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d39
Fandom: record of ragnarok
Criado: 21/06/2026
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DramaFatias de VidaFofuraHumorFantasiaAçãoHistóricoEstudo de PersonagemDivergênciaRecontarAngústiaDor/ConfortoCenário CanônicoSilkpunk
O Trono de Vidro e a Liberdade de um Menino
A arena do Valhalla estava mergulhada em um silêncio atípico. Deuses e humanos, que outrora se encaravam com sede de sangue, agora mantinham os olhos fixos em uma gigantesca tela de energia que flutuava no centro do anfiteatro. O dispositivo, uma relíquia das memórias universais, começara a exibir fragmentos do passado dos combatentes. Mas o que viam agora não era uma batalha épica, e sim a juventude de Qin Shi Huang.
Qin estava sentado em seu divã improvisado na área dos humanos, as pernas cruzadas com a elegância de quem nasceu para governar. Seu sorriso confiante permanecia intacto, mas seus dedos apertavam levemente o tecido de sua túnica. Ao longe, no lado dos deuses, Hades observava a tela com uma expressão de seriedade profunda, seus olhos carmesim analisando cada detalhe da vida de seu oponente.
A imagem na tela mostrava um jovem Qin, por volta dos dez anos de idade. Ele estava parado diante de um imenso portão de ferro e bronze no Palácio Imperial. Suas mãos pequenas tocavam o metal frio.
— Pai, por favor — a voz da criança na gravação era carregada de uma esperança que partia o coração. — Apenas cinco minutos. Eu só quero ver como é a cor do céu além da muralha. Dizem que o mercado é barulhento e cheio de cores.
A resposta veio de uma voz fria e invisível, vinda das sombras do corredor.
— Um imperador não se mistura com a poeira do mundo até que esteja pronto para esmagá-la. Você ficará aqui. O palácio é o seu mundo.
A cena saltou no tempo. Onze anos. Doze anos. Quinze anos. Em cada fragmento, Qin era visto pedindo, implorando ou simplesmente olhando através das frestas das janelas altas. Ele crescia em estatura, mas o isolamento permanecia absoluto. Ele estudava, treinava e sentia, através de sua sinestesia, a dor distante dos servos que apanhavam nos pátios, mas nunca podia tocá-los.
— Ele nunca saiu? — A voz de Sasaki Kojiro quebrou o silêncio na arquibancada humana. O espadachim parecia genuinamente abalado. — Sete anos... trancado em uma gaiola de ouro?
— Que tipo de rei faz isso com o próprio sangue? — rosnou Leônidas, cruzando os braços com indignação. — Um homem precisa do sol e do vento para forjar seu espírito.
Até mesmo Jack, o Estripador, que raramente demonstrava empatia genuína, inclinou a cabeça, observando a "cor" das emoções que emanavam da tela.
— Uma infância monocromática — murmurou Jack. — Que desperdício de luz.
Na tela, a atmosfera mudou. O funeral do Imperador anterior foi rápido, cercado de incenso e rituais vazios. Qin, agora com dezessete anos, vestia o luto com uma postura que já começava a exalar a arrogância real que o caracterizaria. Assim que o último rito terminou e as cinzas foram depositadas, ele não voltou para os seus aposentos.
Ele caminhou até o portão. Sem pedir permissão, sem olhar para trás.
Quando as pesadas portas se abriram, a luz do sol inundou a tela, cegando a audiência por um segundo. O que se seguiu foi uma sequência que fez muitos deuses desviarem o olhar, sentindo um nó na garganta.
Qin Shi Huang, o homem que desafiaria divindades, agia como uma criança de cinco anos. Ele parou diante de uma barraca de rua e tocou um tecido de seda barata com o mesmo assombro que alguém tocaria um tesouro divino. Ele comprou livros aleatórios, cheirando as páginas de papel comum. Ele comprou doces de vendedores ambulantes e riu ao sentir o açúcar explodir em sua língua, algo que os banquetes imperiais nunca haviam replicado.
— Olhe para isso! — disse o Qin da tela, apontando para um simples pássaro que bebia água em uma poça. — Ele é tão livre... e as cores dele mudam conforme ele se mexe!
O jovem Qin passou o dia inteiro andando. Ele comprou roupas de camponês apenas para sentir a textura diferente em sua pele. Ele sentou-se no chão de uma praça, observando o movimento, com um sorriso que não era de um imperador superior, mas de um ser humano que finalmente havia começado a viver.
Na área VIP dos deuses, Hades fechou os olhos por um momento. O Rei do Submundo, que sempre valorizou a família e o dever acima de tudo, sentiu uma pontada de algo que beirava a tristeza.
