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Sexo

Fandom: Becky armstrong

Criado: 20/06/2026

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O Eco do Silêncio

A chuva batia contra a vidraça do apartamento em Bangkok com uma insistência melancólica, criando uma cortina cinzenta que isolava o mundo lá fora. Dentro do quarto, a iluminação era baixa, vinda apenas de um abajur de mesa que projetava sombras longas e distorcidas pelas paredes. Becky estava sentada na beira da cama, os dedos entrelaçados com força, sentindo o peso de uma decisão que seu coração não queria tomar, mas que sua empatia parecia exigir.

Ao lado dela, Nop parecia a imagem da derrota. Ele estava sentado no chão, encostado na lateral da cama, com os olhos vermelhos e o rosto abatido. Ele falava sobre as pressões, sobre como se sentia insuficiente, sobre o vazio que parecia crescer toda vez que ele tentava alcançar algo que estava fora de seu toque. Becky o olhava de cima, notando a fragilidade dele. Ela sempre fora assim: incapaz de ver alguém sofrendo sem querer consertar, mesmo que o preço fosse sua própria vontade.

Becky era dona de uma beleza que parecia flutuar entre a inocência e a sensualidade. Era magra, com curvas delicadas que desenhavam uma silhueta graciosa. Seus seios eram pequenos, mas firmes, e o caimento de sua blusa de seda revelava a clavícula marcada. Ela tinha aquele tipo de corpo que parecia esculpido à mão, com um quadril levemente arredondado que dava a ela um ar de feminilidade absoluta. Mas, naquele momento, ela não se sentia poderosa. Sentia apenas pena.

— Eu só sinto que ninguém realmente me vê, Becky — sussurrou Nop, a voz falhando. — Parece que eu sou apenas um rastro de fumaça.

Becky suspirou, estendendo a mão para acariciar o cabelo dele. O toque foi suave, quase maternal.

— Você não é invisível, Nop. Eu estou aqui.

Ele levantou o olhar, e a carência que emanava dele era quase palpável. Ele buscou a mão dela, pressionando a palma contra o próprio rosto, fechando os olhos como se estivesse bebendo daquela atenção.

— Às vezes eu acho que você é a única coisa real na minha vida. Se eu te perdesse... eu não sei o que sobraria.

Aquelas palavras pesaram nos ombros de Becky como chumbo. Ela não o amava daquela forma, não mais. O sentimento que antes fora uma chama, agora era apenas uma brasa fria, mantida acesa por uma obrigação moral de não deixá-lo quebrar. Ela sabia que deveria dizer a verdade, que deveria estabelecer limites, mas o choro contido dele a desarmava.

— Você não vai me perder — mentiu ela, a voz saindo mais baixa do que pretendia.

Nop se levantou devagar, ficando de joelhos diante dela. Ele a envolveu pela cintura, escondendo o rosto em seu colo. Becky sentiu o calor do corpo dele e a umidade das lágrimas que começavam a molhar o tecido de seu short. Ela sentiu um aperto no peito, uma mistura de desconforto e uma compaixão avassaladora.

— Por favor — murmurou ele, a voz abafada contra a pele dela. — Só por hoje... me faz sentir que eu pertenço a algum lugar. Que eu pertenço a você.

Becky hesitou. Seus olhos vagaram pelo quarto, buscando uma saída que não existia. Ela olhou para o próprio reflexo no espelho da penteadeira — a figura pequena, fofa, com aquele rosto que muitos descreviam como angelical. Ela sabia o efeito que tinha sobre ele. Sabia que, para Nop, ela era a salvação.

— Nop... — ela começou, mas ele a interrompeu, subindo as mãos pelas costas dela, por baixo da blusa.

— Só uma vez, Becky. Eu preciso sentir que ainda estou vivo.

Ela fechou os olhos. O pensamento "é só sexo" ecoou em sua mente, uma tentativa desesperada de racionalizar o que estava prestes a acontecer. Ela não queria, seu corpo não clamava por ele, mas a ideia de rejeitá-lo naquele estado de vulnerabilidade parecia uma crueldade que ela não estava disposta a exercer.

— Tudo bem — sussurrou ela, rendendo-se.

— Obrigado — disse ele, a voz carregada de um alívio que a fez se sentir ainda mais culpada.

Ele a beijou com uma urgência desesperada. Becky correspondeu, mas seus lábios estavam passivos. O beijo dele tinha gosto de necessidade, não de desejo mútuo. Nop começou a despi-la com mãos trêmulas. Quando a blusa de seda caiu no chão, Becky ficou apenas de sutiã de renda, revelando a pele alva e os seios pequenos que subiam e desciam com sua respiração controlada.

Ele a deitou na cama, movendo-se sobre ela. Becky olhava para o teto, contando as gotas de chuva que escorriam pelo vidro da janela. Ela sentia as mãos dele percorrendo seu corpo, admirando a curva de sua bunda, apertando sua cintura fina.

