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Sugar honey ice tea

Fandom: Babymonster, Madoka mágica, She-ha e as princesas do poder

Criado: 18/06/2026

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O Acordo Entre Notas Altas e Sombras Eternas

A sala de ensaio da YG Entertainment estava banhada pela luz alaranjada do pôr do sol, mas Ahyeon mal percebia a beleza do fim de tarde. O suor escorria por sua testa enquanto ela tentava, pela décima vez, atingir aquele *high note* perfeito na ponte de sua música de avaliação. Ela abriu a boca, o som saindo cristalino e potente, preenchendo cada canto do estúdio espelhado.

— Isso! — gritou ela para o próprio reflexo, socando o ar com um sorriso radiante. — Se eu fizer isso na frente dos produtores, eles não vão ter escolha a não ser me colocar no grupo final!

Ahyeon era a definição de energia. Branca como porcelana, com cabelos pretos que chicoteavam o ar enquanto ela dançava, sua personalidade espontânea era o que mantinha o ânimo das outras trainees. Mas, assim que a música parou, o brilho em seus olhos vacilou. Ela pegou o celular e viu uma mensagem de sua mãe perguntando se ela voltaria tarde. Logo abaixo, uma foto de seu irmãozinho, Johny. O menino de seis anos parecia mais encolhido do que o normal, abraçando um urso de pelúcia.

Desde que seus pais se separaram, Johny se fechara em um casulo de silêncio. Ahyeon sentia que seu coração se partia toda vez que o via. Ela tinha um plano: se ela se tornasse uma estrela, se ela ganhasse dinheiro e fama, talvez pudesse unir a família novamente. Talvez o orgulho de ter uma filha ídolo fizesse seus pais perceberem que eram melhores juntos.

— Você tem um desejo muito nobre, Ahyeon.

A voz era fina, desprovida de qualquer emoção humana, e parecia vir de todos os lugares ao mesmo tempo. Ahyeon deu um pulo, olhando ao redor. Sentado em cima de uma das caixas de som, estava uma criatura que parecia ter saído de um pesadelo fofo. Tinha pelos brancos, orelhas longas com anéis dourados flutuando nelas e olhos vermelhos que não piscavam.

— Mas o que... que tipo de bicho de pelúcia é você? — Ahyeon perguntou, recuando um passo, mas a curiosidade logo superando o medo. — Você é um drone da empresa?

— Meu nome é Kyubey — disse a criatura, inclinando a cabeça de forma mecânica. — Eu vim de muito longe para encontrar garotas como você. Garotas que possuem um potencial energético capaz de desafiar as leis da termodinâmica.

Ahyeon soltou uma risada nervosa, balançando as mãos.

— Olha, eu sou trainee de K-pop, não de física! Se você quer alguém para falar de termodinâmica, vai na escola de ciências. Eu só quero cantar e cuidar do meu irmão.

— Exatamente — Kyubey saltou para o chão, movendo-se sem fazer barulho. — Eu posso realizar qualquer desejo seu. Qualquer um. Em troca, você só precisa se tornar uma Garota Mágica e lutar contra as Bruxas que assolam este mundo.

Ahyeon parou por um momento. O silêncio na sala tornou-se pesado.

— Qualquer desejo? — Ela sussurrou, a imagem de seus pais jantando juntos e rindo com Johny vindo à sua mente. — Você poderia fazer minha família ser feliz de novo? Tipo, de verdade?

— É um pedido simples para o poder que você receberá — Kyubey se aproximou, seus olhos vermelhos brilhando com uma frieza calculista. — Basta aceitar o contrato.

— Não faça isso!

Uma segunda voz, idêntica à primeira, mas carregada de uma urgência desesperada, ecoou pelo estúdio. De trás de uma cortina, outro Kyubey surgiu. Mas este parecia diferente; seus pelos estavam levemente eriçados e ele parecia... cansado.

— Ahyeon, não escute ele! — disse o segundo Kyubey, correndo para ficar entre a garota e o primeiro alienígena. — Ele está omitindo a verdade. O contrato é uma armadilha.

Ahyeon olhou de um para o outro, confusa.

— Dois? Agora estou vendo em dobro? Eu devo estar treinando demais, a glicose baixou...

— Eu sou o que restou de uma consciência que entendeu o erro — disse o segundo Kyubey, que Ahyeon decidiu chamar mentalmente de "Kyubey do Bem". — Ele quer coletar suas emoções. Quando uma Garota Mágica cai no desespero, ela não morre simplesmente. Ela se transforma naquilo que caçava. Ela se torna uma Bruxa.

O primeiro Kyubey não se abalou. Ele apenas observou seu sósia com um desprezo lógico.

