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O amor entre rimas
Fandom: Batalhas Rimas
Criado: 21/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesLinguagem Explícita
Rimas Mal Resolvidas e Versos de Improviso
A chuva batia contra o vidro da janela do apartamento de Laryssa, criando uma batida constante que parecia ecoar o ritmo das batalhas de rima que faziam parte da vida de ambos. Mas, naquela noite, não havia palco, não havia microfone e não havia plateia para decidir quem levaria o round. Havia apenas o silêncio pesado de um término que nunca foi aceito de verdade.
Laryssa estava sentada no sofá, encarando a tela do celular. As notificações do Twitter e do Instagram não paravam. "Laryssa vista com novo affair?", "Jotapê reagiu?". Ela suspirou, jogando o aparelho longe. O mundo das batalhas era pequeno, e a fofoca corria mais rápido que um flow de speedflow.
O estrondo da campainha a fez pular. Ela não esperava ninguém àquela hora, mas, no fundo do peito, uma pontada de intuição já dizia quem era. Ao abrir a porta, deu de cara com Jotapê. Ele estava ofegante, o capuz do moletom molhado pela chuva e o olhar carregado de uma mistura de raiva e mágoa que ela conhecia bem demais.
— Que porra é essa, Lary? — disparou ele, sem nem pedir licença para entrar.
Laryssa cruzou os braços, bloqueando a passagem por um segundo antes de ceder e fechar a porta atrás dele.
— "Que porra é essa" digo eu, Jota. Você chega na minha casa, nesse estado, gritando? — Ela tentou manter a voz firme, mas ver ele ali, tão perto, sempre bagunçava sua estrutura.
— Eu vi as fotos. Eu vi o que estão falando — ele disse, andando de um lado para o outro na sala pequena. — Quem é o cara? É por isso que você não quis tentar de novo? Já tinha outro na manga enquanto a gente ainda tava tentando se entender?
Laryssa soltou uma risada seca, carregada de incredulidade.
— Você não tem o direito de vir aqui cobrar nada. A gente terminou, lembra? Você seguiu sua vida, eu segui a minha. Ou pelo menos é o que as pessoas fazem.
— Seguiu a vida? — Jotapê parou na frente dela, a centímetros de distância. O cheiro de chuva e do perfume que ela tanto amava a atingiu em cheio. — Lary, não finge que o que a gente teve foi qualquer coisa. Eu vejo como você me olha nas batalhas. Eu sinto quando a gente se esbarra nos bastidores. Você não esqueceu, porque eu também não esqueci.
— O que você quer, Jota? — perguntou ela, a voz fraquejando. — Quer que eu peça desculpas por algo que eu nem fiz? Aquele cara é só um amigo, mas mesmo se não fosse, o que isso muda pra você?
— Muda tudo! — Ele exclamou, gesticulando com as mãos, o instinto de MC falando mais alto. — Muda porque eu ainda acordo pensando em te mandar mensagem. Muda porque cada rima de amor que eu faço agora tem o teu rosto desenhado. Você acha que é fácil ver o pessoal comentando que você tá com outro e ficar quieto?
— Você é um hipócrita! — Laryssa deu um passo à frente, batendo com o dedo no peito dele. — Quantas vezes eu tive que ver fã marcando você em foto com outras? Quantas vezes eu tive que engolir seco quando saía boato seu? Eu nunca fui na sua porta cobrar satisfação, porque eu respeitei o nosso fim. Coisa que você parece não saber fazer.
— Eu vim porque eu me importo! — Jotapê segurou os pulsos dela, não com força, mas com uma urgência desesperada. — Eu vim porque eu não aguento mais essa distância. A gente se ataca nas rimas, a gente se evita nos eventos, mas quando as luzes apagam, eu ainda sou o Jota e você ainda é a Lary. E a Lary é minha.
— Eu não sou de ninguém, Jotapê. — Ela tentou puxar os pulsos, mas a proximidade estava drenando sua vontade de lutar. — Você me perdeu quando deixou o orgulho ser maior que o que a gente sentia.
— Eu errei, tá legal? — A voz dele baixou de tom, tornando-se rouca e vulnerável. — Eu fui moleque. Eu foquei na carreira, nas viagens, e achei que você ia estar sempre lá me esperando. Mas ver a possibilidade de te perder de verdade... de ver outro cara ocupando o lugar que eu sei que é meu... isso me quebrou, Lary.
O silêncio que se seguiu foi denso. Os olhos de Laryssa percorreram o rosto dele, notando as olheiras de quem também não dormia bem e a sinceridade crua que ele raramente mostrava fora das rimas sentimentais. A raiva estava ali, mas o desejo era uma corrente elétrica que ligava os dois.
— Você não pode simplesmente aparecer aqui e achar que vai consertar tudo com um discurso — sussurrou ela, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, inclinando-se inconscientemente para ele.
