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Eu te vejo
Fandom: Euphoria
Criado: 21/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaNoirCrimeUso de DrogasEstudo de PersonagemAbuso de Álcool
Fumaça, Néon e Redenção
O peso do mundo parecia ter se concentrado inteiramente sobre os ombros de Rue Bennett naquela última semana. As ruas de Las Vegas — ou o que quer que aquela metrópole decadente tivesse se tornado sob o domínio das gangues — estavam fervendo. Houve carregamentos interceptados, policiais que decidiram que o suborno anterior não era mais suficiente e uma tensão crescente com os cartéis do sul que ameaçava transformar seus cassinos em campos de batalha. Rue sentia cada centímetro de sua pele formigar com aquela exaustão ácida, o tipo de cansaço que nem mesmo o sono mais profundo parecia capaz de curar.
Ela cruzou o salão principal do MystiqueNights sem olhar para os lados. O som das batidas de música eletrônica abafadas pelas paredes acústicas vibrava em seu peito, um lembrete constante de que ela era a dona de cada centímetro daquele império de luxo e pecado. Ao passar pelas outras strippers no corredor dos camarins, Rue notou os olhares de soslaio, a mistura de medo e inveja que a seguia como uma sombra. Mas ela não parou. Seu destino era o andar superior, a suíte privativa onde o caos do mundo exterior não ousava entrar.
Quando Rue abriu a porta, o aroma de baunilha a atingiu instantaneamente, agindo como um sedativo suave. Ela observou Candace pelo espelho, a visão daquela mulher impecável servindo como o único ponto de equilíbrio em sua vida desordenada. Rue se jogou no sofá de couro macio, sentindo o corpo afundar enquanto o silêncio da sala começava a expulsar o ruído das ruas de sua mente.
— Rue? — O sussurro de Candy, carregado de uma doçura que Rue sentia que não merecia, flutuou pelo ar junto com a fumaça do cigarro.
Rue soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento antes de focar na figura sentada em seu colo. O calor do corpo de Candy era a única coisa real em um mundo de fachadas e traições.
— Tem sido um inferno lá fora, Candy — disse Rue, a voz rouca e arrastada, típica de quem não dormia há dias. — Pessoas sendo gananciosas, gente morrendo por nada... Às vezes eu esqueço como é respirar sem sentir o gosto de pólvora ou de dinheiro sujo.
Candy inclinou a cabeça, os olhos de sereia brilhando com uma preocupação genuína que fazia o coração de Rue apertar. A stripper levou a mão ao rosto de Rue, acariciando a linha da mandíbula com os dedos longos e delicados.
— Você carrega o peso de todos eles, querida — Candy murmurou, aproximando o rosto. — Mas aqui dentro, você não precisa ser a chefe. Aqui, você é apenas a minha Rue.
Rue deu uma tragada no cigarro que Candy segurava para ela, sentindo a nicotina queimar a garganta antes de soltar a fumaça lentamente. Ela observou as unhas compridas de Candy e a forma como a luz do luar, filtrada pelas janelas panorâmicas, realçava os traços delicados de sua herança mista.
— Eu senti sua falta — admitiu Rue, a vulnerabilidade escapando por entre as frestas de sua armadura. — Senti falta de como tudo aqui parece... calmo. Mesmo que o resto da cidade esteja pegando fogo.
Candy sorriu, um gesto pequeno e vitorioso. Ela adorava saber que era o porto seguro da pessoa mais poderosa da cidade. Para Candy, Rue não era apenas a líder que a resgatou de um destino miserável; ela era sua salvadora, seu ídolo, sua única conexão real com algo que se assemelhava ao amor.
— Eu não deixaria o fogo chegar perto de você — disse Candy, mudando levemente de posição no colo de Rue, o que fez a renda de sua lingerie roçar na calça escura da líder. — *Wang bā dàn*... aqueles homens lá fora não sabem o que têm. Eles não te merecem.
Rue soltou uma risada curta e seca, a primeira em dias.
— Eles não me merecem, ou eu sou o monstro que os mantém na linha? — Rue olhou fixamente para Candy. — Às vezes eu me pergunto se você me vê de verdade, ou se vê apenas a proteção que eu te dou.
Candy franziu a testa, uma sombra de irritação cruzando seu rosto perfeito. Ela odiava quando Rue duvidava de sua lealdade ou de seus sentimentos. Para ela, o mundo era simples: havia a dor do passado e o conforto do presente ao lado de Rue.
— Não diga bobagens — Candy retrucou, o tom subindo ligeiramente. — Eu vi você quando ninguém mais estava olhando. Eu vi como você lida com as coisas, como você se importa, mesmo quando tenta fingir que não. Eu não estou aqui pelos privilégios, Rue. Eu estou aqui por você. Se você perdesse tudo amanhã e tivéssemos que morar em um beco, eu ainda estaria acendendo seu cigarro.
A intensidade nas palavras de Candy fez Rue recuar mentalmente. A sinceridade daquela mulher era quase esmagadora. Rue estendeu a mão e puxou Candy para mais perto, escondendo o rosto no pescoço dela, inspirando profundamente o perfume de baunilha.
