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O silencio

Fandom: BTS

Criado: 19/06/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoSombrioCiúmesSuspense
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Gaiola de Ouro e Acordes de Vidro

O perfume de peônias e baunilha que emanava da pele de Alina Volkov era, muitas vezes, a única coisa que a lembrava de sua própria humanidade. Aos dezenove anos, ela deveria estar descobrindo o mundo, mas, em vez disso, o mundo dela havia sido reduzido a quatro paredes de mármore branco e ao olhar gélido de Jeon Jungkook.

Ela estava parada diante do espelho do closet monumental, ajustando o colar de diamantes que parecia pesar toneladas em seu pescoço delicado. Alina era a personificação da delicadeza: a pele pálida como porcelana fina, os cabelos loiros caindo em ondas suaves pelas costas e os olhos verdes que, outrora brilhantes, agora pareciam nublados por uma névoa constante de medo.

A porta do closet se abriu. Alina não precisou se virar para saber quem era; o ar na sala pareceu congelar instantaneamente. Pelo reflexo, ela viu Jungkook. Ele estava impecável em um terno sob medida, a beleza agressiva de seu rosto acentuada pela luz fria do ambiente.

— Você está atrasada, Alina — disse ele, a voz baixa e monótona, mas carregada de uma advertência implícita.

— Sinto muito, Jungkook — sussurrou ela, as mãos tremendo levemente enquanto tentava fechar o fecho da pulseira. — Eu já estou pronta.

Ele caminhou até ela com passos lentos e predatórios. Parou atrás dela, as mãos grandes e possessivas repousando sobre seus ombros. O contraste entre a pele alva dela e o tecido escuro do terno dele era gritante. Jungkook inclinou a cabeça, aspirando o perfume no pescoço dela antes de depositar um beijo gélido ali.

— Você é minha joia mais valiosa — ele murmurou contra a pele dela, os olhos fixos no reflexo. — E joias não se atrasam para exibições. Sorria hoje à noite. O conselho da Jeon Holdings estará lá.

— Eu vou sorrir — prometeu ela, sentindo o estômago revirar.

— Ótimo. Porque se eu perceber que você está infeliz novamente, terei que reconsiderar a ajuda financeira que envio mensalmente para a fundação do seu pai.

Alina fechou os olhos por um segundo, engolindo o nó na garganta. O casamento fora um contrato, uma transação comercial para salvar o legado de sua família da falência. Mas o preço que ela pagava diariamente era sua própria alma.

A festa foi como todas as outras: um mar de rostos falsos, taças de champanhe caro e flashes de câmeras. Ao lado de Jungkook, Alina desempenhava o papel da esposa perfeita. Ela sorria na hora certa, balançava a cabeça em concordância e permitia que ele mantivesse a mão firmemente espalmada em sua cintura, um gesto que o mundo via como afeto, mas que ela sentia como uma algema.

— Eles formam um casal tão lindo — ouviu uma mulher comentar ao passar.

Alina queria gritar. Queria dizer que aquela casa luxuosa era uma prisão onde Jungkook controlava o que ela comia, o que vestia e com quem falava. Mas ela apenas sorriu, o brilho dos diamantes escondendo a opacidade de seus olhos.

Três dias depois, o silêncio da mansão foi interrompido por algo novo. Jungkook decidira que, para manter as aparências de uma "esposa culta e refinada", Alina deveria retomar suas aulas de música. No entanto, ele odiava piano — o instrumento que ela tocava na infância — e decidiu que ela aprenderia algo mais sofisticado para os eventos sociais da elite de Seul.

Foi assim que Kim Taehyung entrou em sua vida.

Alina estava na sala de música, um ambiente vasto com janelas que iam do chão ao teto, quando ele chegou. Ele não parecia pertencer àquele mundo de opulência fria. Vestia uma calça de linho larga e uma camisa de botões levemente desabotoada no colarinho. Carregava um estojo de saxofone com um cuidado quase reverente.

— Bom dia — disse ele, e sua voz era como veludo, profunda e calma. — Você deve ser a Sra. Jeon. Eu sou Kim Taehyung.

