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Oliver!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 19/06/2026

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Sombras Sob o Verniz de Papel

A escuridão nos corredores da Escola de Papel nunca pareceu tão opressiva. Edward segurava a lanterna com força, o feixe de luz trêmulo cortando o ar pesado e empoeirado. Ao seu lado, Zip tentava manter a postura rebelde de sempre, mas o suor frio em sua testa denunciava o nervosismo. Eles estavam procurando por Oliver há horas, desde que o amigo desaparecera deixando apenas um pedaço de sabonete mordido jogado no chão frio.

— Oliver! Cara, se isso for uma pegadinha, eu juro que vou quebrar o seu lápis favorito! — gritou Edward, sua voz ecoando de forma estranha pelas paredes de papelão e tinta.

— Shh! — Zip o cutucou com o cotovelo. — Você ouviu isso?

Um som abafado, como um lamento sufocado, veio do final do corredor de artes. Edward apontou a lanterna naquela direção. O círculo de luz revelou uma cena que fez o sangue dos dois congelar.

Oliver estava lá. Mas não era o Oliver travesso que eles conheciam. Ele estava suspenso a poucos centímetros do chão, completamente envolto por uma substância estranha: cordas pretas com um brilho turquesa escuro, que pareciam pulsar como se estivessem vivas. A textura era pegajosa, refletindo a luz da lanterna de forma doentia. Ele estava amarrado de tal forma que mal conseguia se mexer, e uma mordaça da mesma substância cobria sua boca, abafando seus gritos desesperados.

— Oliver! — Zip correu em direção a ele, mas parou bruscamente quando viu os olhos do amigo.

Oliver estava pálido, mas suas bochechas ostentavam um rubor forçado pelo esforço e pelo pânico. Seus olhos, arregalados, imploravam para que eles não se aproximassem. Ele tentava balançar a cabeça, emitindo sons guturais que não formavam palavras, mas que gritavam "fujam" em qualquer língua.

— O que é essa coisa? Parece... tinta viva? — Edward perguntou, aproximando-se com cautela, a lanterna iluminando os detalhes das cordas que apertavam o uniforme de Oliver.

— Não importa o que é, temos que tirar ele daí! — Zip estendeu a mão para tentar puxar uma das cordas.

No momento em que os dedos de Zip tocaram a substância pegajosa, o teto acima deles pareceu se liquefazer. Antes que pudessem reagir, chicotes daquela mesma corda turquesa e preta desceram como serpentes famintas.

— Cuidado! — Edward gritou, tentando empurrar Zip para longe.

Mas era tarde demais. Uma corda enrolou-se no tornozelo de Edward, puxando-o violentamente para cima. A lanterna caiu no chão, girando e criando sombras frenéticas nas paredes antes de se apagar por completo, mergulhando o corredor na escuridão absoluta.

— Edward! — o grito de Zip foi interrompido por um estalo úmido.

Zip sentiu algo frio e viscoso envolver sua cintura. Ela lutou, chutando o ar, mas a força daquelas cordas era sobrenatural. Em segundos, ela foi içada e pressionada contra a parede fria, ao lado de Oliver. Edward, a poucos metros de distância, sofria o mesmo destino. As cordas se multiplicavam, enrolando-se em seus braços, pernas e, finalmente, cruzando suas bocas com a precisão de uma aranha tecendo sua teia.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som da respiração pesada e abafada dos três amigos.

— "Socorro! Alguém me ajude! O que está acontecendo?!" — a voz de Zip ecoou, mas apenas dentro de sua própria mente. Seus lábios estavam selados pela mordaça turquesa, e tudo o que saía era um som nasal e trêmulo.

— "Zip? Edward? Vocês conseguem me ouvir?" — a voz mental de Oliver parecia chorosa, ressoando na consciência dos outros dois como um rádio mal sintonizado. — "Eu tentei avisar... essa coisa... ela não para de apertar!"

Edward tentou se debater, mas quanto mais ele se movia, mais a substância pegajosa se prendia ao seu cabelo e às suas roupas.

— "Parem de se mexer!" — Edward pensou alto, esperando que a conexão mental funcionasse. — "Quanto mais a gente luta, mais forte essa coisa fica. Olhem para o Oliver, ele está aqui há mais tempo e parece exausto."

De fato, Oliver estava com a cabeça caída para o lado, o longo cabelo branco desgrenhado e preso entre as voltas da corda. A marca de "A+" em seu cabelo parecia brilhar fracamente sob a luz residual que vinha de algum lugar distante no corredor. Ele estava corado, o rosto quente de vergonha e medo por ser visto naquela situação vulnerável por seus melhores amigos.

— "Isso dói..." — Oliver murmurou em pensamento, suas lágrimas começando a molhar a mordaça. — "Eu só estava comendo meu sabonete... eu não fiz nada de errado hoje."

— "Nós vamos sair dessa, Oliver" — Zip tentou confortá-lo, embora sua própria mente estivesse à beira do colapso. — "Edward, você é o gênio aqui. Pensa em algo!"

— "Eu não consigo pensar com essa coisa sugando minha energia!" — Edward respondeu, sentindo a viscosidade da corda penetrar através do tecido de sua camisa. — "Parece que essa substância é feita de tinta e... algum tipo de resíduo de nota baixa. É pesada, é densa."

De repente, um som de passos rítmicos começou a ecoar pelo corredor. Não eram passos humanos. Era o som de algo afiado batendo no chão de papel, como uma caneta sendo batida contra uma mesa.

Os três ficaram imóveis. O pânico atingiu um novo patamar. Presos, amordaçados e incapazes de emitir um único grito que pudesse ser ouvido por qualquer professor ou aluno que estivesse passando por perto, eles eram apenas troféus pendurados na escuridão.

— "Tem alguém vindo..." — a voz de Oliver tremeu na mente deles. — "Por favor, não deixem que nos vejam assim."

As sombras se alongaram à medida que uma silhueta se aproximava. O brilho turquesa das cordas parecia pulsar em sincronia com os passos. Oliver fechou os olhos com força, sentindo a mordaça apertar um pouco mais, abafando um soluço que insistia em sair.

— "Se sobrevivermos a isso" — Zip pensou, tentando manter um pingo de humor para não desmoronar — "eu nunca mais deixo o Oliver andar sozinho com um sabonete na mão."

— "Não tem graça, Zip!" — Oliver rebateu mentalmente, embora o comentário tenha servido para distraí-lo por um milésimo de segundo.

A luz da lanterna de Edward, que ainda estava no chão, piscou uma última vez antes de morrer definitivamente. Na escuridão total, os três amigos sentiram as cordas começarem a se mover novamente, puxando-os para mais alto, em direção ao teto negro, onde o segredo daquela escola parecia aguardar por sua próxima vítima.

— "Edward... Zip..." — a voz de Oliver sumiu num sussurro mental. — "Sinto muito por ter trazido vocês para isso."

— "Cala a boca, Oliver" — Edward respondeu com determinação. — "Nós entramos nessa juntos, e vamos sair juntos. Só... parem de gritar na minha cabeça por um segundo para eu tentar alcançar meu bolso!"

A luta estava longe de terminar, mas ali, amarrados e silenciados, a conexão entre eles era a única coisa que a tinta escura não conseguia apagar.
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