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Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 20/06/2026
Tags
AngústiaPsicológicoHorrorHorror CorporalHorror PsicológicoSombrioDramaEstudo de Personagem
O Pesadelo Açucarado de um Saboneteiro
Oliver sentiu seu corpo passar por uma transformação agonizante e bizarra. Onde antes havia braços, pernas e seu inseparável braço de lápis, agora havia apenas uma massa fofa, cilíndrica e excessivamente doce. Ele não era mais o garoto travesso que aterrorizava os corredores da escola com Zip e Edward. Ele era um bolinho. Um bolinho pequeno, decorado com glacê branco e uma pequena marca de "A+" feita de calda de morango no topo.
Ele estava paralisado em cima de um prato de porcelana fria. O ambiente da fábrica estranha parecia ter se dissipado em uma névoa escura, restando apenas uma mesa de madeira gigante e uma luz amarelada que vinha de cima. Oliver tentou gritar, mas sua boca — se é que ele ainda tinha uma — não passava de uma fenda de massa.
Foi então que ele ouviu o som metálico. *Clinc. Clinc.*
Uma sombra imensa se projetou sobre ele. Oliver olhou para cima, ou melhor, inclinou sua massa de bolo para trás, e viu uma figura familiar, mas em proporções titânicas. Era Edward.
O amigo de Oliver parecia não o reconhecer. Edward estava com os olhos fundos, as bochechas levemente cavadas e uma expressão de quem não comia há três dias. Ele segurava uma colher de prata que, para Oliver, parecia o tamanho de uma canoa de guerra.
— Cara, eu estou morrendo de fome... — a voz de Edward ressoou como um trovão, fazendo o prato vibrar. — Eu daria tudo por um lanche agora. E olha só, um bolinho solitário. Que sorte a minha.
Oliver entrou em pânico. Ele tentou desesperadamente formular uma desculpa, qualquer coisa que fizesse Edward parar. "Sou eu, Edward! Sou o Oliver! Não me come, eu tenho gosto de sabonete e papel!", ele queria gritar, mas apenas um som abafado de bolha de ar estourando saiu de sua crosta de açúcar.
Edward aproximou a colher. A borda afiada do metal tocou a lateral de Oliver, cortando um pouco do glacê lateral.
— Parece macio — murmurou Edward, abrindo a boca imensa.
— NÃO! — Oliver finalmente conseguiu soltar um grito, mas o som foi tão agudo e distorcido que parecia o guincho de um brinquedo de borracha.
No momento em que a colher ia mergulhar fundo em seu recheio, o mundo ao redor de Oliver começou a girar e a desmoronar. O prato desapareceu, a fome de Edward sumiu e a fábrica de raios-X se dissolveu em borrões de cinza e preto.
Oliver deu um solavanco violento, seu corpo saltando da cama como se tivesse levado um choque elétrico.
O suor frio escorria por sua testa, molhando as mechas brancas de seu cabelo que estavam bagunçadas sobre os olhos. Ele respirava de forma ofegante, o peito subindo e descendo freneticamente sob a camiseta preta de dormir. Ele levou a mão direita ao rosto e depois olhou para o lado esquerdo. O braço de lápis estava lá. Ele ainda era ele mesmo. Ele não era um bolinho.
— Foi... foi só um sonho? — sussurrou ele, sua voz saindo rouca e trêmula.
Ele olhou ao redor do quarto. Tudo parecia normal. Os desenhos de Zip nas paredes, seus materiais escolares espalhados, o cheiro característico de grafite e o leve aroma de sabonete rosa que ele sempre guardava na gaveta da cabeceira. No entanto, o coração de Oliver continuava batendo contra as costelas como um animal enjaulado.
Ele se sentou na beira da cama, colocando os pés no chão frio. O silêncio da noite na escola parecia mais pesado do que o normal. Oliver ficou em transe por longos minutos, encarando o nada. A imagem do raio-X mostrando seus ossos e seu coração, e depois a sensação de ser fatiado pela colher de Edward, ainda pareciam reais demais.
— Que droga... — resmungou, tentando recuperar a compostura habitual de garoto malvado. — Eu não posso ter medo de um sonho idiota desses.
Ele se levantou e caminhou até o espelho. Ao ver seu reflexo, ele tocou a marca de "A+" no cabelo. Por um segundo, ele jurou que a marca brilhou em um tom de vermelho mais vivo, como a calda de morango do bolinho. Ele recuou um passo, o medo voltando a subir pela espinha.