Alina se levantou, sentindo-se estranhamente intimidada pela presença dele. Ele não tinha a agressividade de Jungkook; havia uma aura de paz ao seu redor que ela não via em ninguém há anos.

— Alina, por favor — corrigiu ela em voz baixa, estendendo a mão timidamente.

Taehyung apertou a mão dela. O toque dele foi suave, quente, e ele não a soltou imediatamente. Seus olhos castanhos e expressivos percorreram o rosto dela com uma curiosidade gentil.

— Alina — repetiu ele, testando o nome. — É um nome bonito. Combina com a luz desta sala.

Ela corou, algo que não acontecia há muito tempo.

— Vamos começar? — perguntou ela, querendo desviar o foco de si mesma.

— Claro. O saxofone é um instrumento de alma, Alina. Ele não exige apenas técnica, exige que você coloque o que sente no sopro.

Durante a hora seguinte, Taehyung foi a paciência em pessoa. Ele explicou sobre a embocadura, sobre a respiração diafragmática e como segurar o instrumento de metal dourado. Em certo momento, ele se aproximou para corrigir a posição de seus dedos nas chaves.

— Não aperte tanto — instruiu ele, ficando logo atrás dela. — O instrumento não é seu inimigo. Ele é uma extensão de você. Deixe o ar fluir, sem medo.

A proximidade dele fez o coração de Alina disparar. Não era o disparo de medo que sentia com Jungkook, mas um formigamento desconhecido. O cheiro de Taehyung era de sândalo e chuva, algo natural e reconfortante.

— Eu... eu não sei se consigo — confessou ela, a voz falhando. — Tudo aqui parece tão rígido.

Taehyung parou e a olhou nos olhos. Ele parecia ver através da fachada, através da maquiagem perfeita e do vestido de seda.

— A música é o único lugar onde ninguém pode te dizer como se sentir — disse ele suavemente. — Tente de novo. Só você e o som.

Pela primeira vez em meses, Alina respirou fundo. Quando soprou o saxofone, o som saiu trêmulo, mas real. Taehyung sorriu, um sorriso quadrado e genuíno que iluminou o rosto dele.

As semanas se passaram e as aulas de terça e quinta tornaram-se o único oxigênio de Alina. Jungkook raramente estava em casa durante o dia, ocupado demais expandindo seu império, o que dava a ela uma liberdade vigiada, mas preciosa.

Taehyung não era apenas um professor. Ele se tornara um confidente silencioso. Ele percebia os dias em que ela chegava com olheiras escondidas por corretivo, ou quando suas mãos tremiam mais do que o normal. Ele nunca pressionava, apenas tocava seu saxofone para ela, melodias melancólicas que pareciam abraçar sua tristeza.

— Por que você faz isso? — perguntou ela em uma tarde chuvosa, enquanto observavam as gotas escorrerem pelo vidro.

— O quê? — Taehyung inclinou a cabeça, os cabelos castanhos caindo sobre os olhos.

— Por que é tão gentil comigo? Ninguém neste mundo se importa com quem eu sou, apenas com o que eu represento ao lado dele.

Taehyung deixou o instrumento de lado e se aproximou. Eles estavam sentados no divã da sala de música.

— Eu vejo você, Alina — disse ele, a voz carregada de uma sinceridade dolorosa. — Vejo a menina que gosta de ler poesia escondida e que tem medo de falar alto. Eu não vejo a "Sra. Jeon". Vejo uma alma que está tentando não apagar.

Lágrimas inundaram os olhos verdes de Alina. Ninguém nunca havia dito algo assim para ela. Sem pensar nas consequências, ela se permitiu desabar. O choro veio silencioso, os ombros miúdos sacudindo sob o peso de sua existência.

Taehyung não hesitou. Ele a puxou para seus braços, envolvendo-a em um abraço protetor. Alina escondeu o rosto no peito dele, sentindo o calor de seu corpo.

— Eu me sinto tão sozinha — soluçou ela.

— Você não está mais sozinha — sussurrou ele, acariciando os cabelos loiros dela. — Eu estou aqui.

Naquele momento, Alina esqueceu Jungkook. Esqueceu o contrato, as câmeras e a gaiola de ouro. Ali, nos braços de um homem que a tratava como se ela fosse feita de vidro precioso e não de posse, ela se sentiu viva.

