
← Voltar à lista de fanfics
2 curtidas
Nikolai Petrov
Fandom: Diário de um Vampiro
Criado: 19/06/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)FantasiaAçãoSombrioDramaCiúmesDivergênciaNoir Gótico
O Sangue e a Seda
A névoa rastejava pelas ruas de Mystic Falls como um fantasma vigilante, abraçando as lápides do cemitério e as colunas de madeira das varandas coloniais. No Mystic Grill, o burburinho habitual de uma sexta-feira à noite parecia estranhamente abafado, como se a própria atmosfera estivesse retendo o fôlego. O motivo não era um novo ataque de animal ou o desaparecimento de um adolescente, mas algo muito mais sutil e, por isso, muito mais perturbador.
Sentado em uma mesa de canto, Nikolai Petrov observava o movimento com uma calma que beirava o predatório. Ele vestia um terno de alfaiataria azul-marinho, cortado com uma precisão que faria qualquer figurão de Wall Street chorar de inveja. Seus cabelos ondulados e curtos estavam propositalmente bagunçados, conferindo-lhe um ar de descaso aristocrático. Nikolai não bebia cerveja; ele girava lentamente um copo de cristal com um vinho tinto tão escuro que parecia sangue sob a luz fraca do bar.
— Ele está ali de novo — sussurrou Elena Gilbert, apertando as mãos ao redor de sua caneca de café. Ela estava sentada no balcão com Stefan, seus olhos constantemente voltados para o reflexo de Nikolai no espelho atrás das garrafas. — Stefan, ele não se moveu em uma hora. Quem usa terno completo para vir ao Grill?
Stefan Salvatore não respondeu de imediato. Seus olhos verdes estavam fixos no homem negro do outro lado do salão, analisando cada detalhe. O sobrenome Petrov queimava em sua mente como uma ferida aberta.
— Um Petrov que sabe exatamente o impacto que está causando — respondeu Stefan, a voz tensa. — Ele é um Siphoner, Elena. Bonnie sentiu a magia dele a quilômetros daqui. É como se ele fosse um buraco negro místico, sugando tudo ao redor.
— E ele é parente dela — Elena acrescentou, o rosto contorcido em uma mistura de medo e ressentimento. — Se ele for metade do que a Katherine é...
— Ele é pior — interrompeu uma voz sarcástica e grave atrás deles.
Damon Salvatore surgiu do nada, deslizando para o banco ao lado de Elena. Ele usava sua indefectível jaqueta de couro, mas seus olhos azuis não estavam em Elena ou no irmão. Eles estavam cravados em Nikolai.
— O que você quer dizer com pior, Damon? — perguntou Elena, buscando o olhar dele, mas Damon parecia hipnotizado pela figura elegante no terno caro.
— Ele não é apenas um vampiro, e não é apenas um bruxo — explicou Damon, um sorriso perigoso brincando em seus lábios. — Ele é um Herege. Uma aberração da natureza que os Originais preferem manter em contos de fadas para não terem pesadelos. E ele tem um gosto impecável para roupas, o que o torna automaticamente mais perigoso que você, Stefan.
— Isso não é brincadeira, Damon — sibilou Stefan. — Precisamos saber o que ele quer.
Damon deu um tapinha no ombro do irmão e se levantou.
— Então por que não perguntamos? Eu sempre fui melhor na diplomacia do "quem tem a maior arma".
Antes que Stefan ou Elena pudessem protestar, Damon atravessou o Grill com sua arrogância característica. Nikolai não levantou os olhos quando Damon puxou a cadeira à sua frente e se sentou sem ser convidado.
— Sabe, na Virgínia, costumamos usar jeans — começou Damon, apoiando os cotovelos na mesa. — Você parece um pouco perdido no caminho para uma ópera em Moscou.
Nikolai finalmente ergueu o olhar. Seus olhos eram profundos, inteligentes e carregavam o peso de quase dois séculos de exílio. Ele deu um sorriso enigmático, um que não chegava aos olhos, mas que exalava um charme magnético.
— A elegância é a única armadura que nunca sai de moda, Sr. Salvatore — a voz de Nikolai era um barítono suave, com um leve rastro de sotaque russo que fazia as palavras soarem como veludo. — E, se me permite a observação, o couro é um tanto... previsível para alguém da sua idade.
