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Ciumes e palco
Fandom: Airbag
Criado: 20/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoCiúmesEstudo de PersonagemHistória Doméstica
Acordes e Ciúmes: O Ritmo do Descontrole
O Luna Park rugia. O som das guitarras de Patricio, Guido e Gastón Sardelli reverberava pelas paredes históricas, criando uma massa sonora que parecia pulsar junto com o coração dos milhares de fãs presentes. Patricio Sardelli estava em seu elemento natural: o centro do palco, a luz dos refletores refletindo em sua Gibson, o suor escorrendo pelo rosto enquanto ele entregava cada nota com a intensidade que era sua marca registrada.
No entanto, naquela noite, a mente de Pato não estava cem por cento na música. Seus olhos, semicerrados pela concentração, escapavam constantemente para o camarote VIP lateral, posicionado estrategicamente à altura do palco. Lá, entre as sombras e as luzes estroboscópicas, estava Karen.
Sua namorada brasileira era uma visão que, em qualquer outra circunstância, o encheria de orgulho e desejo. Mas, desde que saíram do hotel, um nó de irritação se formara no estômago do músico. Karen usava uma saia de couro preta extremamente curta, que acentuava suas curvas de forma perigosa, e uma blusa translúcida que não deixava muito para a imaginação. Patricio já havia comentado, de forma ríspida, que a roupa era "demais", mas Karen, com seu espírito livre e o apoio das irmãs de Pato — que a tratavam como uma quarta irmã Sardelli —, apenas riu e deu um beijo rápido em seu rosto, dizendo que ele estava sendo "um portenho possessivo".
Agora, no meio do solo de "Cae el Sol", a irritação de Patricio se transformou em brasa pura.
No camarote, Karen não estava mais apenas dançando com as irmãs de Patricio ou conversando com Maria. Um homem alto, de ombros largos, havia se aproximado. Pato viu o momento em que o sujeito colocou a mão no ombro de Karen para falar algo em seu ouvido, devido ao volume alto. Karen não se afastou; pelo contrário, ela sorriu abertamente, jogando a cabeça para trás em uma risada que Patricio conhecia bem.
As cordas da guitarra gemeram sob a pressão dos dedos de Pato. Ele errou uma nota — algo raro — e Gastón o olhou de soslaio, franzindo o cenho. Patricio nem percebeu. Ele observava o estranho se inclinar ainda mais, a mão agora descendo para a cintura de Karen enquanto apontava para algo no palco.
Para Karen, aquele era apenas Beto, um amigo de infância de sua família que morava em Buenos Aires há anos e que ela não via há uma eternidade. Ela estava feliz em encontrá-lo, contando sobre como a vida na Argentina estava sendo intensa ao lado de um rockstar. Mas para Patricio, do palco, a cena parecia um prelúdio de algo que ele não estava disposto a tolerar.
O show terminou sob aplausos ensurdecedores, mas Patricio mal esperou o agradecimento final. Ele entregou a guitarra para o roadie com um movimento brusco e caminhou a passos largos em direção ao backstage, ignorando os gritos das fãs que se espremiam na grade.
— Pato! Que show foi esse, cara? — gritou Guido, tentando alcançá-lo.
— Depois a gente fala, Guido — rosnou Patricio, sem diminuir o passo.
Ele entrou no camarim privativo, jogando a jaqueta de couro sobre o sofá. Poucos minutos depois, a porta se abriu e o grupo do camarote entrou. Karen vinha na frente, radiante, com o rosto corado pela animação.
— Amor! Você foi incrível! — disse ela em português, seu sotaque brasileiro tornando-se mais forte na empolgação. — A energia estava absurda!
Patricio não sorriu. Ele pegou uma garrafa de água, virando metade do conteúdo antes de encarar a namorada. As irmãs Sardelli e Maria entraram logo atrás, percebendo imediatamente a eletricidade estática no ar.
— Foi um bom show — respondeu ele, a voz fria como gelo. — Pelo visto, você também se divertiu bastante no camarote.
Karen parou no meio do caminho, o sorriso vacilando. Ela conhecia aquele tom.
— Sim, foi ótimo. As meninas e eu dançamos o tempo todo — ela tentou manter a leveza.
— E quem era o cara? — disparou Patricio, cruzando os braços. — O que estava praticamente colado em você?
As irmãs de Pato trocaram olhares desconfortáveis. Maria limpou a garganta.
— Pato, era só o Beto... — começou Maria.