— A entropia do universo precisa ser contida — explicou o Kyubey frio. — O sacrifício de algumas garotas humanas é um preço ínfimo para garantir que a existência continue. As emoções humanas são a fonte de energia mais eficiente que encontramos.

— Você está dizendo que eu vou virar um monstro? — Ahyeon sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Sua espontaneidade deu lugar a um medo genuíno.

— Você será uma heroína antes — rebateu o Kyubey manipulador. — E pense no Johny. Ele está sofrendo agora, não está? As Bruxas se alimentam da tristeza dele. Se você não fizer nada, ele pode nunca mais sorrir.

— Isso é mentira! — gritou o Kyubey do Bem. — Você pode ajudar seu irmão sem vender sua alma!

De repente, as luzes do estúdio começaram a piscar violentamente. O ar ficou gelado e um cheiro de mofo e flores podres inundou o ambiente. As paredes de espelho começaram a rachar, mas não caíam; em vez disso, as rachaduras formavam padrões psicodélicos de labirintos e doces macabros.

— Uma Bruxa — disse o Kyubey frio, sua voz calma enquanto o caos se instalava. — E ela está indo em direção à sua casa, Ahyeon. O rastro de tristeza do seu irmão a atraiu como um farol.

O coração de Ahyeon disparou. Ela pegou sua bolsa, as mãos tremendo.

— Johny! Eu preciso ir!

— Você não chegará a tempo a pé — disse Kyubey, caminhando ao lado dela enquanto ela corria para a saída, que agora parecia distorcida. — Mas, se aceitar o contrato agora, você terá o poder de voar, de lutar e de salvar o que mais ama.

Ahyeon chegou à rua, mas a cidade de Seul não era mais a mesma. O céu estava roxo e criaturas estranhas, que pareciam sombras com máscaras de porcelana, flutuavam entre os prédios. Eram os familiares da Bruxa.

— Ahyeon, espere! — O Kyubey do Bem tentava acompanhá-la. — Se você aceitar, ele vai sabotar sua vida para que você se desespere mais rápido! É assim que ele acelera o processo!

— Eu não me importo comigo! — gritou Ahyeon, as lágrimas começando a descer por seu rosto. — Se algo acontecer com o Johny porque eu fui egoísta e tive medo, eu nunca vou me perdoar!

Ela viu, ao longe, o prédio onde morava. Uma massa negra e pulsante, cheia de tentáculos que pareciam feitos de fitas de cetim e espinhos, estava enrolada no topo da estrutura. Era a Bruxa. E ela estava emitindo um som agudo, um choro de criança distorcido que fez Ahyeon cair de joelhos, cobrindo os ouvidos.

— É a sua chance — sussurrou o Kyubey manipulador em seu ouvido, aproveitando-se de sua vulnerabilidade. — Diga as palavras. Faça o desejo. Salve o seu irmão e torne-se a estrela que o mundo precisa.

Ahyeon olhou para o topo do prédio. Ela imaginou Johny lá dentro, sozinho no escuro, cercado por aquele horror. Ela pensou em sua voz, na música que ela amava, e como tudo aquilo parecia pequeno diante da vida do irmão.

— Eu... — Ela começou, a voz falhando.

— Não faça isso, Ahyeon! — suplicou o Kyubey do Bem. — Existe outra forma!

— Eu desejo... — Ahyeon fechou os olhos com força, a imagem de Johny sorrindo sendo a última coisa em sua mente.

— Espere! — Uma voz nova, poderosa e vibrante, cortou o ar como um trovão.

Do alto do céu, um feixe de luz dourada rasgou as nuvens roxas. Uma figura desceu em alta velocidade, brandindo uma espada que brilhava com a intensidade de mil sóis. Ela tinha cabelos loiros curtos e uma capa vermelha que flutuava majestosamente. Com um movimento preciso, ela cortou um dos tentáculos da Bruxa que se aproximava de Ahyeon.

— Quem é você? — perguntou Ahyeon, boquiaberta, esquecendo por um segundo de Kyubey.

— Eu sou Adora — disse a guerreira, pousando entre Ahyeon e o alienígena, a espada apontada para o Kyubey frio. — E eu já vi manipuladores como você em muitos mundos, "gatinho".

Adora olhou para Ahyeon com um sorriso encorajador, embora seus olhos mostrassem que ela estava pronta para a batalha.

— Não assine nada que esse bicho oferecer. Ele não é um deus, é apenas um parasita.

O Kyubey frio inclinou a cabeça, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade sinistra.

— Uma variável desconhecida. Uma princesa de outra dimensão. Isso não deveria ser possível de acordo com os cálculos de probabilidade.

— Seus cálculos não levam em conta a força da amizade e da rebeldia — disse Adora, transformando sua espada em um escudo para bloquear um ataque de sombra da Bruxa. — Ahyeon, escute! Você tem um poder dentro de você que não precisa de contratos sombrios. Sua voz... eu senti a energia dela daqui!

