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quando os dois não sabem
Fandom: Através da minha janela
Criado: 21/06/2026
Tags
RomanceDramaLinguagem ExplícitaPWP (Enredo? Que enredo?)Estudo de PersonagemRealismo
Entre o Orgulho e a Parede
A mansão dos Hidalgo nunca parecia grande o suficiente quando Otávio e Isabellye estavam no mesmo cômodo. O ar ficava rarefeito, carregado de uma eletricidade estática que ameaçava incendiar as cortinas de veludo a qualquer momento. Não era segredo para ninguém que os dois se detestavam — ou, pelo menos, era nisso que eles tentavam convencer o resto do mundo e a si mesmos.
Isabellye desceu as escadas de mármore com o queixo erguido, os saltos batendo contra o chão como uma contagem regressiva. Ela usava um vestido vermelho que parecia ter sido esculpido em seu corpo, uma afronta direta à sobriedade daquela recepção de negócios que a família de Otávio oferecia.
— Você está atrasada — disse Otávio, surgindo da sombra do corredor com um copo de uísque na mão. Ele não usava gravata, e os primeiros botões de sua camisa branca estavam abertos, revelando uma confiança que Isabellye sempre teve vontade de socar. Ou beijar.
— E você continua sendo um fiscal de tempo insuportável — rebateu ela, parando a poucos centímetros dele. — O evento nem começou direito, Hidalgo. Relaxa esse seu ego inflado.
Otávio deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. O cheiro de perfume caro e álcool era uma combinação perigosa.
— Meu ego está perfeitamente acomodado, Bella. É a sua presença que parece apertar o ambiente. Você ocupa espaço demais para alguém tão… pequena.
— Pequena? — Ela soltou uma risada anasalada, os olhos faiscando. — Engraçado, porque da última vez que chequei, você não conseguia tirar os olhos de mim. Deve ser difícil focar no horizonte quando eu sou o único sol por aqui.
— Você é um incêndio florestal, isso sim — murmurou ele, a voz baixando um tom, tornando-se perigosamente rouca. — Destrói tudo o que toca.
— Então não chegue perto do fogo se não quiser se queimar.
Eles ficaram ali, em um impasse silencioso, enquanto o som da música clássica e o murmúrio dos convidados vinham do salão principal. A tensão entre eles era quase palpável, uma corda esticada ao máximo.
— Eu não tenho medo de queimaduras — disse Otávio, finalmente quebrando o silêncio. Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do cabelo dela, enrolando-a no dedo. — Eu só estou esperando você admitir que essa sua implicância é puro desespero.
Isabellye sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas se recusou a recuar.
— Desespero? Por você? — Ela deu um passo ainda mais próximo, sentindo o calor que emanava do corpo dele. — Você é arrogante, prepotente e se acha o centro do universo só porque tem um sobrenome importante.
— E você adora cada segundo disso — provocou ele, um sorriso de canto de lábio surgindo.
— Eu odeio você.
— Prove.
O desafio foi lançado como uma luva no rosto. Sem pensar, movida por uma mistura de raiva acumulada e um desejo que ela se recusava a nomear, Isabellye agarrou a gola da camisa dele e o puxou para o corredor lateral, longe dos olhos curiosos da elite espanhola.
Ela o empurrou contra a parede de madeira escura da biblioteca, o impacto abafado pelos livros antigos.
— Você quer que eu prove? — perguntou ela, a respiração ofegante.
Otávio soltou o copo em uma mesa lateral sem desviar os olhos dos dela. As mãos dele encontraram a cintura de Isabellye, puxando-a para que não houvesse mais nenhum milímetro de ar entre eles.
— Estou esperando, Bella. Mostre-me o quanto você me odeia.
Isabellye não esperou mais. Ela o beijou com uma ferocidade que não tinha nada de carinhosa. Era uma batalha por dominância, um choque de dentes e línguas que buscavam punir e reivindicar ao mesmo tempo. Otávio gemeu contra a boca dela, as mãos apertando suas curvas com uma urgência que ele vinha reprimindo há meses.
— Você é… insuportável — murmurou ele entre beijos, descendo para o pescoço dela, onde deixou uma marca que o corretivo dificilmente esconderia no dia seguinte.
— E você é um idiota — respondeu ela, jogando a cabeça para trás, as mãos perdidas nos cabelos escuros dele. — Um idiota que eu quero que cale a boca agora mesmo.
Otávio a levantou com facilidade, prendendo as pernas dela em sua cintura. Isabellye sentiu a frieza da parede contra suas costas e o calor abrasador de Otávio à sua frente. Era o caos perfeito.
— Sabe o que é engraçado? — disse ele, parando por um segundo para olhar nos olhos dela, as pupilas dilatadas. — Todo mundo lá fora acha que somos inimigos mortais.
— E somos — afirmou ela, embora suas mãos estivessem ocupadas demais desabotoando o restante da camisa dele. — Isso aqui é só… diplomacia agressiva.
