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Diablo

Fandom: Tensei shitara slime datta Ken

Criado: 19/06/2026

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O Sorriso do Demônio e a Sombra do Caos

A atmosfera no salão do Banquete de Walpurgis era, como sempre, carregada de uma tensão que faria qualquer ser comum desintegrar-se apenas por respirar o mesmo ar. Os Lordes Demônios, os seres mais poderosos do mundo, estavam reunidos em volta da mesa redonda do Octagrama. No entanto, o foco daquela reunião não era a política territorial ou o equilíbrio de poder, mas sim a figura que pairava silenciosamente atrás da cadeira de Rimuru Tempest.

Rimuru, em sua forma humana de cabelos prateados-azulados, sentia uma gota de suor frio escorrer por sua nuca. Ele sabia que Diablo era forte — afinal, o demônio havia resolvido problemas complexos com uma eficiência assustadora —, mas ele ainda não tinha processado totalmente o peso histórico de ter um Primordial sob seu comando. Para Rimuru, Diablo era apenas um subordinado extremamente dedicado (e um pouco excêntrico) que gostava de chá e de elogios.

Para os outros Lordes Demônios, no entanto, a visão era de puro terror.

— Rimuru... — a voz de Guy Crimson ecoou pelo salão, profunda e cortante como uma lâmina de gelo. Seus olhos vermelhos estavam fixos não no slime, mas na figura elegante vestida de mordomo. — Você tem noção do que trouxe para a minha mesa?

Rimuru piscou, olhando para trás por cima do ombro. Diablo exibiu um sorriso perfeitamente ensaiado, suas pupilas douradas com fendas carmesim brilhando com uma satisfação malévola.

— Oh, peço desculpas se minha presença incomoda, Lorde Guy — disse Diablo, sua voz suave como seda, mas carregada de um veneno que apenas outro demônio poderia identificar. — Eu sou apenas o humilde servo do Lorde Rimuru. Nada mais, nada menos.

— Humilde... — Milim Nava, que geralmente estava ocupada comendo, parou com um pedaço de carne no ar, seus olhos arregalados. — Ei, Rimuru! Esse cara aí... ele é o "Noir", não é? O que ele está fazendo usando roupas de mordomo?!

— Noir? — Rimuru inclinou a cabeça. — Bem, o nome dele agora é Diablo. Eu o batizei há algum tempo. Ele é muito bom em organizar papéis e fazer chá.

Um silêncio sepulcral caiu sobre o Octagrama. Até mesmo Leon Cromwell, sempre impassível, franziu o cenho, e Ramiris quase caiu de sua cadeira voadora.

— Você o batizou? — Guy Crimson soltou uma risada seca, levantando-se de seu trono. Ele caminhou lentamente em direção a Rimuru, a pressão mágica em volta dele começando a distorcer o próprio espaço. — Você batizou um dos Sete Primordiais, o mais instável e perigoso de todos nós, e o transformou em um... criado?

— Kufufufu. — A risada de Diablo vibrou pelo ar, fazendo os pelos dos braços de Rimuru se arrepiarem. — "Criado" é um termo tão limitado, Lorde Guy. Eu sou o instrumento da vontade de Rimuru-sama. Ser seu mordomo é a maior honra que este mundo poderia me oferecer. Algo que alguém como você, que se contenta em apenas observar o mundo, jamais entenderia.

Guy parou a poucos metros deles. A tensão entre os dois Primordiais era palpável, como duas tempestades colidindo.

— Você sempre foi arrogante, Noir — disse Guy, um sorriso predatório surgindo em seu rosto. — Mas vê-lo assim, lambendo as botas de um slime... é quase patético. Ou talvez seja apenas uma fachada? O que acontece se eu decidir que este assento está um pouco cheio demais hoje?

Diablo deu um passo à frente, saindo da sombra de Rimuru. O ar no salão tornou-se subitamente pesado, saturado com uma aura de morte tão densa que os outros Lordes Demônios se prepararam para o combate.

— Se você tocar em um único fio de cabelo de Rimuru-sama — a voz de Diablo caiu para um sussurro gélido, desprovido de qualquer humanidade —, eu farei com que sua eternidade seja gasta implorando por uma aniquilação que eu nunca lhe concederei.

— Diablo, acalme-se! — exclamou Rimuru, levantando as mãos em um gesto de paz. — Guy, ele só está fazendo o trabalho dele. Não precisa de nada disso.

— Oh, mas eu insisto, Rimuru — Guy provocou, ignorando o slime e focando inteiramente em Diablo. — Diga-me, Noir... como é a sensação de ser um cão de estimação? Ele te dá petiscos quando você se senta? Ou ele te trata como o monstro sem alma que você realmente é?

A expressão de Diablo não mudou, mas o chão sob seus pés começou a rachar.

— Rimuru-sama é a personificação da benevolência e da sabedoria — respondeu Diablo, sua aura expandindo-se em tons de preto e vermelho. — Diferente de você, que precisa de um trono para sentir-se importante, eu encontro minha plenitude na servitude ao ser mais perfeito desta existência. Sua provocação é tão fútil quanto sua existência diante da grandeza dele.

Guy riu alto, um som que fez as paredes do castelo tremerem.