Ahyeon se levantou, limpando as lágrimas. Ela olhou para Adora, depois para o Kyubey do Bem, que parecia aliviado, e finalmente para o Kyubey manipulador, que continuava parado, esperando como um abutre.

— Minha voz? — Ahyeon perguntou.

— Sim! — gritou o Kyubey do Bem. — A música é uma forma de pureza que as Bruxas não conseguem suportar. Você não precisa vender sua alma para lutar contra elas. Você pode usar sua própria arte!

A Bruxa soltou um rugido ensurdecedor, e o prédio começou a tremer. Ahyeon viu a janela do quarto de Johny. Ele estava lá, olhando para fora, os olhos arregalados de terror.

— Johny! — Ahyeon gritou.

Ela não pensou mais. Ela não precisava de mágica alienígena. Ela tinha a sua música. Ahyeon respirou fundo, expandindo o diafragma como tinha treinado exaustivamente naqueles anos de trainee. Ela fechou os olhos e buscou a nota mais alta, mais pura e mais cheia de amor que conseguia conceber.

— AAAAAAAHHHHHHHHHHH!

O grito não foi apenas um som. Foi uma onda de choque de luz branca. A nota atingiu a Bruxa como um laser, fazendo a criatura recuar e se contorcer. As sombras que cobriam a cidade começaram a se dissipar sob a força da vibração da voz de Ahyeon.

Adora aproveitou a abertura, saltando em direção à Bruxa com a espada erguida.

— Pela honra de Grayskull! — O grito de Adora se fundiu ao *high note* de Ahyeon.

A explosão de luz foi tão intensa que Ahyeon teve que cobrir os olhos. Quando ela finalmente os abriu, o céu de Seul estava voltando ao seu azul escuro natural de noite. O prédio estava intacto. A Bruxa tinha desaparecido, deixando apenas uma pequena semente negra no chão, que o Kyubey frio rapidamente pegou e engoliu.

— Eficiente — comentou o Kyubey manipulador, sem demonstrar frustração. — Você repeliu a Bruxa desta vez, Ahyeon. Mas elas voltarão. E a tristeza da sua família continuará a ser um banquete para elas. Eu estarei por perto quando você perceber que sua voz sozinha não pode consertar um casamento quebrado.

Com um movimento rápido, ele desapareceu nas sombras.

Adora guardou sua espada, que voltou a ser apenas um broche em sua roupa, e caminhou até Ahyeon.

— Você foi incrível — disse a princesa, colocando a mão no ombro da garota. — Nunca deixe ninguém dizer que você precisa de um atalho para ser poderosa.

— Obrigada — Ahyeon sorriu, embora ainda estivesse trêmula. — Mas... como você veio parar aqui?

— É uma longa história envolvendo portais dimensionais e uma amiga minha chamada Cintilante que mexeu onde não devia — Adora riu. — Mas acho que eu precisava estar aqui hoje.

O Kyubey do Bem se aproximou, sentando-se aos pés de Ahyeon.

— Eu vou ficar com você, Ahyeon. Vou te ajudar a proteger o Johny e a usar sua música para manter as sombras longe. Nós não precisamos dele.

Ahyeon olhou para o pequeno alienígena "do bem" e depois para Adora. Ela sentiu uma determinação que nunca tinha sentido antes. Ela não ia apenas ser uma trainee de K-pop. Ela ia ser uma protetora.

— Vamos entrar — disse Ahyeon, olhando para o prédio. — Eu preciso abraçar meu irmão. E depois... acho que tenho muito o que praticar. Se um *high note* pode espantar monstros, imagine o que um álbum inteiro pode fazer.

Adora sorriu, olhando para o horizonte da cidade.

— Eu gosto do seu estilo, garota.

Naquela noite, Ahyeon não apenas acalmou Johny com uma canção de ninar que fez o menino sorrir pela primeira vez em meses, mas ela também entendeu que sua jornada estava apenas começando. Entre ensaios de dança, avaliações mensais e a busca pelo estrelato, ela agora tinha uma missão secreta.

O contrato de Kyubey ainda estava pairando no ar, uma promessa sombria de uma solução fácil, mas Ahyeon sabia que a verdadeira magia não vinha de um desejo feito a um alienígena frio. Vinha da nota perfeita, do esforço sincero e da coragem de gritar contra a escuridão, mesmo quando sua voz era a única coisa que ela tinha.

E enquanto ela dormia, o Kyubey do Bem vigiava a janela, pronto para alertar sua nova amiga caso as sombras decidissem retornar. O mundo do K-pop estava prestes a conhecer uma estrela que brilhava mais do que qualquer holofote poderia proporcionar.
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