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a dama e o vagabundo

Fandom: chiquititas

Criado: 22/06/2026

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Entre o Luxo e a Rebeldia

O reflexo no espelho do meu quarto na mansão Almeida Campos era, como sempre, impecável. Eu observava cada detalhe do meu rosto enquanto a música vibrava nos fones de ouvido, abafando o silêncio aristocrático daquela casa. Meus cabelos pretos, longos e com a franja perfeitamente alinhada, moldavam meu rosto de quatorze anos. Meus olhos castanhos, com aquele brilho cor de mel que eu sabia usar muito bem para conseguir o que queria, estavam destacados por uma maquiagem leve, apenas o suficiente para parecer que eu não tinha feito esforço nenhum para ser bonita.

Eu já estava com o uniforme da escola, os tênis brancos limpos e agora terminava de escolher quais anéis de prata usaria. Eu sou Hanna Almeida Campos, filha do Dr. José Ricardo. Para o mundo, para as câmeras e para os jornais, eu sou a herdeira doçura, a menina gentil e inteligente que todos esperam que eu seja. Meu pai já deixou claro: quando ele se for, a herança será dividida entre eu e meu irmão, Júnior. A minha parte? O Orfanato Raio de Luz.

Eu sorri para o espelho, um sorriso que ninguém no orfanato jamais viu. Eu detesto aquelas órfãs. Detesto o cheiro de comida barata, o barulho de criança correndo e aquela carência insuportável que elas exalam. Mas eu sou uma mestre no disfarce. Perto delas, sou a "Hanna boazinha", a filha do patrão que traz um sorriso e palavras doces. É um jogo de cena necessário, afinal, as aparências são tudo na família Almeida Campos.

— Hanna, o carro já está esperando — a voz de uma das empregadas ecoou do outro lado da porta.

— Já estou indo! — respondi com a voz mais doce do meu repertório.

Peguei minha mochila e saí. O dia na escola passou como um borrão de tédio, mas o que realmente importava era o que viria depois. Assim que o sinal tocou, eu não voltei para a mansão. Meu destino era outro. Eu pertenço a um mundo que meu pai nem imagina que existe: a turma do Janjão.

Janjão é o oposto de tudo o que a minha família representa. Ele é bruto, rebelde e o líder do seu grupo. E ele é meu namorado.

Cheguei na casa dele no final da tarde. A mãe dele, uma mulher que já viu de tudo na vida e que me adora, me recebeu com um aceno de cabeça. Ela não se importa com o que fazemos. Ela teve o Janjão muito cedo e sempre diz que, se algo acontecesse comigo, as portas da casa dela estariam abertas. Ela entende a nossa liberdade, algo que eu nunca teria sob o teto de José Ricardo. Lá, eu posso beber, fumar e ser quem eu sou de verdade, sem máscaras.

Subimos para o quarto dele. O ambiente era o nosso refúgio. A porta estava trancada, a janela também, e o quarto tinha aquele isolamento acústico improvisado que nos dava privacidade, embora ainda pudéssemos ouvir o abafado som da rua. Eu já tinha trocado de roupa, vestindo um pijama de renda preta que eu sabia que o deixava louco.

Janjão estava em pé, encostado na parede, me observando com aquele olhar intenso que misturava desejo e uma espécie de adoração. Ele estava em silêncio, provavelmente pensando em como eu conseguia ser tão diferente da menina que o mundo conhecia.

Lá fora, em algum lugar do bairro, um funk tocava alto, o grave fazendo as janelas vibrarem levemente. Eu comecei a me mover no ritmo da música, provocando-o.

— O que foi, Janjão? — perguntei, aproximando-me dele devagar, rebolando com lentidão enquanto mantinha os olhos fixos nos dele. — Perdeu a língua?

Ele deu um sorriso de lado, aquele jeito de quem aceita o desafio.

— Você sabe o que faz comigo, Hanna. Você é um perigo.

Eu continuei a provocação, encostando meu corpo no dele, sentindo a tensão que emanava de cada músculo seu. Eu sabia exatamente como deixá-lo maluco. Rebolei mais uma vez, sentindo o ritmo da batida, e ele não aguentou. Janjão segurou minha cintura com firmeza e retribuiu o movimento, rindo baixo perto do meu ouvido.

— Você não presta — ele sussurrou.

— E é por isso que você me ama — respondi, dando um selinho rápido antes de me afastar e pular na cama.

Pegamos o tablet para assistir "Minha Mãe é uma Peça". Era o nosso momento de relaxar, mas a minha mente nunca parava de querer causar. No meio do filme, eu decidi implicar com ele
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