela estava paralisada, as mãos ainda agarradas ao parapeito, olhando para Emanuel com os olhos arregalados e úmidos.
— Eu não sou criança, Emanuel — disse ela, a voz falhando, tentando buscar uma coragem que não possuía.
Emanuel deu dois passos largos, invadindo o espaço pessoal dela. Ele era muito mais alto, e sua presença parecia consumir todo o oxigênio ao redor de Eduarda. Ele a segurou pelos ombros, não com força para machucar, mas com uma firmeza que demonstrava o quanto ele estava afetado.
— Você é irresponsável! — rosnou ele, o rosto a centímetros do dela. — Se você caísse dessa ponte, se algo acontecesse com você... você tem ideia do que isso faria comigo?
Eduarda estremeceu sob o toque dele. O calor das mãos de Emanuel atravessava o tecido fino de seu casaco. Ela sentia o cheiro dele — uma mistura de tabaco caro, tinta de tatuagem e algo puramente masculino.
— Por que você se importa tanto? — perguntou ela, as lágrimas finalmente transbordando. — Você tem a Sara. Você tem tudo. Me deixa em paz.
— Eu não consigo te deixar em paz! — Emanuel explodiu, a racionalidade que ele tanto prezava se esvaindo. — Eu tento, Eduarda. Deus sabe o quanto eu tento focar na Sara, no trabalho, em qualquer coisa que não seja essa sua carinha de quem precisa de proteção. Mas você foge de mim como se eu fosse um monstro.
— E você não é? — ela rebateu, a voz embargada. — Você olha para mim como se eu fosse sua propriedade. Mas você pertence à minha irmã.
Emanuel soltou um suspiro pesado, encostando a testa na dela por um momento, fechando os olhos para tentar recuperar o controle. A tensão entre os dois era quase palpável, um fio esticado prestes a arrombar. Ele queria sacudi-la por ser tão teimosa e, ao mesmo tempo, queria escondê-la do mundo inteiro.
— Sara sabe o que eu sinto — confessou ele em um sussurro sombrio. — E ela não se importa, porque ela sabe que eu não vou deixá-la. Mas isso não muda o fato de que, cada vez que você se coloca em perigo, eu sinto que vou perder o chão.
Eduarda tentou se afastar, mas ele a puxou para mais perto, envolvendo-a em um abraço protetor e possessivo. Ela enterrou o rosto no peito dele, chorando silenciosamente, odiando-se por se sentir tão segura naqueles braços.
— Nunca mais faça isso — disse ele, a voz agora baixa e possessiva, o tom de comando voltando. — Se quiser ver a lua, veja da varanda. Se quiser ir a algum lugar, eu te levo. Mas não saia de perto de mim assim. Entendeu?
Eduarda assentiu fracamente contra o peito dele. Ela sabia que aquela proximidade era perigosa. Sabia que Sara estava lá em cima, na casa, esperando por ele. Mas, naquele momento, sob a sombra da ponte de pedra e o mito da noiva fantasma, ela era a única coisa que existia para Emanuel. E, para sua própria vergonha, ela desejava que o caminho de volta para casa fosse infinitamente longo.
Emanuel a soltou o suficiente apenas para guiar seu caminho, mantendo uma mão firme em sua cintura enquanto caminhavam de volta pela trilha escura. Ele estava tenso, o estresse acumulado agora misturado com um desejo proibido que ele mal conseguia conter. Ele queria as duas. Queria a força de Sara para governar seu império e a doçura de Eduarda para acalmar sua alma. E, enquanto caminhavam sob o luar, ele sabia que não descansaria até ter ambas sob seu controle total.