— Desculpe — sussurrou Rue contra a pele quente. — A paranoia faz parte do cargo, eu acho. É difícil confiar quando todo mundo quer um pedaço de você.
— Eu não quero um pedaço — Candy disse, suavizando o tom novamente e passando os dedos pelos cachos bagunçados de Rue. — Eu quero você inteira. Quero que você relaxe. Quero que você esqueça que existe uma cidade lá fora esperando para ser governada.
Candy se afastou apenas o suficiente para olhar Rue nos olhos. Ela levou o cigarro aos lábios de novo, deu uma tragada profunda e, em seguida, pressionou seus lábios carnudos contra os de Rue, passando a fumaça diretamente para a boca dela em um beijo lento e carregado de segundas intenções. O gosto era de tabaco e batom de cereja, uma mistura inebriante que fez a cabeça de Rue girar.
— O que você quer fazer, amor? — Candy perguntou, a voz agora reduzida a um sussurro sedutor. — Eu posso dançar para você. Posso cantar aquela música que você gosta. Ou podemos apenas ficar aqui, e eu posso cuidar de você do jeito que você gosta.
Rue sentiu a tensão em seus músculos começar a se dissipar, substituída por um desejo latente. Ela olhou para a vista da cidade através do vidro — as luzes brilhantes escondendo a podridão por baixo — e depois voltou a olhar para Candy. Ali, naquela suíte, a única lei que importava era a vontade delas.
— Apenas... não me deixe ir hoje à noite — pediu Rue, a voz quase sumindo. — Fique comigo. Me faça esquecer quem eu sou.
Candy sorriu, um brilho de adoração e posse em seus olhos castanhos.
— Eu nunca deixaria você ir, querida. Você é minha, lembra? — Ela começou a desabotoar lentamente a camisa de Rue, cada movimento calculado para prolongar a antecipação. — E eu vou garantir que, quando você sair por aquela porta amanhã, se sinta como a rainha que realmente é.
— Você me mima demais, Candy — Rue murmurou, embora não fizesse menção de impedi-la.
— É o meu trabalho favorito — Candy respondeu, mordendo o lábio inferior antes de depositar um beijo casto na clavícula de Rue. — Agora, feche os olhos. Deixe que eu cuido de tudo.
Rue obedeceu. Pela primeira vez em sete dias, o barulho dos tiros, os gritos de traição e o peso das decisões de vida ou morte desapareceram. Naquele pequeno santuário de veludo e fumaça, Rue Bennett não era a líder de gangue temida por todos; ela era apenas alguém sendo amada, protegida pelo abraço de uma mulher que via nela algo que nem ela mesma conseguia mais enxergar.
Lá fora, a cidade continuava seu ciclo de caos. Mas dentro daquela sala, o tempo havia parado, e a única coisa que importava era o toque suave de Candace e a promessa de uma noite onde o carma, pelo menos por algumas horas, decidiria ser gentil.
Ela cruzou o salão principal do MystiqueNights sem olhar para os lados. O som das batidas de música eletrônica abafadas pelas paredes acústicas vibrava em seu peito, um lembrete constante de que ela era a dona de cada centímetro daquele império de luxo e pecado. Ao passar pelas outras strippers no corredor dos camarins, Rue notou os olhares de soslaio, a mistura de medo e inveja que a seguia como uma sombra. Mas ela não parou. Seu destino era o andar superior, a suíte privativa onde o caos do mundo exterior não ousava entrar.
Quando Rue abriu a porta, o aroma de baunilha a atingiu instantaneamente, agindo como um sedativo suave. Ela observou Candace pelo espelho, a visão daquela mulher impecável servindo como o único ponto de equilíbrio em sua vida desordenada. Rue se jogou no sofá de couro macio, sentindo o corpo afundar enquanto o silêncio da sala começava a expulsar o ruído das ruas de sua mente.
— Rue? — O sussurro de Candy, carregado de uma doçura que Rue sentia que não merecia, flutuou pelo ar junto com a fumaça do cigarro.
Rue soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento antes de focar na figura sentada em seu colo. O calor do corpo de Candy era a única coisa real em um mundo de fachadas e traições.
— Tem sido um inferno lá fora, Candy — disse Rue, a voz rouca e arrastada, típica de quem não dormia há dias. — Pessoas sendo gananciosas, gente morrendo por nada... Às vezes eu esqueço como é respirar sem sentir o gosto de pólvora ou de dinheiro sujo.
Candy inclinou a cabeça, os olhos de sereia brilhando com uma preocupação genuína que fazia o coração de Rue apertar. A stripper levou a mão ao rosto de Rue, acariciando a linha da mandíbula com os dedos longos e delicados.
— Você carrega o peso de todos eles, querida — Candy murmurou, aproximando o rosto. — Mas aqui dentro, você não precisa ser a chefe. Aqui, você é apenas a minha Rue.
Rue deu uma tragada no cigarro que Candy segurava para ela, sentindo a nicotina queimar a garganta antes de soltar a fumaça lentamente. Ela observou as unhas compridas de Candy e a forma como a luz do luar, filtrada pelas janelas panorâmicas, realçava os traços delicados de sua herança mista.