Decidido a se acalmar, Oliver saiu do quarto silenciosamente. Ele precisava de ar, ou talvez de um pedaço de seu sabonete favorito para acalmar os nervos. Ele caminhou pelos corredores escuros da escola, onde as sombras das árvores lá fora projetavam formas retorcidas nas paredes de papel.
No caminho para o refeitório, ele avistou duas figuras conhecidas perto de um dos armários. Eram Zip e Edward. Eles pareciam estar planejando alguma travessura noturna, como sempre faziam.
— Olha só quem resolveu aparecer — disse Zip, abrindo um sorriso largo e mostrando seus dentes afiados. — Você está com uma cara péssima, Oliver. Parece que viu um fantasma. Ou que a Miss Circle te pegou colando.
— Não enche, Zip — respondeu Oliver, tentando manter a voz firme, embora suas mãos ainda estivessem levemente trêmulas.
Edward se aproximou, cruzando os braços. Ele olhou para Oliver de cima a baixo com uma expressão de curiosidade.
— Você está pálido, cara. E está suando. O que aconteceu? — perguntou Edward.
Oliver olhou para Edward e, por um instante, a imagem do Edward gigante com a colher de prata sobrepôs-se à realidade. Ele deu um passo para trás instintivamente, o que não passou despercebido pelos amigos.
— Ei, calma! — Edward riu, estendendo a mão para tocar o ombro de Oliver. — Eu não vou te morder.
— Não encosta em mim! — Oliver exclamou, esquivando-se do toque de forma brusca.
O silêncio caiu sobre o trio. Zip arqueou uma sobrancelha, trocando um olhar confuso com Edward.
— Qual é o seu problema hoje? — perguntou Zip, perdendo a paciência. — A gente ia colocar tachinhas na cadeira do Abbie, mas se você vai ficar dando chilique, a gente vai sem você.
Oliver respirou fundo, tentando afastar as imagens da fábrica e da seringa branca entrando em sua boca. Ele sentia como se ainda estivesse preso naquela esteira, esperando para ser processado.
— Eu só... tive um sonho ruim, tá legal? — confessou Oliver, desviando o olhar, sentindo-se humilhado por admitir fraqueza.
— Um sonho ruim? — Edward soltou uma gargalhada alta que ecoou pelo corredor vazio. — O grande Oliver, o terror dos alunos novos, está com medo de um pesadelo? O que era? Um sabonete gigante que queria te comer de volta?
Oliver sentiu o rosto esquentar. Ele não podia contar que, no sonho, era o próprio Edward quem tentava devorá-lo. Seria ridículo demais.
— Não era nada disso — mentiu Oliver, recuperando um pouco de sua arrogância. — Era só... estranho. Tinha uma fábrica, e raios-X, e... esquece. Vamos logo fazer o que vocês queriam.
— Assim que se fala — disse Zip, batendo palmas levemente. — Vamos, Edward, o plano das tachinhas ainda está de pé.
Eles começaram a caminhar, mas Oliver ficou um pouco atrás. Cada vez que Edward olhava para trás para conferir se Oliver estava seguindo, o garoto de cabelos brancos sentia um calafrio. Ele olhava para as mãos de Edward, meio que esperando ver uma colher de prata surgir do nada.
Enquanto caminhavam, eles passaram pela porta da cozinha. O cheiro de pães e bolos assados para o café da manhã do dia seguinte começou a flutuar pelo ar. Era um cheiro doce, amanteigado, exatamente como o cheiro que Oliver sentira quando se transformou em bolinho no sonho.
Oliver parou abruptamente. O estômago dele deu um nó.
— Oliver? — chamou Zip, parando alguns metros à frente. — Você vem ou não?
— Eu... eu perdi a vontade — disse Oliver, sua voz falhando. — Vou voltar pro quarto.
— Cara, você está muito estranho — comentou Edward, dando um passo em direção a Oliver. — Você quer que a gente te leve até lá? Você parece que vai desmaiar.
— Não! Fiquem longe! — Oliver gritou, a voz carregada de um pavor genuíno que ele não conseguia mais esconder.
Ele virou as costas e saiu correndo pelo corredor, os sons de suas botas batendo no chão de papel ecoando como batidas de tambor. Ele não parou até chegar ao seu quarto e trancar a porta por dentro.