Mas o destino de uma Jeon nunca era simples.

A porta da sala de música se abriu com um estrondo.

Alina se afastou de Taehyung num sobressalto, o coração quase saltando pela boca. Jungkook estava parado no batente, a expressão sombria, os olhos escuros brilhando com uma fúria contida que a fez encolher-se instantaneamente. Atrás dele, dois seguranças permaneciam como sombras.

— Que cena tocante — disse Jungkook, a voz perigosamente calma. Ele caminhou para dentro da sala, o som de seus sapatos de couro no mármore ecoando como batidas de um relógio de execução.

— Jungkook, não é o que você está pensando — começou Alina, a voz trêmula, as mãos buscando freneticamente o tecido do vestido. — Eu estava apenas... eu tive um momento ruim e o Sr. Kim...

Jungkook parou a poucos centímetros de Taehyung, que se levantou, mantendo uma postura ereta e calma, embora a tensão fosse palpável.

— O Sr. Kim foi contratado para ensinar música, não para oferecer consolo físico à minha esposa — Jungkook disse, voltando o olhar para Taehyung. — Você tem um talento notável, Kim. Seria uma pena se algo acontecesse com suas mãos.

O tom de ameaça foi tão direto que Alina sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

— Jungkook, por favor! — ela interveio, colocando-se entre os dois. — Ele não fez nada de errado. A culpa foi minha. Eu me senti mal e...

Jungkook segurou o braço de Alina com força, puxando-a para o seu lado. O aperto era doloroso, mas ela não ousou reclamar.

— Vá para o seu quarto, Alina. Agora.

— Mas...

— Agora! — ele rugiu, e o som fez as janelas parecerem vibrar.

Ela olhou para Taehyung uma última vez. Havia preocupação nos olhos dele, um desejo silencioso de protegê-la que a partiu ao meio. Sem escolha, ela correu para fora da sala, subindo as escadas enquanto as lágrimas borravam sua visão.

Trancada em seu quarto, Alina ouviu o som de um carro partindo minutos depois. Ela se jogou na cama, abraçando os travesseiros, o cheiro de Taehyung ainda impregnado em sua memória, contrastando com o terror que Jungkook instilava em seu peito.

Horas depois, a porta do quarto se abriu. Jungkook entrou, já sem o paletó, as mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos. Ele parecia calmo novamente, o que era ainda mais aterrorizante.

Ele se sentou na beira da cama e passou a mão pelo rosto dela, um gesto que deveria ser carinhoso, mas que parecia um check-up de um objeto de sua propriedade.

— O professor de saxofone não voltará — disse ele suavemente. — Achei que ele estava sendo uma distração para o seu progresso.

— Você o machucou? — perguntou ela, a voz mal saindo.

Jungkook deu um sorriso de canto, frio e enigmático.

— Eu apenas garanti que ele entendesse o seu lugar, Alina. E o seu lugar é aqui. Comigo. Você pertence a este nome, a esta casa, e a mim. Nunca se esqueça disso. Se você tentar buscar conforto em outro lugar novamente, as consequências não cairão apenas sobre você. Seu pai ainda precisa daquela diálise cara, não precisa?

Alina fechou os olhos, sentindo o peso da sua realidade esmagá-la. Ela era uma boneca em uma caixa de música, e Jungkook era quem girava a manivela.

Mas, naquela noite, enquanto Jungkook dormia ao seu lado como se nada tivesse acontecido, Alina olhou para a lua através da janela. Ela se lembrou das palavras de Taehyung: "A música é o único lugar onde ninguém pode te dizer como se sentir".

Pela primeira vez em dezenove anos, uma centelha de rebelião acendeu em seu coração. Ela não sabia como, nem quando, mas ela não deixaria que Jungkook apagasse a luz que Taehyung havia acabado de redescobrir nela.

A paixão era perigosa, sim. Mas a morte em vida dentro daquela mansão era muito pior. E se amar Taehyung significasse queimar o império dos Jeon até as cinzas, Alina estava começando a achar que valeria a pena ver o fogo.
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