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Perdao do meu amor

Fandom: Airbarg

Criado: 20/06/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFatias de VidaHistória DomésticaCiúmesCenário Canônico
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Teu Silêncio é o Meu Pior Castigo

O calor da Cidade do México parecia pulsar contra as janelas de vidro do hotel de luxo onde a comitiva da banda Airbag estava hospedada. Karen sentia que sua cabeça acompanhava esse ritmo, uma batida surda e persistente que a lembrava de cada dose de tequila da noite anterior. Ela se espreguiçou na cama king-size, tateando o lado esquerdo do colchão, mas encontrou apenas o lençol frio e esticado.

Patrício já havia levantado.

Karen sentou-se devagar, afastando os cachos negros que caíam sobre o rosto. Morar na Argentina com Pato há alguns anos a tinha ensinado muita coisa sobre a intensidade dos irmãos Sardelli, mas nada a preparara para a energia caótica de uma turnê mexicana misturada com os preparativos do casamento de Gastón. Como toda boa tradição, as mulheres decidiram que a despedida de solteiro oficial da noiva — e das cunhadas — seria ali mesmo, sob as luzes da capital mexicana.

— Ai, meu Deus... — sussurrou ela, alcançando o celular na mesa de cabeceira.

A primeira coisa que viu foram as notificações. Dezenas de marcações no Instagram. Fotos borradas de risadas altas, copos de margarita maiores que suas cabeças e, o que fez seu estômago dar um nó: uma sequência de fotos com um grupo de mariachis e alguns turistas australianos que conheceram em um bar em Polanco. Em uma das imagens, Karen aparecia rindo jogada para trás, abraçada a um desconhecido que segurava um sombrero sobre a cabeça dela.

Ela se lembrou de chegar ao hotel quando o sol já ameaçava nascer. Lembrava-se de Patrício sentado na poltrona do quarto, na penumbra, apenas com a luz do visor do celular iluminando seu rosto rígido.

Karen levantou-se, vestiu um robe de seda e caminhou até a sala da suíte. Patrício estava lá, de costas, olhando a vista da cidade. Ele já estava vestido para a passagem de som, com sua calça preta justa e uma camiseta de banda desgastada. O silêncio no ambiente era tão denso que ela sentia dificuldade em respirar.

— Pato? — chamou ela com a voz rouca. — Bom dia, meu amor.

Ele não se moveu. Nem um milímetro. O guitarrista continuou observando o movimento dos carros lá embaixo, as mãos enfiadas nos bolsos da calça.

— Ei... você está bravo? — Karen aproximou-se, tentando tocar seu ombro.

Patrício esquivou-se sutilmente, caminhando em direção à mesa onde estava seu estojo de guitarra. Ele começou a conferir as cordas com uma concentração exagerada, ignorando completamente a presença dela.

— Patrício, fala comigo. Eu sei que chegamos tarde, mas era a despedida da sua cunhada! A gente se empolgou um pouco, o México faz isso com as pessoas — tentou ela, usando um tom brincalhão que morreu assim que viu o rosto dele.

Ele finalmente olhou para ela. Não havia gritos, não havia a explosão típica de um rockstar. Havia apenas um olhar frio, decepcionado, que doeu muito mais do que qualquer discussão aos berros.

— Eu vou para o estádio — disse ele, a voz seca como o deserto.

— Mas a gente não vai conversar? — Karen bloqueou o caminho dele até a porta. — Eu vi as fotos, Pato. Eu sei que parece que a gente estava fora de controle, mas foi só uma noite de diversão entre garotas.

— Diversão — repetiu ele, soltando uma risada curta e sem humor. — Engraçado que a sua ideia de diversão inclua sumir por seis horas sem atender o telefone e aparecer em fotos de desconhecidos como se não tivesse ninguém esperando por você no hotel, preocupado.

— Meu celular descarregou! — defendeu-se ela, sentindo o sangue subir ao rosto. — E eram só pessoas no bar, Patrício. Ninguém fez nada demais.

— Eu não vou discutir isso agora, Karen. Tenho um show para fazer.

Ele passou por ela, o perfume amadeirado deixando um rastro amargo no ar. O som da porta batendo ecoou na suíte, selando o início do que Karen sabia que seria sua maior tortura: o tratamento de silêncio de Patrício Sardelli.

***

As horas seguintes foram um teste de resistência. Karen passou a tarde com as outras cunhadas, que estavam em um estado similar de ressaca e arrependimento. Julieta, que ia se casar com Gastón, tentava amenizar a situação.

— O Gastón também ficou possesso — comentou Julieta, escondida atrás de óculos escuros gigantes. — Mas ele grita, esbraveja e depois passa. O problema é o Pato. Ele se fecha, não é?

— Ele nem me olha, Juli — lamentou Karen, mexendo em sua salada de frutas sem apetite. — Ele age como se eu fosse um móvel no quarto. Eu prefiro que ele grite comigo do que esse gelo todo.