Damon arqueou uma sobrancelha, pego de surpresa pela audácia.
— Nikolai Petrov. Sobrenome interessante. Conheci uma garota com o mesmo nome uma vez. Um pouco manipuladora, gosta de brincar com irmãos, tem o hábito de fingir a própria morte. Algum parentesco?
Nikolai inclinou a cabeça, fechando o livro que estava sobre a mesa.
— Katerina é uma ramificação infeliz da minha linhagem. O sangue Petrov é potente, mas ela sempre preferiu a sobrevivência ao poder real. Eu prefiro ambos.
Nesse momento, Stefan e Elena se aproximaram da mesa, formando uma barreira defensiva atrás de Damon. Nikolai os observou com um tédio mal disfarçado.
— O herói torturado e a duplicata preciosa — Nikolai disse, sua voz esfriando vários graus. — Mystic Falls é exatamente como os rumores diziam. Um ninho de formigas tentando derrubar um elefante.
— O que você quer aqui, Nikolai? — Stefan perguntou, ignorando as provocações. — Você não veio até aqui apenas para criticar o guarda-roupa do meu irmão.
— Eu vim buscar o que é meu por direito — Nikolai respondeu, levantando-se. Ele era alto, e sua postura aristocrática o fazia parecer ainda maior. — E um conselho, Srta. Gilbert: não me olhe com esse julgamento moralista. Sua linhagem é a razão de eu ter sido exilado na Sibéria como uma abominação. Se eu fosse você, ficaria fora do meu caminho.
— Isso é uma ameaça? — Elena retrucou, tentando manter a voz firme, apesar do calafrio que percorria sua espinha.
Nikolai deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Damon se tensionou, mas Nikolai não usou as mãos. Ele apenas sorriu.
— É uma promessa. Eu não tenho a paciência de Klaus ou a nostalgia de Stefan. Se você interferir nos meus assuntos, eu garantirei que a linhagem Petrova termine com você de uma forma muito... dolorosa.
Damon se levantou, a mão agarrando o braço de Nikolai.
— Ei, terno sob medida, vamos baixar o tom com a dama.
O toque foi o erro de Damon. No momento em que sua mão encontrou o tecido do paletó de Nikolai, Damon sentiu um choque lancinante. Seus olhos se arregalaram quando ele sentiu sua força vampírica ser drenada, como se Nikolai fosse uma esponja sugando a própria essência da sua vida. Damon caiu de joelhos, ofegante.
— Damon! — Elena gritou.
Nikolai olhou para o Salvatore caído com uma curiosidade quase terna. Ele soltou o pulso de Damon, e a sensação de vazio cessou instantaneamente.
— Eu sou um Siphoner, Damon. Eu não possuo magia, eu a tomo. E como você é uma criatura feita de magia negra, você é, essencialmente, um banquete para mim.
Nikolai ajeitou os punhos da camisa, olhou para Damon uma última vez — um olhar que continha uma faísca inesperada de interesse — e saiu do Grill, deixando o silêncio e o medo para trás.
***
As semanas que se seguiram transformaram a paranoia em uma rotina estranha. Nikolai havia se instalado em uma mansão em ruínas na floresta, e enquanto Stefan e Elena passavam os dias tentando encontrar uma forma de expulsá-lo, Damon começou a fazer algo que ninguém esperava: ele começou a segui-lo.
Não eram perseguições de morte. Eram jogos. Damon aparecia na floresta enquanto Nikolai procurava pelo Grimório de Krovorin, e Nikolai, em vez de matá-lo, permitia que o Salvatore o acompanhasse, divertindo-se com o sarcasmo do vampiro mais jovem.
Em uma noite particularmente fria, os dois estavam sentados perto de uma fogueira improvisada nas profundezas do bosque. Nikolai havia acabado de explicar o ritual de sangue que sua família usava para purificar a magia.
— Eles me chamavam de monstro antes mesmo de eu me tornar um — Nikolai confessou, olhando para as chamas. — Na Sibéria, se você não nasce com o dom, você é um peso. Quando descobriram que eu podia roubar o poder dos outros, meu próprio pai tentou me enterrar vivo na neve.