— Eu não quero consertar com discurso — Jotapê soltou os pulsos dela, mas apenas para levar as mãos ao rosto de Laryssa, polegares acariciando suas bochechas. — Eu quero mostrar que ninguém vai te amar como eu amo. Que nenhum desses caras entende o teu silêncio como eu entendo.
— Jota... — O nome dele saiu como um suspiro.
— Diz que não sente nada — desafiou ele, aproximando o rosto, os lábios quase roçando os dela. — Diz na minha cara que esse boato é verdade e que você quer que eu vá embora. Se você disser, eu sumo agora.
Laryssa abriu a boca para responder, para dizer que ele precisava ir, que aquilo era um erro, que o passado deveria ficar no passado. Mas as palavras morreram na garganta. Em vez de falar, ela encurtou a distância mínima que restava e o beijou.
Foi um beijo urgente, carregado de meses de frustração, saudade e uma paixão que nenhum término foi capaz de apagar. Jotapê a empurrou levemente até que as costas dela batessem contra a porta fechada, as mãos dele descendo para a cintura dela com possessividade.
— Eu odeio o quanto eu ainda te quero — murmurou Laryssa entre os beijos, as mãos perdidas no cabelo úmido dele.
— Eu também — respondeu Jotapê, a respiração ofegante contra o pescoço dela. — Mas eu odeio ainda mais a ideia de te ver longe de mim.
Ele a pegou no colo, e Laryssa entrelaçou as pernas na cintura dele sem hesitar. O caminho até o quarto foi feito de tropeços e roupas sendo deixadas pelo chão, como se cada peça fosse um obstáculo entre a reconciliação que ambos secretamente desejavam.
Naquela noite, as rimas foram substituídas por sussurros e a agressividade das batalhas deu lugar a uma entrega absoluta. O boato sobre o outro cara foi esquecido, assim como o mundo lá fora. Na penumbra do quarto, não havia MCs, não havia ex-namorados. Havia apenas duas pessoas que, apesar de todos os erros, ainda não tinham aprendido a conjugar o amor no passado.
Horas depois, com a respiração já calma e a chuva ainda caindo lá fora, Jotapê puxou Laryssa para mais perto, deixando que ela deitasse a cabeça em seu peito.
— Você sabe que isso não resolve tudo, né? — disse ela, a voz sonolenta, mas lúcida.
— Eu sei — ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas é um começo melhor do que qualquer rima que eu já fiz. Amanhã a gente conversa. Hoje... hoje eu só quero ter certeza de que você ainda tá aqui.
Laryssa fechou os olhos, sentindo o coração dele bater contra o seu ouvido. O amanhã traria os mesmos problemas, as mesmas discussões e a pressão da cena, mas, por enquanto, o único beat que importava era aquele ritmo constante no peito de Jotapê, confirmando que, entre eles, a batalha final ainda estava longe de acontecer.
Laryssa estava sentada no sofá, encarando a tela do celular. As notificações do Twitter e do Instagram não paravam. "Laryssa vista com novo affair?", "Jotapê reagiu?". Ela suspirou, jogando o aparelho longe. O mundo das batalhas era pequeno, e a fofoca corria mais rápido que um flow de speedflow.
O estrondo da campainha a fez pular. Ela não esperava ninguém àquela hora, mas, no fundo do peito, uma pontada de intuição já dizia quem era. Ao abrir a porta, deu de cara com Jotapê. Ele estava ofegante, o capuz do moletom molhado pela chuva e o olhar carregado de uma mistura de raiva e mágoa que ela conhecia bem demais.
— Que porra é essa, Lary? — disparou ele, sem nem pedir licença para entrar.
Laryssa cruzou os braços, bloqueando a passagem por um segundo antes de ceder e fechar a porta atrás dele.
— "Que porra é essa" digo eu, Jota. Você chega na minha casa, nesse estado, gritando? — Ela tentou manter a voz firme, mas ver ele ali, tão perto, sempre bagunçava sua estrutura.
— Eu vi as fotos. Eu vi o que estão falando — ele disse, andando de um lado para o outro na sala pequena. — Quem é o cara? É por isso que você não quis tentar de novo? Já tinha outro na manga enquanto a gente ainda tava tentando se entender?
Laryssa soltou uma risada seca, carregada de incredulidade.
— Você não tem o direito de vir aqui cobrar nada. A gente terminou, lembra? Você seguiu sua vida, eu segui a minha. Ou pelo menos é o que as pessoas fazem.
— Seguiu a vida? — Jotapê parou na frente dela, a centímetros de distância. O cheiro de chuva e do perfume que ela tanto amava a atingiu em cheio. — Lary, não finge que o que a gente teve foi qualquer coisa. Eu vejo como você me olha nas batalhas. Eu sinto quando a gente se esbarra nos bastidores. Você não esqueceu, porque eu também não esqueci.
— O que você quer, Jota? — perguntou ela, a voz fraquejando. — Quer que eu peça desculpas por algo que eu nem fiz? Aquele cara é só um amigo, mas mesmo se não fosse, o que isso muda pra você?
