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O Casamento Arranjado

Fandom: Original

Criado: 19/06/2026

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RomanceFantasiaHumorFofuraHistória DomésticaConsertoCenário Canônico
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A Alquimia do Caos e o Protocolo do Coração

O laboratório real de Alistair era o único lugar no castelo de Oakhaven que cheirava permanentemente a enxofre, lavanda seca e ozônio. Era um santuário de ordem em um reino que, para Alistair, parecia excessivamente barulhento. Ele ajustou os óculos no rosto, concentrado em uma gota de líquido prateado que flutuava sobre um bico de Bunsen encantado.

A porta explodiu contra a parede com um estrondo que fez o frasco de Alistair tremer perigosamente.

— Alistair! Você precisa me transformar em um sapo. Ou em uma estátua. Talvez em um pequeno arbusto decorativo? — A Princesa Lyra entrou no recinto como um furacão de seda rosa e energia caótica.

O cientista suspirou, fechando os olhos por um breve segundo para recuperar a paciência. Ele se virou lentamente, cruzando os braços sobre o avental de couro.

— Princesa, eu já lhe disse que a transmutação humana direta é ilegal, antiética e, francamente, um desperdício de reagentes caros. O que aconteceu desta vez? Fugiu da aula de cravo novamente?

— Pior — Lyra disse, jogando-se em um banco alto de madeira e balançando as pernas com impaciência. — Meu pai anunciou o noivado oficial. O Príncipe Julian, das Ilhas do Sul, chega em duas semanas. Alistair, ele coleciona selos. E ele tem um bigode que parece uma lagarta morta. Se eu me casar com ele, vou morrer de tédio antes da lua de mel.

Alistair voltou sua atenção para as anotações, tentando ignorar o aperto estranho em seu peito ao ouvir a palavra "noivado".

— É uma aliança política necessária, Lyra. O Rei me explicou. Evita uma guerra de fronteira que custaria milhares de vidas.

— Eu sei, eu sei! — Ela saltou do banco e começou a caminhar pelo laboratório, tocando em instrumentos que Alistair passara horas calibrando. — Mas e se eu não fosse uma "opção viável"? E se eu provasse que sou absolutamente incapaz de governar, ou melhor ainda, que sou perigosa?

Alistair arqueou uma sobrancelha, finalmente interessado na lógica (ou na falta dela).

— O que você está sugerindo exatamente?

— Sabotagem — disse ela, com um brilho travesso nos olhos castanhos. — Você é o homem mais inteligente do reino. Crie algo. Uma poção que me faça brilhar no escuro, ou algo que faça flores crescerem no meu cabelo toda vez que eu tento falar sobre diplomacia. Algo que convença o Conselho de que eu preciso de "tratamento intensivo" no seu laboratório e não de um trono.

Alistair soltou uma risada curta e seca.

— Você quer que eu fabrique evidências de instabilidade mágica para que você possa evitar um casamento arranjado?

— Por favor, Alistair — ela se aproximou, o perfume de jasmim que ela sempre usava invadindo o espaço pessoal dele. — Você é meu único amigo aqui que não me olha como se eu fosse apenas uma peça de xadrez.

O cientista desviou o olhar, sentindo o calor subir pelo pescoço. Ele sempre se considerou um homem de lógica pura, mas a presença de Lyra era uma variável que ele nunca conseguira isolar de suas equações.

— Se eu fizer isso — ele começou, a voz mais baixa —, nós dois seremos acusados de traição se formos descobertos.

— Só se formos pegos — ela sorriu, aquela curva de lábios que sempre o fazia esquecer como se respirava. — E você nunca comete erros, não é?

— Quase nunca — corrigiu ele.

Nas semanas que se seguiram, o laboratório tornou-se o quartel-general de uma conspiração sem precedentes. Alistair desenvolveu o que ele chamou de "Protocolo de Inaptidão Real". Consistia em uma série de pequenos "acidentes" alquímicos que Lyra deveria desencadear durante os eventos sociais que antecediam a chegada do príncipe.

— Lembre-se — Alistair instruiu, segurando um pequeno frasco de pó azulado —, este composto reage com o vinho tinto. Ele não é tóxico, mas cria uma espuma persistente que cheira a ovos podres.

— Perfeito para o jantar de gala — Lyra riu, anotando as instruções com uma letra garranchosa em um pergaminho.

— Por que você está tão animada com isso? — perguntou Alistair, observando-a. — Você vai arruinar sua reputação.

— Minha reputação é uma gaiola, Alistair. Eu prefiro ser a "Princesa Amaldiçoada" do que a "Rainha Submissa". Além disso... — ela parou, olhando para ele por cima do ombro — ... passar tempo aqui com você é muito mais divertido do que aprender a etiqueta da corte.

