Fanfy
.studio
Imagem de fundo

d34

Fandom: record of ragnarok

Criado: 21/06/2026

Tags

AçãoFantasiaSongficHumorAventuraTeslapunkUA (Universo Alternativo)Filme de AmigosEstudo de Personagem
Índice

O Som do Império: Sinfonia de Sangue e Eletricidade

O caos não tinha forma, mas tinha som. Era o som de metal colidindo, gritos de divindades e o rugido ensurdecedor de criaturas que não deveriam existir nem nos confins mais obscuros de Helheim. O campo de batalha do Ragnarok havia se transformado em uma carnificina generalizada quando fendas dimensionais se abriram, liberando hordas de abominações.

No meio do tumulto, Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, caminhava com a elegância de quem desfila em seu próprio palácio, embora cada passo fosse uma dança entre a vida e a morte. Ao seu lado, Nikola Tesla, o Filho da Luz, flutuava com sua armadura Automaton Super Science, disparando faíscas de eletricidade que iluminavam o cenário sombrio.

— Que deselegante — comentou Qin, desviando de uma garra venenosa com um movimento fluido. — Onde quer que eu pise, o solo se torna meu trono, mas este lugar está precisando de uma boa limpeza.

— A entropia deste confronto está atingindo níveis fascinantes, Imperador! — Tesla exclamou, os olhos brilhando de excitação científica. — Mas temo que a estrutura geológica desta região seja instável sob tal pressão energética!

Antes que Qin pudesse responder com uma de suas frases de superioridade, a terra sob seus pés rugiu. Uma avalanche de rochas maciças, provocada por uma explosão distante de Thor, desabou sobre eles. O impacto foi súbito. O mundo escureceu e o ar se tornou pesado com o cheiro de poeira e ozônio.

Quando a poeira baixou, Qin e Tesla se viram isolados. A entrada da caverna lateral onde foram empurrados estava completamente selada por toneladas de pedra. O silêncio que se seguiu foi quase mais aterrorizante do que o barulho da guerra lá fora.

— Bem... — Qin limpou o sangue que escorria de um corte na testa, ajeitando sua venda com desdém. — Parece que o público terá que esperar pelo retorno do seu rei.

— Minhas leituras indicam uma presença... — Tesla parou, sua armadura emitindo bipes de aviso. — Não é um deus. Não é um humano. É algo desprovido de bioeletricidade convencional.

Das sombras mais profundas da caverna, a criatura emergiu. Era colossal, com uma pele de obsidiana que parecia absorver a pouca luz que Tesla emanava. Não tinha olhos, nem nariz, nem orelhas. No lugar do rosto, havia apenas um buraco circular que vibrava levemente, emitindo um zumbido de baixa frequência que fazia os dentes de Qin doerem.

Sem aviso, Tesla disparou uma rajada de energia pura de suas mãos. O raio atravessou o peito da criatura como se ela fosse feita de fumaça. O demônio apenas inclinou a cabeça na direção do som da eletricidade, e então, com uma velocidade impossível, golpeou o ar. A onda de choque jogou Tesla contra a parede de pedra.

— Inútil! — Qin percebeu imediatamente, seus olhos (mesmo cobertos) sentindo o fluxo de energia. — Ele não enxerga a luz, Tesla. Ele enxerga o som. Cada movimento seu é um farol para ele.

O demônio rugiu — um som que não era um grito, mas uma frequência dissonante que fez Qin se ajoelhar, sentindo a dor da sinestesia toque-espelho rasgar seu sistema nervoso. Ele sentia a vibração da criatura como se agulhas estivessem penetrando sua própria carne.

— Se ele quer som... — Qin se levantou, um sorriso arrogante e perigoso surgindo em seus lábios. — Eu darei a ele o hino de um império.

***

Dois meses depois.

A sala de reuniões do Valhala estava lotada. Pela primeira vez na história, deuses e humanos estavam sentados no mesmo ambiente sem tentar se matar — ao menos por enquanto. O motivo era a exibição das gravações recuperadas das "Câmeras de Observação Científica" que Tesla havia espalhado pelo campo de batalha antes do incidente.

Zeus mastigava uma maçã de ouro, sentado ao lado de um Hades que mantinha a postura impecável, embora seus olhos estivessem fixos na tela com uma curiosidade incomum. Buda relaxava em um puff, mascando chiclete, enquanto Brunhilde roía as unhas, nervosa com o que veriam.

— Então é aqui que o Rei da China e o Cientista Louco desapareceram? — comentou Shiva, ajustando seus braços extras. — Eu ouvi dizer que o que encontraram lá dentro era algo que até o Tártaro temia.

A tela se acendeu.

A imagem estava granulada. Qin Shi Huang aparecia encostado na parede da caverna, limpando o sangue da testa com as costas da mão. Ele parecia exausto, mas seus olhos brilhavam com uma ousadia que desafiava o próprio destino.

Na tela, Qin caminhou até um canto da caverna onde alguns destroços de sua "bagagem real" haviam caído com a avalanche. Ele puxou algo pesado. Era uma guitarra elétrica customizada, de corpo metálico preto e vermelho, com detalhes que lembravam dragões imperiais.

Houve um murmúrio de confusão na sala.

— O que o pirralho está fazendo com aquilo? — perguntou Loki, rindo.