— Você é tão linda — ele murmurava entre beijos no pescoço dela. — Tão perfeita.

— Eu sei — respondeu ela, tentando forçar uma nota de carinho na voz.

O ato em si foi marcado por uma desconexão profunda. Enquanto Nop se perdia no calor dela, buscando uma validação que preenchesse seu vazio interno, Becky permanecia em um lugar distante dentro de si mesma. Ela sentia o peso dele, o ritmo de seus movimentos, mas sua mente vagava para outros lugares, para outras possibilidades, para a vida que ela realmente queria viver longe daquela dependência emocional.

Ela se sentia pequena sob ele, mas não de um jeito romântico. Era como se estivesse sendo consumida por uma necessidade que não era sua. Cada toque dele, embora gentil, parecia um lembrete da dívida que ela achava que tinha com a felicidade alheia.

— Você está gostando? — perguntou ele, ofegante, parando por um segundo para olhar nos olhos dela.

Becky forçou um sorriso, o tipo de sorriso que ela treinara para as câmeras, mas que agora servia para proteger o ego de um homem quebrado.

— Sim, Nop. Está tudo bem.

— Eu te amo tanto — disse ele, antes de se entregar ao ápice, escondendo o rosto no vão do pescoço dela.

Becky não respondeu. Ela apenas o abraçou, passando as mãos pelas costas dele, sentindo o suor e a respiração pesada que aos poucos voltava ao normal. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Nop parecia ter encontrado a paz que buscava, desabando sobre o peito dela com um suspiro de satisfação.

— Obrigado, Becky — sussurrou ele, já com a voz sonolenta. — Eu me sinto melhor agora.

— Que bom — disse ela, a voz vazia.

Ela esperou até que a respiração dele ficasse profunda e regular, indicando que ele havia adormecido. Só então ela permitiu que a máscara caísse. Becky se desvencilhou dele com cuidado, sentando-se novamente na beira da cama, exatamente na mesma posição em que estava antes de tudo começar.

O quarto parecia mais frio agora. Ela olhou para as roupas espalhadas pelo chão e sentiu uma onda de cansaço que não tinha nada a ver com o esforço físico. Era o cansaço da alma. Ela se levantou, caminhando até o banheiro em silêncio.

Ao fechar a porta, ela se encarou no espelho. A luz fluorescente era cruel, destacando as olheiras e a palidez de seu rosto. Ela tocou o próprio ombro, sentindo a pele onde ele a havia tocado.

— Por que você faz isso, Becky? — perguntou a si mesma em um sussurro inaudível.

Ela sabia a resposta. Porque era mais fácil ceder do que ver alguém sofrer. Porque ela tinha medo de ser a vilã na história de alguém, mesmo que isso significasse ser a vítima na sua própria.

Ligou o chuveiro, deixando a água quente cair sobre as costas. Ela fechou os olhos, tentando lavar não apenas o toque de Nop, mas a sensação de que havia traído a si mesma. A água escorria pelo seu corpo magro, delineando suas formas, mas ela se sentia invisível, tal como Nop havia descrito antes.

— Amanhã vai ser diferente — prometeu a si mesma, embora soubesse que era uma promessa vazia.

Quando saiu do banho, enrolada em um roupão felpudo que parecia grande demais para sua estrutura delicada, ela voltou para o quarto. Nop ainda dormia, com um braço estendido para o lado vazio da cama, como se estivesse procurando por ela mesmo em sonhos.

Becky não se deitou ao lado dele. Em vez disso, ela foi para a sala, sentando-se no sofá e olhando para a cidade iluminada através da janela da sacada. A chuva havia parado, deixando apenas o asfalto brilhante e o reflexo das luzes de neon.

Ela pegou o celular, vendo as notificações de mensagens de amigos, de trabalho, de um mundo que esperava que ela fosse a Becky Armstrong perfeita, fofa e sorridente. Ninguém sabia o que acontecia entre aquelas quatro paredes. Ninguém via a Becky que se doava por pena, que se perdia para que os outros se encontrassem.

— Só por hoje — repetiu ela, as palavras de Nop agora ecoando em sua própria voz. — Só por hoje eu vou fingir que isso foi o suficiente.

Mas, no fundo do seu coração, ela sabia que o preço daquela pena era alto demais. E que, toda vez que ela tentava salvar Nop de sua própria escuridão, ela acabava apagando um pouco mais da sua própria luz.

Becky deitou a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos enquanto o sol começava a ameaçar surgir no horizonte de Bangkok. O dia estava começando, e com ele viriam as máscaras, os sorrisos e a Becky que todos amavam. A outra Becky, a que sentia pena e se entregava ao vazio, ficaria escondida nas sombras daquele apartamento, esperando pelo próximo momento em que o silêncio se tornaria pesado demais para suportar.
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