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The Summer love

Fandom: Boys love

Criado: 21/06/2026

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Entre Agulhas e Arrepio

Três dias haviam se passado desde que Rafhael sentira a pontada aguda da agulha de Evan atravessando seu lábio inferior. O inchaço inicial já tinha cedido, deixando apenas um brilho metálico que acentuava ainda mais sua boca rosada e convidativa. Ele estava deitado em sua cama, rolando de um lado para o outro, quando o celular vibrou sobre o peito.

— Oie. Como está o resultado até agora? — dizia a mensagem de Evan.

Rafhael sentiu um frio na barriga. Ele não esperava que o tatuador fosse procurá-lo tão cedo, muito menos com um tom que beirava o casual e o atencioso. Sorrindo para a tela, ele decidiu que não queria apenas responder com palavras. Ele queria provocar.

— Está ótimo! — digitou Rafhael. — Já consigo sorrir sem doer. Quer ver?

Sem esperar a resposta, ele se levantou e foi até o espelho de corpo inteiro. Ele estava vestindo apenas uma calça de moletom cinza de cintura baixa e uma camiseta branca curta. Com um olhar malicioso, ele puxou a gola da camiseta com os dentes para mostrar o piercing no lábio, mas, "acidentalmente", inclinou o celular de forma que o ângulo capturasse muito mais do que seu rosto. A foto mostrava sua pele alva, a curva acentuada da cintura e o elástico da cueca preta aparecendo estrategicamente acima do moletom.

Ele enviou. O "visualizado" foi instantâneo.

Do outro lado da cidade, no estúdio de tatuagem, Evan quase deixou o celular cair. Ele estava sentado no sofá da recepção ao lado de Chang An, que folheava uma revista de desenhos. Evan sentiu o sangue subir todo de uma vez, uma pressão familiar e urgente apertando suas calças.

— Puta que pariu... — murmurou Evan, a voz rouca, os olhos fixos na imagem daquela cintura fina e da pele que parecia ser macia como seda.

Chang An levantou o olhar, arqueando uma sobrancelha ao notar a expressão de choque e desejo no rosto do amigo.

— Que foi, cara? Viu um fantasma ou o que? — Chang se inclinou, tentando espiar a tela. — E por que você está com essa cara de quem vai pular em cima de alguém? Você está literalmente excitado no meio do expediente?

Evan bloqueou a tela rapidamente, mas o estrago já estava feito. Ele passou a mão pelo cabelo loiro, bufando.

— É o Rafhael. Aquele guri do piercing no lábio. Ele mandou uma foto... e, porra, Chang, você não tem noção do corpo que aquele japonês tem. Ele é... ele é covardia pura.

Chang soltou uma risada alta, dando um tapa nas costas do amigo.

— O "hétero" está balançado, é? Eu te avisei que aquele ali era perigo.

No dia seguinte, Rafhael acordou com uma energia renovada. Ele abriu o grupo do WhatsApp intitulado "Gays Fofos", onde Bernardo, Laura, Gabriel e Nadam passavam o dia fofocando.

— Gente, acho que vou marcar outro piercing hoje — escreveu Rafhael, enviando um emoji de diabinho.

A resposta foi imediata.

— Duvido! — mandou Bernardo. — Você quase desmaiou segurando a minha mão para furar a boca, Rafa. Para de ser mentiroso.

— É sério! — rebateu Rafhael. — O Evan é muito cuidadoso. Acho que aguento outro.

— No lábio de novo? — perguntou Nadam.

— Não... dessa vez eu quero um no peito.

O grupo explodiu em mensagens de choque e deboche, mas Rafhael já tinha tomado sua decisão. Ele abriu a conversa privada com Evan, o coração batendo na garganta.

— Evan? Quero fazer outro. No mamilo, desta vez. Você tem horário?

Evan, que estava tomando café, quase engasgou. Ele imediatamente ligou para Chang An antes mesmo de responder.