Damon, que estava bebendo bourbon direto da garrafa, ficou em silêncio por um longo tempo.
— Meu pai me deu um tiro porque eu preferia uma vampira a ele — Damon disse, a voz desprovida da habitual ironia. — Parece que temos um clube de pais do ano.
Nikolai olhou para Damon. Pela primeira vez, a máscara de aristocrata frio caiu, revelando as cicatrizes do abandono.
— Por que você continua vindo aqui, Damon? Você deveria estar com a sua duplicata, tramando minha queda.
— Ela é cansativa — Damon admitiu, aproximando-se de Nikolai. — Elena quer que eu seja uma versão de mim mesmo que não existe. Stefan quer que eu seja ele. Mas você... você olha para mim e não parece querer que eu mude nada.
Nikolai estendeu a mão, mas desta vez não para drenar. Seus dedos tocaram o rosto de Damon com uma delicadeza que o Salvatore nunca havia experimentado.
— Eu vejo o fogo em você, Damon. É selvagem, destrutivo e lindo. Por que eu iria querer apagar isso?
O beijo que se seguiu foi uma explosão de séculos de solidão e desejo reprimido. Era violento e faminto, uma colisão de duas criaturas que o mundo havia tentado quebrar, mas que encontraram uma na outra um espelho de suas próprias sombras. Naquela noite, na floresta, Damon não era o vilão de Mystic Falls, e Nikolai não era o Herege exilado. Eles eram apenas dois homens encontrando um porto seguro na escuridão.
***
A paz, porém, era um conceito estranho a Mystic Falls. Dias depois, o clima na mansão Salvatore era de guerra. Elena havia descoberto a ligação entre Damon e Nikolai e o ciúme que ela sentia era uma chama que consumia qualquer racionalidade.
— Você está dormindo com o inimigo, Damon! — Elena gritou, sua voz ecoando pela sala de estar. — Ele ameaçou me matar! Ele é um Petrov!
— Ele é mais honesto do que qualquer um nesta sala! — Damon rebateu, servindo-se de um copo de bourbon. — Ele não finge ser um santo, Elena. E ele não me olha como se eu fosse um problema a ser resolvido.
— Ele está usando você para chegar ao grimório! — Stefan interveio, sua expressão de decepção pesando sobre o irmão. — Eu vi como você olha para ele, Damon. Mas você não pode confiar nele. Ele é um Herege. No momento em que ele conseguir o que quer, ele vai descartar você.
— Você só está dizendo isso porque não suporta o fato de que, pela primeira vez, eu não estou correndo atrás das migalhas de afeto da Elena — Damon disse, as palavras saindo como navalhas.
A discussão foi interrompida quando a porta da frente explodiu em estilhaços de madeira. Nikolai entrou, mas não estava com seu sorriso habitual. Suas roupas estavam levemente desalinhadas, e seus olhos brilhavam com uma energia mística perigosa.
— Onde está? — Nikolai perguntou, sua voz carregada de uma frieza mortal.
— Onde está o quê? — perguntou Stefan, colocando-se à frente de Elena.
— O grimório. Eu sei que vocês o pegaram da floresta ontem à noite. Eu senti o rastro de magia da bruxa Bennett.
Elena deu um passo à frente, o queixo erguido.
— Nós o escondemos onde você nunca vai encontrar. Você não vai usar esse livro para machucar mais ninguém nesta cidade.
Nikolai riu, um som seco e sem humor. Ele ergueu a mão, e as luzes da mansão começaram a explodir uma a uma. O ar ficou pesado, saturado com a magia que ele estava sifonando das proteções da própria casa.
— Você é tão pequena, Elena — Nikolai disse, caminhando em direção a ela. Stefan tentou atacá-lo, mas com um simples gesto, Nikolai o lançou contra a parede de pedra com uma força telecinética devastadora. — Você acha que está protegendo o mundo, mas está apenas protegendo seu próprio ego.
Nikolai agarrou Elena pelo pescoço, erguendo-a do chão.
— Nikolai, pare! — Damon gritou, aproximando-se.