— Então vamos ser muito diplomáticos esta noite — ele sorriu, um brilho selvagem nos olhos.
Ele a carregou para mais fundo na biblioteca, onde as sombras eram mais densas e o cheiro de papel velho se misturava ao desejo renovado. Cada toque era um protesto, cada carícia uma provocação. Eles lutavam pela liderança daquele encontro, nenhum dos dois disposto a ceder, nenhum dos dois disposto a ser o primeiro a dizer "eu quero você" sem o escudo do sarcasmo.
— Você sempre quer ter a última palavra, não é? — perguntou Otávio, enquanto suas mãos exploravam a pele sedosa das coxas dela.
— Eu não quero a última palavra — ofegou Isabellye, sentindo o mundo girar. — Eu quero a única palavra que importa.
— E qual seria?
Ela se inclinou, sussurrando contra o ouvido dele, a voz carregada de uma promessa perigosa.
— Mais.
O som de passos no corredor fez os dois congelarem por um breve segundo. Risadas de convidados, o tilintar de taças. O perigo de serem pegos apenas serviu como combustível para a loucura que os consumia.
— Se alguém entrar… — começou Otávio, sem parecer nem um pouco preocupado.
— Se alguém entrar, eles vão ter uma lição sobre o que acontece quando se interrompe uma negociação importante — interrompeu ela, puxando-o de volta para o beijo.
A noite estava apenas começando, e as paredes da biblioteca seriam as únicas testemunhas de que, entre o ódio e o desejo, a linha era tão fina que Otávio e Isabellye já a haviam cruzado há muito tempo. O orgulho ainda estava lá, intacto e feroz, mas naquela penumbra, ele servia apenas para tornar cada toque mais intenso, cada suspiro mais urgente.
Eles eram dois desastres naturais colidindo, e nenhum deles tinha a menor intenção de sobreviver à tempestade.
— Eu ainda odeio você — murmurou ela, horas depois, enquanto tentava ajeitar o vestido amassado diante do espelho ornamentado da biblioteca.
Otávio, que já havia recuperado sua postura de herdeiro impecável, embora seus olhos ainda brilhassem com uma satisfação mal contida, aproximou-se por trás dela e depositou um beijo em seu ombro.
— Eu sei, Bella. É por isso que foi tão bom.
Ela olhou para o reflexo dele, um sorriso desafiador surgindo nos lábios.
— Não se acostume. Amanhã voltamos ao normal.
— Mal posso esperar — disse ele, abrindo a porta para que ela saísse primeiro. — Afinal, o "normal" com você é a minha parte favorita do dia.
Isabellye saiu do cômodo com a mesma altivez com que entrara na festa, mas agora, havia um segredo compartilhado queimando em seus olhos. A guerra entre eles continuava, mas os termos de rendição haviam mudado para sempre.
Isabellye desceu as escadas de mármore com o queixo erguido, os saltos batendo contra o chão como uma contagem regressiva. Ela usava um vestido vermelho que parecia ter sido esculpido em seu corpo, uma afronta direta à sobriedade daquela recepção de negócios que a família de Otávio oferecia.
— Você está atrasada — disse Otávio, surgindo da sombra do corredor com um copo de uísque na mão. Ele não usava gravata, e os primeiros botões de sua camisa branca estavam abertos, revelando uma confiança que Isabellye sempre teve vontade de socar. Ou beijar.
— E você continua sendo um fiscal de tempo insuportável — rebateu ela, parando a poucos centímetros dele. — O evento nem começou direito, Hidalgo. Relaxa esse seu ego inflado.
Otávio deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. O cheiro de perfume caro e álcool era uma combinação perigosa.
— Meu ego está perfeitamente acomodado, Bella. É a sua presença que parece apertar o ambiente. Você ocupa espaço demais para alguém tão… pequena.
— Pequena? — Ela soltou uma risada anasalada, os olhos faiscando. — Engraçado, porque da última vez que chequei, você não conseguia tirar os olhos de mim. Deve ser difícil focar no horizonte quando eu sou o único sol por aqui.
— Você é um incêndio florestal, isso sim — murmurou ele, a voz baixando um tom, tornando-se perigosamente rouca. — Destrói tudo o que toca.
— Então não chegue perto do fogo se não quiser se queimar.
Eles ficaram ali, em um impasse silencioso, enquanto o som da música clássica e o murmúrio dos convidados vinham do salão principal. A tensão entre eles era quase palpável, uma corda esticada ao máximo.
— Eu não tenho medo de queimaduras — disse Otávio, finalmente quebrando o silêncio. Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do cabelo dela, enrolando-a no dedo. — Eu só estou esperando você admitir que essa sua implicância é puro desespero.
Isabellye sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas se recusou a recuar.
— Desespero? Por você? — Ela deu um passo ainda mais próximo, sentindo o calor que emanava do corpo dele. — Você é arrogante, prepotente e se acha o centro do universo só porque tem um sobrenome importante.