— Eu não perguntei para você, Maria — interrompeu Patricio, os olhos fixos em Karen. — Perguntei para ela. Quem era o sujeito que não conseguia tirar as mãos da sua cintura?
Karen sentiu o sangue subir às faces, mas não de vergonha, e sim de indignação.
— O "sujeito" é o Beto, Patricio. Um amigo de infância. Ele é como um irmão para mim e para as minhas irmãs. Eu não o via há cinco anos!
— Engraçado — desdenhou Patricio, dando um passo à frente —, ele parecia bem íntimo para um "irmão". E com essa saia que você cismou em usar, eu não me surpreendo que ele tenha se sentido à vontade.
O silêncio caiu sobre o camarim como uma marreta. Karen respirou fundo, tentando controlar o tremor nas mãos.
— Você está mesmo dizendo isso? — perguntou ela, a voz baixa e perigosa. — Você está culpando a minha roupa pelo fato de um amigo ter me cumprimentado?
— Eu estou dizendo que você estava se exibindo — rebateu ele, o ciúme nublando qualquer rastro de razão. — No palco, eu olhava para o lado e via um cara fungando no seu pescoço enquanto você ria como se não tivesse um namorado a dez metros de distância.
— Ele estava falando no meu ouvido porque o som estava alto, seu idiota! — gritou Karen, perdendo a paciência. — E se eu estava rindo, era porque estava feliz por você, feliz pelo show! Mas você prefere montar um cenário na sua cabeça onde eu sou uma qualquer.
— Karen, não foi isso que ele quis dizer... — tentou intervir Gastón, que acabara de entrar.
— Foi exatamente o que ele quis dizer! — Karen apontou o dedo para o peito de Patricio. — Você está com esse bico desde que eu me vesti no hotel. Você não suporta que as pessoas olhem para mim, mas adora ser o centro das atenções com dez mil garotas gritando seu nome!
— É diferente! — exclamou Patricio. — É o meu trabalho!
— E o meu "trabalho" é ser sua propriedade? — desafiou ela. — Porque é assim que você me trata quando fica com esse ciúme doentio. O Beto é um amigo. Se você tivesse se dado ao trabalho de ser civilizado e tivesse ido lá falar conosco, teria percebido isso.
Patricio bufou, desviando o olhar, mas a mandíbula continuava travada.
— Eu vi o que vi, Karen.
— Não — corrigiu ela —, você viu o que o seu ego quis ver.
Ela pegou sua bolsa que estava sobre a mesa de centro.
— Eu vou para o hotel com a Maria e as meninas. Não quero ficar no mesmo carro que você.
— Karen, espera — pediu Patricio, mas sem o tom de comando de antes. Havia uma rachadura em sua armadura de raiva.
— Não. — Ela se virou para a porta. — Quando você decidir que confia em mim mais do que teme uma saia curta, a gente conversa.
Ela saiu, batendo a porta com força suficiente para fazer os copos de cristal tremerem.
Patricio ficou parado no centro do camarim, o silêncio agora sendo preenchido apenas pelo zumbido em seus ouvidos, um resquício do volume do show. Gastón e Guido o observavam com expressões que misturavam pena e reprovação.
— Você pisou na bola, cara — disse Guido, sentando-se e abrindo uma cerveja. — O cara era realmente um amigo. Ele até perguntou de você, disse que admirava seu trabalho.
Patricio passou as mãos pelos cabelos longos, soltando um suspiro pesado. A adrenalina do show estava baixando, e com ela, a névoa do ciúme começava a se dissipar, deixando apenas o gosto amargo do arrependimento.
— A saia era curta mesmo? — perguntou ele, a voz agora quase um sussurro.
— Era — respondeu Gastón —, mas ela é a Karen. Ela é brasileira, Pato. Ela é linda e tem luz própria. Você devia estar orgulhoso de ter uma mulher assim ao seu lado, e não tentando apagar o brilho dela por medo.
Patricio afundou no sofá, cobrindo o rosto com as mãos. Ele sabia que eles tinham razão. O problema nunca fora a saia, nem o tal Beto. O problema era o medo visceral que ele sentia de perder a única coisa que o fazia se sentir mais vivo do que estar em cima de um palco.
— Eu estraguei tudo, não foi? — perguntou ele.
— Ainda não — disse Maria, que permanecera à porta. — Mas se eu fosse você, levava flores e um pedido de desculpas muito convincente para o hotel. E, Patricio... deixe o machismo na porta antes de entrar.