Alistair sentiu o coração falhar uma batida. Ele se ocupou limpando uma superfície de mármore que já estava impecável.

— O sentimento é... compreensível. O laboratório é um lugar de descobertas.

— Não seja tão clínico — ela se aproximou, tirando o pano da mão dele. — Você gosta que eu esteja aqui. Admita.

Alistair olhou para as mãos dela sobre as suas. A pele dela era quente, um contraste gritante com o frio habitual de suas ferramentas de vidro.

— Eu me acostumei com o caos que você traz — ele disse, com uma honestidade que o assustou.

O plano funcionou melhor do que o esperado. No primeiro jantar, Lyra acidentalmente (de propósito) transformou a sopa de todos em uma geleia vibrante que tentava fugir das colheres. No segundo dia, durante uma caminhada pelos jardins com os embaixadores, ela "espirrou" e fez com que todas as estátuas de mármore começassem a cantar ópera em tons desafinados.

O Conselho estava em pânico. O Rei estava perplexo. E Alistair estava, pela primeira vez na vida, lutando para manter sua fachada de indiferença.

Na noite anterior à chegada do Príncipe Julian, Lyra foi ao laboratório tarde da noite. Ela não estava saltitante como de costume.

— Alistair? — ela chamou suavemente.

Ele estava sentado em sua mesa, sob a luz de uma lâmpada mágica de cor âmbar.

— Aqui, Lyra.

Ela se sentou ao lado dele, o vestido de baile amassado.

— O Conselho deu o ultimato. Eles disseram que, devido aos meus "surtos de magia instável", o casamento deve ser adiado indefinidamente para que eu fique sob sua custódia para "estabilização".

— Então... nós vencemos — Alistair disse, mas não havia triunfo em sua voz.

— Sim. Eu não tenho que me casar. Posso ficar aqui. Com você. Todos os dias.

Alistair olhou para ela. A luz da lâmpada criava sombras suaves em seu rosto. Ele percebeu que a ideia de Lyra partindo para as Ilhas do Sul tinha sido a força motriz por trás de sua cooperação, não a ciência, não a lógica, mas o medo egoísta da solidão.

— Lyra — ele começou, a voz rouca —, você entende o que isso significa? Você será vista como alguém quebrada. Eu serei seu carcereiro aos olhos do mundo.

— Eu não me importo com o mundo — ela sussurrou, encurtando a distância entre eles. — Eu só me importo com o que acontece dentro destas paredes. Você se arrepende?

— De ajudar você? Nunca.

— De me manter aqui?

Alistair deixou de lado o último resquício de sua reserva INTJ. Ele estendeu a mão e tocou o rosto dela, o polegar traçando a linha de sua mandíbula.

— Meu maior erro científico foi acreditar que eu poderia observar você sem me envolver no experimento.

Lyra sorriu, mas desta vez era um sorriso doce, sem a malícia das travessuras.

— E qual é a conclusão do experimento, Doutor?

— Que a minha vida sem o seu caos é uma equação vazia — ele respondeu.

Alistair inclinou-se e a beijou. Foi um beijo que cheirava a poções e promessas proibidas. Lyra passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, o calor de seu corpo confirmando que nenhum príncipe ou tratado de paz valeria a perda daquele momento.

Quando se separaram, Lyra estava ofegante, os olhos brilhando.

— Então... o que faremos amanhã quando o Príncipe Julian chegar?

Alistair ajustou os óculos, um brilho astuto retornando aos seus olhos.

— Eu acredito que o "Protocolo de Inaptidão" precisa de um toque final. Eu desenvolvi um composto que, quando inalado, faz a pessoa acreditar que é um pato por exatamente duas horas.

Lyra soltou uma gargalhada alta que ecoou pelas vigas de pedra do laboratório.

— Para o príncipe ou para mim?

— Para o príncipe — Alistair sorriu, um sorriso raro e genuíno. — Ninguém quer se casar com uma princesa que tem um "carcereiro" tão eficiente em criar incidentes diplomáticos.

— Alistair? — ela chamou enquanto ele se virava para preparar a nova mistura.

— Sim?

— Eu acho que estou pronta para governar — ela disse, aproximando-se novamente e abraçando-o por trás, apoiando o queixo em seu ombro. — Mas só se o meu Conselheiro Real for um cientista teimoso que se recusa a me transformar em sapo.

Alistair cobriu as mãos dela com as suas, sentindo-se, pela primeira vez, perfeitamente em equilíbrio.

— Isso — ele disse — pode ser arranjado.
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