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My dream boyfriend

Fandom: Stray Kids

Criado: 21/06/2026

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Lentes, Esboços e o Futuro em Foco

O som suave do grafite deslizando contra o papel era o único ruído que preenchia a sala de estar da casa de Hyunjin naquela tarde de sábado. A luz do sol, em seu tom alaranjado de fim de tarde, atravessava as cortinas de linho e banhava o chão de madeira, criando uma atmosfera que parecia saída de um filme de romance independente.

Sentada no tapete, com as costas apoiadas no sofá, Rayssa estava completamente imersa em seu mundo. Seus dedos moviam-se com uma precisão que só quem ama o que faz possui. Ela estava desenhando o esboço de um casaco de veludo, parte da coleção que ela visualizava em sua mente toda vez que fechava os olhos.

A poucos metros dali, Hwang Hyunjin a observava. Ele não estava apenas olhando; ele estava estudando a cena. Para ele, Rayssa em seu estado criativo era a definição mais pura de arte. Ele pegou sua câmera, uma DSLR que raramente saía de seu lado, e ajustou o foco. O clique quase imperceptível da obturadora capturou o momento exato em que ela mordeu o lábio inferior, concentrada em um detalhe da gola.

— Você não cansa de me fotografar desprevenida? — Rayssa perguntou, sem tirar os olhos do papel, mas com um sorriso brincando nos lábios.

Hyunjin baixou a câmera por um segundo, o visor exibindo a imagem granulada e quente dela.

— É impossível cansar quando o modelo colabora tanto, mesmo sem saber — ele respondeu com aquela voz calma que sempre trazia uma sensação de segurança para ela. — Além disso, você fica bonita em qualquer situação. Até quando está brigando com esse lápis.

Rayssa finalmente levantou o olhar, as bochechas ganhando um tom leve de rosa que rivalizava com o pôr do sol lá fora.

— Eu não estou brigando com ele, só estamos tendo um desentendimento criativo — ela brincou, fechando o caderno de desenhos e esticando as pernas. — Vem aqui. Deixa eu ver como ficou.

Hyunjin se aproximou com passos silenciosos e discretos, sentando-se ao lado dela no tapete. Ele não apenas entregou a câmera; ele se inclinou, passando um braço ao redor dos ombros dela, trazendo-a para perto. O cheiro dele — uma mistura de perfume cítrico suave e amaciante de roupas limpas — a envolveu instantaneamente. Era um contato natural, uma necessidade física de estar perto que ambos compartilhavam.

— Olha essa — ele disse, passando as fotos no visor. — A luz pegou exatamente no ângulo do seu rosto enquanto você olhava para o céu pela janela agora há pouco.

Rayssa olhou para a foto. Ela parecia tão... ela mesma. Não havia poses forçadas, não havia a pressão de parecer perfeita para as redes sociais. Hyunjin tinha o dom de capturar a alma das pessoas através da lente, especialmente a dela.

— Ficou incrível, Jin — ela sussurrou, encostando a cabeça no ombro dele. — Às vezes eu acho que você me vê de um jeito que eu mesma não consigo ver.

— Eu vejo o que está aí — ele retrucou, deixando um beijo rápido e carinhoso no topo da cabeça dela. — Você é a minha maior inspiração. Sabe que quando sua marca de moda finalmente ganhar o mundo, eu não vou aceitar que ninguém mais faça os seus editoriais, certo?

Rayssa riu, o som vibrando contra o peito dele.

— E você acha que eu deixaria? — Ela se virou para encará-lo, os olhos brilhando com a promessa do futuro. — Quando minha marca existir, você vai fotografar tudo. Desde os bastidores até a capa da Vogue.

— Quando eu for fotógrafo profissional — ele continuou o mantra que eles repetiam como uma promessa silenciosa —, você vai ser minha cliente favorita. A única que tem passe livre no meu estúdio a qualquer hora.

Eles ficaram em silêncio por um momento, apenas aproveitando a presença um do outro. Era essa a beleza do relacionamento deles: a falta de necessidade de preencher cada segundo com palavras vazias. Eles se entendiam no silêncio, na frequência compartilhada de dois jovens que, apesar de terem apenas 18 e 19 anos, possuíam uma maturidade que muitos adultos levavam décadas para alcançar.

A porta da sala se abriu e a mãe de Hyunjin entrou carregando uma bandeja com suco e alguns biscoitos. Hyunjin imediatamente se levantou para ajudá-la, pegando a bandeja antes que ela precisasse se abaixar até a mesa de centro.

— Obrigado, mãe. Não precisava se incomodar — ele disse com um sorriso gentil, demonstrando aquela educação inerente que Rayssa tanto admirava.

— Imagina, querido. Eu sei que vocês dois ficam tão perdidos nesses desenhos e fotos que esquecem de comer — a mulher comentou, lançando um olhar carinhoso para o casal antes de sair da sala.

Rayssa observou a interação, sentindo o coração aquecido. A forma como Hyunjin tratava a família, com respeito e atenção aos detalhes, era uma das coisas que a faziam ter certeza de que ele era alguém especial. Ele não era apenas o namorado que a apoiava; ele era um homem de caráter, alguém que se importava com o mundo ao seu redor.

— No que você está pensando? — Hyunjin perguntou, voltando para o lado dela e oferecendo-lhe um copo de suco.

— Em como a gente teve sorte — ela respondeu honestamente. — Lembra do baile do oitavo ano? Quando você me chamou para ir com você?