— Ela roubou minha herança, Damon — Nikolai sibilou, seus olhos fixos nos de Elena, que lutava por ar. — Ela acha que o sangue dela a torna especial. Eu vou mostrar a ela o quão comum ela é quando eu drenar cada gota de vida desse corpo humano insignificante.
— Se você matá-la, não haverá volta — Damon disse, sua voz tremendo entre a lealdade a Nikolai e o resto de humanidade que ainda nutria por Elena. — Por favor. Por mim.
Nikolai olhou para Damon. Ele viu o desespero nos olhos azuis do homem que havia se tornado seu único conforto em décadas. Lentamente, ele soltou Elena, que caiu tossindo no chão.
— Você tem sorte de ele ter um coração tão fraco por você — Nikolai disse a Elena, antes de se voltar para Damon. — Mas não se engane, Damon. Eu não vou deixar que eles me tirem o que é meu. Nem mesmo você pode me impedir.
***
O clímax da temporada chegou com a sombra de Klaus Mikaelson. O Híbrido Original havia descoberto sobre o Grimório de Krovorin e o poder que Nikolai agora detinha. Klaus não aceitava rivais, e Nikolai era uma ameaça que ele não podia ignorar.
O confronto ocorreu na praça central da cidade, sob a lua cheia. Klaus trouxe seus híbridos, pronto para dizimar Mystic Falls se Nikolai não entregasse o livro.
Stefan e Elena assistiam de longe, impotentes diante do poder que se desdobrava. Eles esperavam que Nikolai fugisse, que ele fosse o covarde que eles acreditavam que todos os Petrov eram. Mas Nikolai Petrov não era Katherine.
Ele ficou no centro da praça, sozinho, vestindo um terno preto impecável, o grimório em uma das mãos.
— Você está longe de casa, Klaus — Nikolai gritou, sua voz ecoando pelo silêncio da noite. — A Sibéria é muito mais fria do que este lugar, e eu sobrevivi a ela. Você realmente acha que alguns lobisomens de quinta categoria me assustam?
Klaus sorriu, aquele sorriso de predador que costumava paralisar corações.
— Você é arrogante, Herege. Eu gosto disso. Mas o livro é meu.
— O livro é do meu sangue — Nikolai rebateu. Ele abriu o grimório e começou a entoar em uma língua antiga, siberiana, que fazia o próprio solo tremer. As veias em seu rosto saltaram, e seus olhos ficaram negros.
Damon apareceu ao lado dele, arrancando o coração de um híbrido que tentava atacar Nikolai pelas costas.
— Você demora muito para fazer o seu show, sabia? — Damon brincou, embora estivesse coberto de sangue.
Nikolai olhou para ele por um segundo, um sorriso genuíno cruzando seus lábios.
— Tente não morrer, Damon. Eu ainda não terminei de ensinar você a se vestir.
A batalha foi uma sinfonia de violência e magia. Nikolai era um borrão de velocidade e poder, sifonando a energia dos próprios híbridos de Klaus para lançar feitiços que rasgavam a realidade. Ele era uma força da natureza, uma tempestade contida em um terno de alfaiataria.
Ao final, Klaus foi forçado a recuar. Não por ser mais fraco, mas por perceber que o custo de derrotar Nikolai seria alto demais. O Herege havia provado que Mystic Falls não pertencia mais aos Salvatore ou à duplicata.
Na manhã seguinte, o sol começou a nascer sobre as ruínas da praça. Nikolai e Damon estavam na varanda da mansão de Nikolai, observando o horizonte.
— Stefan e Elena nunca vão perdoar você por ter ficado do meu lado — observou Nikolai, limpando uma mancha de sangue de sua manga.
Damon deu de ombros, tomando um gole de bourbon.
— Stefan vai superar. E Elena... bem, ela vai ter que aprender que eu não sou o projeto de redenção dela.
Nikolai se aproximou, envolvendo a cintura de Damon com os braços.
— Você escolheu a escuridão, Damon. Tem certeza disso?
Damon olhou nos olhos de Nikolai, vendo neles uma compreensão que ele nunca encontrara na luz julgadora de Elena ou na moralidade de Stefan.