Ele se encostou na madeira da porta, escorregando até o chão. Ele abraçou os próprios joelhos, escondendo o rosto entre os braços. O transe não passava. Ele fechava os olhos e via a seringa. Ele abria os olhos e via as sombras das cordas brancas nas paredes.
— Foi só um sonho... foi só um sonho... — ele repetia para si mesmo, como um mantra.
Mas, lá no fundo, Oliver sentia que algo havia mudado. Ele olhou para o seu braço de lápis e, por um momento de alucinação, o grafite pareceu ser feito de chocolate amargo. Ele soltou um grito abafado e esfregou os olhos com força.
Naquela noite, Oliver não conseguiu mais pregar o olho. Ele ficou sentado em sua cama, vigiando a porta, com medo de que, a qualquer momento, o chão se transformasse em uma esteira rolante e o levasse de volta para a fábrica onde os meninos viravam bolinhos.
Pela manhã, quando o sinal da escola tocou, Zip e Edward foram procurá-lo. Eles o encontraram sentado exatamente na mesma posição, com olheiras profundas e um olhar vago.
— Ei, Oliver — disse Edward, entrando no quarto sem bater. — A gente trouxe o café da manhã pra você, já que você sumiu ontem à noite.
Edward estendeu a mão, segurando um prato. Em cima do prato, havia um bolinho pequeno, com glacê branco e uma pequena cereja no topo.
Oliver olhou para o bolinho e depois para o rosto de Edward. O terror que ele sentiu foi tão intenso que ele nem conseguiu gritar. Ele apenas se encolheu no canto da cama, tremendo violentamente.
— Tira... tira isso daqui... — sussurrou Oliver, as lágrimas de puro medo começando a brotar nos cantos de seus olhos.
— É só um bolinho, cara — disse Zip, rindo da reação exagerada do amigo. — O que deu em você?
Oliver não respondeu. Ele apenas fixou o olhar no bolinho, esperando que ele começasse a falar ou que Edward tirasse uma colher de prata do bolso. A linha entre o sonho e a realidade havia se tornado perigosamente fina para Oliver, e ele tinha a terrível sensação de que, não importava o quanto corresse, ele sempre teria o cheiro de açúcar e medo impregnado em sua alma.
Naquele dia, Oliver não comeu seu sabonete rosa. Ele não fez pegadinhas. Ele apenas ficou em silêncio, um prisioneiro de sua própria mente, assombrado pela ideia de que, em algum lugar, em alguma fábrica escondida nas dobras da realidade, ele ainda era apenas um doce esperando para ser devorado.
Ele estava paralisado em cima de um prato de porcelana fria. O ambiente da fábrica estranha parecia ter se dissipado em uma névoa escura, restando apenas uma mesa de madeira gigante e uma luz amarelada que vinha de cima. Oliver tentou gritar, mas sua boca — se é que ele ainda tinha uma — não passava de uma fenda de massa.
Foi então que ele ouviu o som metálico. *Clinc. Clinc.*
Uma sombra imensa se projetou sobre ele. Oliver olhou para cima, ou melhor, inclinou sua massa de bolo para trás, e viu uma figura familiar, mas em proporções titânicas. Era Edward.
O amigo de Oliver parecia não o reconhecer. Edward estava com os olhos fundos, as bochechas levemente cavadas e uma expressão de quem não comia há três dias. Ele segurava uma colher de prata que, para Oliver, parecia o tamanho de uma canoa de guerra.
— Cara, eu estou morrendo de fome... — a voz de Edward ressoou como um trovão, fazendo o prato vibrar. — Eu daria tudo por um lanche agora. E olha só, um bolinho solitário. Que sorte a minha.
Oliver entrou em pânico. Ele tentou desesperadamente formular uma desculpa, qualquer coisa que fizesse Edward parar. "Sou eu, Edward! Sou o Oliver! Não me come, eu tenho gosto de sabonete e papel!", ele queria gritar, mas apenas um som abafado de bolha de ar estourando saiu de sua crosta de açúcar.
Edward aproximou a colher. A borda afiada do metal tocou a lateral de Oliver, cortando um pouco do glacê lateral.
— Parece macio — murmurou Edward, abrindo a boca imensa.
— NÃO! — Oliver finalmente conseguiu soltar um grito, mas o som foi tão agudo e distorcido que parecia o guincho de um brinquedo de borracha.
