Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Kim Seungmin

Fandom: Stray Kids

Criado: 20/06/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFofuraSongficCiúmesFatias de VidaEstudo de PersonagemCenário Canônico
Índice

Entre Linhas e Acordes Sarcásticos

O corredor do colégio estava movimentado, mas para Choi Sohee, o mundo parecia se resumir ao pequeno espaço do seu caderno de desenhos. Sentada em um banco de madeira sob a sombra de uma grande árvore no pátio, ela deslizava o grafite com delicadeza, traçando os contornos de uma paisagem que só existia em sua mente. Sohee sempre preferiu o silêncio das imagens ao barulho das palavras; sua timidez era como uma bolha que a protegia, mas que também a tornava um mistério para muitos.

— Ei, Sohee! Olha só o que eu trouxe! — A voz vibrante de Lee Felix rompeu o transe da garota.

Antes que ela pudesse reagir, Felix já estava ao seu lado, envolvendo-a em um abraço lateral apertado que cheirava a baunilha e açúcar. Felix era o "sunshine" em forma de gente. Extrovertido, enérgico e com um coração que não cabia no peito, ele era o melhor amigo que Sohee poderia desejar.

— Oi, Lix — disse ela, com um sorriso tímido, fechando o caderno rapidamente.

— Não precisa esconder, eu sei que está ficando incrível — Felix comentou, bagunçando o cabelo de Sohee com carinho. — Mas agora, foco no que importa: eu fiz brownies! E desta vez coloquei um toque de flor de sal. Experimenta.

Ele estendeu um pequeno pote plástico, mas antes que Sohee pudesse pegar um doce, um grupo se aproximou. Lee Wonhee, a melhor amiga de Sohee, vinha logo à frente, com os olhos brilhando de uma forma que Sohee conhecia bem. O motivo daquele brilho estava logo atrás dela: Hwang Hyunjin.

Hyunjin caminhava com uma elegância natural, embora parecesse um pouco distraído, talvez pensando em algum passo de dança ou na poesia que estava escrevendo. Ao lado dele, Bang Chan exibia seu sorriso largo, já abrindo os braços para cumprimentar quem estivesse no caminho.

— Brownies? Eu ouvi a palavra mágica? — Chan perguntou, praticamente saltando sobre Felix para um abraço de urso. — Lix, você é um anjo enviado do céu.

— Calma, Hyung! Tem para todo mundo — riu Felix.

Wonhee aproveitou a confusão para se aproximar de Hyunjin. Ela era a "fofura em pessoa", mas quando se tratava de Hyunjin, ela ganhava uma coragem inesperada.

— Hyunjin-ah, você viu o pôster da nova exposição na galeria central? — Wonhee perguntou, inclinando a cabeça de um jeito charmoso. — Pensei que um artista como você gostaria de ir.

Hyunjin sorriu, aquele sorriso que fazia Wonhee derreter por dentro.

— Eu vi, sim. Estava pensando em ir no sábado para fazer alguns esboços. Você desenha também, não é?

Enquanto o flerte nada discreto de Wonhee e Hyunjin se desenrolava, Sohee sentiu um par de olhos sobre ela. Afastado alguns passos, encostado em um pilar com os braços cruzados, estava Kim Seungmin.

Seungmin era o oposto da energia caótica de Chan ou da doçura expansiva de Felix. Ele era o "rei do humor ácido", sempre com uma resposta sarcástica na ponta da língua e uma postura impecável. Para Sohee, ele sempre foi um enigma. Ele a observava em silêncio há seis meses, um detalhe que ela, em sua timidez, jamais notara.

— Se continuar mexendo no cabelo dela desse jeito, Felix, ela vai acabar ficando careca antes do intervalo terminar — disparou Seungmin, a voz calma, mas carregada daquele sarcasmo característico.

Felix, que ainda estava com a mão nos fios de Sohee, riu.