— Com você? — Damon sorriu, puxando Nikolai para um beijo. — A escuridão nunca pareceu tão brilhante.
Mystic Falls havia mudado. As regras haviam sido reescritas. E enquanto a cidade tentava se recuperar, Nikolai Petrov e Damon Salvatore permaneciam juntos, uma aliança de sangue, magia e uma elegância perigosa que ninguém ousaria desafiar novamente.
Sentado em uma mesa de canto, Nikolai Petrov observava o movimento com uma calma que beirava o predatório. Ele vestia um terno de alfaiataria azul-marinho, cortado com uma precisão que faria qualquer figurão de Wall Street chorar de inveja. Seus cabelos ondulados e curtos estavam propositalmente bagunçados, conferindo-lhe um ar de descaso aristocrático. Nikolai não bebia cerveja; ele girava lentamente um copo de cristal com um vinho tinto tão escuro que parecia sangue sob a luz fraca do bar.
— Ele está ali de novo — sussurrou Elena Gilbert, apertando as mãos ao redor de sua caneca de café. Ela estava sentada no balcão com Stefan, seus olhos constantemente voltados para o reflexo de Nikolai no espelho atrás das garrafas. — Stefan, ele não se moveu em uma hora. Quem usa terno completo para vir ao Grill?
Stefan Salvatore não respondeu de imediato. Seus olhos verdes estavam fixos no homem negro do outro lado do salão, analisando cada detalhe. O sobrenome Petrov queimava em sua mente como uma ferida aberta.
— Um Petrov que sabe exatamente o impacto que está causando — respondeu Stefan, a voz tensa. — Ele é um Siphoner, Elena. Bonnie sentiu a magia dele a quilômetros daqui. É como se ele fosse um buraco negro místico, sugando tudo ao redor.
— E ele é parente dela — Elena acrescentou, o rosto contorcido em uma mistura de medo e ressentimento. — Se ele for metade do que a Katherine é...
— Ele é pior — interrompeu uma voz sarcástica e grave atrás deles.
Damon Salvatore surgiu do nada, deslizando para o banco ao lado de Elena. Ele usava sua indefectível jaqueta de couro, mas seus olhos azuis não estavam em Elena ou no irmão. Eles estavam cravados em Nikolai.
— O que você quer dizer com pior, Damon? — perguntou Elena, buscando o olhar dele, mas Damon parecia hipnotizado pela figura elegante no terno caro.
— Ele não é apenas um vampiro, e não é apenas um bruxo — explicou Damon, um sorriso perigoso brincando em seus lábios. — Ele é um Herege. Uma aberração da natureza que os Originais preferem manter em contos de fadas para não terem pesadelos. E ele tem um gosto impecável para roupas, o que o torna automaticamente mais perigoso que você, Stefan.
— Isso não é brincadeira, Damon — sibilou Stefan. — Precisamos saber o que ele quer.
Damon deu um tapinha no ombro do irmão e se levantou.
— Então por que não perguntamos? Eu sempre fui melhor na diplomacia do "quem tem a maior arma".
Antes que Stefan ou Elena pudessem protestar, Damon atravessou o Grill com sua arrogância característica. Nikolai não levantou os olhos quando Damon puxou a cadeira à sua frente e se sentou sem ser convidado.
— Sabe, na Virgínia, costumamos usar jeans — começou Damon, apoiando os cotovelos na mesa. — Você parece um pouco perdido no caminho para uma ópera em Moscou.
Nikolai finalmente ergueu o olhar. Seus olhos eram profundos, inteligentes e carregavam o peso de quase dois séculos de exílio. Ele deu um sorriso enigmático, um que não chegava aos olhos, mas que exalava um charme magnético.
— A elegância é a única armadura que nunca sai de moda, Sr. Salvatore — a voz de Nikolai era um barítono suave, com um leve rastro de sotaque russo que fazia as palavras soarem como veludo. — E, se me permite a observação, o couro é um tanto... previsível para alguém da sua idade.
Damon arqueou uma sobrancelha, pego de surpresa pela audácia.
— Nikolai Petrov. Sobrenome interessante. Conheci uma garota com o mesmo nome uma vez. Um pouco manipuladora, gosta de brincar com irmãos, tem o hábito de fingir a própria morte. Algum parentesco?