— E você adora cada segundo disso — provocou ele, um sorriso de canto de lábio surgindo.
— Eu odeio você.
— Prove.
O desafio foi lançado como uma luva no rosto. Sem pensar, movida por uma mistura de raiva acumulada e um desejo que ela se recusava a nomear, Isabellye agarrou a gola da camisa dele e o puxou para o corredor lateral, longe dos olhos curiosos da elite espanhola.
Ela o empurrou contra a parede de madeira escura da biblioteca, o impacto abafado pelos livros antigos.
— Você quer que eu prove? — perguntou ela, a respiração ofegante.
Otávio soltou o copo em uma mesa lateral sem desviar os olhos dos dela. As mãos dele encontraram a cintura de Isabellye, puxando-a para que não houvesse mais nenhum milímetro de ar entre eles.
— Estou esperando, Bella. Mostre-me o quanto você me odeia.
Isabellye não esperou mais. Ela o beijou com uma ferocidade que não tinha nada de carinhosa. Era uma batalha por dominância, um choque de dentes e línguas que buscavam punir e reivindicar ao mesmo tempo. Otávio gemeu contra a boca dela, as mãos apertando suas curvas com uma urgência que ele vinha reprimindo há meses.
— Você é… insuportável — murmurou ele entre beijos, descendo para o pescoço dela, onde deixou uma marca que o corretivo dificilmente esconderia no dia seguinte.
— E você é um idiota — respondeu ela, jogando a cabeça para trás, as mãos perdidas nos cabelos escuros dele. — Um idiota que eu quero que cale a boca agora mesmo.
Otávio a levantou com facilidade, prendendo as pernas dela em sua cintura. Isabellye sentiu a frieza da parede contra suas costas e o calor abrasador de Otávio à sua frente. Era o caos perfeito.
— Sabe o que é engraçado? — disse ele, parando por um segundo para olhar nos olhos dela, as pupilas dilatadas. — Todo mundo lá fora acha que somos inimigos mortais.
— E somos — afirmou ela, embora suas mãos estivessem ocupadas demais desabotoando o restante da camisa dele. — Isso aqui é só… diplomacia agressiva.
— Então vamos ser muito diplomáticos esta noite — ele sorriu, um brilho selvagem nos olhos.
Ele a carregou para mais fundo na biblioteca, onde as sombras eram mais densas e o cheiro de papel velho se misturava ao desejo renovado. Cada toque era um protesto, cada carícia uma provocação. Eles lutavam pela liderança daquele encontro, nenhum dos dois disposto a ceder, nenhum dos dois disposto a ser o primeiro a dizer "eu quero você" sem o escudo do sarcasmo.
— Você sempre quer ter a última palavra, não é? — perguntou Otávio, enquanto suas mãos exploravam a pele sedosa das coxas dela.
— Eu não quero a última palavra — ofegou Isabellye, sentindo o mundo girar. — Eu quero a única palavra que importa.
— E qual seria?
Ela se inclinou, sussurrando contra o ouvido dele, a voz carregada de uma promessa perigosa.
— Mais.
O som de passos no corredor fez os dois congelarem por um breve segundo. Risadas de convidados, o tilintar de taças. O perigo de serem pegos apenas serviu como combustível para a loucura que os consumia.
— Se alguém entrar… — começou Otávio, sem parecer nem um pouco preocupado.
— Se alguém entrar, eles vão ter uma lição sobre o que acontece quando se interrompe uma negociação importante — interrompeu ela, puxando-o de volta para o beijo.
A noite estava apenas começando, e as paredes da biblioteca seriam as únicas testemunhas de que, entre o ódio e o desejo, a linha era tão fina que Otávio e Isabellye já a haviam cruzado há muito tempo. O orgulho ainda estava lá, intacto e feroz, mas naquela penumbra, ele servia apenas para tornar cada toque mais intenso, cada suspiro mais urgente.
Eles eram dois desastres naturais colidindo, e nenhum deles tinha a menor intenção de sobreviver à tempestade.
— Eu ainda odeio você — murmurou ela, horas depois, enquanto tentava ajeitar o vestido amassado diante do espelho ornamentado da biblioteca.
Otávio, que já havia recuperado sua postura de herdeiro impecável, embora seus olhos ainda brilhassem com uma satisfação mal contida, aproximou-se por trás dela e depositou um beijo em seu ombro.
— Eu sei, Bella. É por isso que foi tão bom.
Ela olhou para o reflexo dele, um sorriso desafiador surgindo nos lábios.
— Não se acostume. Amanhã voltamos ao normal.
— Mal posso esperar — disse ele, abrindo a porta para que ela saísse primeiro. — Afinal, o "normal" com você é a minha parte favorita do dia.
Isabellye saiu do cômodo com a mesma altivez com que entrara na festa, mas agora, havia um segredo compartilhado queimando em seus olhos. A guerra entre eles continuava, mas os termos de rendição haviam mudado para sempre.