— Eu senti sua falta — admitiu Rue, a vulnerabilidade escapando por entre as frestas de sua armadura. — Senti falta de como tudo aqui parece... calmo. Mesmo que o resto da cidade esteja pegando fogo.
Candy sorriu, um gesto pequeno e vitorioso. Ela adorava saber que era o porto seguro da pessoa mais poderosa da cidade. Para Candy, Rue não era apenas a líder que a resgatou de um destino miserável; ela era sua salvadora, seu ídolo, sua única conexão real com algo que se assemelhava ao amor.
— Eu não deixaria o fogo chegar perto de você — disse Candy, mudando levemente de posição no colo de Rue, o que fez a renda de sua lingerie roçar na calça escura da líder. — *Wang bā dàn*... aqueles homens lá fora não sabem o que têm. Eles não te merecem.
Rue soltou uma risada curta e seca, a primeira em dias.
— Eles não me merecem, ou eu sou o monstro que os mantém na linha? — Rue olhou fixamente para Candy. — Às vezes eu me pergunto se você me vê de verdade, ou se vê apenas a proteção que eu te dou.
Candy franziu a testa, uma sombra de irritação cruzando seu rosto perfeito. Ela odiava quando Rue duvidava de sua lealdade ou de seus sentimentos. Para ela, o mundo era simples: havia a dor do passado e o conforto do presente ao lado de Rue.
— Não diga bobagens — Candy retrucou, o tom subindo ligeiramente. — Eu vi você quando ninguém mais estava olhando. Eu vi como você lida com as coisas, como você se importa, mesmo quando tenta fingir que não. Eu não estou aqui pelos privilégios, Rue. Eu estou aqui por você. Se você perdesse tudo amanhã e tivéssemos que morar em um beco, eu ainda estaria acendendo seu cigarro.
A intensidade nas palavras de Candy fez Rue recuar mentalmente. A sinceridade daquela mulher era quase esmagadora. Rue estendeu a mão e puxou Candy para mais perto, escondendo o rosto no pescoço dela, inspirando profundamente o perfume de baunilha.
— Desculpe — sussurrou Rue contra a pele quente. — A paranoia faz parte do cargo, eu acho. É difícil confiar quando todo mundo quer um pedaço de você.
— Eu não quero um pedaço — Candy disse, suavizando o tom novamente e passando os dedos pelos cachos bagunçados de Rue. — Eu quero você inteira. Quero que você relaxe. Quero que você esqueça que existe uma cidade lá fora esperando para ser governada.
Candy se afastou apenas o suficiente para olhar Rue nos olhos. Ela levou o cigarro aos lábios de novo, deu uma tragada profunda e, em seguida, pressionou seus lábios carnudos contra os de Rue, passando a fumaça diretamente para a boca dela em um beijo lento e carregado de segundas intenções. O gosto era de tabaco e batom de cereja, uma mistura inebriante que fez a cabeça de Rue girar.
— O que você quer fazer, amor? — Candy perguntou, a voz agora reduzida a um sussurro sedutor. — Eu posso dançar para você. Posso cantar aquela música que você gosta. Ou podemos apenas ficar aqui, e eu posso cuidar de você do jeito que você gosta.
Rue sentiu a tensão em seus músculos começar a se dissipar, substituída por um desejo latente. Ela olhou para a vista da cidade através do vidro — as luzes brilhantes escondendo a podridão por baixo — e depois voltou a olhar para Candy. Ali, naquela suíte, a única lei que importava era a vontade delas.
— Apenas... não me deixe ir hoje à noite — pediu Rue, a voz quase sumindo. — Fique comigo. Me faça esquecer quem eu sou.
Candy sorriu, um brilho de adoração e posse em seus olhos castanhos.
— Eu nunca deixaria você ir, querida. Você é minha, lembra? — Ela começou a desabotoar lentamente a camisa de Rue, cada movimento calculado para prolongar a antecipação. — E eu vou garantir que, quando você sair por aquela porta amanhã, se sinta como a rainha que realmente é.
— Você me mima demais, Candy — Rue murmurou, embora não fizesse menção de impedi-la.
— É o meu trabalho favorito — Candy respondeu, mordendo o lábio inferior antes de depositar um beijo casto na clavícula de Rue. — Agora, feche os olhos. Deixe que eu cuido de tudo.
Rue obedeceu. Pela primeira vez em sete dias, o barulho dos tiros, os gritos de traição e o peso das decisões de vida ou morte desapareceram. Naquele pequeno santuário de veludo e fumaça, Rue Bennett não era a líder de gangue temida por todos; ela era apenas alguém sendo amada, protegida pelo abraço de uma mulher que via nela algo que nem ela mesma conseguia mais enxergar.
Lá fora, a cidade continuava seu ciclo de caos. Mas dentro daquela sala, o tempo havia parado, e a única coisa que importava era o toque suave de Candace e a promessa de uma noite onde o carma, pelo menos por algumas horas, decidiria ser gentil.