Nikolai inclinou a cabeça, fechando o livro que estava sobre a mesa.
— Katerina é uma ramificação infeliz da minha linhagem. O sangue Petrov é potente, mas ela sempre preferiu a sobrevivência ao poder real. Eu prefiro ambos.
Nesse momento, Stefan e Elena se aproximaram da mesa, formando uma barreira defensiva atrás de Damon. Nikolai os observou com um tédio mal disfarçado.
— O herói torturado e a duplicata preciosa — Nikolai disse, sua voz esfriando vários graus. — Mystic Falls é exatamente como os rumores diziam. Um ninho de formigas tentando derrubar um elefante.
— O que você quer aqui, Nikolai? — Stefan perguntou, ignorando as provocações. — Você não veio até aqui apenas para criticar o guarda-roupa do meu irmão.
— Eu vim buscar o que é meu por direito — Nikolai respondeu, levantando-se. Ele era alto, e sua postura aristocrática o fazia parecer ainda maior. — E um conselho, Srta. Gilbert: não me olhe com esse julgamento moralista. Sua linhagem é a razão de eu ter sido exilado na Sibéria como uma abominação. Se eu fosse você, ficaria fora do meu caminho.
— Isso é uma ameaça? — Elena retrucou, tentando manter a voz firme, apesar do calafrio que percorria sua espinha.
Nikolai deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Damon se tensionou, mas Nikolai não usou as mãos. Ele apenas sorriu.
— É uma promessa. Eu não tenho a paciência de Klaus ou a nostalgia de Stefan. Se você interferir nos meus assuntos, eu garantirei que a linhagem Petrova termine com você de uma forma muito... dolorosa.
Damon se levantou, a mão agarrando o braço de Nikolai.
— Ei, terno sob medida, vamos baixar o tom com a dama.
O toque foi o erro de Damon. No momento em que sua mão encontrou o tecido do paletó de Nikolai, Damon sentiu um choque lancinante. Seus olhos se arregalaram quando ele sentiu sua força vampírica ser drenada, como se Nikolai fosse uma esponja sugando a própria essência da sua vida. Damon caiu de joelhos, ofegante.
— Damon! — Elena gritou.
Nikolai olhou para o Salvatore caído com uma curiosidade quase terna. Ele soltou o pulso de Damon, e a sensação de vazio cessou instantaneamente.
— Eu sou um Siphoner, Damon. Eu não possuo magia, eu a tomo. E como você é uma criatura feita de magia negra, você é, essencialmente, um banquete para mim.
Nikolai ajeitou os punhos da camisa, olhou para Damon uma última vez — um olhar que continha uma faísca inesperada de interesse — e saiu do Grill, deixando o silêncio e o medo para trás.
***
As semanas que se seguiram transformaram a paranoia em uma rotina estranha. Nikolai havia se instalado em uma mansão em ruínas na floresta, e enquanto Stefan e Elena passavam os dias tentando encontrar uma forma de expulsá-lo, Damon começou a fazer algo que ninguém esperava: ele começou a segui-lo.
Não eram perseguições de morte. Eram jogos. Damon aparecia na floresta enquanto Nikolai procurava pelo Grimório de Krovorin, e Nikolai, em vez de matá-lo, permitia que o Salvatore o acompanhasse, divertindo-se com o sarcasmo do vampiro mais jovem.
Em uma noite particularmente fria, os dois estavam sentados perto de uma fogueira improvisada nas profundezas do bosque. Nikolai havia acabado de explicar o ritual de sangue que sua família usava para purificar a magia.
— Eles me chamavam de monstro antes mesmo de eu me tornar um — Nikolai confessou, olhando para as chamas. — Na Sibéria, se você não nasce com o dom, você é um peso. Quando descobriram que eu podia roubar o poder dos outros, meu próprio pai tentou me enterrar vivo na neve.
Damon, que estava bebendo bourbon direto da garrafa, ficou em silêncio por um longo tempo.
— Meu pai me deu um tiro porque eu preferia uma vampira a ele — Damon disse, a voz desprovida da habitual ironia. — Parece que temos um clube de pais do ano.