Ele assentiu silenciosamente. O rockstar havia saído de cena; agora, restava apenas o homem, confrontando o silêncio ensurdecedor de seus próprios erros.
Lá fora, a noite de Buenos Aires continuava agitada, mas para Patricio Sardelli, o único ritmo que importava agora era o de tentar reconquistar o coração que ele mesmo havia magoado. Ele se levantou, pegou a chave do carro e saiu. Ele tinha uma música para compor, ou talvez apenas uma vida inteira para se desculpar.
Ao chegar no hotel, o corredor estava silencioso. Ele parou diante da porta do quarto deles, o coração martelando mais forte do que qualquer bateria de Gastón. Ele bateu suavemente.
— Karen? — chamou ele. — Sou eu.
Não houve resposta imediata. Ele encostou a testa na madeira fria da porta.
— Eu fui um idiota. Eu sei. A Maria me contou quem ele era... e eu agi como um moleque.
Ouviu-se o som de passos lá dentro. A porta se abriu apenas uma fresta, revelando o olhar ainda magoado de Karen. Ela já havia trocado a roupa de festa por um camisete largo dele.
— Você sempre faz isso, Pato — disse ela, a voz embargada. — Você brilha no palco, mas tenta me deixar na sombra.
— Eu não quero você na sombra, Karen — disse ele, entrando no quarto assim que ela cedeu espaço. — Eu só... eu fico louco com a ideia de alguém olhar para você e perceber o quão incrível você é. Eu tenho medo de que um dia você perceba que merece alguém mais calmo, menos explosivo.
Karen suspirou, cruzando os braços.
— Eu não quero alguém calmo. Eu quero você. Mas eu quero o Patricio que me ama, não o Patricio que me vigia.
Ele se aproximou lentamente, envolvendo a cintura dela com as mãos, puxando-a para perto.
— Me desculpa? — pediu ele, mergulhando o rosto na curvatura do pescoço dela, sentindo o perfume que o acalmava. — Prometo que vou tentar controlar esse meu lado... portenho possessivo.
Karen soltou uma risada curta, a tensão finalmente deixando seu corpo.
— Você é impossível, Sardelli.
— Eu sei — sussurrou ele contra a pele dela. — Mas sou seu.
Naquela noite, as guitarras silenciaram, e a única melodia que restou foi o som de dois corações tentando entrar em sintonia novamente, entre promessas de confiança e o calor de um perdão que só o amor verdadeiro é capaz de conceder.
No entanto, naquela noite, a mente de Pato não estava cem por cento na música. Seus olhos, semicerrados pela concentração, escapavam constantemente para o camarote VIP lateral, posicionado estrategicamente à altura do palco. Lá, entre as sombras e as luzes estroboscópicas, estava Karen.
Sua namorada brasileira era uma visão que, em qualquer outra circunstância, o encheria de orgulho e desejo. Mas, desde que saíram do hotel, um nó de irritação se formara no estômago do músico. Karen usava uma saia de couro preta extremamente curta, que acentuava suas curvas de forma perigosa, e uma blusa translúcida que não deixava muito para a imaginação. Patricio já havia comentado, de forma ríspida, que a roupa era "demais", mas Karen, com seu espírito livre e o apoio das irmãs de Pato — que a tratavam como uma quarta irmã Sardelli —, apenas riu e deu um beijo rápido em seu rosto, dizendo que ele estava sendo "um portenho possessivo".
Agora, no meio do solo de "Cae el Sol", a irritação de Patricio se transformou em brasa pura.
No camarote, Karen não estava mais apenas dançando com as irmãs de Patricio ou conversando com Maria. Um homem alto, de ombros largos, havia se aproximado. Pato viu o momento em que o sujeito colocou a mão no ombro de Karen para falar algo em seu ouvido, devido ao volume alto. Karen não se afastou; pelo contrário, ela sorriu abertamente, jogando a cabeça para trás em uma risada que Patricio conhecia bem.
As cordas da guitarra gemeram sob a pressão dos dedos de Pato. Ele errou uma nota — algo raro — e Gastón o olhou de soslaio, franzindo o cenho. Patricio nem percebeu. Ele observava o estranho se inclinar ainda mais, a mão agora descendo para a cintura de Karen enquanto apontava para algo no palco.