No momento em que a colher ia mergulhar fundo em seu recheio, o mundo ao redor de Oliver começou a girar e a desmoronar. O prato desapareceu, a fome de Edward sumiu e a fábrica de raios-X se dissolveu em borrões de cinza e preto.
Oliver deu um solavanco violento, seu corpo saltando da cama como se tivesse levado um choque elétrico.
O suor frio escorria por sua testa, molhando as mechas brancas de seu cabelo que estavam bagunçadas sobre os olhos. Ele respirava de forma ofegante, o peito subindo e descendo freneticamente sob a camiseta preta de dormir. Ele levou a mão direita ao rosto e depois olhou para o lado esquerdo. O braço de lápis estava lá. Ele ainda era ele mesmo. Ele não era um bolinho.
— Foi... foi só um sonho? — sussurrou ele, sua voz saindo rouca e trêmula.
Ele olhou ao redor do quarto. Tudo parecia normal. Os desenhos de Zip nas paredes, seus materiais escolares espalhados, o cheiro característico de grafite e o leve aroma de sabonete rosa que ele sempre guardava na gaveta da cabeceira. No entanto, o coração de Oliver continuava batendo contra as costelas como um animal enjaulado.
Ele se sentou na beira da cama, colocando os pés no chão frio. O silêncio da noite na escola parecia mais pesado do que o normal. Oliver ficou em transe por longos minutos, encarando o nada. A imagem do raio-X mostrando seus ossos e seu coração, e depois a sensação de ser fatiado pela colher de Edward, ainda pareciam reais demais.
— Que droga... — resmungou, tentando recuperar a compostura habitual de garoto malvado. — Eu não posso ter medo de um sonho idiota desses.
Ele se levantou e caminhou até o espelho. Ao ver seu reflexo, ele tocou a marca de "A+" no cabelo. Por um segundo, ele jurou que a marca brilhou em um tom de vermelho mais vivo, como a calda de morango do bolinho. Ele recuou um passo, o medo voltando a subir pela espinha.
Decidido a se acalmar, Oliver saiu do quarto silenciosamente. Ele precisava de ar, ou talvez de um pedaço de seu sabonete favorito para acalmar os nervos. Ele caminhou pelos corredores escuros da escola, onde as sombras das árvores lá fora projetavam formas retorcidas nas paredes de papel.
No caminho para o refeitório, ele avistou duas figuras conhecidas perto de um dos armários. Eram Zip e Edward. Eles pareciam estar planejando alguma travessura noturna, como sempre faziam.
— Olha só quem resolveu aparecer — disse Zip, abrindo um sorriso largo e mostrando seus dentes afiados. — Você está com uma cara péssima, Oliver. Parece que viu um fantasma. Ou que a Miss Circle te pegou colando.
— Não enche, Zip — respondeu Oliver, tentando manter a voz firme, embora suas mãos ainda estivessem levemente trêmulas.
Edward se aproximou, cruzando os braços. Ele olhou para Oliver de cima a baixo com uma expressão de curiosidade.
— Você está pálido, cara. E está suando. O que aconteceu? — perguntou Edward.
Oliver olhou para Edward e, por um instante, a imagem do Edward gigante com a colher de prata sobrepôs-se à realidade. Ele deu um passo para trás instintivamente, o que não passou despercebido pelos amigos.
— Ei, calma! — Edward riu, estendendo a mão para tocar o ombro de Oliver. — Eu não vou te morder.
— Não encosta em mim! — Oliver exclamou, esquivando-se do toque de forma brusca.
O silêncio caiu sobre o trio. Zip arqueou uma sobrancelha, trocando um olhar confuso com Edward.
— Qual é o seu problema hoje? — perguntou Zip, perdendo a paciência. — A gente ia colocar tachinhas na cadeira do Abbie, mas se você vai ficar dando chilique, a gente vai sem você.
Oliver respirou fundo, tentando afastar as imagens da fábrica e da seringa branca entrando em sua boca. Ele sentia como se ainda estivesse preso naquela esteira, esperando para ser processado.
— Eu só... tive um sonho ruim, tá legal? — confessou Oliver, desviando o olhar, sentindo-se humilhado por admitir fraqueza.
— Um sonho ruim? — Edward soltou uma gargalhada alta que ecoou pelo corredor vazio. — O grande Oliver, o terror dos alunos novos, está com medo de um pesadelo? O que era? Um sabonete gigante que queria te comer de volta?