Quando a noite caiu e a hora do show se aproximou, Karen decidiu que não ficaria no hotel se remoendo. Ela vestiu seu melhor conjunto preto, ajeitou o cabelo com o volume que Patrício tanto amava e foi para o backstage. Ela conhecia a rotina, conhecia cada técnico de som, cada segurança.

Nos bastidores, o caos pré-show reinava. Guido passava correndo com fones de ouvido e Gastón estava rindo com alguns amigos. Patrício, porém, estava em um canto, aquecendo os dedos na guitarra. Quando seus olhos encontraram os de Karen, ele não desviou, mas também não ofereceu nenhum sorriso, nenhum aceno. Ele apenas voltou a olhar para o braço do instrumento.

Karen se aproximou dele quando os outros se afastaram.

— Pato, por favor — pediu ela, quase em um sussurro. — Eu sinto muito. Eu passei do limite com a bebida e fui irresponsável de não te avisar onde eu estava.

Ele continuou dedilhando uma escala rápida, o som acústico da guitarra elétrica desligada preenchendo o espaço entre eles.

— Você tem noção de como é estar em um país estrangeiro, saber que vocês saíram sozinhas e não ter notícias? — Ele parou de tocar, mas não olhou para ela. — Eu vi aquelas fotos antes de você chegar. Eu não sou um homem ciumento de bobagem, Karen. Mas eu te respeito. Eu esperava o mesmo.

— E eu te respeito! — exclamou ela, sentindo as lágrimas arderem. — Eu te amo mais que tudo. Foi uma noite idiota, eu me deixei levar pela música e pelas meninas. Por favor, não entra no palco assim comigo.

Patrício suspirou, guardando a palheta no bolso.

— Cinco minutos para subir — anunciou um produtor.

— Eu preciso ir — disse Patrício.

Ele passou por ela e, por um breve segundo, sua mão roçou a dela, mas ele não a segurou. Karen ficou ali, no escuro das coxias, assistindo ao início do show.

Ver Patrício no palco era sempre uma experiência religiosa. A forma como ele dominava a guitarra, a entrega em cada nota de "Cae el Sol" ou "Por Mil Noches". Mas naquela noite, Karen sentia que cada solo era um desabafo. Ele estava mais agressivo nas cordas, mais intenso. Em certo momento, ele caminhou até a beira do palco e fechou os olhos, a luz refletindo em seu suor, e Karen sentiu um aperto no peito. Ela odiava estar naquele lugar de "estranha" na vida dele.

Após o show, o silêncio persistiu. No carro de volta ao hotel, no elevador, no quarto. Patrício tomou banho, trocou de roupa e deitou-se de costas para o lado dela na cama.

Karen não aguentou. Ela se aproximou, colando seu corpo ao dele, abraçando-o por trás e escondendo o rosto em suas costas largas.

— Eu não consigo dormir assim — disse ela, a voz embargada. — Eu sei que eu errei. Eu fui infantil e ignorei como você se sentiria. Eu moro na Argentina por você, eu mudei minha vida inteira porque você é o meu norte. Ver você me tratando como um nada dói mais do que qualquer briga.

Ela sentiu os músculos dele relaxarem levemente sob seu toque.

— Eu tive medo, Karen — a voz dele finalmente surgiu, baixa e rouca na escuridão do quarto. — Aquelas fotos... qualquer um poderia ter feito qualquer coisa. E você nem saberia quem era.

— Eu sei. Eu fui descuidada — admitiu ela, beijando o ombro dele. — Me perdoa? Eu prometo que a próxima despedida de solteiro vai ser bem mais calma. Ou, pelo menos, com o celular carregado e sem fotos com desconhecidos.

Patrício virou-se devagar na cama. Seus olhos escuros procuraram os dela. Ele levou a mão ao rosto de Karen, acariciando sua pele negra com o polegar, um gesto que sempre a desarmava.

— Você me deixou louco de preocupação — murmurou ele, a dureza finalmente desaparecendo de sua expressão. — E eu odeio ficar bravo com você.

— Então para de ficar — pediu ela, aproximando o rosto do dele. — Eu senti falta da sua voz o dia inteiro.

— É que você é teimosa demais — disse ele, um pequeno sorriso surgindo no canto dos lábios. — E você estava terrível naquelas fotos.

— Ei! Eu estava linda, só um pouco... alegre — protestou ela, rindo.

Patrício selou os lábios nos dela em um beijo profundo, carregado de toda a saudade e da tensão acumulada do dia. Não era um beijo delicado; era um beijo de posse, de alívio e de perdão.

— Se você fizer isso de novo — disse ele entre os beijos —, eu vou te buscar pelo braço, não importa onde você esteja.

— Eu sei que vai — Karen sorriu, puxando-o para mais perto. — E é por isso que eu te amo. Mas agora, chega de silêncio?

— Chega de silêncio — concordou ele, envolvendo-a em seus braços. — Mas amanhã, você vai me ajudar a escolher o presente de casamento do Gastón. E vai ser algo caro, para compensar o meu estresse.

— Justo — riu Karen, sentindo-se finalmente em casa, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, contanto que estivesse ali, no abraço do seu guitarrista favorito.
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