— Deixa de ser ranzinza, Seungminnie! O cabelo da Sohee é macio, é terapêutico mexer nele.

Seungmin desviou o olhar, sentindo uma pontada familiar de irritação no peito. Ele odiava o quanto Felix era físico com Sohee. Ele odiava o fato de que Felix podia simplesmente abraçá-la sem pensar duas vezes, enquanto ele, Seungmin, passava noites em claro pensando em como dizer um simples "bom dia" sem parecer um robô ou um idiota.

— É, realmente, muito produtivo — ironizou Seungmin, aproximando-se do grupo. — Enquanto vocês agem como crianças no jardim de infância, eu prefiro focar no fato de que o teste de matemática é na próxima aula.

— Ah, não estraga o clima, Seungmin! — Chan reclamou, soltando Felix. — Vem cá, me dá um abraço também, você está muito tenso.

— Nem pense nisso, Chan Hyung. Mantenha seus braços de polvo longe de mim.

Sohee soltou uma risadinha baixa, o que fez Seungmin olhar para ela imediatamente. Por um breve segundo, o sarcasmo em seus olhos deu lugar a algo muito mais suave, quase vulnerável. Ele achava o riso dela o som mais bonito do mundo, mas jamais admitiria isso em voz alta.

— O que foi, Sohee? — perguntou ele, tentando manter o tom neutro. — Achou engraçado o declínio intelectual dos nossos amigos?

— Não é isso — respondeu ela, a voz doce e baixa. — É que você sempre tem uma resposta pronta. É impressionante.

Seungmin sentiu o coração falhar uma batida. Ele abriu a boca para dizer algo ácido, mas as palavras simplesmente não vieram.

— É o talento dele — interrompeu Yuna, surgindo do nada e se posicionando ao lado de Seungmin, tentando segurar o braço dele. — O Seungmin é o mais inteligente daqui, ele não perde tempo com bobagens. Não é, Seungminnie?

Yuna era o pesadelo pessoal de Sohee. Ela não escondia de ninguém que era "caidinha" por Seungmin e, por algum motivo que Sohee não entendia, Yuna parecia ter um prazer especial em tentar diminuí-la.

Seungmin, com uma sutileza fria, desvencilhou-se do toque de Yuna.

— Eu não sabia que você tinha sido nomeada minha porta-voz, Yuna. E "bobagens" é um termo relativo. Acho que desenhar, por exemplo, exige muito mais cérebro do que ficar seguindo as pessoas pelos corredores.

O rosto de Yuna ficou vermelho de raiva. Ela lançou um olhar mortal para Sohee, que apenas baixou a cabeça, sentindo-se desconfortável. Wonhee, percebendo a situação, interveio rapidamente.

— Ei, Yuna! — chamou Wonhee, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Você não tinha que entregar aquele relatório na secretaria? Acho que vi a inspetora te procurando.

— O quê? Agora? — Yuna bufou, lançando um último olhar para Seungmin antes de sair batendo os pés.

— Obrigado, Wonhee — sussurrou Sohee, sentindo o alívio percorrer seu corpo.

— Aquela garota é uma cobra — comentou Wonhee, voltando sua atenção para Hyunjin. — Mas enfim, onde estávamos? Ah, sim, a exposição!

Enquanto o grupo voltava a conversar, Seungmin permaneceu em silêncio, observando Sohee. Ele viu quando ela abriu o caderno novamente, mas desta vez ela não desenhou. Ela parecia pensativa.

— Você devia mostrar seus desenhos para o Hyunjin algum dia — disse Seungmin, surpreendendo-a. — Ele entende de arte. Talvez ele possa te dar algumas dicas... se ele conseguir parar de olhar para a Wonhee por cinco minutos.

Sohee olhou para ele, surpresa pela sugestão.

— Você acha? Eu tenho medo de que não sejam bons o suficiente.

Seungmin soltou um suspiro curto, aproximando-se um pouco mais, o suficiente para que apenas ela ouvisse.

— Eu vi o que você desenhou na semana passada. O retrato daquela árvore velha perto do ginásio. — Ele fez uma pausa, e sua voz ficou um pouco mais profunda. — Você tem um olhar para os detalhes que a maioria das pessoas ignora, Sohee. Não deixe a opinião de pessoas irrelevantes, como a Yuna, ou a sua própria insegurança, esconderem isso.

Sohee sentiu o rosto esquentar. Seungmin estava sendo... gentil? Sem sarcasmo?

— Obrigada, Seungmin. Isso significa muito vindo de você.

Ele deu de ombros, recuperando sua máscara de indiferença.

— Tanto faz. Só não quero que o Felix seja o único "artista" do grupo por causa daqueles brownies. Confeitaria é química, não arte.

— Ei! Eu ouvi isso! — gritou Felix do outro lado, fazendo todos rirem.

O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. O grupo começou a se dispersar em direção às salas de aula. Chan passou o braço pelos ombros de Felix e Hyunjin, guiando-os enquanto contava uma piada interna. Wonhee seguiu ao lado de Hyunjin, rindo de algo que ele disse.

Sohee começou a guardar suas coisas, mas deixou cair seu estojo. Antes que pudesse se abaixar, Seungmin já o tinha pego.

— Toma — disse ele, entregando o objeto.

— Obrigada.

— Sohee? — chamou ele, quando ela já estava a alguns passos de distância.

— Sim?

Ele hesitou por um momento. Ele queria dizer que o sorriso dela era a única coisa que tornava aquele colégio suportável. Queria dizer que o cheiro do perfume dela o perseguia nos sonhos. Queria dizer que sentia uma vontade absurda de afastar o Felix toda vez que ele a tocava.

— Estude para a prova. Eu não vou te passar as respostas se você travar.

Sohee sorriu, um sorriso real e brilhante.

— Eu vou estudar, Seungmin.

Ela se virou e correu para alcançar Wonhee. Seungmin ficou parado por um momento, observando-a ir. Ele levou a mão ao peito, sentindo o ritmo acelerado do seu coração.

— Idiota — resmungou para si mesmo, embora houvesse um pequeno e raro sorriso em seus lábios.

Ele sabia que Yuna tentaria algo novamente. Ele sabia que Felix continuaria sendo o "sunshine" físico que ele não conseguia ser. Mas ele também sabia que, entre as linhas dos desenhos de Sohee e o sarcasmo de suas próprias palavras, havia uma conexão que ninguém mais conseguia ver. E, por enquanto, para Kim Seungmin, isso teria que ser o suficiente.

No caminho para a sala, Sohee sentiu uma leveza que não sentia há muito tempo. Ela não sabia que os olhos de Seungmin a seguiam com uma devoção silenciosa, mas, pela primeira vez, ela sentiu que, talvez, por trás daquela armadura de ironia e indiferença, existia uma voz de ouro esperando para ser ouvida por ela.

E Wonhee, percebendo o olhar distraído da amiga, cutucou-a com o cotovelo.

— O que foi aquele papo com o Seungmin, hein?

— Nada — respondeu Sohee, corando. — Ele só me deu um conselho sobre os desenhos.

— Sei... — Wonhee sorriu maliciosamente. — O "rei do gelo" dando conselhos? O mundo está mesmo mudando, Sohee.

— Deixa de bobagem, Wonhee. Vamos, ou o professor vai fechar a porta.

As duas entraram na sala, seguidas por um Seungmin que, apesar de parecer focado em seus livros, não conseguia tirar os olhos da garota que, sem saber, tinha o seu coração inteiramente em suas mãos. A jornada de seis meses de observação silenciosa estava longe de terminar, mas, naquele dia, algo tinha mudado. O gelo estava começando a rachar, e a arte de Sohee estava começando a ganhar cores que nem ela mesma esperava pintar.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic