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Amor quente

Fandom: Sem fandom

Criado: 21/06/2026

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Entre Fórmulas e Suspiros

A biblioteca da escola estava estranhamente silenciosa para uma tarde de terça-feira. O sol de outono atravessava as grandes janelas de vidro, criando feixes de luz onde partículas de poeira dançavam calmamente. Rafaella — ou Rafa, como ela sempre insistia que a chamassem — estava sentada em uma das mesas do fundo, cercada por livros de biologia e cartolinas em branco.

Rafa era, sem dúvida, a visão mais doce daquele colégio. Com seus cabelos castanhos caindo em ondas suaves pelos ombros e um sorriso que parecia iluminar até os dias mais nublados, ela carregava o título de "menina mais bonita da escola" com uma humildade desconcertante. Não havia um pingo de arrogância nela; pelo contrário, sua gentileza era o que mais atraía as pessoas.

— Com licença, essa cadeira está ocupada pela garota mais dedicada da turma ou eu posso me sentar? — Uma voz profunda e aveludada interrompeu seus pensamentos.

Rafa levantou o olhar e sorriu instantaneamente ao ver Pedro Augusto. Ele era o tipo de garoto que fazia as cabeças virarem nos corredores. Popular, capitão do time e dono de um maxilar marcado que arrancava suspiros, mas para Rafa, ele era apenas o Augusto — o rapaz romântico que escrevia bilhetes em guardanapos e tinha os olhos mais expressivos que ela já vira.

— Oi, Augusto. Estava quase desistindo de te esperar — brincou ela, afastando um estojo para dar espaço. — O treino atrasou?

— O treinador resolveu dar um sermão sobre "foco e determinação" — Augusto respondeu, revirando os olhos com humor enquanto se sentava ao lado dela. — Mas meu foco agora é outro. É esse trabalho de genética que vai nos matar se não terminarmos hoje.

Eles começaram a trabalhar. Por quase uma hora, o som predominante era o de canetas riscando o papel e o sussurro de vozes discutindo cruzamentos de DNA. No entanto, a proximidade física começou a cobrar seu preço. A biblioteca estava vazia naquela ala, e o cheiro do perfume de Augusto — algo que misturava madeira e cítrico — parecia preencher todo o espaço pessoal de Rafa.

Augusto, por sua vez, mal conseguia se concentrar nos alelos recessivos. Ele observava como Rafa mordia o lábio inferior quando estava pensativa e como uma mecha de cabelo teimosa insistia em cair sobre o rosto dela.

— Rafa? — ele chamou, a voz um pouco mais baixa que o normal.

— Oi? — Ela se virou para ele, e a distância entre seus rostos era perigosamente pequena.

— Você tem um pouco de tinta de caneta bem aqui — ele mentiu suavemente, levando a mão ao rosto dela.

O toque do polegar de Augusto na bochecha de Rafa fez a respiração dela falhar. O clima entre eles, que sempre fora carregado de uma tensão carinhosa e flertes discretos, subitamente se tornou denso, elétrico. Augusto não retirou a mão; em vez disso, seus dedos deslizaram para a nuca dela, puxando-a milímetros para mais perto.

— Augusto... — ela sussurrou, mas não havia protesto em sua voz, apenas expectativa.

Ele não esperou por um convite formal. Augusto inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela. O beijo começou lento, exploratório, carregado de todo o romantismo que ele sempre demonstrou, mas rapidamente ganhou urgência. As mãos de Rafa subiram para o peito dele, agarrando a camisa de algodão, enquanto Augusto a puxava para mais perto, eliminando qualquer espaço que restasse entre as cadeiras.

A biblioteca, com seus livros e silêncio, pareceu desaparecer. Augusto interrompeu o beijo nos lábios apenas para descer o rosto até o pescoço de Rafa. Ele conhecia os pontos fracos dela. Quando ele pressionou os lábios ali, alternando entre beijos molhados e pequenas mordidas suaves, Rafa soltou um gemido alto que ecoou pelas estantes de madeira.

— Shhh... — ele murmurou contra a pele dela, embora ele mesmo estivesse perdendo o controle.

As mãos de Augusto abandonaram o rosto de Rafa e começaram a explorar o corpo dela com uma possessividade que a deixou tonta. Ele a apalpava com firmeza, sentindo as curvas sob o uniforme escolar, enquanto seus beijos no pescoço se tornavam mais intensos, mais exigentes.

— Ah... Augusto... — Rafa gemeu novamente, a cabeça pendendo para trás para dar a ele mais acesso. A sensação era avassaladora. O toque dele era quente, seguro e despertava nela uma sede que ela não sabia que tinha.

Sentindo a intensidade do momento subir a níveis perigosos, e sentindo as mãos dele subirem por sua cintura com mais ousadia, Rafa tentou recuperar um pouco de fôlego, embora seu corpo implorasse pelo contrário.

— Vai com calma... — ela falou, a voz fraca, entrecortada por um gemido que ela não conseguiu segurar quando ele encontrou um ponto particularmente sensível atrás de sua orelha. — Por favor, Augusto... a gente está na escola...

Augusto parou por um segundo, a respiração pesada batendo contra a pele do pescoço dela. Ele encostou a testa no ombro de Rafa, tentando acalmar os batimentos cardíacos que pareciam uma bateria desgovernada em seu peito.

— Desculpa — ele sussurrou, a voz rouca. — É que você é tão... linda, Rafa. Eu perco o juízo perto de você.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. As bochechas de Rafa estavam coradas, os lábios inchados e o cabelo levemente bagunçado. Para Augusto, ela nunca esteve tão bonita. Ele esticou a mão e, com um gesto delicado, ajeitou a mecha de cabelo que o incomodava antes.

— Eu estraguei o clima do trabalho, não foi? — perguntou ele, com um sorriso culpado e charmoso.

Rafa soltou uma risadinha nervosa, tentando ajeitar a própria blusa e recuperar a compostura, embora seus olhos ainda brilhassem com o desejo recém-descoberto.

— Acho que a genética vai ter que esperar uns dez minutos até meu cérebro voltar a funcionar — ela respondeu, esticando a mão para segurar a dele sobre a mesa. — Mas não peça desculpas. Eu não queria que você parasse... só não queria que a bibliotecária nos pegasse.

Augusto riu, um som leve e genuíno, e beijou a palma da mão dela.

— Tudo bem. Vamos terminar esse mapa genético — ele disse, voltando-se para o papel, mas sem soltar a mão dela. — Mas eu te levo para casa depois. E lá, não vamos ter que nos preocupar com bibliotecárias.

Rafa sorriu, sentindo o carinho dele e o calor que ainda emanava de seu corpo. Ela sabia que Augusto era um romântico, mas aquela tarde tinha mostrado um lado dele que a deixava ainda mais encantada.

— Combinado, Augusto — disse ela, voltando a pegar sua caneta. — Mas se eu tirar nota baixa porque não consigo parar de pensar no seu perfume, a culpa é toda sua.

— Eu aceito a responsabilidade — ele piscou para ela, e o silêncio da biblioteca voltou a ser preenchido pelo som do trabalho, embora agora houvesse um segredo vibrante compartilhado entre as páginas dos livros de biologia.
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