Nikolai olhou para Damon. Pela primeira vez, a máscara de aristocrata frio caiu, revelando as cicatrizes do abandono.
— Por que você continua vindo aqui, Damon? Você deveria estar com a sua duplicata, tramando minha queda.
— Ela é cansativa — Damon admitiu, aproximando-se de Nikolai. — Elena quer que eu seja uma versão de mim mesmo que não existe. Stefan quer que eu seja ele. Mas você... você olha para mim e não parece querer que eu mude nada.
Nikolai estendeu a mão, mas desta vez não para drenar. Seus dedos tocaram o rosto de Damon com uma delicadeza que o Salvatore nunca havia experimentado.
— Eu vejo o fogo em você, Damon. É selvagem, destrutivo e lindo. Por que eu iria querer apagar isso?
O beijo que se seguiu foi uma explosão de séculos de solidão e desejo reprimido. Era violento e faminto, uma colisão de duas criaturas que o mundo havia tentado quebrar, mas que encontraram uma na outra um espelho de suas próprias sombras. Naquela noite, na floresta, Damon não era o vilão de Mystic Falls, e Nikolai não era o Herege exilado. Eles eram apenas dois homens encontrando um porto seguro na escuridão.
***
A paz, porém, era um conceito estranho a Mystic Falls. Dias depois, o clima na mansão Salvatore era de guerra. Elena havia descoberto a ligação entre Damon e Nikolai e o ciúme que ela sentia era uma chama que consumia qualquer racionalidade.
— Você está dormindo com o inimigo, Damon! — Elena gritou, sua voz ecoando pela sala de estar. — Ele ameaçou me matar! Ele é um Petrov!
— Ele é mais honesto do que qualquer um nesta sala! — Damon rebateu, servindo-se de um copo de bourbon. — Ele não finge ser um santo, Elena. E ele não me olha como se eu fosse um problema a ser resolvido.
— Ele está usando você para chegar ao grimório! — Stefan interveio, sua expressão de decepção pesando sobre o irmão. — Eu vi como você olha para ele, Damon. Mas você não pode confiar nele. Ele é um Herege. No momento em que ele conseguir o que quer, ele vai descartar você.
— Você só está dizendo isso porque não suporta o fato de que, pela primeira vez, eu não estou correndo atrás das migalhas de afeto da Elena — Damon disse, as palavras saindo como navalhas.
A discussão foi interrompida quando a porta da frente explodiu em estilhaços de madeira. Nikolai entrou, mas não estava com seu sorriso habitual. Suas roupas estavam levemente desalinhadas, e seus olhos brilhavam com uma energia mística perigosa.
— Onde está? — Nikolai perguntou, sua voz carregada de uma frieza mortal.
— Onde está o quê? — perguntou Stefan, colocando-se à frente de Elena.
— O grimório. Eu sei que vocês o pegaram da floresta ontem à noite. Eu senti o rastro de magia da bruxa Bennett.
Elena deu um passo à frente, o queixo erguido.
— Nós o escondemos onde você nunca vai encontrar. Você não vai usar esse livro para machucar mais ninguém nesta cidade.
Nikolai riu, um som seco e sem humor. Ele ergueu a mão, e as luzes da mansão começaram a explodir uma a uma. O ar ficou pesado, saturado com a magia que ele estava sifonando das proteções da própria casa.
— Você é tão pequena, Elena — Nikolai disse, caminhando em direção a ela. Stefan tentou atacá-lo, mas com um simples gesto, Nikolai o lançou contra a parede de pedra com uma força telecinética devastadora. — Você acha que está protegendo o mundo, mas está apenas protegendo seu próprio ego.
Nikolai agarrou Elena pelo pescoço, erguendo-a do chão.
— Nikolai, pare! — Damon gritou, aproximando-se.
— Ela roubou minha herança, Damon — Nikolai sibilou, seus olhos fixos nos de Elena, que lutava por ar. — Ela acha que o sangue dela a torna especial. Eu vou mostrar a ela o quão comum ela é quando eu drenar cada gota de vida desse corpo humano insignificante.