Oliver sentiu o rosto esquentar. Ele não podia contar que, no sonho, era o próprio Edward quem tentava devorá-lo. Seria ridículo demais.
— Não era nada disso — mentiu Oliver, recuperando um pouco de sua arrogância. — Era só... estranho. Tinha uma fábrica, e raios-X, e... esquece. Vamos logo fazer o que vocês queriam.
— Assim que se fala — disse Zip, batendo palmas levemente. — Vamos, Edward, o plano das tachinhas ainda está de pé.
Eles começaram a caminhar, mas Oliver ficou um pouco atrás. Cada vez que Edward olhava para trás para conferir se Oliver estava seguindo, o garoto de cabelos brancos sentia um calafrio. Ele olhava para as mãos de Edward, meio que esperando ver uma colher de prata surgir do nada.
Enquanto caminhavam, eles passaram pela porta da cozinha. O cheiro de pães e bolos assados para o café da manhã do dia seguinte começou a flutuar pelo ar. Era um cheiro doce, amanteigado, exatamente como o cheiro que Oliver sentira quando se transformou em bolinho no sonho.
Oliver parou abruptamente. O estômago dele deu um nó.
— Oliver? — chamou Zip, parando alguns metros à frente. — Você vem ou não?
— Eu... eu perdi a vontade — disse Oliver, sua voz falhando. — Vou voltar pro quarto.
— Cara, você está muito estranho — comentou Edward, dando um passo em direção a Oliver. — Você quer que a gente te leve até lá? Você parece que vai desmaiar.
— Não! Fiquem longe! — Oliver gritou, a voz carregada de um pavor genuíno que ele não conseguia mais esconder.
Ele virou as costas e saiu correndo pelo corredor, os sons de suas botas batendo no chão de papel ecoando como batidas de tambor. Ele não parou até chegar ao seu quarto e trancar a porta por dentro.
Ele se encostou na madeira da porta, escorregando até o chão. Ele abraçou os próprios joelhos, escondendo o rosto entre os braços. O transe não passava. Ele fechava os olhos e via a seringa. Ele abria os olhos e via as sombras das cordas brancas nas paredes.
— Foi só um sonho... foi só um sonho... — ele repetia para si mesmo, como um mantra.
Mas, lá no fundo, Oliver sentia que algo havia mudado. Ele olhou para o seu braço de lápis e, por um momento de alucinação, o grafite pareceu ser feito de chocolate amargo. Ele soltou um grito abafado e esfregou os olhos com força.
Naquela noite, Oliver não conseguiu mais pregar o olho. Ele ficou sentado em sua cama, vigiando a porta, com medo de que, a qualquer momento, o chão se transformasse em uma esteira rolante e o levasse de volta para a fábrica onde os meninos viravam bolinhos.
Pela manhã, quando o sinal da escola tocou, Zip e Edward foram procurá-lo. Eles o encontraram sentado exatamente na mesma posição, com olheiras profundas e um olhar vago.
— Ei, Oliver — disse Edward, entrando no quarto sem bater. — A gente trouxe o café da manhã pra você, já que você sumiu ontem à noite.
Edward estendeu a mão, segurando um prato. Em cima do prato, havia um bolinho pequeno, com glacê branco e uma pequena cereja no topo.
Oliver olhou para o bolinho e depois para o rosto de Edward. O terror que ele sentiu foi tão intenso que ele nem conseguiu gritar. Ele apenas se encolheu no canto da cama, tremendo violentamente.
— Tira... tira isso daqui... — sussurrou Oliver, as lágrimas de puro medo começando a brotar nos cantos de seus olhos.
— É só um bolinho, cara — disse Zip, rindo da reação exagerada do amigo. — O que deu em você?
Oliver não respondeu. Ele apenas fixou o olhar no bolinho, esperando que ele começasse a falar ou que Edward tirasse uma colher de prata do bolso. A linha entre o sonho e a realidade havia se tornado perigosamente fina para Oliver, e ele tinha a terrível sensação de que, não importava o quanto corresse, ele sempre teria o cheiro de açúcar e medo impregnado em sua alma.
Naquele dia, Oliver não comeu seu sabonete rosa. Ele não fez pegadinhas. Ele apenas ficou em silêncio, um prisioneiro de sua própria mente, assombrado pela ideia de que, em algum lugar, em alguma fábrica escondida nas dobras da realidade, ele ainda era apenas um doce esperando para ser devorado.
