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Fandom: Dc

Criado: 22/06/2026

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O Eco do Silêncio e da Escuridão

As luzes estroboscópicas do laboratório clandestino da LexCorp ainda queimavam na retina de Damian Wayne, mas não tanto quanto o som do grito de Jon Kent queimava em sua alma. Damian, aos dezessete anos, já havia visto quase tudo o que o mundo das sombras tinha a oferecer. Ele fora treinado por assassinos, banhado em sangue e forjado na frieza do sarcasmo defensivo. Mas nada, absolutamente nada, o preparara para ver o garoto que ele amava — o indestrutível Superboy — dobrar-se ao meio sob o efeito de uma bomba de radiação de criptonita sintética de alta frequência.

O transporte para a Bat-caverna foi um borrão de adrenalina e pavor contido. Damian manteve o rosto gélido, seus olhos verdes intensos fixos no horizonte enquanto pilotava o Batmóvel em velocidade máxima, mas suas mãos apertavam o volante com tanta força que as luvas de kevlar rangiam. Ao seu lado, Jon estava pálido, um suor frio escorrendo pelo rosto, os olhos abertos e sem foco, as mãos tateando o ar em busca de algo que ele não conseguia mais encontrar.

Horas depois, na penumbra da ala médica da caverna, o veredito de Alfred Pennyworth caiu como uma guilhotina.

— A radiação afetou os canais sensoriais de forma severa, Mestre Damian — explicou Alfred, limpando as mãos em um pano branco enquanto observava o monitor cardíaco de Jon. — A audição dele deve retornar conforme as células solares lutarem contra os resíduos da criptonita, mas os nervos ópticos sofreram um trauma que... bem, temo que a visão possa não retornar. Ou, se retornar, levará muito tempo.

Damian sentiu um nó na garganta, mas apenas cruzou os braços, mantendo a postura rígida.

— Ele é um kryptoniano, Pennyworth. Ele se cura de tudo.

— Nem de tudo, rapaz — murmurou Alfred com tristeza.

Quando Jon finalmente acordou, o pânico foi instantâneo. Ele se sentou abruptamente na maca, a respiração ofegante, os olhos azuis — agora nublados — movendo-se freneticamente de um lado para o outro. Ele não ouvia os bipes das máquinas, não ouvia a voz de Damian chamando seu nome. Ele estava preso em um vácuo absoluto.

Dick Grayson, que estava por perto, tentou aproximar-se para acalmá-lo, colocando a mão no ombro do garoto. Jon deu um pulo para trás, um grito mudo morrendo em sua garganta, quase caindo da maca em seu desespero por não reconhecer o toque.

Antes que Jon atingisse o chão, Damian já estava lá. Ele o segurou com firmeza, mas com uma delicadeza que raramente mostrava a qualquer outro ser humano. O corpo de Jon tremia violentamente contra o peito de Damian. Damian, sentindo o coração de Jon disparado, pegou a mão direita do menor e, com o dedo indicador, desenhou letras maiúsculas e lentas na palma da mão dele: D-I-C-K.

Jon relaxou um pouco, embora as lágrimas começassem a escorrer por seu rosto. Ele apertou a mão de Damian, buscando o calor familiar da pele do namorado. Damian olhou para Dick com um olhar que poderia derreter aço, um aviso silencioso para que ele se afastasse.

— Precisamos avisar o Clark e a Lois — disse Dick em voz baixa, embora soubesse que Jon não podia ouvir.

— Não — cortou Damian, a voz ríspida. — A radiação de criptonita sintética ainda está emanando dos poros dele em níveis residuais. Se Clark chegar perto, ele vai enfraquecer em segundos. Jon fica aqui. Comigo. Até que ele esteja limpo.

Dick suspirou, sabendo que não adiantava discutir com o herdeiro de Bruce Wayne quando ele decidia algo.

Nos dias que se seguiram, a mansão Wayne tornou-se o refúgio de Jon. O mundo do garoto de dezesseis anos havia se tornado pequeno, silencioso e escuro. Com 1,69 de altura, ele parecia ainda menor agora, sempre encolhido, sempre buscando a presença de Damian, que com seus 1,78 e ombros largos, tornara-se seu único ponto de referência no vazio.

Uma noite, após Alfred confirmar que a audição de Jon estava começando a dar sinais de melhora — ele conseguia ouvir zumbidos e vibrações fortes, embora ainda vivesse no silêncio —, Damian levou Jon para o seu quarto. Era o único lugar onde eles podiam baixar as guardas. O relacionamento deles ainda era um segredo para as famílias, um tesouro escondido entre missões e patrulhas.

Ao entrarem no quarto, Damian fechou a porta e trancou-a. Ele guiou Jon até a cama larga, sentando-o na beira do colchão. Jon parecia exausto. O esforço constante de tentar entender o mundo sem dois de seus sentidos principais o deixava fisicamente drenado.