— Chang! Ele quer furar o peito! O Rafhael! — gritou Evan ao telefone.

— E qual o problema? Você é profissional, não é? — Chang ria do desespero do amigo.

— Profissional o cacete! Eu vou ter que tocar nele, Chang. Vou ter que marcar a pele dele ali... Eu vou surtar.

Evan respirou fundo e respondeu a Rafhael, tentando manter a pose.

— Pode ser na hora do meu almoço hoje. E sabe de uma coisa? Esse é por minha conta. Cortesia da casa para clientes especiais.

Quando Rafhael chegou ao estúdio, o ar parecia mais pesado, carregado de uma tensão que ambos tentavam ignorar. Evan o conduziu para a sala privada nos fundos, fechando a porta e ligando o ar-condicionado, embora o clima estivesse longe de ser frio.

— Então... o peito, é? — perguntou Evan, sua voz soando mais grave do que o normal enquanto ele calçava as luvas de látex pretas.

— Sim. — Rafhael sentou-se na maca, sentindo o olhar de Evan queimar sua pele. — Você acha que dói muito?

— Vou fazer de tudo para que você sinta apenas o necessário — disse Evan, aproximando-se. — Pode tirar a camisa, Rafa.

Rafhael obedeceu lentamente. À medida que o tecido subia, Evan sentia sua respiração falhar. A pele de Rafhael era impecável, de um branco leitoso que contrastava com os mamilos rosados e pequenos. Evan se aproximou, ficando entre as pernas de Rafhael, que permanecia sentado na beira da maca.

— Preciso marcar o local — sussurrou Evan.

Ele pegou a caneta cirúrgica, mas suas mãos, geralmente tão firmes, tremeram de leve. Ele tocou o peito de Rafhael, sentindo a batida acelerada do coração do menor sob seus dedos. O toque era elétrico. Evan começou a limpar a área com álcool, movendo o algodão em círculos lentos, demorando-se mais do que o necessário.

— Evan... — Rafhael murmurou, inclinando a cabeça para trás, os olhos semicerrados.

— Shh... relaxa — pediu Evan, embora ele próprio estivesse longe de estar relaxado.

Ele estava obcecado. Cada detalhe de Rafhael o hipnotizava: o cheiro doce que emanava de seu pescoço, o jeito como ele mordia o lábio recém-perfurado, a forma como sua pele reagia ao toque frio do álcool, arrepiando-se instantaneamente.

— Vou furar agora. Respira fundo.

Evan posicionou a pinça. Ele podia ver os músculos do abdômen de Rafhael se contraindo. No momento em que a agulha atravessou a pele, Rafhael soltou um gemido baixo, uma mistura de dor e algo que soava perigosamente como prazer. Ele segurou o braço de Evan com força, suas unhas cravando levemente no músculo do tatuador.

Evan não conseguiu evitar. Seus olhos subiram para os de Rafhael, encontrando um olhar brilhante e desafiador. Ele terminou de colocar a joia, mas não se afastou. Suas mãos continuaram ali, espalmadas contra o peito de Rafhael, sentindo o calor do corpo dele.

— Pronto — disse Evan, a voz quase um fio de voz. — Ficou perfeito.

— Ficou mesmo? — Rafhael perguntou, sua voz carregada de uma malícia fofa. — Você quer conferir de perto?

Evan sentiu que qualquer barreira de "heterossexualidade" que ele ainda tentava sustentar ruiu naquele exato momento. Ele estava completamente rendido por aquele garoto, obcecado por cada curva e por cada centímetro de pele que ele acabara de marcar.

— Você não tem ideia do que está fazendo comigo, Rafhael — confessou Evan, aproximando o rosto do dele, a distância entre seus lábios agora sendo mínima.

— Eu acho que tenho uma ideia sim — respondeu Rafhael, sorrindo e fechando os olhos, esperando pelo próximo contato que não envolveria agulhas.
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