— Então essa é a origem do seu "caminho" — murmurou Hades, alto o suficiente para que apenas os deuses próximos ouvissem. — Você não se senta onde quer por arrogância pura, Qin Shi Huang. Você se senta onde quer porque passou metade da vida sendo dito que não podia sequer pisar fora de um quarto.
— Ele é irritante — comentou Zeus, embora seu tom estivesse desprovido da habitual zombaria. — Mas crescer assim... é uma tortura que poucos suportariam sem enlouquecer.
— Ele não enlouqueceu — interveio Buda, mastigando um doce com uma expressão pensativa. — Ele apenas decidiu que o mundo inteiro seria o seu palácio, já que o palácio original era sua prisão.
Qin, no entanto, não parecia querer a piedade de ninguém. Ele se levantou, ajeitando a venda sobre os olhos, e soltou uma gargalhada vibrante que ecoou por toda a arena.
— Hahaha! Que memórias nostálgicas! — exclamou Qin, apontando para a tela. — Eu me lembro daquele dia. O pão que comprei na esquina tinha mais sabor do que dez anos de jantares reais.
— Qin... — Brunhilde, que estava por perto, tentou dizer algo, mas ele a interrompeu com um gesto de mão.
— Não me olhe assim, Valquíria — disse ele, o sorriso se tornando mais afiado, quase predatório. — Um Rei não precisa de condolências. Aqueles sete anos foram o tempo que levei para entender que as paredes só existem para quem aceita ser prisioneiro. Meu pai achou que estava me protegendo ou me moldando. Ele apenas me deu fome. Uma fome que nenhum trono na Terra foi capaz de saciar.
Hades levantou-se de seu trono ornamentado e caminhou até a beirada da varanda divina, olhando diretamente para o Imperador da China.
— O isolamento de Helheim é vasto — disse Hades, sua voz profunda ressoando com autoridade. — Eu reino sobre os mortos e o silêncio. Mas até eu permito que as almas sob meu cuidado busquem o que lhes traz paz. O que seu antecessor fez não foi governar, foi tentar apagar uma chama.
Qin inclinou a cabeça, o sorriso diminuindo levemente para uma expressão de respeito mútuo.
— O Rei do Submundo tem um coração mole para a família? — provocou Qin. — Que fascinante.
— Eu valorizo a dignidade — corrigiu Hades. — E não há dignidade em privar um herdeiro da visão do próprio reino.
— Bem — disse Qin, caminhando em direção ao centro da arena, ignorando os olhares de pena de Nikola Tesla e as lágrimas mal disfarçadas de Okita Soji. — Aquele menino que queria cinco minutos de liberdade conseguiu muito mais do que isso. Ele conquistou tudo o que a vista alcançava. E agora... ele está aqui, prestes a tomar o assento do Rei do Submundo.
— Você é um homem ousado, Qin Shi Huang — disse Hades, saltando da varanda e pousando suavemente na areia da arena, empunhando seu bidente com uma elegância letal. — Mas não confunda minha compreensão com fraqueza. Eu lutarei contra você com tudo o que sou, em honra ao menino que sobreviveu àquela torre e ao homem que se tornou um Imperador.
Qin Shi Huang removeu a venda por um breve instante, revelando olhos que viram a dor e a maravilha do mundo em uma intensidade que ninguém mais poderia compreender.
— Venha então, Rei do Submundo — desafiou Qin, assumindo sua postura de combate. — Vamos ver se o seu trono é tão confortável quanto o meu. Pois, onde eu estiver, é onde a verdadeira liberdade reside.
A audiência, que momentos antes sentia pena, agora sentia um arrepio de antecipação. A melancolia da gravação foi substituída por uma eletricidade selvagem. Raiden Tameemon deu um soco na palma da mão, encorajado pela resiliência de Qin, enquanto Beelzebub, nas sombras, observava com um interesse clínico o desabrochar daquela força de vontade.
— Ele é incrível — murmurou Adão, o Pai da Humanidade, olhando para Qin com um orgulho silencioso. — Meus filhos realmente cresceram e se tornaram fortes.
A batalha estava prestes a recomeçar, mas algo havia mudado. Não era mais apenas uma luta pela sobrevivência da humanidade. Para Qin, era a prova final de que nenhum portão, seja de um palácio terrestre ou dos portões do próprio Valhalla, seria capaz de mantê-lo trancado novamente.
Ele era o Imperador. Ele era a luz que escapou da escuridão. E, naquele momento, todos — deuses e homens — sabiam que estavam diante de alguém que transformou o sofrimento em uma coroa inquebrável.