Jon estendeu as mãos, procurando por Damian. Quando seus dedos tocaram o tecido da camiseta de Damian, ele se agarrou a ela, puxando o namorado para perto. Damian sentou-se ao lado dele, passando um braço protetor pelos ombros de Jon.

— Dami? — a voz de Jon saiu rouca e incerta, alta demais porque ele não conseguia monitorar o próprio volume. — Você está aqui?

Damian pegou a mão de Jon e a levou ao seu próprio rosto, permitindo que Jon sentisse sua mandíbula forte, o nariz reto e a pele quente. Jon soltou um soluço quebrado e enterrou o rosto no pescoço de Damian.

— Eu não consigo ver nada — sussurrou Jon, as lágrimas molhando a pele de Damian. — É tudo tão escuro, Dami. Eu sinto como se estivesse flutuando no espaço, mas sem as estrelas. Eu estou com medo.

Damian sentiu uma pontada de dor no peito, algo que ele geralmente associava a ferimentos de batalha, mas que agora era puramente emocional. Ele odiava ver Jon assim. O Jon que ele conhecia era o sol, a luz que irritava sua escuridão com otimismo implacável. Ver aquele sol eclipsado era insuportável.

— Você não está sozinho, Kent — murmurou Damian, embora soubesse que Jon não podia ouvir as palavras.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos sem vida de Jon. Damian então começou a beijar o rosto de Jon, tirando as lágrimas com os lábios, movendo-se com uma ternura que faria qualquer um que o conhecesse duvidar de sua identidade. Ele beijou a testa de Jon, as pálpebras fechadas, a ponta do nariz e, finalmente, seus lábios.

O beijo foi lento, carregado de uma promessa silenciosa. Jon correspondeu com desespero, suas mãos subindo para os cabelos escuros de Damian, segurando-o como se ele fosse a única coisa real no universo. Naquele momento, no contato da pele, no calor do hálito compartilhado, a escuridão não parecia tão absoluta.

Damian afastou-se e pegou a mão de Jon novamente, desenhando na palma: "EU ESTOU AQUI. SEMPRE."

Jon sorriu tristemente, encostando a testa na de Damian.

— Por que aconteceu isso, Dami? Eu deveria ser o forte. Eu deveria proteger as pessoas, proteger você.

Damian bufou, um som sarcástico que Jon sentiu através da vibração no peito do outro. Damian pegou a mão de Jon e desenhou: "VOCÊ É UM IDIOTA. EU SOU O BATMAN. EU PROTEJO VOCÊ."

Jon soltou uma risada fraca, a primeira em dias.

— Você ainda não é o Batman, Damian.

— "DETALHES", desenhou Damian na palma dele.

Eles se deitaram na cama, Jon aninhado no peito de Damian, ouvindo as batidas rítmicas do coração do Wayne. Para Jon, aquele som era a única música que restava no mundo. Damian acariciava os cabelos de Jon, seus olhos verdes fixos no teto, brilhando com uma determinação feroz.

Ele não era apenas um assassino treinado ou um herói em ascensão. Ele era Damian Wayne, e ele moveria céus e terras para trazer a luz de volta aos olhos de Jon. Mas, enquanto a luz não vinha, ele seria o guia de Jon através das sombras. Ele seria o som no silêncio e a mão firme na escuridão.

— Dami? — Jon chamou baixinho, já quase pegando no sono.

Damian apertou levemente o braço dele para indicar que estava ouvindo.

— Obrigado por não me deixar cair.

Damian fechou os olhos, permitindo-se um momento de vulnerabilidade. Ele beijou o topo da cabeça de Jon e sussurrou contra seus cabelos:

— Eu nunca deixaria, Jon. Nem se o mundo inteiro estivesse desmoronando.

Naquela noite, no silêncio do quarto, o herdeiro do morcego e o filho do amanhã encontraram um novo tipo de força. Não a força de voar ou de quebrar paredes, mas a força de permanecerem juntos quando tudo o mais havia sido tirado. Damian sabia que o caminho para a recuperação seria longo, e que a arrogância que ele costumava usar como armadura teria que ser substituída por uma paciência que ele nunca soube que possuía. Mas, ao sentir a respiração calma de Jon contra seu peito, ele soube que qualquer sacrifício valeria a pena.

O sarcasmo de Damian ainda estava lá, enterrado sob a superfície, pronto para ser usado contra qualquer um que ousasse olhar torto para Jon. Mas ali, na privacidade daquelas quatro paredes, ele era apenas um jovem que amava alguém mais do que a própria vida. E isso, Damian percebeu, era o poder mais perigoso — e mais real — que ele já possuíra.
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