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Amor entre idas e vindas

Fandom: Airbag

Criado: 19/06/2026

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RomanceDramaFofuraSongficAlmas GêmeasHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaFatias de VidaRealismo
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Acordes de um Destino em Buenos Aires

O ar de Buenos Aires naquela noite de outono tinha um frescor que Karen nunca esqueceria. O som abafado das guitarras ainda reverberava em seus ouvidos, um eco do show avassalador que o Airbag acabara de entregar no Luna Park. Ela estava ali por causa de sua irmã, uma fã fervorosa que passara meses economizando para aquele intercâmbio, mas Karen, com sua fluência em cinco idiomas e um sorriso que parecia iluminar a Calle Corrientes, acabou sendo a chave para que ambas conseguissem entrar no after-party exclusivo da banda.

— Karen, por favor, não me faça passar vergonha com seu espanhol perfeito — brincou a irmã, nervosa, enquanto cruzavam o cordão de isolamento.

— Relaxa, maninha — Karen respondeu em português, rindo. — Eu só vou garantir que a gente não seja expulsa antes de você conseguir seu autógrafo.

O ambiente estava carregado de fumaça, luzes baixas e o cheiro de champanhe caro. No centro de tudo, cercado por uma aura de rockstar que parecia quase palpável, estava Patricio Sardelli. Ele ria de algo que o irmão dizia, mas, no momento em que Karen entrou no campo de visão dele, o mundo ao redor pareceu perder o áudio.

Patricio parou de falar. Seus olhos se fixaram na mulher negra de postura elegante, cujos cabelos cacheados brilhavam sob as luzes neon e que conversava animadamente em um mix de português e espanhol. Houve uma eletricidade instantânea, um reconhecimento de almas que a ciência não explica.

— Quem é ela? — Patricio murmurou, sem desviar o olhar.

Minutos depois, eles estavam frente a frente. Karen não era uma fã histérica; ela tinha uma calma que o desafiava. Quando ele tentou um charme barato em espanhol, ela respondeu com uma fluência impecável, mudando para o inglês e depois para o francês apenas para ver a expressão de choque no rosto dele.

— Você é perigosa — disse Patricio, aproximando-se, o tom de voz rouco.

— Eu sou apenas instruída — Karen sorriu, os olhos castanhos fixos nos dele. — E você... você toca como se o mundo fosse acabar amanhã.

A conexão foi um incêndio florestal. O que deveria ser apenas uma noite de intercâmbio transformou-se em semanas de encontros escondidos em cafés em Palermo e madrugadas no estúdio. Três meses depois, Karen não voltou para o Brasil. Ela desfez as malas na casa de Pato, trocando sua vida planejada pela montanha-russa que era amar o vocalista da maior banda de rock da Argentina.

Três anos se passaram. Três anos de turnês mundiais onde ela era a tradutora, a confidente e a musa. Houve brigas, claro. O temperamento artístico dele e a independência feroz dela colidiam às vezes, levando a términos dramáticos que duravam apenas o tempo de Patricio compor uma nova balada de cortar o coração. Cada música nova do Airbag tinha o perfume de Karen entre as notas. Os fãs sabiam. O mundo sabia.

Naquela noite especial, o estádio estava lotado. O mar de luzes de celulares criava uma constelação artificial sob o céu de Buenos Aires. Karen estava na lateral do palco, como sempre, observando o homem que amava dominar a multidão.

Patricio terminou uma canção acústica, mas não se levantou. Ele limpou o suor da testa e pegou o microfone, sua respiração pesada ecoando pelos alto-falantes.

— Há três anos, minha vida mudou — começou ele, e o público silenciou instantaneamente. — Eu conheci alguém que fala todas as línguas do mundo, mas que me ensinou a única que eu realmente não conhecia: a do amor sem filtros.

Karen sentiu o coração disparar. Ela conhecia aquele tom de voz.

— Karen, vem aqui — pediu ele, estendendo a mão em direção à sombra onde ela estava.

Relutante e com as pernas tremendo, ela caminhou até o centro do palco. A luz do refletor a cegou por um momento, mas a mão firme de Patricio a segurou. Ele se ajoelhou diante de milhares de pessoas, tirando uma pequena caixa de veludo do bolso da jaqueta de couro.

— Você abandonou tudo por mim. Você se tornou minha casa. Karen, você quer ser minha esposa para sempre?

O estádio explodiu em um grito ensurdecedor. Karen sentiu as lágrimas escorrerem, mas, em vez de apenas dizer "sim", ela se aproximou do microfone dele, o rosto colado ao dele.

— Eu aceito — disse ela, a voz trêmula, mas clara. — Mas tem algo que você precisa saber antes de colocarmos essa aliança.

Patricio a olhou, confuso e emocionado.

— O quê? — perguntou ele, o microfone ainda captando o sussurro.

Karen levou a mão dele até o seu ventre, ainda plano, mas que carregava o fruto de toda aquela intensidade de três anos.

— Não somos mais só nós dois, Pato — sussurrou ela em português, sabendo que ele entenderia aquela frase específica que ela vinha ensinando a ele. — Eu estou grávida.

O silêncio de Patricio durou apenas um segundo antes de ele soltar um grito de pura alegria, levantando-a nos braços e girando-a no centro do palco. O público, percebendo o anúncio pela reação e pelas palavras sussurradas, foi ao delírio.

— Um herdeiro do rock! — gritou Guido do fundo, começando a tocar os primeiros acordes de uma música animada.

Patricio beijou Karen com uma fome e uma ternura que diziam tudo o que as letras de suas músicas tentavam expressar. No meio do caos, da fama e das luzes, eles eram apenas dois jovens que se encontraram em um after-party e decidiram que a eternidade era o único tempo que lhes servia.

— Eu te amo — disse ele contra os lábios dela, ignorando os milhares de espectadores.

— Eu te amo mais — respondeu ela, em espanhol, português e em todas as outras línguas que seu coração agora conhecia.
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