— Onde eu sento... — começou Qin, enquanto avançava contra Hades.
— É o seu trono — completou Hades, o bidente colidindo com a armadura de Qin em uma explosão de faíscas. — Eu já entendi, Imperador.
O riso de Qin foi a última coisa ouvida antes que o som do metal contra o poder divino dominasse a arena, celebrando a liberdade de um homem que se recusou a ser apenas uma lembrança em uma tela.
Qin estava sentado em seu divã improvisado na área dos humanos, as pernas cruzadas com a elegância de quem nasceu para governar. Seu sorriso confiante permanecia intacto, mas seus dedos apertavam levemente o tecido de sua túnica. Ao longe, no lado dos deuses, Hades observava a tela com uma expressão de seriedade profunda, seus olhos carmesim analisando cada detalhe da vida de seu oponente.
A imagem na tela mostrava um jovem Qin, por volta dos dez anos de idade. Ele estava parado diante de um imenso portão de ferro e bronze no Palácio Imperial. Suas mãos pequenas tocavam o metal frio.
— Pai, por favor — a voz da criança na gravação era carregada de uma esperança que partia o coração. — Apenas cinco minutos. Eu só quero ver como é a cor do céu além da muralha. Dizem que o mercado é barulhento e cheio de cores.
A resposta veio de uma voz fria e invisível, vinda das sombras do corredor.
— Um imperador não se mistura com a poeira do mundo até que esteja pronto para esmagá-la. Você ficará aqui. O palácio é o seu mundo.
A cena saltou no tempo. Onze anos. Doze anos. Quinze anos. Em cada fragmento, Qin era visto pedindo, implorando ou simplesmente olhando através das frestas das janelas altas. Ele crescia em estatura, mas o isolamento permanecia absoluto. Ele estudava, treinava e sentia, através de sua sinestesia, a dor distante dos servos que apanhavam nos pátios, mas nunca podia tocá-los.
— Ele nunca saiu? — A voz de Sasaki Kojiro quebrou o silêncio na arquibancada humana. O espadachim parecia genuinamente abalado. — Sete anos... trancado em uma gaiola de ouro?
— Que tipo de rei faz isso com o próprio sangue? — rosnou Leônidas, cruzando os braços com indignação. — Um homem precisa do sol e do vento para forjar seu espírito.
Até mesmo Jack, o Estripador, que raramente demonstrava empatia genuína, inclinou a cabeça, observando a "cor" das emoções que emanavam da tela.
— Uma infância monocromática — murmurou Jack. — Que desperdício de luz.
Na tela, a atmosfera mudou. O funeral do Imperador anterior foi rápido, cercado de incenso e rituais vazios. Qin, agora com dezessete anos, vestia o luto com uma postura que já começava a exalar a arrogância real que o caracterizaria. Assim que o último rito terminou e as cinzas foram depositadas, ele não voltou para os seus aposentos.
Ele caminhou até o portão. Sem pedir permissão, sem olhar para trás.
Quando as pesadas portas se abriram, a luz do sol inundou a tela, cegando a audiência por um segundo. O que se seguiu foi uma sequência que fez muitos deuses desviarem o olhar, sentindo um nó na garganta.
Qin Shi Huang, o homem que desafiaria divindades, agia como uma criança de cinco anos. Ele parou diante de uma barraca de rua e tocou um tecido de seda barata com o mesmo assombro que alguém tocaria um tesouro divino. Ele comprou livros aleatórios, cheirando as páginas de papel comum. Ele comprou doces de vendedores ambulantes e riu ao sentir o açúcar explodir em sua língua, algo que os banquetes imperiais nunca haviam replicado.
— Olhe para isso! — disse o Qin da tela, apontando para um simples pássaro que bebia água em uma poça. — Ele é tão livre... e as cores dele mudam conforme ele se mexe!
O jovem Qin passou o dia inteiro andando. Ele comprou roupas de camponês apenas para sentir a textura diferente em sua pele. Ele sentou-se no chão de uma praça, observando o movimento, com um sorriso que não era de um imperador superior, mas de um ser humano que finalmente havia começado a viver.
Na área VIP dos deuses, Hades fechou os olhos por um momento. O Rei do Submundo, que sempre valorizou a família e o dever acima de tudo, sentiu uma pontada de algo que beirava a tristeza.
— Então essa é a origem do seu "caminho" — murmurou Hades, alto o suficiente para que apenas os deuses próximos ouvissem. — Você não se senta onde quer por arrogância pura, Qin Shi Huang. Você se senta onde quer porque passou metade da vida sendo dito que não podia sequer pisar fora de um quarto.