— Tão protetor... tão possessivo. Você sempre foi o mais estranho de nós, mas isso supera tudo. — Guy olhou para Rimuru com um brilho malicioso nos olhos. — Diga-me, Rimuru, você sabia que demônios são criaturas obsessivas? Especialmente os Primordiais. Se ele decidir que você pertence a ele, ele queimará mundos inteiros só para garantir que ninguém mais olhe para você.

Rimuru olhou de Guy para Diablo, sentindo-se cada vez mais desconfortável.

— Bem, ele é um pouco intenso às vezes, mas... — Rimuru tentou amenizar a situação.

— Intenso? — Guy interrompeu, aproximando-se ainda mais de Rimuru, estendendo a mão como se fosse tocar o rosto do slime. — Eu me pergunto o que aconteceria se eu decidisse "tomar emprestado" o seu mestre por alguns séculos, Noir. Ele parece tão... maleável.

Em um piscar de olhos, a mão de Diablo estava segurando o pulso de Guy. O movimento foi tão rápido que quase ninguém viu. O som do impacto da pressão mágica criou uma onda de choque que quebrou as taças de cristal sobre a mesa.

— Não o toque — rosnou Diablo. A máscara de mordomo polido havia caído completamente, revelando a face do horror primordial. Seus olhos eram abismos de escuridão. — Suas mãos imundas não são dignas de sequer refletir a luz que emana de Rimuru-sama.

— Ora, ora... — Guy não recuou. Pelo contrário, sua própria aura explodiu em chamas carmesim. — Parece que toquei em um ponto sensível. Está pronto para morrer pelo seu brinquedo, Noir?

— Eu morreria e mataria mil vezes — respondeu Diablo, a energia negra se concentrando em suas garras. — Mas hoje, será você quem aprenderá o seu lugar.

— Parem com isso agora mesmo! — A voz de Rimuru não foi um grito, mas continha a autoridade de sua habilidade suprema.

O comando ecoou com tal força que ambos os demônios congelaram. Diablo, instantaneamente, recolheu sua aura e soltou o pulso de Guy, curvando-se profundamente diante de Rimuru.

— Peço mil desculpas, Rimuru-sama — disse Diablo, sua voz voltando ao tom melodioso e calmo, embora seus olhos ainda lançassem faíscas para Guy. — Deixei que a insolência deste indivíduo perturbasse sua paz. Por favor, perdoe este servo indigno.

Guy soltou uma risada curta, massageando o pulso.

— Você realmente o domou, Rimuru. Impressionante. Eu nunca pensei que veria o demônio mais caprichoso do inferno agir como um cachorrinho treinado.

— Ele não é um cachorrinho — resmungou Rimuru, suspirando de alívio por não ter que reconstruir o castelo de Guy. — Ele é meu amigo e meu subordinado. E, Diablo, tente não começar uma guerra mundial toda vez que alguém falar comigo, ok?

— Como desejar, Rimuru-sama — Diablo sorriu, um sorriso que ainda enviava calafrios pela espinha de todos os presentes. — Embora eu deva dizer que a proteção de sua integridade é minha prioridade absoluta. Se o Lorde Guy desejar continuar este diálogo, ficarei feliz em concluí-lo em um local onde as cinzas dele não sujem suas roupas.

Guy voltou para seu assento, parecendo mais entretido do que irritado.

— Você tem um guarda-costas perigoso, slime. — Guy olhou para os outros Lordes Demônios, que ainda estavam em choque. — Acho que a reunião pode prosseguir. Mas fiquem avisados: mexer com o Rimuru agora significa lidar com o Noir. E acreditem em mim, nenhum de vocês quer isso.

Rimuru sentou-se, tentando ignorar o olhar fixo e adorador que Diablo mantinha em suas costas. Ele percebeu, naquele momento, que ter Diablo como subordinado era como segurar uma bomba nuclear que só aceitava ser desativada por ele — e que tinha um ciúme mortal de qualquer um que chegasse perto do detonador.

— Rimuru-sama — sussurrou Diablo, inclinando-se para perto de seu ouvido.

— O que foi agora, Diablo? — perguntou Rimuru, cansado.

— O chá que serviram aqui é de qualidade inferior — disse o demônio, lançando um olhar de desprezo para os servos de Guy. — Na próxima vez, permitam-me trazer as folhas de nossa própria reserva em Tempest. O senhor merece apenas o melhor.

Rimuru apenas assentiu, decidindo que era melhor não discutir. No fundo, ele sabia que, enquanto Diablo estivesse ao seu lado, ele estaria seguro. O problema era que o resto do mundo talvez não estivesse.

A reunião continuou, mas o clima havia mudado permanentemente. Os Lordes Demônios agora olhavam para o pequeno slime com um novo nível de respeito — e um medo profundo do demônio que sorria nas sombras atrás dele, pronto para devorar qualquer um que ousasse desafiar a paz de seu mestre.

Enquanto Guy observava Diablo de longe, ele não pôde deixar de pensar que o equilíbrio do mundo tinha acabado de mudar drasticamente. Noir não era mais apenas uma força da natureza; ele era uma arma com propósito. E esse propósito era Rimuru Tempest.

— Isso vai ser interessante — murmurou Guy para si mesmo, um sorriso de antecipação cruzando seu rosto.

Diablo, percebendo o olhar, apenas ajustou suas luvas brancas e manteve seu posto, a sombra mais leal e perigosa que o Octagrama já havia visto.
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