— Muda tudo! — Ele exclamou, gesticulando com as mãos, o instinto de MC falando mais alto. — Muda porque eu ainda acordo pensando em te mandar mensagem. Muda porque cada rima de amor que eu faço agora tem o teu rosto desenhado. Você acha que é fácil ver o pessoal comentando que você tá com outro e ficar quieto?
— Você é um hipócrita! — Laryssa deu um passo à frente, batendo com o dedo no peito dele. — Quantas vezes eu tive que ver fã marcando você em foto com outras? Quantas vezes eu tive que engolir seco quando saía boato seu? Eu nunca fui na sua porta cobrar satisfação, porque eu respeitei o nosso fim. Coisa que você parece não saber fazer.
— Eu vim porque eu me importo! — Jotapê segurou os pulsos dela, não com força, mas com uma urgência desesperada. — Eu vim porque eu não aguento mais essa distância. A gente se ataca nas rimas, a gente se evita nos eventos, mas quando as luzes apagam, eu ainda sou o Jota e você ainda é a Lary. E a Lary é minha.
— Eu não sou de ninguém, Jotapê. — Ela tentou puxar os pulsos, mas a proximidade estava drenando sua vontade de lutar. — Você me perdeu quando deixou o orgulho ser maior que o que a gente sentia.
— Eu errei, tá legal? — A voz dele baixou de tom, tornando-se rouca e vulnerável. — Eu fui moleque. Eu foquei na carreira, nas viagens, e achei que você ia estar sempre lá me esperando. Mas ver a possibilidade de te perder de verdade... de ver outro cara ocupando o lugar que eu sei que é meu... isso me quebrou, Lary.
O silêncio que se seguiu foi denso. Os olhos de Laryssa percorreram o rosto dele, notando as olheiras de quem também não dormia bem e a sinceridade crua que ele raramente mostrava fora das rimas sentimentais. A raiva estava ali, mas o desejo era uma corrente elétrica que ligava os dois.
— Você não pode simplesmente aparecer aqui e achar que vai consertar tudo com um discurso — sussurrou ela, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, inclinando-se inconscientemente para ele.
— Eu não quero consertar com discurso — Jotapê soltou os pulsos dela, mas apenas para levar as mãos ao rosto de Laryssa, polegares acariciando suas bochechas. — Eu quero mostrar que ninguém vai te amar como eu amo. Que nenhum desses caras entende o teu silêncio como eu entendo.
— Jota... — O nome dele saiu como um suspiro.
— Diz que não sente nada — desafiou ele, aproximando o rosto, os lábios quase roçando os dela. — Diz na minha cara que esse boato é verdade e que você quer que eu vá embora. Se você disser, eu sumo agora.
Laryssa abriu a boca para responder, para dizer que ele precisava ir, que aquilo era um erro, que o passado deveria ficar no passado. Mas as palavras morreram na garganta. Em vez de falar, ela encurtou a distância mínima que restava e o beijou.
Foi um beijo urgente, carregado de meses de frustração, saudade e uma paixão que nenhum término foi capaz de apagar. Jotapê a empurrou levemente até que as costas dela batessem contra a porta fechada, as mãos dele descendo para a cintura dela com possessividade.
— Eu odeio o quanto eu ainda te quero — murmurou Laryssa entre os beijos, as mãos perdidas no cabelo úmido dele.
— Eu também — respondeu Jotapê, a respiração ofegante contra o pescoço dela. — Mas eu odeio ainda mais a ideia de te ver longe de mim.
Ele a pegou no colo, e Laryssa entrelaçou as pernas na cintura dele sem hesitar. O caminho até o quarto foi feito de tropeços e roupas sendo deixadas pelo chão, como se cada peça fosse um obstáculo entre a reconciliação que ambos secretamente desejavam.
Naquela noite, as rimas foram substituídas por sussurros e a agressividade das batalhas deu lugar a uma entrega absoluta. O boato sobre o outro cara foi esquecido, assim como o mundo lá fora. Na penumbra do quarto, não havia MCs, não havia ex-namorados. Havia apenas duas pessoas que, apesar de todos os erros, ainda não tinham aprendido a conjugar o amor no passado.
Horas depois, com a respiração já calma e a chuva ainda caindo lá fora, Jotapê puxou Laryssa para mais perto, deixando que ela deitasse a cabeça em seu peito.
— Você sabe que isso não resolve tudo, né? — disse ela, a voz sonolenta, mas lúcida.
— Eu sei — ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas é um começo melhor do que qualquer rima que eu já fiz. Amanhã a gente conversa. Hoje... hoje eu só quero ter certeza de que você ainda tá aqui.
Laryssa fechou os olhos, sentindo o coração dele bater contra o seu ouvido. O amanhã traria os mesmos problemas, as mesmas discussões e a pressão da cena, mas, por enquanto, o único beat que importava era aquele ritmo constante no peito de Jotapê, confirmando que, entre eles, a batalha final ainda estava longe de acontecer.
