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Lee Minho

Fandom: Stray Kids

Criado: 20/06/2026

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RomanceFatias de VidaDor/ConfortoFofuraCenário CanônicoEstudo de Personagem
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Entre Compassos e Olhares Felinos

A luz fluorescente da sala de prática de JYP sempre pareceu mais brilhante do que o necessário às duas da manhã. O silêncio do prédio, que durante o dia era um caos de vozes e batidas de trap, agora era preenchido apenas pelo som rítmico da minha respiração ofegante e pelo clique suave do ar-condicionado.

Eu encarei meu reflexo no espelho imenso. Minha camiseta de algodão estava colada às costas pelo suor, e meu cabelo, que eu tentava manter minimamente estiloso mesmo nos ensaios, agora era apenas uma bagunça úmida. Eu era parte do Stray Kids desde o primeiro dia. Eu tinha conquistado meu lugar com vocais que os meninos elogiavam constantemente e raps que, segundo o Changbin, tinham a "agressividade certa". Mas a dança... a dança ainda era o meu fantasma pessoal.

Eu não era ruim. Mas "não ser ruim" não era o suficiente quando se estava no mesmo grupo que Lee Minho.

— Você está perdendo o tempo de novo, Sohee. — A voz dele cortou o silêncio, vinda do canto da sala onde ele estava sentado, observando cada movimento meu com aquela expressão de quem estava julgando até a minha árvore genealógica.

Eu me virei, tentando recuperar o fôlego. Minho estava sentado no chão, encostado no espelho, com uma garrafa de água na mão. Ele não parecia nem um pouco cansado, o que era irritante.

— Eu entrei no tempo certo — retruquei, sentindo aquela pontada de teimosia que sempre surgia quando ele me provocava. — Foi o giro que me atrasou.

Minho se levantou com uma agilidade que me dava inveja. Ele caminhou até mim, parando a poucos centímetros. O cheiro de perfume cítrico misturado com o esforço do treino era inebriante.

— Se o giro te atrasou, então você não entrou no tempo certo — ele disse, a voz num tom baixo e calmo, mas carregada daquele sarcasmo seco que só ele tinha. — De novo. Do topo.

Eu suspirei, mas obedeci. Eu tinha implorado por essa ajuda. Minho era o melhor dançarino que eu conhecia, e embora ele pudesse ser um pesadelo como professor, ele era o único que conseguia enxergar exatamente onde meu equilíbrio falhava. O problema era que, quanto mais ele me ajudava, mais difícil ficava esconder o que eu sentia.

A música recomeçou. Eu me movi, tentando focar na técnica, mas a presença dele no espelho atrás de mim era uma distração constante. No refrão, quando eu deveria fazer o movimento de transição para o solo, senti a mão de Minho na minha cintura, corrigindo minha postura com um toque firme.

Meu coração deu um salto que não tinha nada a ver com o esforço físico.

— Mantenha o eixo — ele murmurou perto do meu ouvido. — Você se inclina demais porque tem medo de cair. Eu não vou deixar você cair, Sohee.

Ele me soltou tão rápido quanto me tocou, voltando a se afastar. Às vezes, ele me tratava com uma delicadeza quase protetora, como se eu fosse um dos seus gatos que precisava de cuidado. Em outros momentos, ele me olhava com um desdém tão afiado que eu sentia vontade de sumir. Era essa dualidade que me deixava completamente perdida — e perdidamente apaixonada.

A porta da sala de ensaio se abriu de repente, e a energia caótica do grupo invadiu o lugar.

— Ainda aqui? — Bang Chan entrou primeiro, com aquele sorriso de líder que parecia carregar o peso do mundo com leveza. Ele trazia algumas sacolas de conveniência. — Eu sabia que encontraria vocês dois treinando. Sohee, você precisa descansar, ou não vai conseguir acordar para a gravação de amanhã.

— Eu só queria acertar essa sequência, Chan-oppa — respondi, tentando disfarçar o cansaço.

— Ela é teimosa — Minho comentou, pegando uma garrafa de isotônico da sacola que Chan segurava. — Como um filhote de gato que se recusa a sair da chuva.

— Eu gosto de chuva! — rebati, fazendo Felix rir enquanto ele entrava logo atrás, seguido por Hyunjin e Han.

— Nós sabemos que você é romântica, Sohee-ah — Felix disse, me dando um abraço rápido e suado. — Mas o Chan tem razão. Comam um pouco. Trouxemos lanches.

Hyunjin se aproximou do espelho, ajeitando o cabelo e olhando para mim com aquela intensidade artística dele.

— Eu vi o final do seu movimento antes de entrarmos — ele disse, com a voz suave. — Foi bonito. Você tem uma forma dramática de se mover que combina com a música, mas precisa acreditar mais na sua própria linha.

— Viu? — Changbin apareceu, já abrindo um pacote de salgadinhos. — Até o Hyunjin notou. Você é talentosa, garota. Para de se cobrar tanto. A gente te escolheu por um motivo.

Eu sorri, sentindo o calor habitual que o Stray Kids me proporcionava. Eles eram minha família. Seungmin e Jeongin entraram por último, discutindo algo sobre o tom de voz da nova demo.

— Ela só quer impressionar o mestre dela — Seungmin disse, lançando um olhar de soslaio para Minho com seu típico humor sarcástico. — Mas cuidado, Sohee, o Minho morde se você errar o passo pela décima vez.

— Eu não mordo — Minho respondeu, sentando-se novamente. — Eu só... observo as falhas.

— É a mesma coisa — Jeongin brincou, sentando-se ao meu lado no chão. — Você está bem, noona? Seus olhos estão vermelhos.

— É só o cansaço, Innie — eu disse, bagunçando o cabelo dele. — E a imaginação fértil que não me deixa dormir criando cenários de como essa coreografia deveria ser.

— Você e seus cenários — Han riu, sentando em um círculo conosco. — Às vezes eu acho que você vive mais dentro da sua cabeça do que aqui fora.

— É mais seguro lá dentro — confessei, rindo baixo.

Comemos e conversamos por quase uma hora. O clima era leve, cheio de piadas internas e o barulho reconfortante de nove pessoas que se conheciam profundamente. Eu me sentia segura ali, protegida pela liderança acolhedora de Chan e pela alegria contagiante de Felix e Han. Mas, toda vez que meus olhos encontravam os de Minho, o mundo lá fora parecia desaparecer.

Eventualmente, os meninos começaram a se despedir para voltar ao dormitório.

— Você vem, Sohee? — Chan perguntou, já na porta.

— Eu vou em dez minutos, Chan. Só quero alongar mais um pouco para não acordar travada amanhã.

— Eu fico com ela — Minho disse, sem olhar para ninguém, focado em amarrar o cadarço do tênis. — Alguém tem que garantir que ela não vai desmaiar e bater a cabeça no espelho.

Os meninos saíram, deixando um silêncio denso para trás. Eu me levantei e comecei a fazer alguns alongamentos básicos, sentindo o olhar de Minho queimar nas minhas costas.

— Por que você faz isso? — perguntei, quebrando o silêncio.

— O quê? Fico para garantir que você não se mate de treinar?

— Não. Por que você alterna entre ser a pessoa mais cuidadosa do mundo e me olhar como se eu fosse um incômodo? — Eu me virei para ele, a coragem vindo de algum lugar profundo da minha exaustão. — É cansativo, Minho. Eu me envolvo de verdade com as pessoas, eu não sei lidar com essa... essa distância que você cria.

Minho se levantou e caminhou até mim. Dessa vez, ele não parou a uma distância segura. Ele parou perto o suficiente para que eu tivesse que inclinar a cabeça para trás. O olhar de desdém não estava lá. Em seu lugar, havia algo que eu raramente via: vulnerabilidade.

— Eu não te trato como um incômodo, Sohee — ele disse, a voz quase um sussurro. — Eu trato você com cuidado porque você é intensa demais. Você sente tudo com tanta força que, às vezes, eu tenho medo de que qualquer coisa que eu faça possa te quebrar. Ou pior... que você perceba o quanto eu presto atenção em você.

Meu coração parou por um segundo.

— Você presta atenção em mim?

Minho soltou uma risada curta, sem humor, e estendeu a mão, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. O toque dele era quente contra a minha pele fria.

— Eu sei que você gosta de filmes clichês e que sempre cria histórias na sua cabeça quando está chovendo. Eu sei que você só confia nas pessoas depois de analisar cada palavra que elas dizem, porque odeia falsidade. E eu sei que você está se matando nessa sala de dança porque quer provar para si mesma que é digna de estar aqui, quando todo mundo já sabe que você é o coração desse grupo.

Eu estava sem palavras. Minha mente criativa, que sempre tinha um cenário pronto, simplesmente deu um branco total.

— Eu sou direto, Sohee. Você sabe disso — ele continuou, a mão agora repousando na minha nuca, o polegar acariciando minha mandíbula. — Se eu te olho de longe, é porque estou tentando entender como alguém pode ser tão talentosa e tão insegura ao mesmo tempo. E se eu fico perto demais... é porque é difícil resistir a essa sua intensidade.

— Minho... — eu comecei, mas ele me interrompeu com um gesto suave.

— Não precisa dizer nada agora. Sua cabeça já deve estar criando mil conexões e possibilidades. — Ele deu aquele sorriso de lado, metade provocador, metade doce. — Só saiba que, da próxima vez que você se sentir como um "gato abandonado", é porque eu estou esperando você vir até mim.

Ele se afastou, pegando sua mochila do chão.

— Vamos. O Chan vai ter um colapso se a gente não chegar em cinco minutos.

Eu o segui para fora da sala, minhas pernas parecendo mais leves do que nunca. A chuva começou a cair lá fora, batendo contra as janelas de vidro do corredor. Um cenário perfeito, exatamente como nos livros que eu amava ler.

Enquanto caminhávamos em direção à saída, Minho estendeu a mão para trás, sem olhar para mim. Eu a segurei, entrelaçando nossos dedos. A pele dele era áspera e real, ancorando minha imaginação no presente.

Eu ainda tinha muito o que melhorar na dança, e sabia que Minho continuaria sendo um professor exigente e, às vezes, sarcástico. Mas, enquanto caminhávamos sob a chuva em direção ao dormitório, eu percebi que não precisava mais criar cenários na minha cabeça.

A realidade, pela primeira vez, era muito melhor do que qualquer ficção.
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