Para Karen, aquele era apenas Beto, um amigo de infância de sua família que morava em Buenos Aires há anos e que ela não via há uma eternidade. Ela estava feliz em encontrá-lo, contando sobre como a vida na Argentina estava sendo intensa ao lado de um rockstar. Mas para Patricio, do palco, a cena parecia um prelúdio de algo que ele não estava disposto a tolerar.
O show terminou sob aplausos ensurdecedores, mas Patricio mal esperou o agradecimento final. Ele entregou a guitarra para o roadie com um movimento brusco e caminhou a passos largos em direção ao backstage, ignorando os gritos das fãs que se espremiam na grade.
— Pato! Que show foi esse, cara? — gritou Guido, tentando alcançá-lo.
— Depois a gente fala, Guido — rosnou Patricio, sem diminuir o passo.
Ele entrou no camarim privativo, jogando a jaqueta de couro sobre o sofá. Poucos minutos depois, a porta se abriu e o grupo do camarote entrou. Karen vinha na frente, radiante, com o rosto corado pela animação.
— Amor! Você foi incrível! — disse ela em português, seu sotaque brasileiro tornando-se mais forte na empolgação. — A energia estava absurda!
Patricio não sorriu. Ele pegou uma garrafa de água, virando metade do conteúdo antes de encarar a namorada. As irmãs Sardelli e Maria entraram logo atrás, percebendo imediatamente a eletricidade estática no ar.
— Foi um bom show — respondeu ele, a voz fria como gelo. — Pelo visto, você também se divertiu bastante no camarote.
Karen parou no meio do caminho, o sorriso vacilando. Ela conhecia aquele tom.
— Sim, foi ótimo. As meninas e eu dançamos o tempo todo — ela tentou manter a leveza.
— E quem era o cara? — disparou Patricio, cruzando os braços. — O que estava praticamente colado em você?
As irmãs de Pato trocaram olhares desconfortáveis. Maria limpou a garganta.
— Pato, era só o Beto... — começou Maria.
— Eu não perguntei para você, Maria — interrompeu Patricio, os olhos fixos em Karen. — Perguntei para ela. Quem era o sujeito que não conseguia tirar as mãos da sua cintura?
Karen sentiu o sangue subir às faces, mas não de vergonha, e sim de indignação.
— O "sujeito" é o Beto, Patricio. Um amigo de infância. Ele é como um irmão para mim e para as minhas irmãs. Eu não o via há cinco anos!
— Engraçado — desdenhou Patricio, dando um passo à frente —, ele parecia bem íntimo para um "irmão". E com essa saia que você cismou em usar, eu não me surpreendo que ele tenha se sentido à vontade.
O silêncio caiu sobre o camarim como uma marreta. Karen respirou fundo, tentando controlar o tremor nas mãos.
— Você está mesmo dizendo isso? — perguntou ela, a voz baixa e perigosa. — Você está culpando a minha roupa pelo fato de um amigo ter me cumprimentado?
— Eu estou dizendo que você estava se exibindo — rebateu ele, o ciúme nublando qualquer rastro de razão. — No palco, eu olhava para o lado e via um cara fungando no seu pescoço enquanto você ria como se não tivesse um namorado a dez metros de distância.
— Ele estava falando no meu ouvido porque o som estava alto, seu idiota! — gritou Karen, perdendo a paciência. — E se eu estava rindo, era porque estava feliz por você, feliz pelo show! Mas você prefere montar um cenário na sua cabeça onde eu sou uma qualquer.
— Karen, não foi isso que ele quis dizer... — tentou intervir Gastón, que acabara de entrar.
— Foi exatamente o que ele quis dizer! — Karen apontou o dedo para o peito de Patricio. — Você está com esse bico desde que eu me vesti no hotel. Você não suporta que as pessoas olhem para mim, mas adora ser o centro das atenções com dez mil garotas gritando seu nome!
— É diferente! — exclamou Patricio. — É o meu trabalho!
— E o meu "trabalho" é ser sua propriedade? — desafiou ela. — Porque é assim que você me trata quando fica com esse ciúme doentio. O Beto é um amigo. Se você tivesse se dado ao trabalho de ser civilizado e tivesse ido lá falar conosco, teria percebido isso.
Patricio bufou, desviando o olhar, mas a mandíbula continuava travada.
— Eu vi o que vi, Karen.
— Não — corrigiu ela —, você viu o que o seu ego quis ver.
Ela pegou sua bolsa que estava sobre a mesa de centro.