— Se você matá-la, não haverá volta — Damon disse, sua voz tremendo entre a lealdade a Nikolai e o resto de humanidade que ainda nutria por Elena. — Por favor. Por mim.
Nikolai olhou para Damon. Ele viu o desespero nos olhos azuis do homem que havia se tornado seu único conforto em décadas. Lentamente, ele soltou Elena, que caiu tossindo no chão.
— Você tem sorte de ele ter um coração tão fraco por você — Nikolai disse a Elena, antes de se voltar para Damon. — Mas não se engane, Damon. Eu não vou deixar que eles me tirem o que é meu. Nem mesmo você pode me impedir.
***
O clímax da temporada chegou com a sombra de Klaus Mikaelson. O Híbrido Original havia descoberto sobre o Grimório de Krovorin e o poder que Nikolai agora detinha. Klaus não aceitava rivais, e Nikolai era uma ameaça que ele não podia ignorar.
O confronto ocorreu na praça central da cidade, sob a lua cheia. Klaus trouxe seus híbridos, pronto para dizimar Mystic Falls se Nikolai não entregasse o livro.
Stefan e Elena assistiam de longe, impotentes diante do poder que se desdobrava. Eles esperavam que Nikolai fugisse, que ele fosse o covarde que eles acreditavam que todos os Petrov eram. Mas Nikolai Petrov não era Katherine.
Ele ficou no centro da praça, sozinho, vestindo um terno preto impecável, o grimório em uma das mãos.
— Você está longe de casa, Klaus — Nikolai gritou, sua voz ecoando pelo silêncio da noite. — A Sibéria é muito mais fria do que este lugar, e eu sobrevivi a ela. Você realmente acha que alguns lobisomens de quinta categoria me assustam?
Klaus sorriu, aquele sorriso de predador que costumava paralisar corações.
— Você é arrogante, Herege. Eu gosto disso. Mas o livro é meu.
— O livro é do meu sangue — Nikolai rebateu. Ele abriu o grimório e começou a entoar em uma língua antiga, siberiana, que fazia o próprio solo tremer. As veias em seu rosto saltaram, e seus olhos ficaram negros.
Damon apareceu ao lado dele, arrancando o coração de um híbrido que tentava atacar Nikolai pelas costas.
— Você demora muito para fazer o seu show, sabia? — Damon brincou, embora estivesse coberto de sangue.
Nikolai olhou para ele por um segundo, um sorriso genuíno cruzando seus lábios.
— Tente não morrer, Damon. Eu ainda não terminei de ensinar você a se vestir.
A batalha foi uma sinfonia de violência e magia. Nikolai era um borrão de velocidade e poder, sifonando a energia dos próprios híbridos de Klaus para lançar feitiços que rasgavam a realidade. Ele era uma força da natureza, uma tempestade contida em um terno de alfaiataria.
Ao final, Klaus foi forçado a recuar. Não por ser mais fraco, mas por perceber que o custo de derrotar Nikolai seria alto demais. O Herege havia provado que Mystic Falls não pertencia mais aos Salvatore ou à duplicata.
Na manhã seguinte, o sol começou a nascer sobre as ruínas da praça. Nikolai e Damon estavam na varanda da mansão de Nikolai, observando o horizonte.
— Stefan e Elena nunca vão perdoar você por ter ficado do meu lado — observou Nikolai, limpando uma mancha de sangue de sua manga.
Damon deu de ombros, tomando um gole de bourbon.
— Stefan vai superar. E Elena... bem, ela vai ter que aprender que eu não sou o projeto de redenção dela.
Nikolai se aproximou, envolvendo a cintura de Damon com os braços.
— Você escolheu a escuridão, Damon. Tem certeza disso?
Damon olhou nos olhos de Nikolai, vendo neles uma compreensão que ele nunca encontrara na luz julgadora de Elena ou na moralidade de Stefan.
— Com você? — Damon sorriu, puxando Nikolai para um beijo. — A escuridão nunca pareceu tão brilhante.
Mystic Falls havia mudado. As regras haviam sido reescritas. E enquanto a cidade tentava se recuperar, Nikolai Petrov e Damon Salvatore permaneciam juntos, uma aliança de sangue, magia e uma elegância perigosa que ninguém ousaria desafiar novamente.