— Ele é irritante — comentou Zeus, embora seu tom estivesse desprovido da habitual zombaria. — Mas crescer assim... é uma tortura que poucos suportariam sem enlouquecer.
— Ele não enlouqueceu — interveio Buda, mastigando um doce com uma expressão pensativa. — Ele apenas decidiu que o mundo inteiro seria o seu palácio, já que o palácio original era sua prisão.
Qin, no entanto, não parecia querer a piedade de ninguém. Ele se levantou, ajeitando a venda sobre os olhos, e soltou uma gargalhada vibrante que ecoou por toda a arena.
— Hahaha! Que memórias nostálgicas! — exclamou Qin, apontando para a tela. — Eu me lembro daquele dia. O pão que comprei na esquina tinha mais sabor do que dez anos de jantares reais.
— Qin... — Brunhilde, que estava por perto, tentou dizer algo, mas ele a interrompeu com um gesto de mão.
— Não me olhe assim, Valquíria — disse ele, o sorriso se tornando mais afiado, quase predatório. — Um Rei não precisa de condolências. Aqueles sete anos foram o tempo que levei para entender que as paredes só existem para quem aceita ser prisioneiro. Meu pai achou que estava me protegendo ou me moldando. Ele apenas me deu fome. Uma fome que nenhum trono na Terra foi capaz de saciar.
Hades levantou-se de seu trono ornamentado e caminhou até a beirada da varanda divina, olhando diretamente para o Imperador da China.
— O isolamento de Helheim é vasto — disse Hades, sua voz profunda ressoando com autoridade. — Eu reino sobre os mortos e o silêncio. Mas até eu permito que as almas sob meu cuidado busquem o que lhes traz paz. O que seu antecessor fez não foi governar, foi tentar apagar uma chama.
Qin inclinou a cabeça, o sorriso diminuindo levemente para uma expressão de respeito mútuo.
— O Rei do Submundo tem um coração mole para a família? — provocou Qin. — Que fascinante.
— Eu valorizo a dignidade — corrigiu Hades. — E não há dignidade em privar um herdeiro da visão do próprio reino.
— Bem — disse Qin, caminhando em direção ao centro da arena, ignorando os olhares de pena de Nikola Tesla e as lágrimas mal disfarçadas de Okita Soji. — Aquele menino que queria cinco minutos de liberdade conseguiu muito mais do que isso. Ele conquistou tudo o que a vista alcançava. E agora... ele está aqui, prestes a tomar o assento do Rei do Submundo.
— Você é um homem ousado, Qin Shi Huang — disse Hades, saltando da varanda e pousando suavemente na areia da arena, empunhando seu bidente com uma elegância letal. — Mas não confunda minha compreensão com fraqueza. Eu lutarei contra você com tudo o que sou, em honra ao menino que sobreviveu àquela torre e ao homem que se tornou um Imperador.
Qin Shi Huang removeu a venda por um breve instante, revelando olhos que viram a dor e a maravilha do mundo em uma intensidade que ninguém mais poderia compreender.
— Venha então, Rei do Submundo — desafiou Qin, assumindo sua postura de combate. — Vamos ver se o seu trono é tão confortável quanto o meu. Pois, onde eu estiver, é onde a verdadeira liberdade reside.
A audiência, que momentos antes sentia pena, agora sentia um arrepio de antecipação. A melancolia da gravação foi substituída por uma eletricidade selvagem. Raiden Tameemon deu um soco na palma da mão, encorajado pela resiliência de Qin, enquanto Beelzebub, nas sombras, observava com um interesse clínico o desabrochar daquela força de vontade.
— Ele é incrível — murmurou Adão, o Pai da Humanidade, olhando para Qin com um orgulho silencioso. — Meus filhos realmente cresceram e se tornaram fortes.
A batalha estava prestes a recomeçar, mas algo havia mudado. Não era mais apenas uma luta pela sobrevivência da humanidade. Para Qin, era a prova final de que nenhum portão, seja de um palácio terrestre ou dos portões do próprio Valhalla, seria capaz de mantê-lo trancado novamente.
Ele era o Imperador. Ele era a luz que escapou da escuridão. E, naquele momento, todos — deuses e homens — sabiam que estavam diante de alguém que transformou o sofrimento em uma coroa inquebrável.
— Onde eu sento... — começou Qin, enquanto avançava contra Hades.
— É o seu trono — completou Hades, o bidente colidindo com a armadura de Qin em uma explosão de faíscas. — Eu já entendi, Imperador.
O riso de Qin foi a última coisa ouvida antes que o som do metal contra o poder divino dominasse a arena, celebrando a liberdade de um homem que se recusou a ser apenas uma lembrança em uma tela.