— Eu vou para o hotel com a Maria e as meninas. Não quero ficar no mesmo carro que você.
— Karen, espera — pediu Patricio, mas sem o tom de comando de antes. Havia uma rachadura em sua armadura de raiva.
— Não. — Ela se virou para a porta. — Quando você decidir que confia em mim mais do que teme uma saia curta, a gente conversa.
Ela saiu, batendo a porta com força suficiente para fazer os copos de cristal tremerem.
Patricio ficou parado no centro do camarim, o silêncio agora sendo preenchido apenas pelo zumbido em seus ouvidos, um resquício do volume do show. Gastón e Guido o observavam com expressões que misturavam pena e reprovação.
— Você pisou na bola, cara — disse Guido, sentando-se e abrindo uma cerveja. — O cara era realmente um amigo. Ele até perguntou de você, disse que admirava seu trabalho.
Patricio passou as mãos pelos cabelos longos, soltando um suspiro pesado. A adrenalina do show estava baixando, e com ela, a névoa do ciúme começava a se dissipar, deixando apenas o gosto amargo do arrependimento.
— A saia era curta mesmo? — perguntou ele, a voz agora quase um sussurro.
— Era — respondeu Gastón —, mas ela é a Karen. Ela é brasileira, Pato. Ela é linda e tem luz própria. Você devia estar orgulhoso de ter uma mulher assim ao seu lado, e não tentando apagar o brilho dela por medo.
Patricio afundou no sofá, cobrindo o rosto com as mãos. Ele sabia que eles tinham razão. O problema nunca fora a saia, nem o tal Beto. O problema era o medo visceral que ele sentia de perder a única coisa que o fazia se sentir mais vivo do que estar em cima de um palco.
— Eu estraguei tudo, não foi? — perguntou ele.
— Ainda não — disse Maria, que permanecera à porta. — Mas se eu fosse você, levava flores e um pedido de desculpas muito convincente para o hotel. E, Patricio... deixe o machismo na porta antes de entrar.
Ele assentiu silenciosamente. O rockstar havia saído de cena; agora, restava apenas o homem, confrontando o silêncio ensurdecedor de seus próprios erros.
Lá fora, a noite de Buenos Aires continuava agitada, mas para Patricio Sardelli, o único ritmo que importava agora era o de tentar reconquistar o coração que ele mesmo havia magoado. Ele se levantou, pegou a chave do carro e saiu. Ele tinha uma música para compor, ou talvez apenas uma vida inteira para se desculpar.
Ao chegar no hotel, o corredor estava silencioso. Ele parou diante da porta do quarto deles, o coração martelando mais forte do que qualquer bateria de Gastón. Ele bateu suavemente.
— Karen? — chamou ele. — Sou eu.
Não houve resposta imediata. Ele encostou a testa na madeira fria da porta.
— Eu fui um idiota. Eu sei. A Maria me contou quem ele era... e eu agi como um moleque.
Ouviu-se o som de passos lá dentro. A porta se abriu apenas uma fresta, revelando o olhar ainda magoado de Karen. Ela já havia trocado a roupa de festa por um camisete largo dele.
— Você sempre faz isso, Pato — disse ela, a voz embargada. — Você brilha no palco, mas tenta me deixar na sombra.
— Eu não quero você na sombra, Karen — disse ele, entrando no quarto assim que ela cedeu espaço. — Eu só... eu fico louco com a ideia de alguém olhar para você e perceber o quão incrível você é. Eu tenho medo de que um dia você perceba que merece alguém mais calmo, menos explosivo.
Karen suspirou, cruzando os braços.
— Eu não quero alguém calmo. Eu quero você. Mas eu quero o Patricio que me ama, não o Patricio que me vigia.
Ele se aproximou lentamente, envolvendo a cintura dela com as mãos, puxando-a para perto.
— Me desculpa? — pediu ele, mergulhando o rosto na curvatura do pescoço dela, sentindo o perfume que o acalmava. — Prometo que vou tentar controlar esse meu lado... portenho possessivo.
Karen soltou uma risada curta, a tensão finalmente deixando seu corpo.
— Você é impossível, Sardelli.
— Eu sei — sussurrou ele contra a pele dela. — Mas sou seu.
Naquela noite, as guitarras silenciaram, e a única melodia que restou foi o som de dois corações tentando entrar em sintonia novamente, entre promessas de confiança e o calor de um perdão que só o amor verdadeiro é capaz de conceder.