Tesla, na gravação, não ficou atrás. Com a velocidade de um gênio, ele começou a manipular as placas de sua armadura e restos de metal da caverna. Em segundos, ele montou uma mesa de DJ improvisada, alimentada por bobinas de indução que brilhavam em azul neon.

— Frequência ajustada, Imperador! — gritou Tesla na tela. — Vamos sobrecarregar os sensores desse espécime com a ciência do Rock and Roll!

— Toque para o seu Rei, Tesla! — Qin respondeu, posicionando os dedos nas cordas metálicas.

O que se seguiu foi uma explosão de áudio que fez os alto-falantes da sala de reuniões chiarem.

Qin Shi Huang não apenas tocava; ele dominava o instrumento. O primeiro riff que ele disparou foi um heavy rock tão pesado e distorcido que a própria imagem da gravação tremeu. Tesla acompanhou imediatamente, soltando batidas eletrônicas sincronizadas com pulsos de energia que saíam de seus dedos.

O som era uma muralha. Não era música; era uma arma.

O demônio de obsidiana, que antes parecia invencível, começou a convulsionar. O buraco em seu rosto contraiu-se violentamente. Ele tentou atacar, mas o som vinha de todos os lados, ricocheteando nas paredes da caverna, criando um labirinto acústico que o cegava e o torturava.

Qin saltou sobre uma rocha, a capa esvoaçando, executando um solo de guitarra que desafiava a velocidade humana. Cada nota era como um golpe de espada. Tesla aumentou a voltagem, e a combinação de som e eletricidade criou uma resonância harmônica que atingiu o ponto crítico da estrutura molecular do demônio.

Na tela, a criatura simplesmente implodiu. Ela não morreu; ela se desintegrou sob o peso da sinfonia imperial. Em segundos, o monstro colossal virou apenas pó negro e um único chifre retorcido que caiu no chão com um baque seco.

A gravação cortou abruptamente.

A cena seguinte mostrava a saída da caverna. Qin e Tesla emergiam, arrastando o chifre gigante. Eles estavam cobertos de cortes, as roupas rasgadas, as armaduras danificadas, mas Qin caminhava com a cabeça erguida, a guitarra pendurada nas costas como se fosse um troféu de guerra.

No vídeo, Qin jogou o chifre no chão diante de uma patrulha de deuses menores que os resgatavam, cruzou os braços e sorriu.

A tela ficou preta.

O silêncio na sala de reuniões era absoluto. Até mesmo Zeus parecia ter esquecido de mastigar sua maçã. Todos olhavam para Qin, que estava sentado em uma cadeira no fundo da sala, com os pés sobre a mesa, polindo as unhas com um ar de tédio absoluto.

Hades, que até então permanecera em silêncio observando cada detalhe, virou o rosto lentamente na direção do Imperador. Sua expressão era uma mistura de respeito genuíno e uma perplexidade sofisticada.

— Desde quando você toca guitarra, Qin? — perguntou Hades, sua voz calma quebrando o transe coletivo.

Qin Shi Huang levantou o olhar, um sorriso carismático e arrogante crescendo em seu rosto. Ele não se deu ao trabalho de se sentar direito; ele era o dono daquele espaço, como era dono de tudo o que via.

— Um Rei deve dominar todas as artes que podem subjugar seus inimigos, Hades — respondeu Qin, o tom de voz carregado de uma superioridade brincalhona. — E, convenhamos, o silêncio é uma coisa muito sem graça para um império tão vasto quanto o meu.

— Foi uma aplicação prática da teoria das cordas! — Tesla interveio, flutuando empolgado entre os dois governantes. — A vibração harmônica produzida pela técnica do Imperador foi a chave para desestabilizar a matéria escura da criatura!

— Foi barulhento — resmungou Poseidon, sem olhar para ninguém, embora seus dedos estivessem batendo levemente no braço da cadeira, seguindo o ritmo que ainda ecoava em sua mente.

— Barulhento? — Qin riu, levantando-se e caminhando até Hades. Ele parou a poucos centímetros do Rei do Submundo, olhando-o nos olhos com uma audácia que faria qualquer outro deus tremer. — Foi a música da vitória. Se você quiser, Hades, eu posso lhe dar umas aulas. Mas aviso logo: meu cachê é um trono novo.

Hades soltou um suspiro curto, quase uma risada contida. Ele se levantou, sua presença imponente igualando-se à de Qin.

— Eu prefiro a paz do meu palácio, mas admito... — Hades olhou para o chifre da criatura, que agora estava em exibição no centro da sala — ...você tem um talento peculiar para transformar o caos em algo que pertence a você.

— Tudo o que eu vejo pertence a mim — Qin Shi Huang deu as costas, caminhando em direção à saída com sua habitual confiança. — E o que eu não vejo, eu sinto através do som.

Enquanto Qin saía, deixando deuses e humanos em um estado de choque residual, Brunhilde finalmente respirou.

— Ele é impossível — murmurou ela.

— Ele é um Rei — corrigiu Hades, olhando para a porta por onde Qin havia saído. — E em um mundo de deuses arrogantes, talvez seja de um pouco de rock and roll que este universo precise.

Lá fora, nos corredores do Valhala, Qin Shi Huang assobiava a melodia do solo que havia destruído o demônio, sua mente já planejando como transformar a próxima batalha em um espetáculo ainda maior. Afinal, para o Primeiro Imperador, a guerra não era apenas uma luta pela sobrevivência; era a sua maior e mais barulhenta obra de arte.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic