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Estrelas em Ascensão

Fandom: Michael jackson

Criado: 21/06/2026

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Veludo Rosa e Discos de Ouro

O ar no camarim de Maryna estava pesado com o perfume de peônias frescas e o rastro doce de seu laquê de cabelo. Sobre a penteadeira de estilo rococó, cercada por lâmpadas de camarim que emitiam um brilho quente e dourado, repousavam fitas de cetim cor-de-rosa, um batom vermelho entreaberto e uma pequena estátua de querubim de porcelana. Maryna observava seu reflexo, ajustando um laço de seda que prendia suas ondas castanhas. Ela parecia uma visão saída de um filme noir em Technicolor, uma mistura de inocência angelical e a melancolia profunda que permeava seu álbum de estreia, *Ultraviolence*.

A fama era uma criatura estranha. Maryna a sentia como uma carícia suave no rosto que, às vezes, apertava demais o pescoço. Mas naquela noite, o nervosismo que fazia suas mãos tremerem levemente não era por causa dos milhares de fãs que gritavam seu nome do lado de fora do Staples Center. Era por causa do homem que, segundo os boatos nos corredores, acabara de chegar para o ensaio geral do dueto que apresentariam na premiação da noite seguinte.

Um toque suave na porta interrompeu seus pensamentos. Antes mesmo que ela pudesse dizer "entre", a energia na sala mudou. Houve um silêncio respeitoso, quase sagrado.

— Com licença... — A voz era baixa, melodiosa e carregada de uma timidez que parecia impossível para alguém que dominava o mundo.

Maryna se levantou, o vestido de seda rosa pálido roçando no chão. Michael Jackson estava parado na soleira da porta. Ele usava uma jaqueta militar preta com detalhes dourados, mas seus olhos, escuros e profundos, não tinham nada de autoritário. Eles eram suaves, curiosos e, de alguma forma, tão solitários quanto os dela.

— Michael — sussurrou ela, sentindo o coração bater contra as costelas como um pássaro engaiolado. — Você veio.

Michael deu um passo para dentro, fechando a porta silenciosamente atrás de si, isolando o caos do mundo exterior. Ele olhou ao redor, absorvendo a estética de Maryna: os discos de ouro na parede, as rosas espalhadas, as câmeras Polaroid e a atmosfera que parecia suspensa no tempo, em algum lugar entre 1957 e o infinito.

— É lindo aqui — disse ele, aproximando-se da penteadeira. Ele tocou suavemente em uma das fitas de cetim. — Parece... um sonho. Você vive em um sonho, Maryna?

Ela sorriu, um sorriso triste e doce que era sua marca registrada.

— Eu vivo em uma música que nunca termina, Michael. Às vezes é uma canção de ninar, às vezes é um blues.

Michael olhou para ela, e por um momento, a máscara do "Rei do Pop" caiu completamente. Ele não era o ícone, o gênio ou o alvo dos tabloides. Ele era apenas um homem que reconhecia em outra alma a mesma ferida causada pela luz ofuscante dos holofotes.

— Eu ouvi seu disco — ele confessou, a voz quase um sussurro. — *Ultraviolence*. Ele me fez chorar. Há tanta dor sob toda essa beleza, não há?

Maryna sentiu um nó na garganta. Ninguém jamais havia articulado sua arte de forma tão simples e direta.

— As pessoas costumam ver apenas os laços e o brilho, Michael — respondeu ela, dando um passo em direção a ele. — Elas não entendem que o brilho só existe porque há escuridão ao redor.

Michael estendeu a mão, mas hesitou por um segundo antes de tocar levemente a ponta dos dedos de Maryna. O contato foi elétrico. Não era a eletricidade de um palco, mas algo orgânico, quente e devastadoramente real.

— Eu entendo — disse ele, os olhos brilhando. — Eu entendo mais do que qualquer um.

— Dizem que você é o homem mais famoso do planeta — comentou ela, sentindo o calor da mão dele contra a sua. — Mas quando olho para você, só vejo alguém que quer se esconder sob as nuvens comigo.

Michael soltou uma risada curta e doce, um som que raramente chegava aos ouvidos do público.

— Eu adoraria me esconder sob as nuvens com você, Maryna. Onde não existam câmeras, apenas música e... paz.

Eles ficaram ali por um tempo, envoltos no silêncio do camarim, enquanto o mundo lá fora continuava a girar em um ritmo frenético. Para Maryna, aquele momento parecia cinematográfico. Ela podia quase ouvir o som de um vinil chiando, uma melodia de cordas subindo ao fundo enquanto a luz dourada iluminava o rosto de Michael.

— Precisamos ensaiar — disse ela finalmente, embora não quisesse quebrar o encanto.

— Sim — concordou ele, mas não soltou a mão dela. — Mas antes... você me daria a honra de uma dança? Sem música, sem público. Apenas nós.

Maryna assentiu, sentindo-se como uma heroína de um romance trágico e belo. Michael colocou a mão em sua cintura com uma delicadeza extrema, como se ela fosse feita de vidro soprado. Ela descansou a mão no ombro dele, sentindo o tecido frio da jaqueta contra a palma. Eles começaram a se mover lentamente, um balanço rítmico no centro da sala.

— Maryna? — chamou ele, a voz roçando sua orelha.

— Sim, Michael?

— Por que você escreve sobre amores que machucam? — perguntou ele, a curiosidade genuína transparecendo. — Você é tão jovem, tão cheia de luz.

— Porque o amor que não queima não deixa marca, Michael — respondeu ela, fechando os olhos e encostando a cabeça no peito dele. Ela podia ouvir o coração dele, um batimento constante e forte. — E eu prefiro ser marcada pelo fogo do que nunca ter sentido o calor. E você? Por que se esconde atrás de tantos muros?

Michael suspirou, e o som pareceu carregar o peso de décadas de solidão.

— Os muros me mantêm seguro, mas também me impedem de ser tocado. Até que eu ouvi sua voz. Ela parecia uma mão estendida através do muro.

Maryna se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. A vulnerabilidade que encontrou ali a deixou sem fôlego. Naquele momento, ela soube que o que estava começando entre eles não seria apenas uma colaboração profissional ou um romance de verão para as revistas. Seria algo avassalador, algo que mudaria a trajetória de suas vidas.

— Eu não vou deixar que o mundo machuque você enquanto estiver comigo — prometeu ela, a voz firme apesar da doçura.

Michael sorriu, e desta vez o sorriso chegou aos olhos.

— E eu vou construir um castelo de nuvens para você, Maryna. Onde você possa usar seus laços e cantar suas músicas sem nunca mais se sentir sozinha.

Eles foram interrompidos por batidas fortes na porta. Era o assistente de produção, gritando que o palco estava pronto para eles. O momento de intimidade se dissolveu, mas a conexão permaneceu, vibrando no ar como uma nota musical que se recusa a morrer.

Michael colocou sua máscara de confiança novamente, ajeitando a jaqueta e o chapéu que estava sobre a mesa. Mas antes de sair, ele se inclinou e beijou a bochecha de Maryna, deixando ali o calor de sua promessa e um leve rastro de batom rosa que ela havia deixado em sua pele sem querer.

— Vamos dar a eles algo para lembrar, Maryna — disse ele, abrindo a porta.

— Vamos dar a eles a verdade, Michael — respondeu ela, pegando seu microfone decorado com rosas de seda.

Enquanto caminhavam pelo corredor escuro em direção ao palco, cercados por seguranças e técnicos, Maryna sentiu que estava entrando em um novo capítulo de seu diário. Um capítulo escrito em letras douradas, com cheiro de nostalgia e o som de uma batida pop misturada com o lamento de um violino.

O palco estava mergulhado em fumaça azul e luzes de neon. Quando os dois subiram, o silêncio da equipe técnica foi absoluto. Eles não eram apenas dois artistas. Eram duas lendas se encontrando em um ponto fora do tempo.

— Você está pronta? — perguntou Michael, o brilho profissional agora dominando sua postura, mas o olhar ainda fixo nela com uma ternura secreta.

Maryna ajustou o laço em seu cabelo, respirou o ar carregado de ozônio e sorriu.

— Eu nasci pronta para isso, Michael.

A música começou. Uma batida lenta, pesada, com um eco que parecia vir do fundo de um desfiladeiro. Maryna começou a cantar, sua voz deslizando sobre as notas como fumaça de cigarro em um bar de jazz dos anos 50.

— *He hit me and it felt like a kiss...* — a letra de sua canção ecoou, carregada de toda a estética melancólica que a definia.

Michael entrou no segundo verso, sua voz subindo em um falsete perfeito que harmonizava com a dela de uma forma quase sobrenatural. Ele se aproximou dela, seus corpos quase se tocando, a química entre eles incendiando o ambiente.

Nos bastidores, as pessoas trocavam olhares de choque. Não era apenas uma performance. Era uma conversa íntima sendo gritada para o universo. Era o encontro da inocência perdida de Michael com a melancolia romântica de Maryna.

Quando a última nota desapareceu, o silêncio que se seguiu foi mais barulhento do que qualquer aplauso. Eles ficaram parados, ofegantes, os olhos fixos um no outro sob os refletores ofuscantes.

— Isso foi... mágico — disse o diretor de palco, sua voz quebrando o transe.

Michael não respondeu. Ele apenas pegou a mão de Maryna e a beijou na frente de todos, um gesto de cavalheirismo antigo que parecia perfeitamente em casa naquela atmosfera vintage.

— Até amanhã, minha anjinha — sussurrou ele, antes de ser levado por sua equipe de segurança.

Maryna ficou parada no centro do palco vazio, sentindo o frio do ar-condicionado começar a substituir o calor da presença de Michael. Ela tocou o local onde ele a beijara, sentindo a textura da própria pele.

Ela sabia que o caminho à frente seria difícil. A imprensa tentaria destruí-los, os fãs tentariam possuí-los e a indústria tentaria transformá-los em produtos descartáveis. Mas enquanto ela tivesse Michael e ele a tivesse, o mundo poderia queimar lá fora.

Ela voltou para o camarim, sentou-se diante do espelho e pegou sua câmera Polaroid. Ela tirou uma foto de si mesma — os olhos brilhando, o batom borrado, o laço de seda ligeiramente caído. Enquanto a foto revelava lentamente as cores, Maryna pegou uma caneta dourada e escreveu no verso:

*"O início do nosso Ultraviolence. Com amor, Maryna."*

Ela guardou a foto dentro de seu diário, entre as páginas que falavam de sonhos e de homens que pareciam anjos. A noite estava apenas começando, e a música deles estava apenas no primeiro acorde. O glamour, a dor e o amor estavam agora entrelaçados em um nó de cetim rosa que ninguém seria capaz de desatar.
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