Hyunjin deu uma risada baixa, lembrando-se da timidez daquela época.

— Eu estava apavorado. A Rayssa era — e ainda é — a garota mais talentosa da escola. Eu achei que você fosse dizer não.

— Eu estava apaixonada por você desde o primeiro dia que te vi no corredor — ela confessou, algo que eles já tinham discutido mil vezes, mas que nunca perdia a graça. — Foi amor à primeira vista. Eu só não sabia que a gente ia acabar se tornando a base um do outro desse jeito.

— Às vezes as coisas simplesmente se encaixam — ele disse, pegando a mão dela e entrelaçando seus dedos. — Como os seus desenhos e as minhas fotos. Como a sua energia e a minha.

O momento foi interrompido pelo celular de Hyunjin vibrando sobre a mesa. Era uma notificação de um grupo de amigos, mas ele mal olhou. Ele era "low profile" por natureza; não sentia a necessidade de estar conectado o tempo todo ou de postar cada passo que dava. Sua vida acontecia ali, no mundo real, ao lado das pessoas que ele amava.

No entanto, o clima mudou levemente quando ele viu um comentário em uma foto antiga de Rayssa no Instagram. Alguém da faculdade de artes tinha deixado um elogio um tanto quanto... entusiasmado demais. Rayssa percebeu o olhar dele mudar. Não foi uma explosão, nem uma cena de controle. Foi apenas aquele olhar silencioso, as sobrancelhas levemente franzidas, um sinal discreto de que ele tinha notado.

— O que foi? — ela perguntou, embora já soubesse a resposta.

— Nada — ele disse, guardando o celular. — Só... tem muita gente que percebe o quanto você é incrível. Às vezes eu só queria que fosse um segredo nosso.

Rayssa sorriu, achando adorável aquele ciúme leve que ele raramente demonstrava. Ela se inclinou e selou seus lábios nos dele em um beijo calmo e demorado.

— Pode ter o mundo inteiro olhando — ela sussurrou contra os lábios dele —, mas eu só olho para você. E só deixo você tirar as fotos que realmente importam.

Hyunjin relaxou instantaneamente, o braço voltando a envolver a cintura dela, puxando-a para mais perto.

— Eu sei. Desculpa. É que eu cuido do que é precioso para mim.

— Eu sei que cuida.

Eles voltaram para a posição anterior, mas desta vez Hyunjin pegou o caderno de desenhos dela.

— Me explica essa coleção de novo? — ele pediu, genuinamente interessado. — Você falou sobre a identidade visual ser algo mais etéreo, mas com cortes modernos. Eu estava pensando que, para o ensaio, poderíamos usar aquele prédio abandonado perto do porto. O contraste entre a delicadeza dos seus tecidos e o concreto bruto ia ficar fenomenal.

Os olhos de Rayssa brilharam. Era ali que a mágica acontecia.

— Sim! Exatamente isso! — Ela começou a folhear o caderno, mostrando as referências de cores. — Eu quero que as pessoas sintam uma dualidade. Como se a roupa fosse uma armadura, mas também uma pele sensível.

— E eu posso usar uma iluminação mais dramática, com sombras bem marcadas — Hyunjin continuou, o fotógrafo dentro dele já visualizando cada frame. — A gente podia fazer o editorial ao amanhecer. A luz azulada ia combinar com esse tom de cinza que você escolheu.

Eles passaram a hora seguinte planejando um futuro que ainda estava a alguns anos de distância, mas que parecia palpável ali, naquela sala. Para quem olhasse de fora, poderiam parecer apenas dois jovens sonhadores. Mas para eles, era um plano de negócios, uma promessa de vida e uma prova de que suas almas estavam, de fato, caminhando na mesma direção.

— Sabe o que as pessoas dizem? — Rayssa perguntou, enquanto guardava seus lápis no estojo.

— O quê?

— Que a gente parece almas gêmeas.

Hyunjin guardou a câmera na mochila com cuidado e voltou sua atenção total para ela. Ele pegou o rosto de Rayssa entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas com uma ternura que sempre a desarmava.

— Eu não acredito muito em termos prontos — ele disse seriamente —, mas acredito em parceria. Acredito que a gente se encontrou no meio do caminho porque nossos destinos já estavam traçados para se cruzar. Se isso é ser alma gêmea, então eles estão certos.

Rayssa sorriu, sentindo aquela paz familiar inundar seu peito. Com Hyunjin, ela não precisava fingir maturidade, nem precisava forçar conversas para preencher o vazio. Tudo era fluido, como a luz que ele capturava em suas lentes e como os traços que ela desenhava em seu papel.

— Vamos dar uma volta? — ele sugeriu. — O céu está ficando roxo. Quero tirar uma foto sua com esse fundo.

— Só se você prometer que depois vamos parar para comer aquele hambúrguer que eu gosto — ela negociou, levantando-se e estendendo a mão para ele.

Hyunjin riu, levantando-se com sua elegância natural.

— Fechado. Mas eu escolho o ângulo da foto.

— Você sempre escolhe — ela disse, entrelaçando seu braço ao dele enquanto caminhavam em direção à porta.

Enquanto saíam para a noite que caía, o mundo parecia vasto e cheio de possibilidades. Mas, para Rayssa e Hyunjin, o futuro não era assustador. Afinal, eles o estavam construindo juntos, um clique e um esboço de cada vez.
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